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Substance abuse, suicide and accidents

5.2 Gender differences in health

5.2.4 Substance abuse, suicide and accidents

O Cerrado é uma das cinco principais fitofisionomias do Brasil, com roedores característicos e adaptados ao seu meio ambiente. (Ab'Saber 1977 apud Pereira, 2006). É um habitat com a vegetação típica do Brasil central, presente em oito unidades federadas, incluindo o Distrito Federal (Coutinho, 1978 apud Pereira, 2006). Sua fauna de roedores é composta por 12 espécies e encontra adaptada à alimentação herbívora, principalmente representada

60 pelos gêneros Calomys, Necromys e Akodon, com algumas espécies de vida semi-fossorial (Necromys lasiurus – o mais abundante) e outras de vida arbórea e entre pedras (Musser e Carleton, 1993 apud Pereira, 2006).

Culturas, como o capim braquiária, deixam linhas remanescentes após a colheita, favorecendo a permanência dos roedores, com oferta de abrigo e alimentos, com as raízes e com as sementes. Estas alterações, próprias da ação antrópica, podem contribuir com o crescimento populacional dos roedores e acarretar a transmissão da hantavirose. Certos roedores silvestres conseguem adentrar residências humanas, com comportamento próximo aos roedores sinantrópicos (ex. Rattus novergicus), que estão nos ambientes urbanos, são oportunistas, aproveitando-se da antropização, sendo representados no Cerrado, pelo Necromys lasiurus e pelo Calomys tener. As alterações na vegetação nativa com a introdução de plantas de interesse comercial favorecem os roedores existentes na natureza (Pereira, 2006).

As edificações nas áreas rurais ou próximas a estas podem ser desconformes com as normas de segurança, quanto à infestação de roedores, incluindo a distância da vegetação e os componentes facilitadores da invasão e dificultadores da higiene. A expansão das cidades, com surgimento de vilas periféricas, ou com loteamento de antigas fazendas incrementa as oportunidades para roedores oportunistas (Pereira, 2006).

A maioria dos casos de hantavirose do Cerrado brasileiro, incluindo o Distrito Federal, ocorreu com a provável transmissão em habitações próximas ao cultivo de capim braquiária, e também próximo a outros cultivos. A prevalência de Necromys lasiurus encontrado neste habitat foi de 10,7%, classificada como elevada. Exemplares desta espécie, capturados entre 1998 e 2003, no Brasil, foram testados para detecção de IgM específico de hantavirose, e encontrou-se cerca de 15% de reagentes. Além do Cerrado esta espécie foi encontrada na Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica, demonstrando grande adaptabilidade, incluindo ambientes antropizados (Pereira, 2006).

61 Nos estudos de campo, na área de capim braquiária ocorreram a maioria das capturas (70,3%) de roedores silvestres, com predomínio de Necromys lasiurus com 42,3% dos exemplares. Nesta espécie foi observada maior frequência de roedores com anticorpos no inverno, estação do ano também seca no Cerrado, que induz ao maior adensamento de roedores, pela retração expressiva de biomassa, aumentado as disputas entre roedores por alimentos e território e incrementando a transmissão horizontal nesta espécie (Pereira, 2006).

As características do Necromys lasiurus encontrado no Cerrado de Minas Gerais eram com pelagem dorsal macia e densa, com pelos longos, de coloração marrom clara, podendo ser muito escura e tingida de cinza ou tons ocres; cauda curta coberta por pelos grossos e densos; patas robustas, com pelos claros e garras fortes; focinho rombudo e orelhas grandes e nuas; seis almofadas plantares e oito mamas (Lund 1841 apud Pereira, 2006). Desde 1992, 43 novas espécies de roedores foram descritas na América do Sul, indicando a necessidade de pesquisas permanentes neste segmento (Pereira, 2006).

Em estudo de sequência genômica, foi identificada a presença do vírus Araraquara (ARQV) no Necromys lasiurus, capturado no Cerrado brasileiro (Suzuki et al., 2004), e em 2004 foram identificadas estas sequências em Necromys lasiurus capturados durante investigação de surto de hantavirose no DF, apesar do predomínio de Calomys calosus entre os roedores capturados (Bisordi, 2004).

Na década de 2000, foi realizado um estudo na Estação Ecológica das Águas Emendadas (ESECAE), no Distrito Federal, da população de roedores silvestres e houve captura de cinco espécies, com destaque para a ocorrência de três: Necromius lasiurus, Calomys tener e Thalpomys lasiotis, com elevado predomínio da primeira, que representou 63% das capturas e ocorrência predominante em adensamento de gramíneas (Rocha, 2011). Entre maio de 2008 e fevereiro de 2009, em outro estudo em sete sítios de duas Áreas de Proteção Ambiental (APA) do DF (APA-Cabeça de Veado e APA-Cafuringa) foram encontradas oito espécies de roedores silvestres, entre

62 157 indivíduos, com predomínio do Calomys tener, sendo que a captura de Necromys lasiurus foi menor que a metade do primeiro (Santos et al., 2009). Durante dois meses, entre dezembro de 2000 e janeiro de 2001, na Reserva Ecológica do IBGE (RECOR) do DF, foram feitas capturas de Necromys lasiurus e Oryzomys scotti (Vieira et al., 2005). No Parque Nacional das Emas, em Goiás, o N. lasiurus representou 86,7% dos pequenos mamíferos capturados (Becker, 2007).

