4 Historical simulation
4.2 Strengths and weaknesses
O LDP G Português Para Todos (TERRA & CAVALLETE, 2002), 8ª série EF, avaliado pelo PNLD/2006. Teceremos alguns comentários sobre a carta de apresentação do livro.
Caro Estudante
Escrevemos este livro pensando em você, que tem opiniões próprias, que se diverte, que gosta de descobrir coisas novas, que tem emoções, dúvidas, anseios, que enfim, participa ativamente numa contínua interação com os outros.
Ao escrevê-lo, tivemos a preocupação de desenvolver habilidades que você já possui: ler, ouvir, falar escrever. Afinal, é por meio dessas habilidades que interagimos com os outros.
Apresentamos uma grande diversidade de textos (pintura, quadrinhos, fotografias, músicas, poemas, contos, piadas, notícias de jornal...) para que você tome contato com a linguagem em suas diversas manifestações.
Neste livro, você será solicitado a participar, a encarar o novo, a emitir opiniões, a exercitar seu espírito crítico, a relatar experiências pessoais, a trocar ideias com seus colegas, com seus professores, com seus familiares e amigos, com a comunidade. Enfim, queremos que você seja co-autor do livro e que ele tenha a sua cara. Para finalizar, esperamos que você goste do livro como nós, os autores, gostamos de escrevê-lo para você (TERRA & CAVALLETE, 2002).
A concepção de linguagem que subjaz às propostas desse manual está claramente apresentada aos interlocutores, sendo que tal concepção coincide com os PCN de Língua Portuguesa, uma vez que a linguagem é entendida como forma de interação de um trabalho coletivo e histórico.
A heterogeneidade (AUTHIER-REVUZ, 1990) na carta acima, incorpora o discurso do PCN, sem, contudo, delimitar explicitamente essa outra voz, que determina o trabalho com as práticas de linguagem, ao propor que:
(...) na prática de reflexão sobre a língua e a linguagem que pode se dar a construção de instrumentos que permitirão ao sujeito o desenvolvimento da competência discursiva para falar, escutar, ler e escrever nas diversas situações de interação (BRASIL, 2001, p. 34).
É possível entrever, na carta de apresentação do livro, a heterogeneidade de vozes que objetiva que a obra seja aceita por sugerir um trabalho como o recomendado pelos documentos oficiais no espaço escolar nas diversas situações de interação. É visível o discurso dos autores para valorizar ainda mais o livro e esse ser aceito pelos professores e alunos, quando seus autores afirmam a diversidade de textos que compõe o livro didático (pinturas, músicas, poemas, contos, etc.). Apresentam, portanto, um discurso que retoma os objetivos de ensino do documento ofici l ―desenvolver o domínio d expressão or l e escrit
em situações de uso público da linguagem (...) selecionar os gêneros adequados para a produção do texto‖ (BRASIL, 2001, p. 49).
Mais uma vez é explicitada a heterogeneidade de vozes dos autores (neste livro, você será solicitado a participar, a encarar o novo, a emitir opiniões, exercitar o senso crítico, trocar idei s etc. discursos que ‗incorpor m‘ s exigências do PCN, que indicam como um dos objetivos do Ensino Fund ment l que os lunos sej m c p zes de: ―posicion r-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tom r decisões coletiv s‖ BRASIL 2001 p. 07 .
Os autores do LDP G, para legitimar a obra, desejam que o aluno seja co-autor do livro, já que este foi escrito e organizado considerando as características próprias do aluno dolescente o firm rem ―que tem su c r ‖ como present do n c rt . Segundo Grigoletto 1999 ―O LD sempre enf tiz ordem e line rid de do discurso por ser est um m neir de se cheg r à orden ção e unific ção do sujeito‖ p. 74 . V mos conferir se o que é proposto na carta de apresentação é, efetivamente, articulado com a proposta de escrita que compõe o LDP G. Vejamos abaixo.
Figura 7 – Reprodução da página do LDP G – PNLD/2006
Fonte: TERRA, E. & CAVALLETE F. Português para Todos. 8ª série. Editora Scipione, 2002. (p. 110).
