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ESQUEMA-PADRÃO DA SESSÃO DE PSICOTERAPIA – Adaptado do Instituto

Católico de Psicologia e Pesquisa – ICaPP (2010)

Objetivo – Tema.

(No início de cada sessão de terapia, numa conversa com o paciente o terapeuta apreende, intui a necessidade do paciente, e acorda com ele se é este mesmo o sofrimento que ele quer resolver naquela sessão.)

Símbolo: Induzido e Espontâneo.

(O símbolo induzido é uma maneira que o terapeuta tem para levar para dentro do paciente o conteúdo daquela sessão a ser trabalhada; e o símbolo espontâneo dado pelo próprio paciente, permite ao terapeuta localizar o momento do sofrimento passado do paciente que precisa ser trabalhado.)

História Vivida.

(O terapeuta ajuda o paciente a perceber a experiência de antes que já traz em si o sofrimento que é vivenciado hoje.)

Detalhe da Memória Subjetiva.

(O terapeuta ajuda o paciente a perceber as imagens mentais que são portadoras dos conteúdos da memória subjetiva ou implícita, no detalhe que é importante para o paciente.)

Resposta do Paciente ao Detalhe.

(O terapeuta propõe à pessoa do paciente os passos que o conduzirão ao ponto da sua vivência que evidencia a inadequação no seu relacionamento com o outro e a Objetivo – Tema.

(No início de cada sessão de terapia, numa conversa com o paciente o terapeuta apreende, intui a necessidade do paciente, e acorda com ele se é este mesmo o sofrimento que ele quer resolver naquela sessão.)

Símbolo: Induzido e Espontâneo.

(O símbolo induzido é uma maneira que o terapeuta tem para levar para dentro do paciente o conteúdo daquela sessão a ser trabalhada; e o símbolo espontâneo dado pelo próprio paciente, permite ao terapeuta localizar o momento do sofrimento passado do paciente que precisa ser trabalhado.)

História Vivida.

(O terapeuta ajuda o paciente a perceber a experiência de antes que já traz em si o sofrimento que é vivenciado hoje.)

Detalhe da Memória Subjetiva.

(O terapeuta ajuda o paciente a perceber as imagens mentais que são portadoras dos conteúdos da memória subjetiva ou implícita, no detalhe que é importante para o paciente.)

Resposta do Paciente ao Detalhe.

(O terapeuta propõe à pessoa do paciente os passos que o conduzirão ao ponto da sua vivência que evidencia a inadequação no seu relacionamento com o outro e a distorção na explicitação do amor vivido. Este é o momento que o terapeuta precisa intervir para tirar o paciente do sofrimento e colocar a pessoa do paciente em condições de clarear aquela situação.)

Entendimento do Paciente.

(A compreensão da inadequação na relação com o outro trará à pessoa do paciente a possibilidade de explicitar adequadamente o amor vivenciado. Esse é o motivo da pessoa ter vindo para terapia.)

Fala Direta com o Paciente

(Este momento supõe uma sintonia muito grande do terapeuta com o paciente.O psicoterapeuta precisa de uma capacidade rápida de construir hipóteses, para dizer a palavra certa sem esperar uma resposta. O terapeuta nunca sabe se a sua palavra é eficaz; ele só saberá pelas reações corporais do paciente, seus gestos, movimentos, alívios, choros, risos, e outros.)

Volta a História Vivida e Encontra a Verdade.

(Só depois de uma compreensão plena da situação aversiva, o paciente é capaz de amar de forma inequívoca porque ele está fora da problemática vivida.)

Verificação da Mudança.

(O terapeuta propõe ao paciente perceber imagens mentais portadoras dos conteúdos atuais da memória subjetiva. Aqui se verifica que o ser humano é capaz de autotransformar-se no amor e passar a amar de forma inequivocada naquela vivência trabalhada na terapia.)

Relato e descrição de Helena.

Helena tem 27 anos de idade, é solteira, não tem filho, é jornalista, atualmente desempregada. Aqueixa para esta sessão de terapia foi a dificuldade de relacionamento com as pessoas e a dificuldade de receber ordens ou críticas.

T - Pedi que ela se visse em um momento qualquer da sua vida e me descrevesse a cena.

P - 12 anos. Minha mãe está batendo nas minhas costas e nas minhas pernas, com raiva. (chora)

T - para que?

