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Studier på pasienter med HFpEF

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3. Resultater

3.2 Studier på pasienter med HFpEF

Já referimos ao longo desta revisão que as políticas dirigidas ao envelhecimento, quer sociais, de saúde ou mesmo económicas, investem no sentido do melhorar o bem-estar das pessoas ao longo da vida, preocupando-se sobretudo com os mais velhos. O bem-estar subjetivo tem sido

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foco de um debate situado no espaço das políticas públicas, como aspiração societal decisiva

para as estratégias de saúde pública e promoção de um “envelhecimento ativo” e saudável, nos

países desenvolvidos. À medida que a longevidade aumenta e a medicina avança com o tratamento de doenças, cresce a importância da manutenção do bem-estar nas idades mais avançadas (Steptoe, Deaton & Stone, 2015).

O bem-estar das pessoas pode ser entendido e medido através de diversas formas e indicadores, podendo subdividir-se em i) bem-estar psicológico, ii) bem-estar subjetivo. O bem-estar subjetivo acentua a importância de se avaliar a experiência subjetiva da vida, em oposição a uma avaliação das condições de vida propriamente ditas. A medição do bem-estar subjetivo abrange dois componentes principais: i) os afetos, incluindo emoções negativas e positivas; ii) uma componente cognitiva denominada de satisfação com a vida (Berg, 2008). Para esta investigação, interessa-nos, sobretudo, a satisfação com a vida como indicador de um envelhecimento com bem-estar, definida por Diener (1984, cit. por Berg, 2008:3) como: "uma avaliação global julgamento cognitivo da vida, que pode ser influenciada pelos afetos mas não

é, por si só, uma medida direta da emoção”. Esta forma de medir a componente cognitiva do

bem-estar subjetivo trata de um conceito, entre muitos outros existentes, que reflete as condições de uma vida boa e está, igualmente, relacionado com o conceitos qualidade de vida, envolvendo julgamentos subjetivos dos indivíduos sobre a qualidade das suas vidas (Veenhoven, 1991). A abordagem avaliativa é baseada numa avaliação global da vida e é medida na sua forma mais crua, simplesmente perguntando às pessoas em que medida estão satisfeitas com a sua vida.

As investigações sobre o bem-estar subjetivo subdividem-se em duas perspetivas:

i) As abordagens bottom-up enfatizam circunstâncias objetivas e constroem-se com o

pressuposto que são as condições contextuais as mais influentes da satisfação com a vida. Algumas destas abordagens tratam de fontes de contexto como circunstâncias da vida e julgamento individual, outras exploram a satisfação com a vida como uma soma de experiências agradáveis e desagradáveis. É nesta perspetiva que têm lugar os estudos que exploram a influência da saúde, estado civil, economia ou rede social na satisfação com a vida (Campbell, Converse & Rodgers, 1976).

ii) As perspetivas top-down incidem sobre as características individuais, indicando que

são os traços de personalidade que predispõem o nível de satisfação com a vida (Berg, 2008). Dentro das teorias top-down, a teoria da adaptação constata que os eventos de vida

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importantes, tais como a alteração dos rendimentos, estado civil e estado de saúde apenas têm efeitos a curto prazo sobre a satisfação com a vida. Isto porque a discrepância entre as aspirações e as circunstâncias da vida real é reduzida quando o indivíduo se adapta às novas condições e, como resultado, a satisfação com a vida retorna ao nível previamente fixado. No entanto, esta teoria é criticada pelas descobertas de uma adaptação incompleta após determinados acontecimentos da vida, como transições conjugais e deficiência, além de grandes diferenças individuais no grau de adaptação (Berg, 2008).

Os defensores da integração destas duas abordagens (bottom-up e top-down) acreditam que a satisfação com a vida reflete tanto as circunstâncias de vida objetivas como a perceção das mesmas. Querem dizer que a estabilidade das circunstâncias corresponde a uma estabilidade no nível de satisfação com a vida (Brief, Butcher, George & Link, 1993; Schimmack, Diener & Oishi, 2002). Posto isto, aceitamos que Berg (2008) conclua que a satisfação com a vida na velhice está relacionada com medidas objetivas e avaliações subjetivas, além das características psicológicas do indivíduo.

