• No results found

Studier  av  relasjonen  mellom  lærer  og  elev

4   Empiri

4.5   Studier  av  relasjonen  mellom  lærer  og  elev

Para poder ajudar Joana na sua angústia de não poder existir, a terapeuta se dedicou a buscar a verdade mais essencial para ela na sua subjetividade, que segundo Kierkegaard é a sua verdade, porque não é um conceito, mas uma vida que é sempre atual. Joana participa de um movimento de espiritualidade católico e se sente muito culpada por estar fechada à vida e não querer mais filhos.

A terapeuta quis ajudá-la a entender que é Deus a Vida que se faz vida, como oferta a cada indivíduo singular, numa relação sempre presente do agora da eternidade no tempo. Quis mostrar a ela que no interior da dialética do finito e do infinito, do temporal e do eterno, pode- se compreender o movimento da presença da Verdade eterna enquanto contemporaneidade.

Kierkegaard introduz uma novidade em relação à compreensão e classificação da verdade no âmbito filosófico. Para ele, a verdade deixa de ser um fundamento lógico e adquire o estatuto de apropriação existencial e relacional. Apropriação existencial, porque é o indivíduo singular que reduplica no movimento de concretizar a si mesmo no tempo. Por isso, para Kierkegaard, a verdade só existe se ela faz vida no interior de quem, agindo a produz. E a verdade é relacional, porque substancialmente a verdade na ótica de Kierkegaard, é Jesus Cristo encarnado na mais profunda subjetividade do existente e que só se deixa apropriar unicamente através da relação. Enquanto que a fé é uma determinação da subjetividade. (ALMEIDA e VALLS, 2007)

Para ajudar Joana a entrar no Paradoxo Absoluto e encontrar a verdade, a terapeuta usou as duas categorias propostas por Kierkegaard, ou seja, a repetição e a reduplicação, porque a relação com o Absoluto segundo Kierkegaard, só pode ocorrer no tempo presente. Por isso a terapeuta solicita a Joana que ela encontre em sua vida, em sua existência, um momento que represente esse sofrimento; vejamos. Estou na parada do ônibus indo pra

escola, não quero ficar em casa sozinha, é muito ruim, estou angustiada, sinto-me um nada, não tenho ninguém, sou desprotegida, parece que não existo pras pessoas.

T- Vamos sair do tempo e buscar a cena da primeira vez que você sentiu-se sozinha desprotegida.

P- Parece que a minha mãe e o meu pai estão num bar bebendo, fumando, dançando, parece

que eles estão sabendo que eu tô ali, mas eles não ligam pra mim tudo é esquisito, tô mais sozinha ainda, tô com raiva da mãe.

T- para que?

P- ela tá pensando que não vai dar conta de ser mãe, que eu vou matar ela no parto,...

T- O que ela pensa de parto?

P- É perigoso, vai morrer de parto.

T- O que você conclui?

P- Eu não vou dar conta de viver, sou sozinha, não tenho valor para eles, vou morrer.

No relato de Joana, é demonstrado a ela, pela terapeuta, que somente Deus pode guiar o fenômeno da estruturação complexa que a nossa humanidade implica, levando a ela a verdade e a condição que ela requer para a sua necessária encarnação, tendo em vista a disparidade entre Deus e o homem. Deus dá duas coisas ao homem: a verdade e a condição. A condição é a modalidade que possibilita ter acesso a verdade e compreendê-la, isto é a fé. (FARAGO, 2006)

T- O que você conclui?

P- Eu não vou dar conta de viver, sou sozinha, não tenho valor para eles, vou morrer.

T- Você morreu?

P- não

T- Tua mãe te abortou?

P- não

T- Tua mãe morreu de parto?

P- não

P- Conseguiu.

Aqui também fica evidente que, apesar de todo o esforço da terapeuta, ela não consegue dar a Joana a condição de acesso a verdade, é necessário que Deus se abaixe e se iguale ao mais humilde dos homens como afirma Kierkegaard; é necessária a relação, a condição, a fé.

Segundo Farago, (2006) não nascemos com o conhecimento da verdade, com a ciência infusa do mistério das coisas. Nascemos nus, despojados, expostos a colocar quase inevitavelmente de modo inadequado a relação que somos, porque o pecado é para cada um verdadeiramente original. “Para descobrir a não verdade que somos não é do encontro com um mestre de saber que necessitamos, mas do encontro com um mestre que no-la revele, a partir de nossa relação com ele.” (FARAGO, 2006, p.195)

T- Deixe aparecer uma cena qualquer sua! Aguarde um pouquinho, não se apresse.

P- A mãe e o pai sentados conversando, ela olha pra barriga e diz que esse neném é uma

benção pra ela vai acompanhar ela a vida toda. Olha! Ela não tem mais medo!

T- O que você conclui?

P- Eu posso tudo o que eu quiser, sou forte, sou filha deles, faço parte da minha mãe e do

meu pai, da família, sou aceita, sou esperada.

T- O que você quer agora para sua vida?