Observação: a nomenclatura taxonômica de roedores foi alterada, com a espécie Necromys lasiurus (Musser e Carleton, 2005 apud Pereira, 2006) sendo o nome anterior: Bolomys lasiurus, não mais utilizado. Em todo o texto alteramos o nome antigo, quando aparece nas referências científicas, para o atual.

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4 ASPECTOS CLÍNICOS

4.1 Conceitos básicos

A definição de doença, de forma simplificada, pode ser extraída da sua origem etmológica no latim: “dolentia”, que significa dor. As doenças podem ser orgânicas ou funcionais, nas quais nenhuma lesão pode ser encontrada. Podem ser associadas à profissão, dependentes do meio ambiente ou hereditárias, da “pobreza” ou da “riqueza”. Muitas doenças curam-se sem tratamento; algumas se prolongam - são as crônicas; algumas se agravam com desfecho fatal (Porto e Zicker, 2009).

A doença ou enfermidade ou condição mórbida resultam da sequência de fatos peculiares na relação da espécie humana com o meio ambiente, em que as funções fisiológicas são alteradas com prejuízo parcial ou sistêmico do organismo. É reconhecida como um processo dinâmico para a espécie humana, integrando uma compreensão cujos seus limites são imprecisos, em comum com o conceito de saúde. Assim estudiosos elaboraram o conceito de história natural da doença para que fosse possível abordar a complexidade deste tema (Leavell e Clark, 1976).

A história natural da doença é o conjunto de processos interativos que compreendem as inter-relações do agente, do susceptível e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações, que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte. Nela verificam-se dois períodos, o epidemiológico e o patológico. No primeiro ocorrem as relações suscetível-ambiente e no segundo ocorrem as modificações no organismo vivo (Leavell e Clark, 1976).

Elaborado no marco da lógica formal, que suporta a teoria da multicausalidade, tem abordagem suplementar, ou até mesmo substitutiva com o segmento científico que elaborou, pretensamente com a lógica dialética, a teoria da determinação social do processo saúde doença. Esta

64 reconhece vários componentes da multicausalidade, porém conduz à compreensão de que o componente ambiente tem o pressuposto que os seres humanos participam do processo saúde doença de forma diferenciada, dependendo da classe social que integram, segundo elaboração de Karl Marx no século XIX (Breilh e Granda, 1985) Nos primórdios da Medicina Social, pesquisadores elencaram os elementos sociais e políticos (Guerin, 1848; apud Nunes, 1985), sem progredir para um caráter de determinação, constituindo-se em uma segunda corrente. A negação da importância da multicausalidade em prol da determinação social do processo saúde doença, de conteúdo eminentemente político, aparece nas reflexões de alguns autores identificando esta teoria como insuficiente para responder ao tema (Campos, 2012).

Uma vez que a doença se manifesta, isto é, quando a relação parasito-hospedeiro atravessa o horizonte clínico estabelecem-se as condições para a prática clínica que introduzida milenarmente foi fortemente alterada com as inovações tecnológicas, no cuidado do doente. A avaliação clínica utiliza técnicas de entrevista com informações diversas do doente, denominada anamnese, e o exame do corpo feito diretamente pelas mãos de médico e outras vezes com o uso de instrumentos, cada vez mais modernos (Porto e Zicker, 2009).

Na primeira abordagem desta avaliação, a consulta médica, no caso de doenças infecciosas, o profissional aplica seu saber na elaboração de hipóteses diagnósticas e faz recomendações, muitas vezes com o uso de medicamentos ou cirurgias. Estas hipóteses diagnósticas inicialmente são sindrômicas e, durante o acompanhamento clínico do doente, combina as novas informações propedêuticas na busca do diagnóstico etiológico, para classificar o evento especificamente, estabelecendo qual doença está instalada. Como muitas doenças se assemelham em fases específicas de sua evolução, o método clínico oferece o diagnóstico diferencial, arrolando algumas possibilidades etiológicas sustentáveis pelo diagnóstico sindrômico de cada fase. Esta dinâmica é construída para direcionar as orientações e tratamento especificamente ao contexto do paciente (Porto e Zicker, 2009).

65 Muitas vezes o acompanhamento clínico ocorre sem a etiologia, ou mesmo com a etiologia conhecida, a abordagem segue sindrômica. Isto ocorre com algumas doenças que têm várias formas de apresentação, configurando um espetro clínico, isto é, apresentando-se desde formas leves até formas gravíssimas, dependendo de vários componentes do equilíbrio do hospedeiro com patógeno e com o ambiente (Gelman et al., 1976). Por exemplo, a leptospirose pode apresentar-se como uma síndrome com hemorragia e icterícia ou como uma síndrome respiratória febril. A mononucleose infecciosa, a brucelose e a esclerose múltipla, entre outras, são conhecidas como “doença das mil faces”.