5. DISCUSSION OF RESULTS
5.4. Factors associated with victimization
O encaminhamento desta investigação apresenta-se como um estudo de caso em que a análise será realizada, predominantemente, pela abordagem qualitativa.
LÜDKE e ANDRÉ (1986) especificam que o estudo de caso é o estudo de um determinado caso e que o interesse incide naquilo que ele tem de único e de particular. A preocupação central, ao desenvolver esse tipo de pesquisa, é a compreensão de uma instância singular. E apresentam as seguintes características ou princípios associados ao estudo de caso, alertando que freqüentemente eles se superpõem às características gerais da pesquisa qualitativa:
1- Os estudos de caso visam à descoberta. Mesmo que o investigador parte de alguns pressupostos teóricos iniciais, ele procurará se manter constantemente atento a novos elementos que podem emergir como importantes durante o estudo. O quadro teórico inicial servirá assim de esqueleto, de estrutura básica a partir da qual novos aspectos poderão ser detectados, novos elementos ou dimensões poderão ser acrescentados, na medida em que o estudo avance.
2- Os estudos de caso enfatizam a “interpretação em contexto”. Um princípio básico desse tipo de estudo é que, para uma apreensão mais completa do objeto, é preciso levar em conta o contexto em que ele se situa. Assim, para compreender melhor a manifestação geral de um problema, as ações, as percepções, os comportamentos e as interações das pessoas devem ser relacionadas à situação específica onde ocorrem ou à problemática determinada a que estão ligadas.
3- Os estudos de caso buscam retratar a realidade de forma completa e profunda. O pesquisar procura revelar a multiplicidade de dimensões presentes numa determinada situação ou problema, focalizando-o como um todo. Esse tipo ode abordagem enfatiza a complexidade natural das situações, evidenciando a inter- relação dos seus componentes.
4- Os estudos de caso usam uma variedade de fontes de informação. Ao desenvolver o estudo de caso, o pesquisador recorre a uma variedade de dados, coletados em diferentes momentos, em situações variadas e com uma variedade de tipos de informantes. [...] Com essa variedade de informações, oriunda de fontes variadas, ele poderá cruzar informações, confirmar ou rejeitar hipóteses, descobrir novos dados, afastar suposições ou levantar hipóteses alternativas.
5- Os estudos de caso revelam experiência vicária e permitem generalizações naturalísticas. O pesquisador procura relatar as suas experiências durante o estudo de modo que o leitor ou usuário possa fazer as suas “generalizações naturalísticas”. A generalização naturalística ocorre em função do conhecimento experiencial do sujeito, no momento em que este tenta associar dados encontrados no estudo com dados que são frutos das suas experiências pessoais.
6- Estudos de caso procuram representar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista presentes numa situação social. Quando o objeto ou a situação estudados podem suscitar opiniões divergentes, o pesquisador vai procurar trazer para o estudo essa divergência de opiniões, revelando ainda o seu próprio ponto de vista sobre a questão. Desse modo é deixado aos usuários do estudo tirarem conclusões sobre esses aspectos contraditórios.
7- Os relatos do estudo de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa. Os dados do estudo de caso podem ser apresentados numa variedade de forma [...]. Os relatos escritos apresentam, geralmente, um estilo informal, narrativo, ilustrado por figuras de linguagem, citações, exemplos e descrições. (ibid., p.18-20)
Ainda, segundo Lüdke e André, alguns autores acreditam que todo estudo de caso é qualitativo. Entretanto advertem: “o estudo qualitativo é o que se desenvolve numa situação natural, é rico em dados descritivos, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada” (ibid., p.18).
Sobre a pesquisa qualitativa, BOGDAN & BIKLEN (1994) apresentam cinco características básicas que caracterizariam esse tipo de estudo:
1- A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. A pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada.
2- Os dados coletados são predominantemente descritivos. O material obtido nessas pesquisas é rico em descrições de pessoas, situações, acontecimentos; inclui transcrições de entrevistas e de depoimentos, fotografias, desenhos e extratos de vários tipos de documentos.
