3. Spredning av innovasjoner
4.7 Studiens validitet og reliabilitet
A análise realizada pelo Alceste, mencionada no capítulo anterior, evidenciou a produção de três classes contendo os significados sobre a violência-bullying elaboradas pelos participantes da pesquisa.
A partir da classificação hierárquica descente (Figura, 4) pode-se verificar que o discurso dos adolescentes sobre a violência-bullying se estruturou em dois eixos, em torno da organização das três classes identificadas.
Um dos eixos foi composto pela classe 1 e 2 que aglutina as interlocuções dos adolescentes e que foi denominado neste estudo de concepções da violência-bullying, ações de prevenção e perfil do bully. O segundo eixo composto pela classe três traz uma descrição acerca do perfil da vítima do bullying.
Para os adolescentes do estudo, a violência-bullying foi circunscrita de forma multifacetada, assumindo tanto um aspecto físico/funcional (briga, bater) quanto psicológico, (diminuir a imagem do outro, xingar) classe 1 e classe 2. Os participantes fizeram ainda menção à violência sócio/cultural, como o preconceito. Além disso, observou-se, uma associação entre a violência-bullying e a violência familiar como se esta última fosse a origem da primeira, e enfatizaram a briga como elemento que pode culminar na morte. Nesse eixo, os adolescentes demonstram por meio de suas representações a aquisição de um conhecimento formal e do senso comum acerca do fenômeno pesquisado. De acordo com o pensamento de Moscovici (2012) toda representação é a preparação para a ação, não só porque guia os comportamentos, mas, sobretudo porque restaura e reconstitui os elementos do ambiente onde o comportamento deve acontecer. Ela permite interpretar o comportamento, integrá-lo numa cadeia de relações à qual está ligado ao objeto, proporciona concomitantemente as noções, as teorias e o fundo de observações que tornam as relações possíveis e eficazes.
Ainda na classe 1, observa-se que os adolescentes mencionam que o bullying às vezes é perpetrado não só pelo aluno, mas também pelo professor, principalmente quando estes últimos não tratam os alunos com o devido respeito e elegem a crítica como alvo de seu processo ensino-aprendizagem. Além disso, verbalizam que a escola deveria ser um lugar que envolvesse ações de segurança, garantindo o direito à educação e ao lazer.
Fekkes, et all (2005) pontuam em seus resultados que quase a metade das crianças maltratadas não contou ao professor que estavam sendo intimidadas. Estes, ao saber sobre o bullying, muitas vezes tentaram impedi-lo, porém, na maioria dos casos, esta situação permaneceu ou até mesmo piorou. Nem os professores, nem os pais conversaram com os intimidadores sobre o seu comportamento. Sugerem que os professores precisam aprender formas eficazes de lidar com o bullying e as escolas precisam adotar uma abordagem
Blaya e Debarbieux (2011) apresentaram em um dos seus resultados, que um aluno em cada dez declarou que não estão bem ou não se sentem bem: eles têm um forte sentimento de insegurança e são vítimas de violência repetidas. 16% disseram que os agressores colocam um apelido frequentemente, 25% que foram insultados e 14% que foram excluídos de seu grupo. 17% revelaram que foram espancados várias vezes e 11% sofreram tanto a violência física quanto a psicológica. Os meninos são mais violentos do que as meninas, mas também mais vítimas do que elas. Revelam que tudo isto tem implicações na percepção do ambiente da escola descobrindo que a violência verbal e a psicológica têm efeitos tão negativos quanto a violência física. Os autores salientam que é necessário concentrar esforços de prevenção e luta contra a violência escolar sobre os problemas da violência repetida e bullying. E que, intervir cedo para ajudar a prevenir a violência nas escolas é o direito das crianças, promovendo a segurança necessária que lhes permita que estudem, se desenvolvam e se tornem adultos felizes e incluídos como cidadãos na sociedade.
Na classe 2 os adolescentes verbalizam que consideram que a prática da violência- bullying é um tipo diferente de expressar o preconceito, uma agressão às diferenças, e que se faz necessário a criação de palestras e o acompanhamento, que a família deve acompanhar e mostrar que a questão do bullying é uma agressão e que precisa de práticas de conscientização e de amor. Eles apontam que as medidas preventivas devem estabelecer um programa de ação conjunta entre a escola (coordenação, direção, professores) e a família (pais, alunos) por meio de diálogos e que os alunos necessitam receber mais educação dos pais em casa.