O conceito de “satisfação com a vida” tem constituído um objeto de investigação em

gerontologia, por ser suscetível a mudanças contextuais e depender da perceção e interpretação das próprias pessoas (Chehregosha et al., 2016). Por isso, a pesquisa empírica tem revelado esforços no sentido de identificar preditores da satisfação com a vida. A evidência ocupa-se em conhecer o que pode estar relacionado com a satisfação com a vida na velhice (Berg, 2008), sabendo-se que é afetada por variáveis como o suporte social, os recursos/ rendimentos, a participação em atividades de lazer, a saúde, entre outras (Chen, 2001). De facto, durante o processo de envelhecimento ocorrem desafios que exigem uma reorganização da vida individual, o que torna a satisfação com a vida uma questão importante (Fonseca, Teixeira & Paul, 2011). Ao estudar a satisfação com a vida dos mais velhos não podemos, então, negar a ocorrência de alterações relacionadas com o processo de envelhecimento.

Os estudos transversais que procuraram clarificar o impacto da idade na satisfação com a vida são contraditórios. Uns mostram que a satisfação com a vida é estável ao longo da vida, não encontrando relação com a idade. Outros consideram que a idade tem, de facto, um impacto significativo na satisfação com a vida. Por motivos diversos, algumas investigações relatam que a satisfação com a vida diminui com a idade, associando o impacto negativo da idade na satisfação com a vida a perdas sociais, físicas ou psicológicas que ocorrem na velhice, a uma saúde debilitada, a depressão ou a baixos rendimentos. Na outra extremidade, estudos

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constatam uma relação positiva entre a idade e a satisfação com a vida, concluindo que as pessoas mais velhas são, na generalidade, saudáveis e bem-ajustadas reportando um aumento de bem-estar (Berg, 2008; Fonseca et al., 2011).

Quanto a estudos longitudinais, Mroczek e Spiro (2005) encontraram uma diminuição na satisfação com a vida nas idades muito avançadas (numa amostra de idade média de 40 anos, idade máxima 85 anos), embora acompanhada de grandes diferenças individuais em termos de quantidade de mudança. Assim, mesmo que haja uma tendência pata o declínio da satisfação com a vida, os autores transmitem-nos que devemos reconhecer a heterogeneidade nessas trajetórias. Já Berg et al. (2009) investigou o padrão geral de mudança na satisfação com a vida ao longo de 6 anos de idosos com 80 e mais anos, mostrando que o nível de satisfação com a vida diminuiu com uma magnitude similar. Dado que há um aumento da morbidade e das perdas psicossociais nas idades mais avançadas, a satisfação com a vida pode diminuir de forma mais homogénea na faixa etária de 80 e mais anos (Berg, 2009).

Berg (2008) considera ainda que a distância da morte representa uma medida alternativa à idade, com repercussões nas alterações psicológicas no fim da vida. Explica que as mudanças relacionadas com a idade cronológica que ocorrem na satisfação com a vida incorporam efeitos relacionados com a mortalidade, uma vez que os indivíduos com 80 e mais anos estão mais perto da esperança de vida. Estas declarações vão ao encontro do estudo de Mroczek e Spiro (2005) onde os indivíduos que morreram dentro de um ano mostravam um declínio mais acentuado na satisfação com a vida. Também Gerstorf et al. (2008) confirmaram estas mudanças da satisfação com a vida associadas à distância da morte, identificando um declínio nos últimos quatro anos antes da morte.

O quadro específico de género no envelhecimento atribui às mulheres um maior número de problemas de saúde que aos homens. A literatura da Psicologia diz também que as mulheres têm um controle interno mais baixo, relatam mais frequentemente solidão, são mais propensas a tornarem-se viúvas e, especialmente nas coortes mais velhas, estão expostas a oportunidades desiguais (Berg, 2008). Factos como estes poderiam levar-nos a especular diferenças na satisfação com a vida entre homens e mulheres mais velhos. No entanto, os estudos encontram apenas pequenas diferenças ao nível do bem-estar psicológico, indicando uma tendência para o aumento destas diferenças nas coortes mais jovens, onde as aspirações mais altas aumentam a discrepância em relação às classificações reais, reduzindo a satisfação com a vida (Berg, 2008). Além disso, outros fatores podem associar-se às diferenças na satisfação com a vida de homens

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e mulheres. Nagata (1999, cit. por Berg, 2008) descobriu que o bem-estar subjetivo nas mulheres está associado à saúde e às atividades da vida diária, enquanto nos homens se relaciona com fatores como a força de preensão, passatempos e oportunidades sociais.

