3. Kunnskapsgrunnlag
3.2. Metoder for avfallsbehandling
Deus conceda-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso modificar; Coragem para modificar as coisas que posso, e Sabedoria para saber a diferença. Vivendo um dia de cada vez; Desfrutando um momento por vez; Aceitando as dificuldades como o caminho da paz; Tomando, como ele fez, este mundo pecaminoso como ele e, não como eu gostaria que fosse; Confiando em que ele fará todas as coisas certas se eu submeter-me a sua vontade. Que eu possa ser razoavelmente feliz nesta vida; E infinitamente feliz com ele para sempre na próxima. Amém.
Reinhold Niebuhr (1892 – 1971)
A Oração da Serenidade tornou-se uma das mais apreciadas no mundo todo. Ela é divulgada nas mais variadas formas, como marcadores de páginas de livros, placas, adesivos de pára-choques e até mesmo antologias de poesias inspiradoras. Milhões de pessoas a oram todos os dias nas reuniões de recuperação dos Doze Passos nos grupos anônimos como AA (alcoólicos anônimos), NA (narcóticos anônimos), por exemplo, bem com outros milhões de pessoas a utilizam para enfrentar os problemas estressantes da vida. Estas palavras proporcionam uma profunda união do/a homem/mulher com Deus ou Poder Superior.
A Oração da Serenidade completa não é muito conhecida, talvez por ser mais difícil de lembrar e de orar do que a versão mais breve. Philip St. Romain afirma no prefácio de seu livro Oração da Serenidade, “quando li pela primeira vez essa versão mais longa, fui imediatamente tocado pela perspicácia e sabedoria que encerra, e então a decorei”.
A autoria da Oração da Serenidade é duvidosa. Há quem diga que ela tem sua origem nos antigos povos gregos, outros acham que ela saiu da pena de um poeta anônimo inglês e há ainda os que a atribuem a São Francisco de Assis. Há também os que acham que foi escrita por um oficial da marinha americana, de origem não identificada, porém o mais provável e mais aceitável pela maioria dos que a conhecem é que sua autoria seja atribuída ao teólogo protestante americano, o senhor Reinhold Niebuhr40 (1892- 1971), que lecionou durante anos no Union Theological Seminary. As linhas iniciais da Oração constituem a base de um sermão
40 Um dos mais destacados teólogos protestantes do século XX, conhecido por ser envolvente nas questões públicas e por seu pensamento sobre a ética. Dizia que apesar do homem estar caído, ele é responsável pelos seus atos e por isso é um ser livre. Se referia a Cristo como a chave do mistério da existência humana e o símbolo do amor eterno. Via a verdade apresentada na Bíblia, mas não a encarava como elemento metafísico. Na política, reconhecia as irracionalidades do homem, mas buscava meios de dar racionalidade e direção a ele.
que ele fez em 1934 e foi provavelmente adaptada pelos Alcoólicos Anônimos na década de 40. Uma coisa é certa, a Oração da Serenidade revela uma sabedoria de vida, que, se cultivada, revela o melhor da existência humana.
A versão conhecida e utilizada para abrir e fechar as reuniões dos grupos anônimos é:
“Conceda-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma das outras”.
O pedido na oração é por serenidade, que significa paz interior, tranquilidade, harmonia e calma. O evangelista João escreve: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos
dou, não vo-la dou como o mundo dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. [Jo 15:27]. Ao clamar por serenidade o orante se apresenta desejoso da
paz que vem de Deus, (Poder Superior), deseja também ter habilidade para alcançar êxito em todas as suas investidas no mundo relacional, no mundo material e no mundo secularizado41.
A serenidade, que é a imunidade a todas as dependências, caracteriza-se por sentimentos de tranqüilidade, gratidão, contentamento, afeição aos outros, e por uma profunda paz interior. Quando as pessoas estão serenas, não necessitam satisfazer desejos para se sentirem completas (BAILEY, 1996, p.13).
Adquirindo serenidade, o homem/mulher passam a experimentar o aconselhamento de Jesus, descrito pelo evangelista Mateus, "Não vos ponhais
inquietos pelo dia de amanhã. A cada dia basta o seu mal" [Mt 6:34]. Viver em
serenidade é reconhecer que as adversidades, os problemas, bem como os obstáculos são oportunidades de aprendizado e crescimento interior.
Buscando uma melhor compreensão é importante uma leitura passo a passo da Oração da Serenidade como forma de interpretá-la.
“Aceitar as coisas que não posso modificar” – O orante, confortado pela paz interior vivenciada na serenidade, ao manifestar seu desejo em aceitar o mundo ao seu redor tal como é, bem como reconhecendo sua impossibilidade frente à realidade existente ao seu redor, demonstra segurança e por que não dizer, esperança. Praticar esta oração no contexto da dependência química, frente ao
41 A secularização de uma sociedade pode ser entendida, em um sentido literal, como um processo pelo qual a
religião deixa de ser o aspecto cultural agregador, transferindo para uma das outras atividades desta mesma sociedade este fator coercitivo e identificador. Ela faz com que tal sociedade já não esteja mais determinada pela religião. Nas relações da Igreja com o Estado, é o processo de devolução de algo que, por razões de ordem histórica, estava submetido ao domínio religioso.
processo de recuperação é declarar através da palavra42 a aceitação, uma vez que a
serenidade tem o poder para mudar todos os aspectos da vida humana.