A proposta de escrita está voltada para o texto da abertura do capítulo O arquivo, de Victor Giudice (1986). João, o personagem principal da história trabalhava desde jovem em
uma empresa, e sempre se esforçava. Conforme ia ficando velho, seu salário ia reduzindo (podia pagar um aluguel menor), portanto, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Dois anos mais tarde, o chefe comunicou outro corte salarial, dezessete por cento. João não desistia, prosseguia a luta. Depois de 4 anos, o chefe chama novamente João para rebaixá-lo de posto. Mais uma vez mudou-se. Deixara de jantar, e reduzia-se a um sanduíche no almoço, emagrecia, mas se sentia mais leve e ágil. Eliminava mais despesas. Aos 60 anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. Não tinha mais despesas de moradia e vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores, cobria-se com farrapos de um lençol. Quando completou 40 anos de serviço, foi convocado pela chefia e seu salário foi eliminado. Assim, tentou requerer a aposentadoria, enfim, João transformou-se num arquivo de metal (TERRA & CAVALLETE, 2002, p. 98-99). Mais adiante, especificaremos que a narrativa proposta embasará a proposta de escrita, para o aluno escrever com base nesse modelo de texto narrativo.
Trata-se de uma narração, pois apresenta um relato de fatos, de acontecimentos. Os fatos narrados formam o enredo, que está centrado num conflito, que necessita da presença das personagens envolvidas, para se chegar ao desfecho do texto. O aluno precisa apresentar também o tempo, o lugar das cenas narradas. Ou seja, são exploradas todas as características do texto narrativo que compõem a estrutura deste texto.
A sugestão do roteiro da proposta acima apresentada está totalmente voltada para a narrativa do texto intitulado O Arquivo, que tem como personagens João (protagonista) e seu chefe (antagonista). O conflito é decorrente da relação de João (explorado) com seu patrão (explorador). Em resumo, João tem seu salário integralmente eliminado e passa a exercer a função de limpador de sanitários. Enfim, João coisifica-se, perde totalmente sua personalidade e transforma-se num arquivo morto.
Assim, o comando proposto sugere que o aluno escreva uma história reproduzindo o texto O Arquivo. Desse modo, a atividade de escrita proposta ao aluno será semelhante à história narrativa apresentada como modelo para o aluno, porque o roteiro de instrução da proposta de escrita solicita que se escreva um texto narrativo em que você relata a seus colegas os acontecimentos vividos por um funcionário de uma empresa que conta com inúmeros recursos de tecnologia. À medida que a empresa vai se informatizando, o funcionário (protagonista de sua narração) tem, cada vez mais, menos atividades para executar e corre o risco de se tornar uma pessoa dispensável dentro da empresa.
A ideia do comando orienta, ainda, como se deve desenrolar a narrativa: À medida que a empresa vai se informatizando, o funcionário tem cada vez mais, menos atividades a
executar; o seu clímax; e o desfecho também é sugerido: o funcionário tem, cada vez mais, menos atividades para executar e corre o risco de se tornar dispensável dentro da empresa.
Desse modo, inferimos que, a todo o momento a proposta cerceia a escrita do aluno na construção da narrativa. Tendo em vista o exposto, as propostas de produção textual escrita ficam restritas ao ―roteiro de instrução‖; limit m esse luno impossibilit ndo-o, por vezes, de expressar sua singularidade, ao registrar a sua marca e se responsabilizar por aquilo que escreve, ou seja, de poder construir uma história em que se possam acrescentar suas vivências, ideologias, seu conhecimento de mundo, algo que vai além de um comando de instrução.
Por último, há a recomendação que se crie um enredo estabelecendo um conflito, que atinja um clímax e dê ao conflito um desfecho. Mais uma vez, notamos que há uma imposição feita ao aluno pelo emprego dos verbos no infinitivo, como por exemplo, o emprego do verbo crie. Como as sugestões de ideias foram apresentadas, o aluno precisa organizar por escrito o texto. Na verdade, não se trata necessariamente de criar o enredo, o conflito e o clímax, mas tendo em vista essa proposta, notamos que apenas a reprodução do texto que abre a unidade seria suficiente para atender as demandas impostas por essa proposta de escrita.