Quando à evidência dirigida ao estado civil e sua relação com a satisfação com a vida, alguns estudos transversais sugerem uma associação positiva entre o casamento e o bem-estar em termos de traços de personalidade de pessoas que vivem relacionamentos duradouros (Mastekaasa, 1992, cit. por Berg, 2008). Por outro lado, as investigações longitudinais indicam que os traços de personalidade não contabilizam toda a associação (Johnson & Wu, 2002). Outros estudos dizem que os efeitos do casamento e do luto são os únicos eventos da vida que influenciam o nível de satisfação com a vida positivamente ou negativamente. A morte do cônjuge tem, de facto, um impacto negativo a longo prazo na satisfação com a vida das pessoas mais velhas, sendo os homens particularmente mais afetados pela perda do cônjuge (Berg, 2008). Berg et al. (2009) consideraram que, em relação às cortes da primeira metade do séc. XX, os homens têm na sua esposa a única confidente íntima e são mais afetados pela viuvez por estarem menos acostumados a cuidar das tarefas domésticas. A viuvez traz, assim, dificuldades práticas adicionais à perda psicossocial. Os autores consideram que esta é também a explicação para os efeitos da viuvez serem menos distintas nas coortes mais jovens.

Almeida (2009) chama a atenção para o impacto da saúde na satisfação com a vida das pessoas mais velhas, revelando que as queixas de saúde não são suficientes para produzir um discurso global de satisfação com a vida. Para a autora, importa considerar a dimensão contextual física e social. Os estudos mostram que a saúde dos indivíduos está intimamente relacionada com a satisfação com a vida dos mais velhos, em termos de autoavaliação de saúde e não tanto de medidas de saúde baseadas em medicamentos prescritos. Apesar de vários estudos transversais identificarem uma relação positiva entre saúde autoavaliada e satisfação com a vida, esta não foi confirmada em estudos longitudinais (Mroczek & Spiro, 2005; Berg, 2008).

Em termos de medidas objetivas de saúde, várias investigações concluíram que nos grupos etários 60-70 anos e 70-80 anos, os mais saudáveis estavam mais satisfeitos com a vida, enquanto nos indivíduos com 80 e mais anos esta relação enfraquece (Berg, 2008). Da leitura desses estudos Berg (2008) conclui que as medidas objetivas de saúde tornam-se menos importantes para a satisfação com a vida com o aumento da idade, considerando que as experiências de saúde parecem estar mais fortemente relacionadas com a satisfação com a vida do que com medidas quantitativas e médicas de saúde. Várias críticas e limitações levantam-se

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a estes estudos de medidas médicas de saúde por se basearem no número de doenças, sabendo- se que o número de diagnósticos pode ser menos relevante que o tipo de diagnóstico em questão, devendo antes considerar-se o impacto de diagnósticos específicos que frequentemente afligem a população idosa. Quanto a estes estudos com diagnósticos específicos que oferecem medidas mais precisas da relação da saúde na satisfação com a vida, Grimby e Rosenhall (1995) e Berg (2008) concluíram que as vertigens, angina e incontinência urinária eram os diagnósticos associados a menores níveis de satisfação com a vida numa amostra de idosos com 70 anos. No setor da saúde mental, os sintomas depressivos parecem estar relacionados com a satisfação com a vida, mas o padrão de associações e a direção ao longo do tempo é, ainda, incerto, havendo estudos que associam a uma menor satisfação com a vida na velhice mas cujos resultados não são confirmados em termos longitudinais (Berg, 2008). No entanto, Altun e Yazici (2015) afirmam que a satisfação com a vida pode prever significativamente sintomas depressivos em idosos, na medida em que os estudos demonstram uma correlação negativa entre os níveis de satisfação com a vida e a depressão entre os idosos; outros determinam que o risco de depressão era 1,91 vezes maior em indivíduos com níveis baixos de satisfação com a vida.

