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4. Metodikk, datagrunnlag og studieobjekter

4.3. Studieobjekter

O termo pastoral dentro do senso comum é diretamente ligado a imagem do pastor de ovelhas. João Batista Libânio (1982), ao escrever sobre O que é pastoral, afirma que isto acontece a partir dos textos bíblicos que, tanto no Antigo como no Novo Testamento, a expressão de cuidado, de atenção e de comprometimento são representados na ação praticada pelo pastor. Nos Evangelhos, a imagem do pastor ganha novo significado a partir de Jesus ao se assumir como o Bom Pastor, que vela e conhece suas ovelhas pelo nome e está pronto a dar sua vida por elas. No artigo Práticas Pastorais na Bíblia - Paradigmas para a prática pastoral da Igreja,

hoje, Silva discorre sobre a afirmação de ser Jesus o Bom Pastor, dizendo que:

45 Teólogo espanhol. Sacerdote em 1956 e doutorado pela Universidade de Tuebingen (1959). Desde 1960

dedicou-se ao ensino na Pontifícia Universidade de Salamanca. Ele é autor, entre outras obras, a teologia pastoral (1968), A tarefa da evangelização cristã (1978), foi o diretor da pastoral coletiva Conceitos Fundamentais (1983).

Portanto, toda prática pastoral requer uma vida de comunhão entre o pastor e os seus discípulos, é na comunhão que se estabelece o vínculo de conhecimento e dos limites da pessoa, e na comunhão que se conhece o bom pastor e é por ele conhecido: Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim (Jo. 10.14). Nesta declaração Jesus reafirma o conhecimento individual, através da voz (Jo 10.4) por um conhecimento de vida em comunidade, onde flui o Espírito que fortalece a relação de amor e de convivência. O segundo elemento essencial na prática pastoral a partir do “bom pastor” está relacionado com a dimensão da unidade através de seus discípulos, com o ‘bom pastor’. Ele amplia os horizontes e afirma que haverá um só rebanho e um pastor, que vai construindo uma comunidade marcada por outros participantes, onde o vínculo determinante é o amor: Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então haverá um rebanho e um pastor (Jo 10.16) (SILVA, 2002, p. 168)

Segundo a tradição bíblica, para Libânio, a pastoral “está intimamente ligada [...] a ideia de autoridade, de desvelo, de companhia, de relação interpessoal e finalmente de entrega de si até o dom total da vida àqueles que se serve”. (LIBÂNIO, 1982, p. 22)

Neste mesmo sentido Silva afirma que:

Conhecer o rebanho e ser conhecido pelo mesmo a partir da voz e pastorear, continuam sendo os desafios para as práticas pastorais de hoje. Guiar, prover, vigiar fortalecendo o rebanho, buscando sua unidade é a tarefa da prática pastoral que continua presente até que se cumpra a promessa: Quando aparecer o supremo pastor, recebereis a coroa imarcescível da glória (I Pe 5.4) (SILVA, 2002, p. 174).

Com este enfoque o termo pastoral inicialmente foi utilizado dentro dos limites católicos na década de sessenta, muito mais como função da comunidade que compõe a Igreja do que como função do ministro que a dirige. Júlio Santa Ana escreve que passou-se a refletir sobre o termo pastoral como forma de pensar a função da Igreja na sociedade e também na busca de estratégias buscando transmitir o Evangelho. Como segue:

... surge a necessidade de se levar mais em conta o pensamento católico, que enfatiza a dimensão coletiva, comunitária, de ação pastoral como um conjunto de atividades promovidas por diversos ministérios, que procura harmonizar-se e se complementar visando dar um testemunho mais integrado do Evangelho e do Reino de Deus no mundo. Esta concepção da igreja não somente é mais bíblica, mas – e precisamente por isso mesmo – é mais acorde com a doutrina do sacerdócio universal dos crentes, que foi tão firmemente sustentada pelos reformadores do século XVI. Ou seja, o conceito de pastoral não pode reduzir-se a um só ministério, a um só carisma: é algo que, de alguma maneira, relaciona-se com toda a vida e a missão da comunidade dos crentes (SANTA ANA, 1985, p. 33-34).

Orlando Costas caracterizando a pastoral evangélica na América Latina, afirma as seguintes características: É uma pastoral de repetição; uma pastoral profissional e eclesiocêntrica;

É uma pastoral de repetição porque a maioria dos textos publicados são de origem norte-americana ou europeus. Cujos norte-americanos apresentam conteúdos pragmáticos e tecnocráticos, quer dizer: discorrem sobre a prática do ofício pastoral: como celebrar bodas e ofícios fúnebres, pregações, etc. E os europeus conteúdos teológicos e classistas, interessados por fundamentos bíblicos e teológicos da pastoral a luz das diferentes tradições, trabalham mais a questão da homilética e liturgia (COSTAS, 1975, p.79).