3- A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto. O interesse do pesquisador ao estudar um determinado problema é verificar como ele se manifesta nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas.
4- O “significado” que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador. Nesses estudos há sempre uma tentativa de capturar a “perspectiva dos participantes”, isto é, a maneira como os informantes encaram as questões que estão sendo focalizadas.
5- A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo. Os pesquisadores não se preocupam em buscar evidências que comprovem hipóteses definidas antes do início dos estudos. As abstrações se formam ou se consolidam basicamente a partir da inspeção dos dados num processo de baixo para cima.
A quinta característica da abordagem qualitativa apresentada, vem ao encontro do ocorrido nesta pesquisa. O foco principal (a didática intercomunicativa) surgiu depois da conclusão do curso, a partir da percepção e vivência da pesquisadora no processo como um todo, e da revisita ao ambiente virtual de aprendizagem, onde tudo ficou armazenado.
O processo desencadeado pela pesquisa orientou-se segundo as considerações apresentadas por Lüdke e André: “o fato de não existirem hipóteses ou questões específicas formuladas a priori não implica a inexistência de um quadro teórico que oriente a coleta e a análise dos dados. O desenvolvimento do estudo aproxima-se a um funil: no início há questões ou focos de interesse muito amplos, que no final se tornam mais diretos e específicos” (1986, p.13, grifo das autoras).
BOGDAN & BIKLEN (1994) informam que são esperadas algumas posturas e práticas do pesquisador que trabalha com pesquisa qualitativa:
1. Busca apreender as diversas perspectivas do fenômeno em estudo; questiona, o tempo todo, os participantes, com o fim de apreender o seu estar-no-mundo: como concebem o mundo em que vivem, como vivenciam e interpretam as suas experiências, como organizam o seu mundo, etc.
2. Por trabalhar numa perspectiva qualitativa, deve tentar superar suas concepções do senso comum, sua visão de mundo, tendo consciência de que elas interferem na sua interpretação da realidade em estudo, propondo-se um estranhamento do visto, ouvido, falado ou sentido, já que neste aspecto reside uma das críticas enfrentadas pelos investigadores qualitativos, a de que os seus preconceitos e atitudes influenciam os dados, em função da subjetividade da interpretação e da relevância do seu papel em todo o processo.
Também abordando essa última questão, ANDRÉ (1995) informa que na maior parte das vezes a pesquisa qualitativa é realizada em um ambiente muito familiar ao pesquisador, quando não no seu próprio ambiente de trabalho, e isto pode levar a uma confusão entre sujeito e objeto do estudo. O grande desafio nesses casos é trabalhar o envolvimento e a subjetividade, mantendo o necessário distanciamento que requer um trabalho científico. Uma das formas de lidar com essa questão tem sido o estranhamento - um esforço sistemático de análise de uma situação familiar como se fosse estranha.
Com o intuito de desenvolver esta pesquisa e vivenciar de forma ampla todos os passos de um curso online – do esboço à realização -, no “Curso de Capacitação de Tutores” do Sebrae-SP assumo os papéis de conteudista, designer instrucional (DI) e professora, o que me possibilita uma visão diferenciada do processo. Vale ressaltar que todos esses papéis me foram designados sob a condição de estagiária voluntária e sob a coordenação e supervisão da Profª.Drª. Vani Moreira Kenski20.
Como conteudista, assumo a responsabilidade de elaborar textos, atividades e formas de avaliação contextualizadas e em sintonia com o tema principal proposto, respeitando as características do público-alvo e o objetivo principal do curso.
A função de DI, em conjunto com o papel de conteudista, me possibilita uma rica experiência. Nesta função assumo a tarefa de adaptar os textos, as atividades e os processos avaliativos ao formato considerado ideal para a metodologia de cursos online com abordagem de ensino colaborativa e os objetivos e características específicas do Sebrae-SP.