Esses resultados se coadunam com os estudos de Silva (2010) quando a autora afirma que é importante que os estudos realizados acerca da violência escolar possibilitem elucidar os diferentes aspectos institucionais enfocando não somente os alunos e as suas famílias, mas também as interações que se processam no contexto escolar.
Os achados desta pesquisa corroboram também com os estudos de Vale e Salles (2011) quando afirmam que para prevenir a violência é extremamente importante construir um projeto educacional que leve em conta situações conflitivas que ocorrem no ambiente escolar. Outro estudo que enfoca também esse contexto é o de Souza (2008) ao apresentar alternativas para minimizar a violência na escola, ressaltando que é importante não abrir mão, sobretudo, da discussão do fenômeno dentro das escolas, com naturalidade, propiciando a interação de todos. Além disso, sugere que a violência não seja vista como um mito, como algo longínquo e sim como algo presente na sociedade ao qual todos estão sujeitos. Nas escolas, a conscientização quanto às graves consequências trazidas para o aluno em todos os âmbitos é ainda mais importante para as devidas mediações em seu desenvolvimento e que, se faz necessário repensar seu papel e propor alternativas que amenizem os conflitos vividos no ambiente escolar.
Contudo, Pereira (2009) assevera que é relevante pensar em pelo menos três grandes linhas de atuação para a prevenção da violência na escola. A primeira (i) prevenção primária tem a finalidade de otimizar as condições sociais em que se encontram os sujeitos e aconteceria na sua comunidade. A segunda (ii) prevenção secundária, se reporta diretamente à ação da escola prestando assistência aos estudantes em situações de risco. E a (iii) prevenção terciária, que tem relação com o trabalho direto com os estudantes envolvidos com a violência, conduta antissocial, criminalidade juvenil, vitimização.
Em uma pesquisa desenvolvida por Njaine e Minayo (2003), os resultados mostraram que os alunos apresentam um leque de possibilidades para prevenir e melhorar a violência nas escolas proporcionando uma visão do dinamismo desse processo. Para isso, faz-se necessário que os alunos intercedam pela expulsão dos estudantes que tumultuam a convivência, na qual se pode perceber a amplitude do fenômeno. Outra forma é uma reflexão profunda acerca de
ambiente da escola: trabalhando os problemas de forma alternativa e melhorando os laços de convivência. Sugeriram, ainda, outra possibilidade que seria a repressão sobre armas, drogas e bebidas alcoólicas e quanto ao problema da segurança na escola reivindicaram mais policiamento treinado e revista na porta de entrada.
Outra forma de motivar a prevenção da violência é proposta por Constantini (2004) por meio de um método denominado ‘circle time’ que promove a participação dos jovens e conduz o grupo. Possui como objetivo principal proporcionar aos alunos a oportunidade de vivenciarem suas experiências sócio-afetivas, desenvolverem o prazer de estarem juntos e se comunicarem, descrevendo quem são e valendo-se de um verdadeiro momento de estarem diante um do outro, do mesmo modo, adquirindo noções de sociabilidade. Essa metodologia é apresentada em dez etapas: o espaço, número de participante, duração, procedimentos, simbologia do círculo, regras, intervenções, “brainstorming” (tempestade cerebral), assuntos e condução. Fante (2005) apresenta uma proposta de prevenção denominada Programa Educar para a Paz que foi elaborado em diferentes fases, porém apresenta seus objetivos: conscientizar os alunos acerca da violência e as suas consequências; por meio de interiorização de valores humanos desenvolvendo-lhes a capacidade de empatia e habilidades para a erradicação do bullying e que estes se comprometam com o bem-comum, tornando-se agentes de transformação da violência na construção de uma realidade de paz nas escolas. As etapas para a implantação deste programa são as seguintes: conhecimento da realidade escolar – conscientização e compromisso, investigação da realidade escolar e modificação da realidade escolar – adoção de estratégias de intervenção e prevenção e novo diagnóstico da realidade escolar.
No segundo eixo intitulado perfil da vítima os adolescentes da pesquisa emitem significados como brincadeira, que podem magoar, ofender o outro, que pode ser um “amigo” ou uma menina diferente, principalmente quando a apelidam de gorda. Eles afirmam que
começam na aula. A vítima é sempre alguém diferente. Percebe-se que, apesar de afirmarem tratar-se de uma brincadeira, verifica-se por meio de suas representações que eles têm consciência sobre as consequências da violência na escola e que a mesma é prejudicial para todos, pois, seja física ou verbal, machuca. Que o desrespeito, a briga e a discussão na sala de aula produzem graves consequências para os alunos.