P - eu cheguei tarde em casa da escola. Ela não acreditou em mim. (choro)

T- Quando ela não acredita o que você pensa?

P- ela não gosta de mim, sou ruim, ela não me quer ali com ela.

T- Essa foi a primeira vez que você pensou que ela não te quer?

P- não.

T- Vamos sair do tempo e imaginar o vulto da sua mãe grávida de você!

P- ela ta pensando que eu a incomodo no corpo dela, ta cansada.

T- O que ela pensa quando esta cansada?

P- se arrepende de estar grávida, diz que não queria agora!

T- O que você entendeu?

P- ela não me aceita, não me quer. (Chora) vou embora.

T- você foi embora?

P- não.

P- ele quer pode falar

T- você é filha, teu pai é pai, e tua mãe é mãe; você continua filha.

P- (espreguiçou, se soltou)

T- Vamos olhar no coração da mãe e perguntar pra ela porque ela não quer agora?

P - o pai.

T- Qual é o problema com o pai?

P- ele briga muito com o povo na rua porque o povo não paga ele, ele é mascate! Vai faltar

dinheiro. Ele briga com todo mundo!

T- Para que vai faltar dinheiro?

P- pra sustentar a família.

T- O que sua mãe pensa de sustentar mais um?

P- o bebê vai sofrer de fome, não tem como estudar, pode até morrer.

T- Ela tem outros medos ou é só esse?

P- tem medo que alguém mate o pai, ele briga muito, ela vai ficar sozinha, triste, o bebê vai

ficar sem pai.

T- o que ela pensa se vai ficar sozinha?

P- não vai dar conta, ela ta triste.

T- ela deu conta de criar mais você?

P- deu.

T- Agora nós vamos mostrar o futuro pra mãe. A cena permanece a mesma, você chega lá como você é hoje, toca no ombro dela e diz assim: “mãe olhe para mim veja, você deu conta de me criar, apresente seus irmãos, mostre a família linda que ela deu conta de criar!

P- ela é amada, é boa, deu conta, é importante pro meu pai, é capaz.

T- Agora volta lá na cena da gestação; mas você vai olhar só no coração dela; e me diz quando ela fala que não quer ficar grávida agora, ela não quer você? Ou não quer que você passe dificuldades? Não quer você? Ou quer mais conforto pra você? Não quer você? Ou quer uma família pra você?

P- uma família pra mim, não quer que falte dinheiro.

T- para que?

P- eu viver melhor, ter condições.

T- O que você entende dela agora?

P- ela me aceita, me quer como eu sou

T- Que pessoa você é?

P- sou filha dela

T- O que você decide agora?

P- viver, conhecer a mãe, ela quer ver minha carinha, vou ajudar ela.

T- Vivencia bem gostosamente esse momento junto com ela.

Agora vamos ver os seus 12 anos; volta lá.

P- Ela tá me esperando, tá preocupada. Me pergunta o que aconteceu, eu falo ela me abraça.

T- O que você entende agora?

P- ela me ama sou filha dela. Sou filha boa.

T- Vamos reforçar em você tudo o que trabalhamos; veja uma cena da sua vida.

P- Arrumando o data-show para a reunião; várias pessoas vêm conversar comigo, me

abraçam, me elogiam, querem ficar por perto, se sentem acolhidas por mim

P- eu tenho valor, sou importante pras pessoas.

T- Então vivencia bem gostosamente esse momento.

Relato e descrição de Tereza.

Tereza tem 33 anos, é solteira, não tem filhos, trabalha como doméstica, tem o segundo grau completo. A queixa para essa sessão de terapia foi depressão, e medos generalizados.

T- vamos imaginar um aquário com nove peixinhos; cada peixinho tem um número escrito no corpo; olhe com calma e veja qual deles não está bem?

P - o número 4.

T- como ele está?

P- triste, está de lado assim, parece morrendo.

T- agora você vai imaginar o vulto da sua mãe grávida de você, mais ou menos no quarto mês da sua gestação; parece que ela está aonde?

P- em casa na sala sozinha.

T- o que o bebe vê na mãe que incomoda ele?

P- tá pensando.

T- de quem ela pensa?

P- do bebe.

T- o que ela pensa do bebe?

P- vai matar ela, vai matar o bebe.

P- (paciente chora)

T- o que a mãe faz?

P- tem um copo, um comprimido na mão.

T- ela tomou o comprimido?

P- jogou fora.

