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Para compreender o papel das componentes do ciclo hidrológico desta sub-bacia foi necessário o levantamento das classes de solos e suas características, conforme caracterizadas por Paula et. al. (2004) nas porções Oeste e Norte da sub-bacia. Já para a região Sul e Leste foram caracterizadas através de levantamentos de campo realizados por este trabalho de pesquisa.

Este levantamento teve como objetivo caracterizar os solos da Sub-bacia do Rio Maynart, para compreender o papel dos mesmos na evolução desse ecossistema e entender melhor sua influência nas componentes do ciclo hidrológico desta sub-bacia. Estas informações contribuem para a conservação desta área, pois a definição das principais classes de solos é muito importante para se planejar uma bacia hidrográfica.

O solo é constituído por uma coleção de corpos naturais, formados por partes sólidas, líquidas e gasosas, tridimensionais, dinâmicos, formados por materiais minerais e orgânicos, que ocupam a maior parte do manto superficial do planeta. Contém matéria viva e pode ser vegetado. Também pode ser modificado por atividades antrópicas.

São examinados a partir da superfície consistindo de seções paralelas, denominadas horizontes ou camadas. São identificadas a partir do material de origem, como resultado de adições, perdas, translocações e transformações de energia e matéria. Possui a habilidade de suportar o desenvolvimento do sistema radicular de espécies vegetais no ambiente natural.

As alterações pedológicas de que são dotados os materiais do solo revelam contraste com o substrato rochoso ou o seu resíduo pouco alterado, expressando diferenciação pedológica em relação ao pré-existente.

Na figura 2.11 e 2.12 pode-se visualizar as rochas que deram origem a estes solos como algumas de origem Granitóide e Gnaíssica, além de Filitos e metaconglomerados. Com base nestas informações foram descritos o meio físico apresentando os materiais de origem e o tempo de formação geológica.

Nesta região os solos são formados por rochas variadas e na sua maioria apresentam o Quartzo como o principal composto. Este mineral sofre pouco com a ação

Figura 2.11 – Mapa Geológico da Sub Bacia do Rio Maynart conforme dados fornecidos para o Estado de Minas Gerais pelo CPRM.

Figura 2.12 – Coluna Estratigráfica proposta para o Quadrilátero Ferrífero (Alkmim & Marshak, 1998) modificada.

O limite superior do solo é a atmosfera, sendo os limites laterais os contatos com outras espécies de solos vizinhos, como os contatos com afloramentos de rochas, materiais detríticos inconsolidados, aterros ou encontros com terrenos sob espelhos d`água permanente. O limite inferior do solo é difícil de ser definido. Porém, o solo passa gradualmente do limite inferior para a rocha dura ou mesmo materiais saprolíticos que não apresentam sinais de atividades animal, vegetal ou outras indicações da presença de atividade biológica.

Também contrasta com o material subjacente pelo decréscimo de constituintes orgânicos, decréscimo de alteração e decomposição dos constituintes minerais, enfim, observa-se um ganho de propriedades mais relacionadas ao substrato rochoso ou material de origem não consolidado.

A unidade básica de estudo do Sistema Brasileiro de Classificação é o perfil de solo que constitui a menor porção da superfície da terra, apresentando três dimensões e perfazendo um volume mínimo que possibilite estudar a variabilidade dos atributos, propriedades e características dos horizontes ou camadas do solo (Embrapa, 1999).

Para se classificar os perfis de solos, existem critérios. Esses critérios evoluem à medida que os conhecimentos sobre os perfis de solos vão aumentando. Dentre as

prático. As principais características dos horizontes do perfil de um solo podem ser visualizadas na figura 2.13.

Figura 2.13 – Distribuição dos principais horizontes diagnósticos utilizados para classificação de solos neste trabalho conforme LEPSCH (2002).

O solo é formado num processo contínuo, pela desagregação e decomposição das rochas. Quando expostas à atmosfera sofrem a ação direta do sol, chuva e vento, além de outros fatores que modificam seus aspectos físicos e químicos. Estes fatores são conhecidos como intemperismo podendo ser de origem física ou química.

Com a ação do intemperismo sobre as rochas formam-se os solos no qual torna- se possível a vida da flora e fauna. Os vestígios da ocupação como folhas e restos mortais são adicionados e decompostos formando o húmus.

O material de origem dificulta a ação do intemperismo conforme sua composição e capacidade de interação com a água.

Assim pouco a pouco, sob a ação de fatores biológicos, químicos e físicos, o solo é formado, organizando-se em camadas superficiais, sobrepostas geralmente de aspecto e constituição diferentes.

