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2. METHODS

2.4.  Measurements

FRANCISCO GUTIÉRREZ e DANIEL PRIETO (1994) consideram que um dos problemas mais graves da educação universitária na América Latina é a presença de um discurso educativo não mediado pedagogicamente, tanto na relação presencial quanto nos materiais utilizados. Convencidos do valor e da necessidade de tal mediação em todo o processo pedagógico para dar sentido à educação, foi na educação a distância (pré-Internet) que os autores perceberam o seu maior grau de importância. Para eles, enquanto na relação presencial a mediação depende quase sempre da capacidade e da paixão do docente, na EAD os materiais precisam encarnar essa paixão.

Tendo como horizonte uma educação concebida como participação, criatividade, expressividade e relacionamento, os autores entendem por mediação pedagógica o “tratamento de conteúdos e formas de expressão dos diferentes temas, a fim de tornar possível o ato educativo” (Gutiérrez e Prieto, 1994, p.8). E é no contexto destas concepções que propõem a mediação pedagógica em uma educação a distância “alternativa” - alternativa em razão de suas inovações metodológicas, dos materiais didáticos utilizados e dos recursos e procedimentos na transferência e processamento da informação. Tal proposta visa combater o modelo de educação a distância vigente na América Latina desde a década de 1970, que tem como principais características o ensino industrializado, consumista, institucionalizado, autoritário e massificante.

Contudo, “um produto alternativo não é possível sem um processo alternativo” (ibid., p.23). Com base neste pensamento, os autores entendem que de nada vale exigir materiais com intenção transformadora se não há transformação na maneira de produzi-los, distribuí-los e utilizá-los. Ao comparar a proposta alternativa com a tradicional, apresentam quatro fases dos materiais para EAD: produção; produto; distribuição e uso.

Na produção, a proposta apóia-se no trabalho em equipe opondo-se ao produtor isolado. Para os autores, o isolamento significa, em Educação a Distância, um autor do

conteúdo, um especialista em pedagogia e um produtor visual que não trocam idéias, apenas se conhecem. Cada um considera uma parte do processo que lhe cabe. Os resultados são imagens em contradição com o texto, enormes quantidades de informação, etc.

As formas de organização alternativa também fazem parte da proposta da fase de produção dos materiais para EAD. Uma organização alternativa para a comunicação e para a produção de materiais é composta de pessoas que realizam intercâmbio constante de experiências, têm relação de amizade, clareza na filosofia, nas metodologias e nos resultados alcançados - conceito de co-responsabilidade.

A criação de um curso online (colaborativo ou não) também deve ser realizada por uma equipe que, além das características mencionadas acima, deve ser multidisciplinar. Segundo Moore e Kearsley, “o preparo de um curso de educação a distância requer não apenas o especialista em conteúdo, mas também profissionais da área de instrução, que possam organizar o conteúdo de acordo com aquilo que é conhecido a respeito da teoria e da prática do gerenciamento da informação e da teoria do aprendizado”. (2007, p.15).

Na fase do produto, ao tratar de alternativas nos produtos de comunicação, fala-se do modo como são apresentadas as palavras e as imagens. A forma como as mensagens são escritas determina, em boa parte, seu conteúdo. Portanto, propõem-se alternativas ao autoritarismo, ao todo expresso (o texto carregado de informações, nada há a acrescentar, não sobra nada ao aluno), à mediocridade (os materiais são carentes de beleza, feitos como para cumprir uma ordem apenas), ao dirigismo (responda a essas perguntas e poderá seguir adiante), à parcialidade (dados pretendendo representar tudo o que se pode dizer do tema), à incoerência (o texto vai por um lado e a imagem por outro, leituras e ilustrações quase sem conexão).

Segundo os autores, o alternativo no produto diz respeito à informação selecionada e ao modo de apresentá-la - pela beleza das palavras e imagens, pela abertura da obra e busca de envolvimento do interlocutor. Para alcançar tudo isto, são propostos três diferentes tratamentos para os materiais:

Com base no tema. Este tratamento compreende quatro aspectos: 1) O situar a temática: dar ao aluno uma visão global do conteúdo.

3) Estratégias de linguagem: usar a linguagem nos textos para desvelar, indicar, demonstrar, explicar, significar, relacionar e enriquecer o tema.

4) Conceitos básicos: partir de acordo mínimo sobre o significado dos conceitos básicos utilizados.

Com base na aprendizagem. Essa fase trata das estratégias pedagógicas e apóia-se numa necessária sustentação teórica que abrange a auto-aprendizagem; o interlocutor presente e o jogo pedagógico.

Com base na forma. Esse tratamento é entendido por GUTIÉRREZ e PRIETO (1994) como a síntese do processo de mediação. A intensificação do significado para a apropriação do conteúdo por parte dos alunos, depende da beleza, expressividade, originalidade e coerência da forma.