Descrevem as características das vitimas da violência que relatam as suas vivências relacionadas à agressão quanto ao seu aspecto físico e ao seu estado emocional demonstrando tristeza. Os alunos vítimas da violência são muitas vezes caracterizados por certo traço de fragilidade física e emocional e, não apontam o agressor, por temerem a uma nova agressão. Esses resultados encontram-se refletidos nos achados de Ens et al (2009) em que 50% dos estudantes manifestam em suas representações acerca da vítima de bullying situações em que os alunos vitimizados sofrem todo tipo de intimidação, desde ser deixado de lado, empurrado, apelidado, surrado e ser xingado.
Em geral, as vítimas são descritas como pessoas frágeis, que não se socializam, não possuem habilidades para defender-se das ofensas e ameaças, são tímidas, submissas, inseguras, têm baixa auto-estima e condutas depressivas. Destacam que as meninas, num total de 31% contra 18% dos meninos, são as maiores vítimas desse tipo de violência.
No estudo realizado por Midelton-Moz e Zawadski (2007) os resultados revelaram que as vítimas do bullying costumam sentir vulnerabilidade, medo e vergonha intensos e uma auto-estima cada vez mais baixa, podendo com isso aumentar a probabilidade de se tornarem vítimas preferenciais. Podem ainda ficar deprimidas e sem forças. Por outro lado, Fante (2005) evidencia que a vítima típica é aquela que tem dificuldades de impor-se no grupo, tanto física como verbalmente, demonstrando uma conduta habitual não-agressiva, motivo pelo qual demonstra ao agressor que não irá revidar se for atacada, tornando-se assim, presa
Nesse sentido, a organização não governamental PLAN (2010) em sua pesquisa confirma a dificuldade dos alunos em diagnosticar as causas do bullying, bem como em determinar as diferenças e limites entre brincadeiras e agressões. Essa dificuldade faz com que situações de violência surjam da falta de limites para as brincadeiras, muitas vezes sem que os próprios envolvidos se deem conta da gravidade da situação. Bandeira (2009) nos seus estudos revela que a maioria dos estudantes (40,2%) acredita que o motivo que leva alguns colegas a praticarem o bullying contra outros é atribuído à brincadeira.
Chama a atenção que os participantes deste estudo remetem a questão da violência- bullying para os fatores sociais, mas também atrelam à violência familiar. Souza (2008) confirma também que os problemas familiares são inumeráveis e que o abandono e a negligência dos pais, as privações afetivas e sociais são desencadeadores de violências nas escolas.
Para eles, a violência-bullying, na escola ora é minimizada, descrita como uma brincadeira, que geralmente se inicia por motivo banal, ora é tratada como algo grave como a prática do preconceito, e que as brigas causam consequências graves para o espaço do contexto escolar. Desse modo, o sentimento de insegurança e medo se impõe e eles demandam a criação de palestras de conscientização e o apoio da família. Em síntese, percebe-se que os adolescentes associam a violência-bullying à violência “cultural”, ao “preconceito”, a “violência familiar”, e à “violência física” e “verbal”. Esses resultados se apóiam no estudo de Lopes Neto (2005) ao tornar evidente que as causas da violência descrevem alguns fatores justificativos para esse comportamento, resultando da interação entre o desenvolvimento individual e os contextos sociais, como a família, a escola e a comunidade.
Face a esses resultados, pode-se inferir que os alunos elaboraram representações sociais acerca da violência-bullying em dimensões físicas/comportamentais,verbais e estruturais associadas às brincadeiras praticadas entre os pares no ambiente escolar.
Nesse processo pode-se elucidar que as relações entre o indivíduo e a sociedade são complexas e envolvem uma complicada rede de fenômenos, dos quais se destacam as crenças, as referências culturais que se apresentam como guias para ação. Isto é explicado por Vala (2010), que as representações sociais possuem um cunho social que é observado na medida em que é partilhada por um conjunto de indivíduos, no sentido em que é coletivamente produzida cognitiva e simbolicamente por um grupo social e se constituem guias para a comunicação e a ação, constituindo-se teorias sociais práticas.