O conjunto de horizontes superficiais num corte vertical até o embasamento é conhecido como perfil do solo. A ação dos processos físicos, químicos e biológicos não é uniforme ao longo do perfil. A matéria orgânica como restos de folhas e animais são

adicionados mais na superfície. Já as camadas subsuperficiais sofrem mais os efeitos da ação da gravidade e dos efeitos geoquímicos.

Solo está em permanente processo de formação ocorrendo fenômenos como a adição, transformação, remoção e translocação. Estes fenômenos mudam as camadas superficiais dando diferentes aspectos a estas camadas, podendo mudar conforme a rocha de origem. Isto pode ser facilmente visualizado em cortes de estradas e áreas de mineração a céu aberto.

Um perfil de solo bem desenvolvido pode apresentar até seis tipos de horizontes superficiais chamados de horizontes superficiais principais. Convencionalmente designados como O, A, E, B, C e R como na figura 2.13 (Lepsch, 2002).

Na formação dos solos ocorrem reações físicas, químicas e biológicas que determinam os diferentes horizontes com suas características peculiares. Os processos de transformação, remoção, translocação e adição, associados com certa condição de clima e organismos podem transformar esse substrato inicial em solo sob a ação do tempo.

Sabe-se que os solos variam de um lugar para outro e que são muitas as suas características. Deste modo para se identificar as classes de solos desta bacia, buscou-se identificar os horizontes diagnósticos, buscando também conhecimentos sobre sua gênese, para compreensão do solo na paisagem, suas propriedades e sua classificação.

A diversidade de solos associada à extrema valorização paisagística dos ambientes altimontanos, como na sub-bacia do Rio Maynart, torna os mesmos áreas prioritárias para conservação da biodiversidade e para a investigação científica. O estudo dos solos nestes ambientes torna possível sua estratificação ordenando-se porções homogêneas da área, sob uma mesma denominação, segundo suas características naturais ou físicas e com base nos interesses culturais, recreativos e científicos.

Na Cadeia do Espinhaço os solos são normalmente rasos, arenosos desenvolvidos, predominantemente de quartzitos, filitos e granitos foliados. Segundo Moreira (1965) são rochas muito dobradas e falhadas e intensamente trabalhadas pela erosão diferencial, originando cristas com altitudes elevadas como a Serra do Ouro

mau uso do solo em função da intensa exploração aurífera que ocorria na época do ciclo do ouro no país. Hoje os principais impactos na Cadeia do Espinhaço é a expansão da pecuária extensiva que causa sérios danos biológicos e físicos ao meio.

Na região Oeste, Norte e Leste a maioria dos solos são de textura arenosa, oriundos de rochas pertencentes ao domínio dos quartzitos. Na região Sul os solos são profundos oriundos do Xisto sendo pertencentes à classe dos Latossolos apresentando uma textura um pouco mais argilosa.(Embrapa, 1999).

A vegetação predominante nos solos desta Sub-Bacia contribui para o levantamento pedológico, ajudando na definição das classes de solo. Isto permite um planejamento dos usos e ocupação do solo para contribuir com a conservação desta região.

Verificou-se que dentre as tipologias vegetacionais encontradas existem variações que estão associadas a mudanças pedoclimáticas. Logo, cada comportamento vegetacional apresenta um determinado solo correlacionado que permite a evolução de espécies adaptadas a condições determinadas pelos fatores climáticos e físicos. Nesta região foram identificados cinco variações de solos nas áreas de Campos rupestres e duas variações de solos nas áreas de Floresta Estacional Semidecidual.

Com a definição destas variações foram identificadas as classes de solos formadoras desta sub-bacia. Na região Norte, Leste e Oeste apresentam a maior variação de solos desta sub-bacia, sendo os solos formados pelas classes denominadas de Neossolos, Espodossolos, Latossolos e Cambissolo. Na Região sul apresenta solos profundos, muito antigos sendo denominados de Latossolo podendo variar sua cor conforme o teor de ferro, de Vermelho a Vermelho-Amarelo.

As rochas de origem são basicamente metamórficas formada principalmente por Quartzito e Metaconglomerados. Pode-se encontrar rochas mais metamorfizadas como é o caso de algumas áreas de Quartzito formado basicamente pelos afloramentos rochosos, mas também são encontradas áreas arenosas, onde o grau de imtemperismo foi baixo e ainda está ocorrendo decomposição das rochas. Estas áreas possuem solos pouco profundos, presentes principalmente nas regiões próximas aos afloramentos, formando os solos do tipo Cambissolo. Estas rochas pertencem ao Grupo Itacolomi e ao Super Grupo Minas obtidos do Mapa Geológico-Estrutural do Quadrilátero Ferrífero.

Estes solos apresentam uma baixa produtividade devido a rocha de origem ser pobre em nutrientes para as plantas e também por que a maioria destes minerais são de fácil lixiviação, portanto já foram transportados pela ação do intemperismo.