T- se acalme, foi só um pensamento da mãe, você está viva aqui, inteirinha. Viu?

P- (paciente suspira)

T- vamos olhar lá ela agora e ver porque ela não tomou o comprimido?

P- ia morrer também.

T- em que momento ela tem medo de morrer?

P- no parto

T- o que ela pensa de parto?

P- parto mata, dói.

T- esse pensamento dela sobre parto, começa nela ou vem lá de traz pra ela como uma herança?

P- vem de traz. Ela conta que minha bisa avó morreu de parto.

T- o que você entendeu de tudo isso?

P- fiquei encolhidinha tampando a boca e o nariz com o braço, não sou filha dela, ela não me

quer, não existo pra ela, não posso nascer.

T- Quero falar com o bebe. Quando ela quiser me ouvir me avise, não precisa ter pressa.

P- não sei, hum, tá, pode falar.

P- ela mexeu, relaxou. (paciente se solta na poltrona)

Observação: Neste ponto da terapia, trabalhei a mágoa da rejeição, o sentimento de pertença, a herança do medo de parto e a reconciliação com a mãe, sempre usando da mesma forma a redução fenomenológica. Relato a seguir o final dessa sessão de terapia.

T- o que você percebe agora lá no teu quarto mês de gestação?

P- a mamãe está sentada na sala com o papai, eu tô sentada olhando pra eles.

T- o que você vê neles?

P- eles se abraçando, a mamãe contou que eu já tava chegando.

T- e o pai?

P- sentiu alegria, que ia ter mais uma filha.

T- foi o que ele falou?

P- foi.

T- vivencia bem gostoso esse momento; deixa esse momento tomar conta de você.

T- o que você decide agora?

P- viver com eles, amar eles.

T- como está o peixe número 4 agora?

P- nadando normal, alegrinho, solto, brincando.

Relato e descrição de Gilson.

Gilson tem 22 anos de idade, é solteiro, tem o segundo grau completo, trabalha como secretário em um escritório. Nesta sessão de terapia o paciente pediu para trabalhar as conseqüências negativas de um estupro sofrido na infância.

T- Tente se ver no momento que você mais sofreu no estupro. Com calma e de longe procure ver onde você está; quantos anos você tem!

P- 7anos estou tomando banho sozinho, um homem entrou no banheiro, começou a falar

coisas comigo, tirou a roupa e foi tomar banho comigo, ele mentiu, me estuprou, (chora), é meu tio.

T- o que você conclui?

P- (paciente chorando) sou um zero à esquerda, sujo, não queria ter vindo pro mundo, queria

morrer, tenho nojo dele, sou insignificante, homem é mau, é violento, não quero ser assim.

T- Qual um momento seu fora do tempo, lá na sua gestação, que cura esta mágoa do seu coração? Tente visualizar o vulto da sua mãe grávida de você?

P- o pai e a mãe comprando coisas.

T- que coisas?

P - ah, roupas pra mim que vou nascer.

T- do que você mais gostou?

P- o pai pegou uma blusinha azul e pôs em cima da barriga da mãe acho que ele pensa que

eu sou um homenzinho, a mãe tá feliz comigo.

T- o que você conclui?

P- sou amado de verdade, sou filho do pai e da mãe.

T- o que mais?

P - ah, eu sou querido né e esperado por eles. (paciente chora sorrindo e suspira aliviado)

T- vivencia esse momento bem gostosamente junto dos teus pais.

T- Agora vamos entender porque seu tio te estuprou. Nós sabemos que ele fez errado, que o que ele fez é crime e ele precisa ser preso; mas agora, nesse momento, eu e você não vamos

julgá-lo, nem dar uma desculpa para o que ele fez; nós dois vamos procurar outra estrada, vamos tentar entender junto com ele, porque ele é tão violento! Você concorda?

P- sim

T- então deixe aparecer um número do tio que explica essa violência.

P- 11

T- Tente localizar ele com 11 anos.

P- no quarto, (paciente chora) ele tá sendo abusado por um homem.

T- pronto, não olhe mais pra cena, nem pense nela, deixe pra lá, fique calmo. Vamos ver se dá pra ver o pensamento dele no momento que ele mais sofreu?

P - ele tem muita raiva, tá machucado, homem é mau, violento, não dá pra confiar.

T- você consegue entender o sofrimento dele?

P- ele só sabe agredir,... (choro)

T- nós podemos ajudá-lo?