P- Ser feliz, amar eles, ser amada

O interesse da existência de Joana é a procura da verdade irredutível a um simples conhecimento. A terapeuta então propôs a ela, em vez da reminiscência socrática, a revelação judeu-cristã. Para Sócrates, toda existência é reminiscência, isto é, expressão do imemorial entrevisto, antes mesmo de vir ao mundo. Nestes termos, o eros filosófico, como tensão para a verdade, não pode ser senão um resgate do passado, e, neste contexto, retrospecção é um movimento em direção a uma verdade que já está sempre ali e que basta achar. (FARAGO, 2006)

Kierkegaard põe Deus e a fé no tempo presente da existência do homem. Mostra que Deus, longe de querer erguer até Ele na sua condescendência, a humildade do homem, como faria um rei desposando sua serva e ocultando toda a disparidade, ao contrário, o Eterno vem habitar o tempo humano sob a forma do deus homem entre os homens; humilde e pobre entre os pobres.

Mediante seu exemplo os homens descobrem que estão fora da verdade, e que, no seu estado de imediatidade, o indivíduo não vê a verdade; e aí diz Kierkegaard, não há mais um mestre, mas o deus, o único que pode nos dar não somente compreender a verdade, mas realizá-la em nós na maneira de nos relacionarmos com ela. A questão da verdade não é separável da vontade de viver e da verdade em um movimento de aprofundamento da subjetividade. (FARAGO, 2006)

T- Vamos ver os teus oito anos agora?

P- Na escola brincando com os meus amigos, o pai e a mãe chegam para me buscar.

T- De toda essa vivência aí o que para você é mais importante?

P- Sou filha deles, faço parte deles, sou feliz.

T- Como você planeja sua vida agora?

P- quero amar, casar ter filhos.

Ao concluir as Migalhas, depois de afirmar que o cristianismo “vai indiscutivelmente mais longe que o socratismo”, Kierkegaard recorda seus pressupostos: “aqui se admitiu um novo órgão: a fé,” diferente da consciência intelectual; “uma nova preposição: a consciência do pecado”; “o instante”, estrutura temporal irredutível à da reminiscência pelo fato de solicitar uma decisão; e um “novo mestre”: o deus no tempo. (FARAGO, 2006)

Na carta Encíclica Fides et Ratio, do Sumo Pontífice João Paulo II sobre as relações entre fé e razão, ele afirma que não há motivo para existir concorrência entre a razão e a fé porque uma implica na outra, e cada qual tem o seu espaço próprio de realização.

Ele também explicita que o caráter peculiar do texto bíblico, reside na convicção de que existe uma unidade profunda e indivisível entre o conhecimento da razão e o conhecimento da fé.

Enfatiza que a fé não intervém para humilhar a autonomia da razão, nem para reduzir o seu espaço de ação, mas apenas para fazer compreender ao homem que, em tais acontecimentos, se torna visível e atua o Deus de Israel. Nesta perspectiva a razão é valorizada, mas não superexaltada. Ao desassombro da fé deve corresponder a audácia da razão. (pp.28 e 29)

Kierkegaard ao tentar dizer como é ter fé, no seu escrito Temor e Tremor, 2008,relata: “transformar em andamento normal o salto, exprimir o impulso sublime num passo terreno, aí está a única maravilha de que somente o cavaleiro da fé é capaz”. (p.34)

O paradoxo vem a ser a relação que une os quatro pressupostos de Kierkegaard: no

instante, ao fazer a experiência da eternidade no tempo, o homem se vê remetido à sua não-

verdade, que se chama pecado. O conhecimento que ele acreditava possuir acerca de si mesmo desmorona e ele cai na perplexidade a seu próprio respeito. O instante é deste modo, aquilo que o convida à decisão. O instante é a síntese de temporal e de eterno, é o fator que desencadeia a ruptura qualitativa. O instante reúne aquilo que a razão separa, ou seja, tempo e eternidade. (FARAGO, 2006)

4 SIGNIFICADOS DA ESCOLHA E SUAS INVARIANTES

Tendo intuído os significados das escolhas vivenciados pelas pessoas de cada paciente em psicoterapia, procurei extrair as suas principais invariantes, isto é, aqueles elementos comuns, presentes em todos ou na maioria dos relatos, tendo em vista conhecer a categoria ou categorias essenciais a toda escolha, e identificar os elementos comuns da escolha pessoal.

Este procedimento não significa, nem significou para mim, que cheguei a uma verdade pronta e acabada, mesmo porque é importante lembrar aqui, que segundo Kierkegaard, (2008b) cada pessoa faz suas escolhas sem jamais poder saber se a maneira de viver que escolheu é a correta. E segundo Pereira, (2009) os sistemas a nossa volta contêm previamente as respostas a todas as questões possíveis, por isso se constituem num cômodo instrumento para que nos esquivemos à dificuldade da escolha. A singularidade é a mais autêntica forma de existir.

Muitas outras invariantes poderão ser observadas e ou intuídas pelos olhos daqueles que lerem os relatos constantes deste estudo, notadamente, suponho, pela visão de outros pesquisadores. Por isso trata-se de algo provisório, que poderá sofrer mudanças, visto que a essência da escolha buscada aqui não se refere à realidade intrínseca, verdadeira e imutável de uma coisa, mas aquela realidade tomada do ponto de vista fenomenológico, ou seja, o sentido de escolha intuído por mim, o qual poderá sofrer inúmeras mudanças, dependendo do olhar de quem o observa, bem como do contexto de cada sessão de terapia.

Como se trata de um número elevado de sessões, decidi usar apenas alguns dos relatos, em cada invariante, para justificar cada um deles, lembrando que todos os pacientes tiveram suas falas incluídas nessas invariantes.