Os fatos a serem relatados foram apresentados. Por isso, o comando sugere ao aluno narrar além do mero relato dos fatos, ou seja, poderá emitir opinião, exercitar seu espírito crítico, criar uma situação real para uma situação artificial de escrita. Ao lado da proposta, há ainda a ilustração de uma figura de um adolescente sentado na carteira com lápis e papel, produzindo textos; talvez a mensagem que a cena da figura deseja transmitir é um exemplo para o aluno sentar pegar folha e lápis para iniciar sua produção.
É interessante notarmos que, embora tenhamos nessa proposta uma série de acréscimos a anteriores, tais como a correção da produção escrita feita por um colega, o que além de acrescentar a proposta um interlocutor definido, ainda pressupõe a sua reescrita, há t mbém ness propost um forte ―her nç ‖ d s propost s nteriores no que se refere à adoção de um roteiro de escrita e do foco na estrutura do texto (os elementos que caracterizam a narrativa). Assim como as últimas propostas analisadas, esta se aproxima da exigência dos PCN princip lmente no que se refere ―à ref cção [como] f z p rte do processo de escrit ‖ (BRASIL, 2001, p. 77), que na proposta aparece intitulada Exercitando a Crítica. Porém, se por um lado se aproxima do que dita as diretrizes oficiais, por outro lado tal proposta se afasta por mais uma vez propor a adoção de um modelo e de uma atividade de escrita que poderia se caracterizar como um reconto de um texto anteriormente trabalhado pelo professor.
5.2.2 – LDP H - 2006 – PNLD/2008/2009/2010
Outro livro selecionado foi o LDP H Português: Linguagem, de (Cereja, W. R., & Magalhães, T. C., 2006), 5ª série, manual do professor. Esse livro didático foi avaliado pelo PNLD24 (2008, 2009, 2010).
A carta de apresentação do LDP (página inicial do livro) dirigida ao aluno busca estabelecer uma interlocução com esse aluno, como podemos perceber pela forma como é feita a menção ao seu leitor nos trechos transcritos a seguir:
Caro Estudante: este livro foi escrito para você.
Para você que é curioso, gosta de aprender, de realizar coisas, de trocar ideias com a turma sobre os mais variados assuntos, que não se intimida ao dar uma opinião... porque tem opinião.
Para você que gosta de trabalhar individualmente ou em grupo (...). E também para você que é plugado no mundo (...)
Para você que às vezes é pura emoção, às vezes sentimental às vezes bem-humorado, ás vezes irriquieto (...).
E também para você que é dinâmico e criativo (...)
Para você que transita livremente entre linguagens e que usa, como um dos seus donos, a língua portuguesa para emitir opiniões, para expressar dúvidas, desejos emoções ideias e para receber mensagem.
Para você que gosta de ler, de criar, de falar, de rir, de criticar, de participar, de argumentar, de debater, de escrever.
Enfim, esse livro foi escrito para você que deseja aprimorar sua capacidade de interagir com as pessoas e com o mundo em que vive.
De forma sucinta, podemos afirmar que os autores direcionam a obra para os tipos mais diversos de alunos, ampliando com isso seu público. Na carta em destaque, fica bastante claro que o objetivo do livro é contribuir para que os alunos continuem desenvolvendo suas habilidades com a linguagem, a fim de interagir com as pessoas e com sociedade em geral. Portanto, delimita diversas habilidades atribuídas como características dos alunos (gostam de ler, de criar, de falar, criticar, de participar etc.), habilidades que estão em perfeita sintonia com o que preveem os PCN (2001) para o ensino, ao propor as atuais tendências sociointeracionistas de ensino da língua.
Desse modo, torna o livro compatível com as diretrizes propostas no documento oficial para o ensino de língua e busca, ao mesmo tempo, ser aceito pelo aluno, como uma ferramenta eficiente, objetivando aprimorar a capacidade de interação do aluno.