P- sim

T- você quer ajudá-lo?

P- quero

T- então vamos imaginar fora do tempo, uma cena dele lá na barriga da mãe dele, que cura essa dor dele no coração.

P- parece que ela está na sala com um monte de gente, o pai tá lá, ela conta pra todo mundo

que tá grávida, eles falam uns nomes pra ele, o pai dele tá feliz abraça a mãe beija ela, passa a mão na barriga, o pai ama a mãe dele e ele também.

T- o que ele conclui nesse momento?

T- o que ele decide agora?

P- vai ser igual o pai dele uma pessoa boa, filho bom.

T- vamos ver o que ele quer para a vida dele agora?

P- construir família, casar, ter filhos.

T- agora vamos mostrar tudo isso pra ele lá nos teus 7 anos, você consegue?

P- consigo.

T- então agora mostre também pra ele, todo o sofrimento que ele te causou; abra seu coração pra ele ver o que você sofreu por causa desse estupro; mostre também as humilhações, os maus tratos que você recebeu. Agora veja se ele gosta do que ele vê?

P- não

T- então vamos ver o que ele queria no coração quando se aproximou de você lá no banheiro?

P- carinho, ser amado.

T- do jeito que ele fez, machucando você, ele conseguiu esse carinho que queria?

P- não.

T- vamos ajudá-lo a fazer diferente?

P- vamos.

T- como ele poderia ter feito para ter o teu carinho?

P- ah brincar com a água.

T- Se ele brincasse com você teria o teu carinho?

P- teria.

T- o que mais ele poderia ter feito?

T- mostre pra ele tudo isso que você descobriu aqui. Se ele tivesse mais uma chance como ele se aproximaria de você agora?

P- me pedia perdão, se ajoelha, chora pega na minha mão e olha pra mim, segura na minha

mão e me pede perdão.

T- o que você entende?

P- ele é bom, ele gosta de mim, ele é um homem bom

T- o que você faz agora?

P- eu o perdôo, sorrio, abraço ele.

T- o que ele entende desse teu abraço?

P- que eu sou bom sou um homem de bem, amo ele.

T- era esse o amor que ele queria?

P- era.

T- precisa fazer sexo pra ter esse amor?

P- não.

T- o que você quer agora para sua vida?

P- levar comigo esse amor pra vida afora, quero amar, ser feliz. (chora)

T- vamos ver o melhor número seu que reforça em você tudo isso que trabalhamos hoje?

P- 22

T- então localize você com 22 anos, vamos ver onde você está?

P- é quando eu conversei pela primeira vez sobre o assunto com o meu amigo, ele me ajudou,

ele falou que eu seria eu mesmo quando eu quisesse mudar.

P- fiquei alegre, porque eu sou capaz de mudar, depende de mim.

T- então que pessoa você é?

P- sou pessoa boa, sou inteligente, um homem capaz, amado, simpático, educado, honesto.

T- esse é você de verdade o verdadeiro Gilson; vivencia bem gostosamente esse seu momento. Acolha-se como você é. Sinta você de verdade e tenha ternura com você.

T- Vamos parar aqui?

P- vamos.

Relato e descrição de Anita.

Anita tem 38 anos, é casada, não tem filhos, está separada do marido, é professora. A queixa trabalhada nesta sessão de terapia foi o vaginismo, definido no CID-10: F52. 5 “como espasmo da musculatura do assoalho pélvico que circunda a vagina causando oclusão do intróito vaginal. A entrada do pênis é impossível ou dolorosa. Vaginismo psicogênico.” (p.348).

T- veja-se em algum lugar, em algum momento da sua vida; não tenha pressa só localize onde você está.

P- Me vejo do jeito que estou aqui, com esta roupa, só que triste tô me sentindo fraca.

(paciente chora) não consigo vencer os meus problemas, não consigo vencer o vaginismo, não sou mulher.

T- vamos sair do tempo e tentar visualizar a mamãe grávida de você pra pegar a raiz destes seus pensamentos?

P- vamos.

P- em casa andando da cozinha pro quarto, do quarto pra cozinha.

T- o que incomoda você?

P- ela tá com medo, meu pai chegou bêbado, bateu nela, ele quer a minha mãe pra sexo, ela

empurrou ele.

T- o que o teu pai entendeu quando ela o empurra?

P- ficou com raiva, ela não gosta mais dele.