No papel de professora tenho várias responsabilidades, dentre elas a de intermediar a relação alunos/materiais; motivar e estimular a aprendizagem através da participação dos alunos nos debates propostos em fóruns e chats, na realização das atividades propostas, nas respostas às questões e dúvidas apresentadas; na boa utilização das diversas ferramentas ou dispositivos presentes no LMS (Learning Management System); na constante avaliação do desempenho dos alunos; etc.
Dentro desse processo, a coleta de dados desta pesquisa ocorreu pela observação participante, que, segundo Gil, “consiste na participação real do observador na vida da comunidade, do grupo ou de uma situação determinada” (1994, p.107). Para Bodgan e Biklen, esta modalidade de observação é uma atividade em que “o investigador introduz-se no mundo das pessoas que pretende estudar, tenta conhecê-las, dar-se a conhecer e ganhar a sua confiança, elaborando um projeto escrito e sistemático de tudo aquilo que ouve e observa”. (1994, p.16)
Ainda, segundo GIL, a observação participante apresenta algumas vantagens e desvantagens em relação às outras modalidades de observação. As principais vantagens
20 Diretora da empresa SITE Educacional, incubada no CIETEC/IPEN/USP, especializada em soluções
pedagógicas para o desenvolvimento de atividades de ensino online e que foi contratada pelo Sebrae-SP para o desenvolvimento do curso em todas as suas fases.
podem ser relacionadas com base nas ponderações do antropólogo Florence Kluckhohn, citado por GIL (1994):
1. Facilita o rápido acesso a dados sobre situações habituais em que os membros das comunidades se encontram envolvidos.
2. Possibilita o acesso a dados que a comunidade ou grupo considera de domínio privado.
3. Possibilita captar as palavras de esclarecimento que acompanham o comportamento dos observados.
As desvantagens, por sua vez, referem-se especialmente às restrições determinadas pelos papéis assumidos pelo pesquisador.
Por se tratar, predominantemente, de conteúdo já existente e disponível em um ambiente virtual de aprendizagem (LMS), a sistematização e operacionalização da pesquisa se deu pela metodologia de análise de conteúdo, que Bardin assim a define:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não), que permitam a interferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens. (2004, p.37)
O objetivo dessa análise consiste na manipulação de mensagens (conteúdo e expressão desse conteúdo), para evidenciar os indicadores que permitam inferir sobre uma outra realidade que não a da mensagem.
Uma das principais características que define a análise de conteúdo é a busca do entendimento da comunicação entre os homens, apoiando-se no (re)conhecimento do que foi escrito nas mensagens. Neste tipo de análise, não se quer saber apenas “o que se diz”, mas “o que se quis dizer” com tal manifestação.
As diferentes fases da análise do conteúdo organizam-se em torno de três pólos: pré- análise; descrição analítica e interpretação referencial, assim descritos:
1- Pré-análise: organização do material (seleção dos documentos).
2- Descrição analítica: os documentos são analisados, tomando como base suas hipóteses e referenciais teóricos. Neste momento é que se criam os temas de estudo e se pode fazer a sua codificação, classificação e/ou categorização.
3- Interpretação referencial: é neste momento que, a partir dos dados empíricos e informações coletadas, se estabelecem relações entre o objeto de análise e de
contexto mais amplo, chegando, até mesmo, a reflexões que estabeleçam novos paradigmas nas estruturas e relações estudadas. (ibid., p.95)
Com relação às categorias de análise do conteúdo, algumas foram definidas logo no início da pesquisa, mas outras emergiram com o amadurecimento da investigação.
Na interação ocorrida entre professor e alunos e entre eles, perceberam-se elementos chaves motivadores de participação ativa no curso.
É em torno das categorias abaixo que procurou-se basear a análise e a interpretação dos dados.
PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA: tomada de decisões coletivas; replanejamento; PROCESSOS COMUNICATIVOS QUE FIZERAM DIFERENÇA: interação; feedback;
atendimento personalizado; TRABALHOS EM GRUPO;
MOTIVAÇÃO PARA PARTICIPAR E APRENDER;
REFLEXÃO E CRITICIDADE A PARTIR DA PRÓPRIA APRENDIZAGEM: revendo conceitos; criando conceitos.