A noção de que um bem-estar subjetivo mais negativo está associado ao aumento de doenças não é nova, mas percebemos agora que o bem-estar subjetivo positivo pode ser um fator protetor de saúde, reduzindo o risco de doença física e promovendo a longevidade (Steptoe et al., 2015). Algumas investigações mostram que nas pessoas com 60 e mais anos, bem como em idades muito avançadas, a manutenção da capacidade funcional na realização das atividades da vida diária (AVD) está associada positivamente à satisfação com a vida. Também a preservação do funcionamento cognitivo está relacionada de forma positiva com a satisfação com a vida na idade avançada, sobretudo nos homens (Berg, 2008).

Além de se relacionar com a saúde, o bem-estar subjetivo depende de outros fatores que se vão alterando ao longo do processo de envelhecimento, como as condições materiais, as relações sociais e familiares, os papéis e as atividades sociais (Steptoe et al., 2015). Os recursos pessoais foram já estudados como circunstâncias que importam mais na satisfação com a vida dos mais velhos, sugerindo-se que não se está mais feliz quanto mais dinheiro se recebe. A influência do

status socioeconómico no bem-estar subjetivo dos adultos traduz-se numa associação relativamente estreita, na medida em que as pessoas mais velhas que ajustaram as suas necessidades e desejos à redução dos rendimentos mantiveram o nível de bem-estar (Pinquart

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& Sorensen, 2000, cit. por Berg, 2008). Não obstante, a medida de rendimento deve ter em consideração os custos domésticos, pois um determinado nível de rendimento pode ter de suprir custos domésticos desiguais, de forma que a satisfação financeira pode representar uma medida alternativa à situação financeira na avaliação da segurança financeira. Nesta perspetiva, uma menor satisfação financeira está significativamente relacionada com uma menor satisfação com a vida (Berg, 2008; 2009).

Há razões para acreditar que as redes sociais desempenham um papel essencial para a satisfação da vida dos mais velhos. A evidência diz que a qualidade da rede social tem sido repetidamente considerada um marcador poderoso da satisfação com a vida (Berg, 2009), e que maiores níveis de satisfação inicial com a rede social estão relacionados com maiores níveis iniciais de satisfação com a vida (Berg et al., 2009). Apesar destas conclusões, as pesquisas dizem que a frequência dos contatos sociais é ainda mais importante e, embora a frequência de contatos sociais diminua com o avançar da idade, a satisfação com a rede social tende a aumentar, o que expressa diferenças individuais, como a necessidade ou não de apoio (Berg, 2008). Importa aqui sublinhar a importância de recursos de apoio como a família, que constituem critérios de satisfação com a vida e que os idosos que vivem sozinhos experimentaram baixos níveis de satisfação com a vida. As relações interpessoais nas famílias são eficazes na contenção do stress e da ansiedade e no desenvolvimento de sentimentos de intimidade e segurança, conduzindo assim a efeitos positivos sobre a satisfação de vida entre os idosos (Chehregosha et al., 2016). Outros fatores foram ainda estudados. No que respeita à participação e serviços, Fonseca et al. (2011) citam Glass et al. (1999) para dizerem que a participação em diversas atividades melhora a satisfação com a vida. Essa participação inclui atividades que promovem atividade física,

social e produtiva (ex.: jardinagem, compras…). Em relação às características territoriais,

Fonseca, Paúl e Martin (2008) estudaram a relação entre a satisfação com a vida de pessoas idosas residentes na comunidade e outras variáveis, verificando diferenças estatisticamente significativas entre as populações rurais e urbanas. Os moradores urbanos tinham uma atitude mais negativa em relação ao envelhecimento. Contudo, embora produzam diferenças em termos de rede e apoio social, bem como autonomia das pessoas, estas diferenças não se refletem na satisfação com a vida. Acentua-se, assim, a existência de aspetos universais da vida relacionados ao processo de envelhecimento, acima referidos. Neste estudo de satisfação com a vida em idosos a viver na comunidade, Fonseca et al. (2008) corroboram com as conclusões já referidas acima: não concluíram diferenças significativas em termos de grupo etário, mas sim em relação ao género com as mulheres menos satisfeitas, sendo os indivíduos casados os mais