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http://www.fnde.gov.br/index.php/pnld-guia-do-livro-didatico/2347-guia-pnld-2008 Em suma, o trabalho com a produção de texto desse manual prende-se, conforme enfatiza o Guia do Livro Didático 2008 ―as propostas de produção textual que possibilitam a aprendizagem de diferentes gêneros e a circulação, no ambiente escolar, dos textos produzidos em sala, ao final do bimestre. Trabalha-se desde o planejamento do texto até a revisão sistemática e a reescrita, passando pela coleta de informações e pela elaboração de versões prévias. As propostas são antecedidas de atividades que levam o aluno a construir conceitos sobre os gêneros em questão, a partir da análise e da reflexão sobre suas características, seu propósito comunicativo e sua esfera de uso” (p. 146).
A heterogeneidade do discurso (na voz dos autores), por meio da carta de apresentação do livro, que pelo discurso dos autores é possível verificar que abordam no livro as diretrizes elaboradas pelo MEC, especificamente sobre as propostas dos PCN que propõem estabelecimentos e parâmetros para o ensino no Brasil. Desse modo, tornam o livro compatível com a concepção sociointeracionista para o ensino de língua e buscam legitimar a obra, para que esta seja aceita devido a qualidade de sua elaboração, para contribuição da aprendizagem do aluno dentro e fora do espaço escolar.
Os autores orientam (no Manual do Professor – final do livro) que o objetivo do LDP H ―é criar situações concretas de interação discursiva, desenvolver projetos para garantir a participação efetiva do aluno-sujeito no processo de construção do conhecimento‖ CEREJA & MAGALHÃES, 2006, p. 02). Nesse sentido, os autores defendem que, em síntese, que o ensino de Portugu s hoje ―dev bordar a leitura, a produção de texto e os estudos gramaticais sob a mesma perspectiva de língua – a perspectiva da língua como instrumento de
comunicação, de ação e de interação social” (op. cit., p. 02).
Podemos notar uma submissão dos autores desse livro às correntes teóricas e às concepções de linguagem mais em voga no momento: o sociointeracionismo. Isso pode ser notado pela remissão aos gêneros e ao texto como objeto de estudo da Língua Portuguesa. Desse modo, a proposta se articula com as práticas de ensino escolares.
Vejamos um exemplo de proposta de produção escrita do LDP para análise. Trata-se de um texto do g nero n rr tivo ―Conto m r vilhoso – do oral ao escrito e vice-vers ‖. Iremos detalhar o roteiro da proposta para o trabalho de escrita e verificar se a perspectiva teórico-metodológica apresentada no Manual do Professor materializa-se no trabalho com o texto. Segundo esse manual, procura-se, na seção, unir o lúdico ao teórico, o prazer de escrever às técnicas de produção de linguagem.
O texto que embasa tal proposta é Todas as crianças crescem... menos uma! Peter Pan, de James Barrie (2004). Trata-se de uma tradução adaptada que antecede o exercício de escrita. Apresentamos uma proposta de escrita do LDP que contempla roteiro de instrução para sua realização:
Figura 8 – Reprodução da página do LDP H – PNLD/2008
Fonte: CEREJA, W. R. & MAGALHÃES, T. C. Português Linguagens, 5ª série. 4ª ed. São Paulo: Atual, 2006. (p. 41-42).
Podemos verificar que a proposta apresentada anteriormente propõe a escrita de um texto a partir do roteiro apresentado, de modo que, primeiramente, o aluno irá escrever um conto maravilhoso de cordo com o ―roteiro de instrução‖ para manter o controle da produção escrita.
1) Escreva um conto maravilhoso, de acordo com as orientações dadas a seguir: No item ‗a‘ é oferecid o luno um lista de palavras, com exceção de uma, que sugere uma história conhecida. A palavra representa um novo elemento, que quebra, propositalmente, a sequência. Veja: - (menina - bosque - lobo - avó - helicóptero); - (cinderela - madrasta - príncipe - sapatinho de cristal - chulé); - (Bela Adormecida - príncipe encantado - conjunto de rock - bruxa boa) etc.
No item ‘b’, é solicitado ao aluno que comece seu conto fazendo o herói ser vítima de uma armadilha planejada pelo vilão ou ao contrário. Se quiser, dê ao herói (ou ao vilão) poderes mágicos. Procure criar um final inesperado, se possível, engraçado. As instruções ofertadas ao aluno para a realização de seu texto demonstram a preocupação em apresentar passo a passo ideias para o aluno abordar na produção do conto.