“Coragem para modificar as que eu posso”, uma vez que a serenidade é a base para se obter coragem para alterar percursos, projetos e sonhos. A afirmação de que sem a serenidade tais coisas não são possíveis, não é exagerada. Isto porque, coragem é a habilidade de confrontar o medo, a dor, o perigo, a incerteza ou intimidação. Podendo ser física e moral, a coragem é a confiança em momentos de temor ou situações difíceis, é a força motivadora no enfrentar da vida. Sem a paz interior, sem a capacidade para articular corretamente o raciocínio pela ocasionalidade de algum mal mental, não estando sereno, o ser humano não tem condições para desenvolver as ações que lhe são solicitadas em seu dia a dia.
Paul Tillich em seu texto a Coragem do Ser, propõe o conceito de Coragem como auto-afirmação "a despeito de", a despeito daquilo que tende a impedir o eu de se afirmar...
... Ansiedade e coragem têm caráter psicossomático. São biológicas, tanto como psicológicas. Do ponto de vista biológico poder-se-ia dizer que medo e ansiedade são as ameaças do não-ser a um ser vivente, produzindo movimentos de proteção e resistência a esta ameaça. A auto-afirmação biológica implica na aceitação destas ameaças. Sem esta auto-afirmação a vida não pode ser preservada. Quanto mais força vital um ser possui, mais é capaz de afirmar-se a despeito dos perigos anunciados pelo medo. A auto- afirmação biológica pede um equilíbrio entre coragem e medo. Se as advertências do medo não produzem efeito, a vida desaparece. A coragem de ser é uma função da vitalidade. Coragem é a possibilidade dependente, não do poder da vontade ou do discernimento, mas de um dom que precede à ação. Não se pode comandar a coragem de ser e não se pode obtê-la obedecendo a um comando.43
Uma vez que a coragem é descrita como o poder para vencer o medo, este medo pode ser visto como um sentimento que proporciona um estado de alerta diante do receio e das ameaças físicas ou psicológicas. Nas últimas décadas, a psicologia e a filosofia existencialista têm proporcionado uma decisiva distinção entre medo e ansiedade. Ambos os sentimentos provocam sensações de distúrbios e desconfortos mentais. Buscar a serenidade como base para uma vida corajosa é sim um princípio ativo na vida do dependente em recuperação, sendo possível ver mudanças não só em seu comportamento, mas também no mundo ao seu redor.
42 Segundo Gusdorf a função da palavra, na sua essência, não é uma função orgânica, mas uma função intelectual
e espiritual. A palavra designa a realidade humana, tal como ela se manifesta na expressão, não há função psicológica, nem realidade social, mas afirmação da pessoa, de ordem moral e metafísica.
“Sabedoria para distinguir uma das outras” – segundo o autor do livro de Provérbios “Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire
entendimento; pois melhor é o lucro que ela dá do que o lucro da prata, e a sua renda do que o ouro” (Prov. 3:13-14). A oração por sabedoria faz com que a pessoa
possa distinguir o bem e o mal, distinguir as coisas boas em detrimento das ruins na vida humana, distinguir o que promove a vida daquilo que traz a morte. Thiago apresenta como orientação pastoral: “... se algum de vós tem falta de sabedoria,
peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada” (Tiago
1:5).
Platão concebia a sabedoria como:
A virtude superior, paralela à classe superior dentro da Cidade ideal e à parte mais elevada da alma na divisão tripartida desta. No entanto, esse filósofo admitiu também outros significados de sabedoria; por exemplo, a sabedoria como a arte no sentido da habilidade para praticar uma operação. A diferença entre ambos os significados consiste em que enquanto no primeiro caso se trata de uma sabedoria superior, no último caso é uma sabedoria inferior. De fato, no primeiro caso temos apenas uma sabedoria entre outras. Além disso, em certa ocasião (como no Fédon, 96A), Platão falou da sabedoria como de uma investigação das coisas naturais. O predomínio do significado teórico de sabedoria alcançou sua máxima expressão em Aristóteles, quando considerou a sabedoria como a ciência dos primeiros princípios, e a identificou com a filosofia primeira (metafísica). A sabedoria é a união da razão intuitiva com o conhecimento rigoroso do superior ou das primeiras causas e princípios. Por isso o nome Sofia se refere ao teórico ou contemplativo, ao contrário do vocábulo prudência, que se refere ao prático ou ativo (FERRATER-MORA, 2001, 2570).
Sabedoria é o dom que nos permite discernir qual o melhor caminho, a melhor ação frente às diversas situações experimentadas na vida humana. O significado da sabedoria é bem mais abrangente na Bíblia do que no contexto extra bíblico. Muitos intérpretes admitem a sabedoria bíblica em termos meramente racionais, como capacidade intelectual atribuída a Deus e aos seres humanos. Seria uma faculdade cognoscitiva que capta e compreende conteúdos inteligíveis sem produzir novos dados de conhecimento.
Sendo assim, praticar a Oração da Serenidade, quer seja no início como no encerramento das reuniões dos grupos anônimos é manifestar um desejo de poder exercer seguramente a aceitação, a coragem e a sabedoria, sempre no sentindo primeiro de cada um destes conceitos. O desejo é adquirir constantemente a
serenidade necessária para... aceitar, exercer a coragem e ter sabedoria é na
poder compartilhar a sua recuperação e manifestar a sua submissão a Deus, na formar em que o compreende.
Tendo considerado o Credo Social, bem como o transitar entre o alcoolismo e a síndrome da dependência do álcool e encerrando com a experiência dos Alcoólicos Anônimos como uma pastoral de cuidado aos alcoolistas. O capítulo a seguir reflete sobre a práxis pastoral da Igreja Metodista, a partir da assimilação do Credo Social desde 1918, como norteador da ação social da Igreja ao longo dos anos.