Em relação à AFC, os resultados indicaram que no Eixo1 reuniram-se o vocabulário atinente às interlocuções dos alunos acerca da concepção e perfil da vítima do bullying. A caracterização do perfil da vítima foi objetivada pelos participantes como aquelas restritas às brincadeiras entre os alunos que parecem favorecer a prática do bullying (brincadeira, falar) e as características das vítimas. Em relação às concepções e tipos de violência-bullying, estas foram objetivadas pelos participantes como aquelas que tratam da noção que estes possuem acerca da violência, e os tipos de bullying que ocorrem no ambiente escolar. As interlocuções dos participantes encontram-se ancoradas nos seus aspectos conceituais, comportamentais e explicativos.
O Eixo 2 do plano fatorial apresentou um recorte dos discursos da classe 2 objetivando nos motivos e nas práticas para prevenir a violência. Esses dados demonstraram a apreensão de uma representação social da violência-bullying ancorada nos motivos e práticas de prevenção.
Este dado pode significar que as concepções e tipos acerca da violência-bullying estão próximas do campo lexical dos motivos, práticas de prevenção e o perfil do bully de acordo com os contextos discursivos presentes na classe 2. Assim, as duas classes interligadas indicam que pertence à violência-bullying. Os excertos dos participantes estão ancorados em um discurso orientado para aos motivos e as práticas para a prevenção da violência.
No que diz respeito à análise cruzada dos dados, considerou-se o corpus elaborado pelas entrevistas dos alunos, com o cruzamento da variável sexo, que a partir do processamento pelo ALCESTE obteve-se um dendrograma constituído de duas classes. Deste modo, pode-se notar a visualização das temáticas apreendidas pela distribuição do vocabulário a partir da análise hierárquica descendente, aprofundando desta forma, uma confirmação acerca das evidências para compreender as representações sociais da violência- bullying dos alunos.
Com base no relatório emitido no cruzamento, pode-se observar que a classe 1 caracterizada pelo sexo feminino, teve a participação do alunos da instituição 2, com 18 anos e cursando o 3º. ano. Estes participantes elaboraram representações relacionadas às temáticas referentes a: fatores de bullying e a práticas de prevenção do bullying. A classe 2, identificada pelo sexo masculino, com contribuição dos alunos da instituição 1, na faixa etária entre 14 e 15 anos e cursando o 2º. ano, compôs representações pautadas nas temáticas de: motivos do bullying, consequências do bullying e práticas de prevenção do bullying. Estes resultados corroboram e aprofundam os achados anteriormente descritos no dendrograma da análise padrão do ALCESTE.
Observou-se com base nos dados acima descritos que os alunos verbalizaram mais aspectos relacionados ao bullying em relação às alunas. Isto provavelmente se deve ao fato que os alunos estejam mais envolvidos com a prática do bullying.
Em relação à ocorrência do bullying verbalizada pelos alunos, esta coaduna-se com os estudos de Fante (2005), da PLAN (2010) e Silva (2010a), para estes a prática do bullying é um evento que acontece no espaço escolar.
A prevenção do bullying explanada nos discursos dos participantes encontra-se baseada na fala de Fekkes et al (2005) que destaca a importância de uma comunicação frequente entre os atores sociais que compõem o contexto escolar, os professores qualificarem-se para lidar com o bullying e a escola adotar uma abordagem que a envolva em suas intervenções anti-bullying.
As consequências do bullying verbalizadas pelos participantes se apresentam como uma das muitas decorrências e que estão presentes no estudo realizado pela PLAN (2010), enfatizando principalmente os prejuízos desta manifestação para o processo de aprendizagem dos alunos.
As causas do bullying, reveladas pelos participantes, caracterizam as formas de agir dos agressores e demonstram que, assim como afirmado por Ballone e Moura (2008), geralmente o agressor pensa que todos ao seu redor devem atender seus desejos de imediato.
A prevenção do bullying, expressa pelos participantes, revela a orientação que estes devem receber dos pais desde pequenos. Trautmann (2008) aponta como prevenção para o bullying uma abordagem do ponto de vista da sua totalidade, sistêmica e multidisciplinar, envolvendo toda a comunidade escolar, a família e a sociedade como um todo.
A manifestação do bullying elaborada pelos participantes indica a presença do fenômeno no contexto escolar. A PLAN (2010) mostra nos resultados da sua pesquisa que 70% dos estudantes afirmaram ter presenciado cenas de agressões entre os colegas durante o ano letivo de 2009 e a ABRAPIA (2003) apontou um percentual de 57,5% de alunos que presenciaram o bullying na escola.