7. DISCUSSION
7.3 The structure of the character strengths
O volume evapotranspirado foi calculado através do uso de um Método de estimativa da Evapotranspiração de Referência (ETo) que neste trabalho foi denominada Evapotranspiração Potencial (EVTP).que é a quantidade de água transferida para a atmosfera por evaporação e evapotranspiração, na unidade de tempo, de uma superfície extensa completamente coberta de vegetação de porte baixo e bem suprida de água (Penmam, 1956).
Na figura 2.22 pode-se visualizar as principais variáveis envolvidas para a determinação do modelo de estimativa da Evapotranspiração de Referência (ETo =
Figura 2.22 - Principais fatores ambientais envolvidos para determinação do modelo utilizado para cálculo da Evapotranspiração Potencial.
Neste trabalho a Evapotranspiração representa a soma da evaporação da água do solo e a transpiração das plantas. Estabeleceu-se que a grama seria a cultura de referência, sendo que o valor Evapotranspirado para essa cultura é denominado de Evapotranspiração de Referência ou Potencial. Os valores da Evapotranspiração geralmente são utilizados para calcular a Evapotranspiração Real de diferentes culturas, sendo também empregados em zoneamentos agrícolas e no manejo da irrigação, entre outros.
A Evapotranspiração Real (EVT) é a quantidade de água transferida para a atmosfera por evaporação e transpiração nas condições reais existentes de fatores atmosféricos e umidade do solo. A Evapotranspiração Real é igual ou menor que a Evapotranspiração Potencial (EVT < EVTP) (Gangopadhyaya et al, 1966).
O método padrão recomendado pela FAO (órgão das Nações Unidas responsável pela Agricultura) para o cálculo da Evapotranspiração Potencial, utiliza valores da temperatura do ar, da radiação solar, da velocidade do vento e da umidade relativa do ar (Allen et al.,1998). A maior parte dos serviços meteorológicos no Brasil fornecem somente dados de precipitação pluvial e temperatura do ar. Por essa razão, há a necessidade, muitas vezes, de se calcular a Evapotranspiração Potencial empregando-se um método que utilize somente valores de temperatura do ar, como o de Hargreaves- Samani que pode ser visualizado na Equação 2.6:
Em que:
EVTP = Volume da Evapotranspiração Potencial, em mm/dia;
K = Coeficiente adimensional utilizado conforme o local (continente ou costa); Ra = Radiação conforme Latitude (20°), equivalente a evaporação em mm/dia; Tmáx = Temperatura Máxima do ar, em °C.
Tmin = Temperatura Mínima do ar, em °C. Tméd = Temperatura Média do ar, em °C.
Esse método foi testado em duas regiões vitícolas brasileiras e, quando comparado ao método padrão, apresentou uma tendência média em superestimar os valores diários de Evapotranspiração Potencial em 2%, no noroeste paulista, e em 1%, na Serra Gaúcha (Conceição e Marin, 2005; Conceição e Mandelli, 2005a). O seu desempenho foi classificado como muito bom nos dois locais estudados, de acordo com os coeficientes estatísticos adotados (Conceição e Marin 2005; Conceição e Mandelli, 2005b).
O método para cálculo da Evapotranspiração Potencial segundo Samani et. al. (2000) é utilizado para calcular a Evapotranspiração Potencial (mm/dia), através de coeficiente "K" igual a 0,162 para regiões continentais e 0,190 para regiões costeiras. Também utiliza a radiação solar (Ra) que é a radiação solar no topo da atmosfera, expressa em equivalente de evaporação (mm/dia), que varia com o mês e a latitude do local podendo ser visualizada no Anexo 2 Tabela 2.2.
As temperaturas "Tmax", "Tmin" e "Tmed" são as temperaturas máxima, mínima e média do ar, respectivamente em graus (ºC). As temperaturas médias mensais utilizadas neste trabalho podem ser visualizadas no Anexo 2 Tabela 2.1. Estes valores foram estimados conforme dados de trabalhos, como Siqueira et. al. (2005), que estudaram o efeito da temperatura na construção civil no município de Ouro Preto. Também foram consideradas informações adquiridas junto a órgãos governamentais como INMET e INPE.
Na Bacia do Rio Maynart foram identificados os usos do solo e correlacionados com os valores já identificados em vários estudos realizados pela FAO para manejo da irrigação onde são calculados a demanda de água através da evapotranspiração diária de uma cultura de referência (ETc). Portanto cada uso e ocupação identificado foi
Com a definição dos coeficientes de ajustes dos usos e ocupações pode-se realizar as estimativas da evapotranspiração de cada uso do solo (EVT=ETc) o procedimento usual é utilizar estimativas da evapotranspiração de referência (ETo), corrigidas por um coeficiente de cultura (Kc). Esse coeficiente de ajuste é determinado pela Equação 2.7:
Kc = (ET
c/ ET
o)
(Equação 2.7)
Em que:
Kc = Coeficiente de Cultura, adimensional; ETc = Evapotranspiração da Cultura, em mm; ETo = Evapotranspiração de Referência, em mm;
Os valores de Kc variam com a cultura e com seu estádio de desenvolvimento, sendo apresentado em tabelas por Doorenbos e Pruitt (1977) e descrito para diferentes culturas por Doorenbos e Kassam (1994). Esses valores foram baseados em pesquisas desenvolvidas em diferentes regiões do mundo, porém, sabe-se que os valores de Kc variam de acordo com as condições edafoclimáticas, assim como com a cultivar ou variedade empregada. Os valores de Kc são muito utilizados para a determinação das necessidades hídricas das culturas, tanto em termos de manejo da água de irrigação como também no planejamento de sistemas hidroagrícolas, assumindo atualmente grande importância na análise de processos de concessão de outorga de uso da água de irrigação, realizados pela Agência Nacional de Águas (ANA).
