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There are still fewer female than male executives in business

6.3 Women in management

6.3.1 There are still fewer female than male executives in business

A epidemiologia usa populações como objeto da sua elaboração, diferenciando-se da medicina clínica e de outras ciências biomédicas que observam um pequeno número de indivíduos. A pesquisa epidemiológica é empírica, com coleta sistemática de dados com quantificações em eventos de saúde de uma população definida. Três procedimentos matemáticos são empregados: mensuração de variáveis, estimação de parâmetros e testes de hipótese. Para lidar com a causalidade, a pesquisa epidemiológica substitui o modelo determinístico pelo probabilístico. Este modelo diz quantos vão adoecer, mas não identifica os indivíduos que serão atingidos. São estimados parâmetros causais para populações ao invés de parâmetros determinísticos para cada pessoa. Disto decorre alguma incerteza, que implica no uso do termo fator de risco. Fator de risco e fator de prognóstico interessam à pesquisa epidemiológica. O método científico de sua inserção busca conectar

103 observações e teoria. Com base na análise de dados, a hipótese é aceita ou rejeitada, redundando nas inferências causais. Em seguida a teoria pode ser reformulada gerando novas hipóteses (Bloch e Coutinho, 2008).

A observação sistemática de fenômenos da saúde populacional com o uso de teoria, análise e interpretação, comparando grupos, compõe os desenhos de estudo em epidemiologia. Os desenhos de estudos podem ser agrupados por modo de alocação dos indivíduos em grupos de comparação e no controle que o investigador tem sobre a exposição. Assim os estudos experimentais, como os ensaios clínicos e os estudos de intervenção em uma população, a alocação é aleatória e o investigador controla a exposição. Nos estudos quasi-experimentais o investigador controla a exposição, mas a alocação em grupos não é aleatória. Nos estudos observacionais o investigador não controla nem a observação nem a alocação dos indivíduos. Estas características redundam em condições éticas diferenciadas entre estes grupos (Bloch e Coutinho, 2008).

Os estudos observacionais têm elementos descritivos e analíticos, com três dimensões: estratégias de observação, seleção e unidades de observação. As estratégias podem ser de observação única, dita seccional, ou longitudinal, quando são feitas duas ou maiss observações em tempos diferentes. A seleção pode ser censitária, quando todos os integrantes da população participam do estudo, ou amostral. A unidade de análise depende se os dados foram obtidos de indivíduos ou de conglomerados de indivíduos (Bloch e Coutinho, 2008).

Segundo estas três dimensões surgem os seguintes tipos de estudos observacionais: i- coorte: é um estudo longitudinal de base populacional em que um conjunto de indivíduos sem a doença de interesse é observado, e são classificados em grupos segundo o grau de exposição e as informações são obtidas no nível individual; ii- caso-controle: é um estudo longitudinal em que casos da doença são classificados segundo grau de exposição, é formado um grupo controle de comparação e as informações são obtidas no nível individual; iii- seccional-transversal (Klein e Bloch, 2008): as informações são obtidas num mesmo momento de uma população censitária

104 ou amostral no nível individual; iv: ecológico: é um estudo seccional em que as informações são obtidas num mesmo momento, de uma população censitária ou amostral no nível agregado. Variações destes estudos e seus usos combinados – estudos híbridos, ampliam as possibilidades de pesquisa epidemiológica (Bloch e Coutinho, 2008).

A identificação e recrutamento de participantes, a coleta e a captura de dados em pesquisa ordenam os métodos de campo. O delineamento do estudo enseja uma gama variada de situações para o recrutamento de participantes, implicando em muitas alternativas para alcançá-los, respeitada a população de estudo. Em geral os ensaios em comunidade incluem educação em saúde pública. A obtenção de altas taxas de respostas vem sendo um importante obstáculo para qualidade dos estudos. As barreiras para entrevistas têm se levado. O uso de incentivo deve ser considerado, ressalvadas as diretrizes e normas da ética em pesquisa. A reputação da instituição que abriga o projeto pode ser útil e uma carta de aviso antecipado também contribui na adesão. Entrevistas presenciais aumentam a adesão, têm maior legitimidade, mas de custo mais elevado. Em todos os cenários a participação é menor para coletas de sangue que para entrevistas. Uso de correio, telefone, internet e entrevistas presenciais requerem abordagens distintas. Os usos de pré-testes, em geral, superestimam a adesão. Os vieses de seleção são difíceis de superar, mesmo com baixa recusa (Hartge e Hill, 2011).

Os questionários são a viga mestra de investigações epidemiológicas. Porém o grau de cooperação, a fadiga, os significados, a memória e a honestidade podem comprometer a fidedignidade dos dados registrados. Para a coleta de dados, tem sido crescente a substituição do formulário impresso por equipamentos eletrônicos com meios para registros de respostas (questionário eletrônico). O uso de questões fechadas predomina, incluindo algumas que são pré-registradas, porém questões abertas complementares podem auxiliar. O fraseado deve ser ajustado, com cuidado especial para aspectos culturais, termos técnicos e quantificações relativas. Questões curtas são mais claras, mas às vezes é necessário que

105 sejam longas. Uma série longa de perguntas sobre um mesmo tópico cansa o respondente. Dieta usual e vida ocupacional ou residencial podem consumir 10 a 20 minutos cada. A ordem das perguntas também pode afetar as respostas, sendo pertinente que os tópicos sensíveis fiquem para o final (Hartge e Hill, 2011).

O formato das respostas também merece atenção. A padronização de instrumentos impede que os entrevistadores persistam em um assunto, e confere uniformidade à coleta de dados de cada participante. Respondentes substitutos ('proxi') devem ser registrados. Entrevistas presenciais levam de 60 a 90 minutos, e as demais são mais curtas. O treinamento da equipe de entrevistadores requer intensa atenção, incluindo o acompanhamento pelo pesquisador. Entrevistas presenciais podem utilizar recursos que ativem a memória do entrevistado, com uso de gravuras. Para coleta de sangue é necessário um protocolo minucioso e considerar todas as possibilidades de erro, inclusive é muito recomendável investigar a reprodutibilidade. Um exemplo de protocolo sugere volumes de 9 a 92 mL de sangue coletado, dependendo da idade. O registro de dados de posicionamento geográfico agrega maior compreensão de desfechos de doenças. O uso de prontuários médicos é complexo e tem idiossincrasias. A captura de dados consiste em elaboração de tabelas com dados coletados e aplicação das codificações programadas, quando indicado. Os epidemiologistas têm que trabalhar perto da equipe e manter a responsabilidade pela condução do estudo (Hartge e Hill, 2011). Diferente da vigilância epidemiológica, a pesquisa requer atenção especial: a intensidade da preocupação do pesquisador em não induzir respostas deve ser muito maior. Afinal, na investigação epidemiológica, muitas vezes, algumas perguntas devem ser mais bem explicadas ao entrevistado.