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satisfeitos. Acrescentam ainda outros fatores como: i) a perceção de saúde, rendimento, amigos, confidentes e gênero, preditores da solidão e insatisfação; ii) os amigos, rendimento e família como preditores da atitude em relação ao envelhecimento pessoal; e iii) a perceção de saúde, género e família, como preditores da agitação/ansiedade.

Chehregosha et al. (2016) descrevem estas influências na satisfação com a vida dos mais velhos em relação à saúde, comunicação interpessoal, estatuto socioeconómico e ainda educação. O nível de escolaridade foi constituído fator influente da satisfação com a vida das pessoas idosas, na medida em que um nível mais alto de educação proporciona melhores condições económicas, laços sociais mais fortes, um sentimento de eficácia e uma visão realista dos processos vitais, que podem afetar a satisfação de vida (Chehregosha et al., 2016). Tal como dizem Onishi et al. (2010), a satisfação com a vida é uma questão multidimensional que depende de muitas características objetivas e subjetivas, incluindo funções cognitivas, condição emocional, suporte social, condição física e independência, bem como variáveis sociodemográficas.

3.1.1.ÍNDICE DE SATISFAÇÃO COM A VIDA (ISV)

A satisfação com a vida permite-nos saber quão satisfeitos ou insatisfeitos os indivíduos estão com aspetos da sua vida (Fonseca et al., 2008). Tal como refere Berg (2008), uma imagem válida de satisfação com a vida de uma determinada população requer a aplicação de instrumentos ajustadas às características da população em questão. A mesma autora acrescenta que para se estudar a satisfação com vida na velhice são necessários métodos capazes de lidar com uma população que está longe de ser homogénea, considerando os fatores influentes que podem estar subjacentes a mudanças.

O Inventory of Life Satisfaction (ILS) (Fonseca, Teixeira & Paúl, 2010) firma-se não apenas nas variáveis individuais como também nas ecológicas e ambientais que afetam a satisfação com a vida. A sua estrutura é dividida em três fatores influentes principais: i) saúde e segurança,

ii) serviços e recursos e iii) residência e sociabilidade.

Para o validar para a população portuguesa com 65 e mais anos, Fonseca et al. (2011) levaram a cabo um estudo com 1321 participantes com idades compreendidas entre os 50 e os 101 anos, residentes em Portugal, a viver na comunidade. O estudo obteve uma boa consistência interna avaliada através do alfa de Cronbach (0,83). Não se encontraram diferenças significativas no

score total entre homens e mulheres, mas sim entre os três fatores: recursos, saúde e segurança. Relativamente à idade, encontraram diferenças significativas entre os grupos nos fatores saúde

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e segurança. Quanto ao estado civil, mostrou diferenças no total de todos os scores e entre grupos relativos à residência e sociabilidade. Por último, o estudo revelou diferenças significativas na educação em todos os scores e para os três fatores analisados. Tendo em conta o alto alfa de Cronbach e as diferenças de resultados na maioria das variáveis consideradas, os autores concluíram que os três fatores propostos providenciam uma descrição adequada das propriedades psicométricas do ILS para a população portuguesa. Assim, os Serviços e Recursos, Saúde e Segurança, e Residência e Sociabilidade podem ser usados como determinantes da satisfação com a vida na população mais velha.

O ILS está, então, disponível na versão portuguesa como Índice de Satisfação com a Vida (ISV), capaz de medir a satisfação com a vida dos portugueses mais velhos. A pertinência do uso deste instrumento é extensível às políticas públicas, pois, segundo Fonseca et al. (2011) a política de promoção da satisfação com a vida dos mais velhos deve ser baseada no conhecimento das condições psicológicas, sociais, económicas, de saúde e contextuais do processo de envelhecimento.

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