Para este trabalho foram utilizados coeficientes de culturas (Kc) que foram correlacionados com diversos usos do solo identificados nesta sub-bacia. Esse é o método padrão FAO (Boletins 24 e 56) para a determinação da demanda hídrica de um determinado local. Através deste método foi possível representar a demanda hídrica deste local conforme os usos do solo identificados nos períodos avaliados.
Nas Tabelas 2.4 e 2.5 pode-se visualizar os valores de Kc utilizados e os usos do solo identificados para cada período do ano.
Tabela 2.4 – Relação dos usos do solo e Kc relacionados para a Bacia do Rio Maynart.Tabela 4
Uso e Ocupação da Sub-Bacia do
Rio Maynart Uso e Ocupação FAO relacionado Correlacionados Valores de KC Complexo Rupestre Pastagem Extensiva 0,30-0,75 Plantios de Eucalipto Frutas e Árvores Tropicais 1,00-1,05 Afloramento de Quartzito Kc Inicial de Culturas Agrícolas 0,30-0,50 Afloramento de Gnaísse Kc Inicial de Culturas Agrícolas 0,30-0,50 Afloramento de Canga Kc Inicial de Culturas Agrícolas 0,30-0,50 Área de Pastagens Pastagem em Rotação 0,40-0,85 Áreas Agrícolas Feijão, Milho, Batata e Cana 0,30-1,25 Áreas de Matas Frutas e Árvores Tropicais 1,00-1,05 Áreas de Minerações/Erosões Kc Inicial de Culturas Agrícolas 0,30-0,50 Lagos Coeficiente Tanque Classe A 0,75-0,80 Obs: Vento moderado a médio
UR média 40-70%
Tabela 2.5 – Relação dos valores de Kc utilizados conforme o período do ano para os usos do solo da Bacia do Rio Maynart.Tabela 5
Uso e Ocupação da Sub-Bacia do Rio Maynart Período do Ano Meses do Ano KC médio utilizados
Complexo Rupestre Chuvoso Nov-Abr 0,75
Plantios de Eucalipto Chuvoso Nov-Abr 1,05 Afloramento de Quartzito Chuvoso Nov-Abr 0,50 Afloramento de Gnaísse Chuvoso Nov-Abr 0,50
Afloramento de Canga Chuvoso Nov-Abr 0,50
Área de Pastagens Chuvoso Nov-Abr 0,85
Áreas Agrícolas Chuvoso Nov-Abr 1,25
Áreas de Matas Chuvoso Nov-Abr 1,05
Áreas de Minerações/Erosões Chuvoso Nov-Abr 0,50
Lagos Chuvoso Nov-Abr 0,80
Complexo Rupestre Seco Mai-Out 0,30
Plantios de Eucalipto Seco Mai-Out 1,00
Afloramento de Quartzito Seco Mai-Out 0,30
Afloramento de Gnaísse Seco Mai-Out 0,30
Afloramento de Canga Seco Mai-Out 0,30
Área de Pastagens Seco Mai-Out 0,40
Áreas Agrícolas Seco Mai-Out 0,30
Áreas de Matas Seco Mai-Out 1,00
Áreas de Minerações/Erosões Seco Mai-Out 0,30
Com os valores da Evapotranspiração de Referência (ETo = EVTP) calculadas e as áreas dos usos do solo definidos no Apêndice 3 Tabela 3.2 apartir do zoneamento ambiental realizado na Bacia do Rio Maynart nos períodos avaliados conforme as estações avaliadas foram definidas a demanda hídrica deste local. Com estas informações pode-se calcular os valores da Evapotranspiração Real da Bacia do Rio Maynart e suas Sub-Bacias. O volume evapotranspirado foi estimado conforme a Equação 2.8:
EVT = 1/A x A
ix EVTP x Kc
Equação (2.8)
Em que:
A = área total da bacia ou sub-bacia estudada, em ha;
Ai = área de influência do uso e ocupação “ i “definido na bacia estudada, em ha; EVT = Volume da Evapotranspiração Real, em mm/dia;
Kc = Coeficiente de Cultura do uso e ocupação “i“correlacionado, adimensional;
EVTP = Volume da Evapotranspiração Potencial, em mm/dia;
Através da utilização desta equação é possível calcular a Evapotranspiração Real para um dia, sendo que este valor foi extrapolado para o número de dias do mês corrente, devido a utilização de intervalos mensais para o cálculo da Evapotranspiração deste trabalho.