4. Resultat
4.1 Konkurransedeltakinga si manifestering
4.1.1 Strukturelt nivå
Reconhece-se nesta proposta de ensino que desde o início do trabalho os estudantes são participantes da construção curricular. Já no mapeamento, professor e estudantes estabelecem uma relação dialógica. Deste modo, caminha para o que Freire (2011, p. 95) defendia a não existência da relação “educador do educando, mas educador-educando com educando-educador”. Por meio do diálogo, ambos os sujeitos se educam e crescem juntos. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.” (FREIRE, 2007, p. 23). Cria-se, um clima de confiança e segurança, pois o diálogo não existe entre antagônicos, mas entre aqueles que buscam superar situações de opressão (PACHECO JUNIOR; PACHECO, 2009).
A participação conjunta de professores e estudantes nas decisões do processo de ensino torna-se uma característica relevante da proposta. É interessante destacar, de acordo com a perspectiva cultural de Educação Física, eles apresentam responsabilidades diferentes. Os professores têm o importante papel de identificar e elaborar os temas como também refletir e organizar atividades pedagógicas para o grupo. Aspecto que está distante de práticas que se baseiam em apenas votações e perguntas sobre o que os estudantes querem aprender, pois se tem a noção do papel político que exercem. Há toda uma investigação tanto sobre a eleição de uma temática coerente com as demandas do contexto escolar como sobre o seu devido aprofundamento, suas relações com o mundo para não incorrer no risco de tratamento superficial que apenas mantenha o status quo. Já os estudantes têm o papel de reconstruir os conhecimentos veiculados com novos significados e participar ativamente do projeto de estudo. Ativamente aqui não se refere à obrigatoriedade da participação da
vivência da prática corporal, mas o envolvimento também nas diversas atividades de leitura, interpretação, análise e reconstrução das práticas corporais.
No currículo municipal, o professor não é mero executor, ele é agente do trabalho pedagógico. A proposta se afasta de documentos oficiais que chegam às salas de aula como pacotes de materiais curriculares, com uma listagem de atividades e conteúdos a serem cumpridos e transmitidos. É o que Giroux (1992) denomina pedagogias gerenciais, pois se preocupam com a eficiência e controle do ensino, ou seja, seu gerenciamento, para que sejam suficientemente previsíveis nas diferentes escolas e populações de estudantes, e, portanto, mais manipuláveis e com a maior possibilidade de trazer soluções técnicas para os problemas. O que requer manter professores e estudantes distantes das decisões e elaborações, não havendo relevância se os encaminhamentos e objetivos educativos apresentam relação e se aproximam das variadas realidades existentes. Essa proposta, justamente, vê o professor como sujeito criativo, um intelectual transformador, capaz de avaliar, criticar os propósitos educativos, criar, planejar e desenvolver propostas pedagógicas contra-hegemônicas.
Os estudantes também deixam uma posição passiva para tornarem-se participantes de todo o processo de ensino. Desde o início, há um olhar atento para que os diferentes grupos presentes na sala de aula possam efetivamente participar com seus conhecimentos. Buscam-se ações didáticas para que se expressem e aprendam outras formas comunicação.
Desde o mapeamento, o documento está atento à realidade dos discentes, a seu patrimônio cultural corporal. Ao valorizar e reconhecer a diversidade cultural e trabalhar com as produções de variados grupos culturais, mostrando a riqueza existente nas diferenças e incentivando o diálogo, caminha para a formação de um sujeito que seja sensível à diversidade cultural.
Ao serem incentivados a vivenciarem outras formas e sentidos dados às práticas corporais, possibilita também a percepção de diferentes aspectos relacionados na construção de suas próprias identidades.
A proposta da SME/SP apresenta encaminhamentos didáticos para que os estudantes ajam como produtores culturais, eles são incentivados a adaptar as práticas a seu contexto, a identificar e criar novas formas de se comunicar. Os discentes percebem a plasticidade da cultura, as possibilidades de transformação das práticas corporais vigentes, reconhecendo-as como produtos transitórios e variáveis conforme o contexto. Para isso é necessário dialogar para realizar a construção coletiva.
A realidade, nesta proposta, não é estática. Compreendem-se as relações dos sujeitos com o mundo e ressalta-se seu aspecto mutável. Ao reconhecer o mundo e o homem dentro de uma realidade histórica, em seu estado inacabado, em constante mudança e permeado por relações de poder, supera posturas fatalistas, fomentando uma postura crítica. Propõe o desenvolvimento de atividades, que por meio da análise de diferentes textos e narrativas tratem o objeto de estudo mediante suas relações sociais, históricas, culturais, políticas e de poder, caminhando para uma formação questionadora das formas hegemônicas, aparentemente naturais e opressoras.
À medida que o projeto se desenrola, os estudantes vão se envolvendo e acessando outras referências, análises e interpretações que podem encaminhá-los para o aprofundamento e ampliação dos conhecimentos sobre o objeto de estudo, como também, modificar as representações iniciais. Nesse processo, posicionam-se como investigadores críticos sobre a temática em estudo. Além do mais, identificamos a pretensão na formação de sujeitos agentes de transformação social, por meio de sua participação tanto na sala de aula como na comunidade, transformando as relações desiguais de poder.
Por fim, as Orientações Curriculares estão comprometidas com a justiça social e a democracia, empenhadas na formação de um sujeito crítico, capaz de ler, interpretar, analisar, criar e transformar a realidade, sensível à diversidade cultural, que reconheça e compreenda a construção das diferenças entre os grupos culturais. Apresenta critérios, posicionamentos e encaminhamentos de ensino que convocam a novas posturas.
Diferentemente de perspectivas que têm sido desenvolvidas na área, o currículo de Educação Física das escolas municipais se apresenta como fecunda proposta de atuação e formação do sujeito contemporâneo quando sugere novas relações entre professores e estudantes apoiadas numa postura política comprometida com atitudes mais justas e solidárias. Eis o aspecto distintivo que suscitou o interesse de investigar as significações expressas pelos docentes sobre a proposta.