Em cursos online, em virtude da veiculação dos materiais ocorrer por meio de diferentes e variadas tecnologias de informação e comunicação, eles precisam ser elaborados por especialistas que saibam como fazer o melhor uso de cada tecnologia disponível. Embora existam profissionais com boa aptidão em desenvolver conteúdo e suas respectivas estratégias pedagógicas, e também possuam fluência tecnológica, o ideal é que essas responsabilidades sejam assumidas por especialistas diferentes. De acordo com Moore e Kearsley,

os profissionais que criam as instruções devem trabalhar com os especialistas em conteúdo para ajudá-los a decidir sobre assuntos como: os objetivos do curso, os exercícios e as atividades que os alunos deverão realizar, o layout do texto e as ilustrações (seja em exemplares impressos ou em materiais pela Internet), o conteúdo de segmentos gravados em áudio ou vídeo e as questões para sessões interativas nas salas de bate-papo on-line ou por áudio ou videoconferência. Designers gráficos, programadores de Internet e outros especialistas em mídia devem ser agrupados para transformar as idéias dos especialistas em conteúdo e dos profissionais que elaboram as instruções em materiais e programas do curso, de boa qualidade. (2007, p.15)

Na distribuição, Gutiérrez e Prieto advertem que “cegos pela presença e pelo poder dos meios de difusão coletiva, muitas vezes não prestamos a devida atenção às formas de distribuição de mensagens em qualquer sociedade” (1994, p.26). E apontam dois problemas nisto: (1) a unidirecionalidade e (2) a falta de acompanhamento.

Na distribuição tradicional, a unidirecionalidade é representada pela instituição que fica como única fonte de informação: tudo vem dela e nada vai a ela. Já uma distribuição alternativa é planejada de forma que a instituição tenha rosto. Ela é constituída de seres capazes de dar parte de seu tempo para entrar em contato com os educandos.

O acompanhamento é tido pelos autores como um dos maiores dramas da educação a distância. Não se pode crer que uma mensagem seja suficiente para estabelecer uma relação educativa, nem tão pouco que com um simples material se pode orientar em tudo o que se refere à aprendizagem. O acompanhamento supõe uma corrente contínua de mensagens. A distribuição é um processo de circulação em todas as direções: dos interlocutores com a instituição, dos interlocutores entre si como grupo, dos interlocutores com uma rede intergrupal.

Em cursos online colaborativos esses dois problemas não podem existir, uma vez que a constante interação entre professor/alunos e alunos/alunos é inerente a esse tipo de curso.

Segundo Moore e Kearsley, o conceito de interação surgiu com John Dewey e foi desenvolvido por Boyd e Apps que assim a explicaram: “a interação implica a inter-relação do ambiente e das pessoas com os padrões de comportamento em uma situação” (2007, p.240). Na EAD online, a interação é a inter-relação entre professores e alunos fisicamente distantes e, de acordo com a teoria da distância transacional desenvolvida por MOORE (2002), é essa distância física que conduz a um hiato na comunicação: um espaço psicológico de compreensões errôneas potenciais que precisa ser superado por técnicas especiais de ensino-aprendizagem online. Tais técnicas podem ser entendidas como o processo didático- pedagógico e metodológico adotado e que será responsável por não haver unidirecionalidade e falta de acompanhamento.

A fase do uso significa a apropriação do material para desenvolver a aprendizagem. Não apenas como auto-aprendizagem, mas, principalmente, como interaprendizagem (com o tutor, com os outros alunos e com membros da comunidade em que vive).

No uso tradicional, as instruções recebidas pelos alunos são reduzidas a verificações de conhecimento ou a esforços de memorização. Não há estímulos para trabalhar com o próprio contexto, para buscar informação, para situar, analisar e resolver problemas, para criar e construir conhecimentos. Um uso alternativo compromete os interlocutores num processo ativo de aprendizagem. Orienta-se para uma leitura diferente, para oferecer recursos para uma leitura em profundidade da própria situação social.

Em sintonia com o proposto, na abordagem colaborativa de ensino-aprendizagem são elaboradas atividades em que o aluno é levado a interagir com os colegas e com o professor (trabalho em grupo, seminários, discussões, simulações e dramatizações, debate entre

pequenos grupos, etc.), proporcionando facilidade na apropriação do conteúdo trabalhado. Conforme adverte Moore e Kearsley,

algumas das causas mais comuns de fracasso na educação a distância resultam de uma inobservância da natureza multidimensional do ensino a distância. [...] Fazer simplesmente uma apresentação em vídeo ou colocar material em um website não significa um ensino melhor do que seria enviar aos alunos um livro pelo correio. [...] Se existe algum segredo para o ensino de qualidade, ele está resumido na palavra atividade. (2007, p.154, grifo dos autores)

Os pressupostos da mediação pedagógica para uma educação a distância alternativa encontra na proposta dos cursos online colaborativos a possibilidade de sua aplicação na EAD via Internet, uma vez que este tipo de curso propicia maior integração entre os participantes, envolvimento e compromisso social, formação do cidadão participativo e comprometido com a melhoria da sua aprendizagem e do grupo social.