É uma pastoral profissional e eclesiocêntrica uma vez que quando se fala em teologia pastoral nos círculos evangélicos “se pensa de imediato no pastor e no seu cuidado com a Igreja. O pastor é, às vezes, visto em temos profissionais”46 isto não tem nada a ver com o seu subsídio, mas sim, com um exercício personalizado, ou seja, está centrado na pessoa que exerce a função de pastor. Costa escreve que “raras vezes ouvimos falar nos nossos círculos evangélicos de um trabalho pastoral da Igreja para o mundo, da ação pastoral do seminário teológico, a agência de serviço social cristão, a sociedade missionária, o grupo evangelístico, a comissão de educação cristã, etc. Porque a obra pastoral tem uma conotação pessoal, nutritiva e consoladora, orientada no cuidado espiritual da comunidade de fé”.47

Sobre este caráter profissional e eclesiológico da pastoral evangélica, Emilio Castro escreve:

Temos visto a atividade pastoral como aquele esforço tendente a capacitar a igreja para o cumprimento da missão de acompanhar os propósitos libertadores de Deus. Ou seja, em termos gerais, o serviço pastoral se fará através da comunidade cristã. Porém temos de reconhecer que existe também um contato direto pastor-comunidade secular e que teremos que analisar em que medida (se através do serviço pastoral direto o se por via de símbolos e na totalidade da comunidade cristã) o pastor prove um serviço diretamente relacionado com a sua vocação a toda comunidade secular48 (CASTRO, 1974, p.107).

46 Se piensa de inmediato en el pastor y en su cuidado de la iglesia. El pastor es, a la vez, visto em términos

professionales. (COSTAS, 1975, p. 81)

47 De ahí que, con algunas excepciones, raras veces oímos habrar em nuestros círculos evangélicos de la labor

pastoral de la iglesia para el mundo, de la accíon pastoral del seminário teológico, la agencia de servicio social cristiano, la sociedad misionera, la agrupación evengelística, la comisión de educación cristiana, etcétera. Porque la obra pastoral tiene una connotación personal, nutritiva y consoladora, orientada hacia el cuidado espiritual de la comunidad de fe. (COSTAS, 1975, p.81-82)

48 Hemos visto la actividad pastoral como aquel esfuerzo tendiente a capacitar a la iglesia para el cumprimento

de esa misión de acompañar los propósitos libertadores de Dios. O sea que, em términos generales, el servicio pastoral se hará a través de la comunidad Cristiana. Pero tenemos que reconocer que existe también un contacto directo pastor-comunidad secular y que tendremos que analizar en qué medida (sea a través del servicio pastoral

Certo é que, a ação pastoral não pode corresponder apenas aos que tem a vocação pastoral específica. Uma vez que a Igreja tem uma responsabilidade pastoral diante do mundo, Paulo escreve aos Efésios: “Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores. Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”; (Ef 4:10-12) “acentuando o caráter pastoral (ministerial) de todos os santos” (COSTAS, 1975, p.82).

Na tradição cristã protestante o termo pastoral não é muito utilizado no Brasil, onde geralmente utiliza-se “ministério” para descrever ações de cuidado e serviço. Silva em seu artigo Pastoral Urbana: A construção de sinais de esperança em

situações de desesperança, faz uso da definição de Castro para afirmar que:

Pastoral é a ação do povo de Deus na realidade cotidiana, onde, na relação tempo/espaço, o ser humano se encontra. A preocupação básica da pastoral é a eficácia e a relevância da fé cristã. Pastoral é também ação intencional, sistemática organizada e coletivamente (SILVA, 2008, p. 15).

Diante desta afirmação podemos pensar que o protestantismo vem buscando assimilar o termo no propósito de oferecer respostas aos anseios da humanidade nas áreas da vida humana, quer seja física, emocional ou espiritual. Santa Ana afirma que a “pastoral deve reconhecer sua relação com aqueles aspectos da vida humana, onde há tensões, das quais as de caráter político são de suma importância. É ao povo seguidor de Jesus, formado por aqueles que hoje integram seu movimento (...), que compete cumprir a função pastoral” (SANTA ANA, 1985, p. 38). O povo de Deus no exercício da pastoral tem como “objetivo bíblico, teológico e pastoral a criação de sinais de esperança em situação de desesperança” (SILVA, 2008, p. 15)