No item ‗c’, por se tratar de conto, os autores informam que os alunos deverão iniciar seu texto com Era uma vez. Também sugerem que o narrador deve ser do tipo observador, e que lembre-se de dizer como são o herói, o vilão e o lugar em que ocorre os fatos. Empregue a variedade padrão da língua. Dê um título sugestivo a seu conto. Há cerceamento na escrita do aluno ao propor o início da história Era uma vez, o narrador, que deve ser do tipo observador, por que não outro tipo de narrador?
Na primeira lista de palavras - item a (menina - bosque - lobo - avó - helicóptero), aparece ao lado direito da página o desenho representativo do helicóptero, com o piloto e um acompanhante, que joga uma corda e está salvando a Chapeuzinho Vermelho das garras do Lobo Mau. A cena é representada dentro do bosque. A partir da figura, é possível ver o controle que os autores do LDP H exercem sobre ao aluno, sugerindo um final que inclua o elemento que escapa da narrativa tradicional do conto.
O emprego dos verbos impositivos, apresentados no roteiro do exercício, mais especificamente no início de cada alternativa conduz a escrita do aluno e reforça o que denominamos mecanismo de controle. Como podemos observar na atividade acima, nas alternativas: a) Veja a sequência das palavras sugeridas; b) Escolha uma lista; Comece seu conto; c) Planeje como vai escrever, empregue a variedade padrão, dê um título sugestivo; d) Faça um rascunho e só passe seu conto a limpo depois de fazer uma revisão cuidadosa, seguindo as orientações do boxe. Avalie seu conto, maravilhoso (p. 20). Refaça o texto quantas vezes forem necessárias.
Representação das orientações do boxe
Fonte: CEREJA, W. R., & MAGALHÃES, T. C. Português
É possível verificar esse controle na avaliação da atividade no boxe anteriormente transcrito. Segundo o quadro, o aluno deve apresentar fatos que acontecem no passado; o narrador deve ser observador; no início do texto, o herói se vê diante de um problema que posteriormente é resolvido e, por fim, a história deve conter um ensinamento.
Na proposta, é ainda possível, verificar o controle direcionado ao professor, na última sugestão da atividade de escrita que se refere à parlenda infantil (uma história por meio de um jogo de palavras que aparecem encadeadas numa sequência). Logo abaixo dessa proposta de escrita, aparece, em letras pequenas e azuis, a instrução: Professor: Sugerimos desenvolver coletivamente essa proposta de produção de textos. Cada aluno deverá escrever uma frase ou um trecho da história. Um aluno inicia a produção e os demais continuam, ligando uma situação à outra. É importante ressaltar que não há exigência de que a sequência tenha lógica. A história termina com o texto do último aluno e não precisa necessariamente ser concluída. (p. 42)
Enfim, é possível verificar a partir da nota sugestiva direcionada ao professor, logo abaixo do comando da atividade, que os autores do LDP buscam manter um controle da prática do professor e do fazer do aluno por meio de orientações dadas para o aluno seguir.
A proposta apresenta a circulação dos textos produzidos pelos alunos, que serão publicados num livro de contos que fará parte da mostra Histórias de hoje e sempre, proposta no capítulo Intervalo, e será lido por colegas de sua classe e de outras, por seus pais e demais convidados para o evento. A divulgação pode ser considerada como um aspecto positivo da proposta, porque estimula o aluno a escrever e a calcular seu leitor. Essa circulação marcada contribui para o aluno aprender a escrever em situações concretas e significativas, conforme apontado no Manual do Professor.
No comando da atividade, no item 2, é possível verificar que é sugerido ao aluno, que crie livremente um conto maravilhoso, com personagens de sua preferência. Seria uma oportunidade de escrita que considera as vivências do aluno, de modo que ele é estimulado a contar possíveis outras histórias conhecidas, contadas pelos avôs, pais etc. Apesar de possibilit r ―liberd de‖ p r o luno n escolh dos person gens propost sugere que o aluno siga as orientações constantes nos itens c e d, ou seja, que o aluno inicie com Era uma vez, ou outra que conduz o tempo passado e impreciso, e o narrador deve ser do tipo observador. Porém, a forma como foi apresentada essa proposta não deixa de retomar o