T- vamos ver nesse dia porque ela não quis sexo?

P- por causa da barriga, ia machucar o bebê.

T- o que você entendeu?

P- sexo não é bom machuca (paciente chora) eles brigam por causa de mim, eu não sirvo pra

nada, sou culpada não dou conta de nada.

T- O que você decide nesse momento?

P- encolho e fico quieta no meu canto.

T- quero falar com o bebê; veja se ele quer me ouvir e me avise.

P- pode falar

T- bebê, você é filha, seu pai é seu pai, e sua mãe é sua mãe; você continua filha.

P- ela se abriu e foi pro meio.

T- vamos continuar fora do tempo, só que agora nós vamos localizar o momento do melhor sexo que seus pais fizeram enquanto você estava aí na barriga da mãe.

P- eles estão se acariciando, meu pai acaricia o rosto da mãe.

T- o que ela entende?

T- o que ela faz quando aceita ele?

P- ela o acaricia, beija,

T- o que ele entende desses carinhos dela?

P- ela o quer como homem, quer ficar com ele, ele se sente o homem dela.

T- o que você entende de tudo isso?

P- eles querem ficar juntos, se amam; eu também quero ficar com eles.

T- você fez alguma coisa pra ficar junto deles?

P- eu chutei, mexi assim (paciente sorri) é incrível.

T- a mãe sentiu?

P- ela passa a mão na barriga, pega a mão do pai põe junto, eles estão felizes comigo.

T- vivencia esse momento bem gostosamente vocês três juntos. Procure sentir o calor das mãos deles te acariciando, o que você conclui agora?

P- os dois me amam, sou filha deles.

T- uma menina que une os pais no amor, que pessoa esta menina é?

P- sou pessoa boa, sou forte, sou gente, é que eu existo pra eles sabe!

T- agora nós vamos chamar um médico muito competente, que conhece esses aparelhos de última geração, sabe esse ultra-som que tem agora, que tira foto do bebe em três dimensões?

P- sei,...

T- então; esse médico vai explicar para vocês três aí na cena, tudo sobre sexo na gravidez; como é o relacionamento marido e mulher na gravidez, como o corpo da mulher está preparado para todas as situações da gravidez, como o bebê entende, gosta e faz, quando ele percebe os pais fazendo sexo, o médico tira todas as dúvidas, certo?

T- vamos agradecer o médico e ele vai embora. Quero agora que você olhe aquela cena da cozinha, o que sua mãe faz?

P- fala com ele com paciência, fala: “vai tomar banho pra descansar”.

T- o que seu pai queria antes do sexo?

P- carinho dela.

T- o que ele entende agora?

P- que ela o ama, o quer, é a mulher da vida dele.

T- agora mostra tudo isso pro bebê. Ele é culpado?

P- não, ele une os pais dele!

Relato e descrição de Marta.

Marta tem 43 anos de idade, é divorciada, tem uma filha, é professora e funcionária pública. A queixa para essa sessão foi de um profundo sentimento de frustração no seu trabalho; reclama de um “perfeccionismo de tirar o sono”.

Vou relatar aqui apenas as cenas da terapia de Marta que evidenciam as escolhas iniciais e as mudanças verificadas nas escolhas finais. Para facilitar a compreensão e resumir o texto descritivo, não relatarei todos os questionamentos e passos dados durante todas as sessões da terapia de Marta que levaram a esses resultados, mesmo porque não é nosso objetivo justificar a eficácia da terapia.

T- Veja-se em algum lugar?

P- No cursinho, 18 anos, na sala de aula assistindo aula no cantinho esquerdo, sozinha no

meu canto, não tenho amizades, o ambiente é ruim, não sei por que estou ali, me lamento, sou confusa, tenho que decidir uma profissão, sou incapaz de conseguir o melhor.

T- De todos esses pensamentos qual é o que mais incomoda você?

P- não tenho certeza se queria estar aqui.

T- para que serve esta dúvida?

T- para viver

T- O que você percebe na dúvida?

P- o desconhecido, não quero o desconhecido

T- o que mais?

P- se eu fizer a coisa certa vou ser feliz, mas eu não consigo! (paciente chora e desabafa):

parece que esse medo vale ainda até hoje!

Observação: nesta sessão de terapia trabalhei em Marta os sentimentos de existir, de ser capaz, de pertença, de ter valor e fazer parte de sua família; e mostrei a Marta que ela existe