• No results found

Price drivers

2 Petroleum trade and risk

2.4 Price drivers

Antes das análises dos dados da investigação, é preciso destacar que nossa pesquisa adotará a perspectiva teórica baseada na Análise do Discurso (AD) de linha francesa, visto que faremos a descrição e a interpretação do discurso materializado no LDP e no manual do professor, por meio da análise de propostas de escrita em situação de ensino. A AD constitui- se uma prática que permite a análise crítica da ideologia. Portanto, utilizaremos esse suporte teórico e, particularmente, as conceituações de Althusser (1985).

O corpus de análise do presente trabalho é formado por 63 LDP do Ensino Fundamental, do 6 ao 9 ano. Não optamos por um ano específico, porque, independente do ano, é possível encontrar propostas de escritas que apresentam supostos ideais para serem seguidos e imit dos pelos lunos por meio de ―roteiro de instruções‖ e sugestões que controlam a prática do professor. Fizemos um recorte no corpus inicialmente constituído (63 LDP) e selecionamos 12 propostas de escrita de textos narrativos apresentados nos LDP de 1974 a 2009, para representar o que pretendemos analisar.

Para compreensão da prática de escrita na Escola Básica, uma vez que essa investigação se interessa mais por verificar como é proposto o ensino de escrita através do LDP no ambiente escolar, do que meramente mostrar ou discutir os resultados alcançados pelos alunos por conta dessas propostas. Como nosso foco se refere ao LDP, temos como objetivo analisar as propostas de produção textual escrita dos LDP, descrever os dados e verificar como esses materiais se apresentam para o aluno e professor, sobretudo, os comentários e orientações constantes no LDP que auxiliam na realização da atividade de escrita.

Nesta pesquisa, foi necessário utilizar categorias descritivas interpretativas para ler e reler o material, procurando desvendar mensagens implícitas e explícitas, não se limitando, portanto, a fazer descrições detalhadas daquilo que se observa, mas registrando, também, as observações e questionamentos que surgiram ao longo da análise do material. A nossa relação com objeto de análise não ocorre de forma neutra, como dissemos acima. A proposta é de construção de um dispositivo da interpretação. Esse dispositivo tem como característica, segundo Orlandi (2003):

[...] colocar o dito em relação ao não dito, o que o sujeito diz em um lugar com o que é dito em outro lugar, o que é dito de um modo com o que é dito de outro, procurando ouvir, naquilo que o sujeito diz, aquilo que ele não diz, mas que constitui igualmente os sentidos de suas palavras (p. 59).

Segundo utor o dispositivo ― escut discursiv ‖ deve explic r os gestos de interpretação. Assim, o referido dispositivo faz com que o analista consiga compreender e explicar o modo de funcionamento do discurso considerando a determinação dos sentidos pela história, a constituição do sujeito pela ideologia e pelo inconsciente. Portanto, a partir de um dispositivo analítico, em face de interpretação, é possível atravessar o efeito de transparência da linguagem, chegar à constituição do sujeito no trabalho da ideologia, tendo em vista os sujeitos da pesquisa (aluno-professor), o Livro Didático, no contexto escolar em que se materializam a presença do discurso do autor, das instâncias oficias (PCN, PNLD), que se envolveram e envolvem outros no discurso, em determinadas circunstâncias histórico-sociais. Essa é a tarefa que adotamos.

Para análise do corpus, foram realizadas as seguintes etapas: a) mapeamento das propostas de escrita contempladas nos LDP do EF; e b) recorte na seleção das propostas, de acordo com os propósitos da pesquisa pretendidos (propostas de escrita de textos narrativos).

Após o mapeamento das propostas de escrita apresentadas nos LDP sobre os critérios acima mencionados, fizemos a leitura das propostas de escrita para tabular a quantidade de propostas de produções textuais escritas apresentadas em cada Livro Didático (que geralmente seguem um padrão: 12 capítulos e, ao final, a proposta de escrita. Todavia, alguns livros apresentam 2 (duas) ou mais propostas de escrita ao final de cada capítulo). Em seguida, separamos essas propostas em dois grupos: 1) atividades que present m ―roteiro de instrução‖ p r o luno seguir; 2 tivid des de escrit que possibilit m o luno escrever sem ter que seguir um modelo padrão de texto, ou seja, que incentivam a autoria. Assim, adotamos os seguintes procedimentos para análise dos dados:

 Leitura e releituras detalhadas das propostas de escrita, tendo em vista as questões de pesquisa que procuram interpretar e descrever como o autor do LDP apresenta os exercícios para formar alunos escritores proficientes de textos;

 Análise e reanálise das propostas selecionadas;  Levantamento e tabulação das propostas; e

 Interpretação dos dados e discussão dos resultados.

4.1 - Classificação da pesquisa

Na direção de tornar mais explícitos os dados de nossa pesquisa, propomo-nos a descrever como o corpus foi constituído e como fizemos o recorte das propostas de escrita dos LDP para análise, representando a totalidade dos dados coletados.

Iniciamos a pesquisa, buscando contato com professores que lecionam nas redes municipal e estadual no município de Natal e região metropolitana, por não atuarmos como docente no Ensino Fundamental (EF). Através do contato com esses professores, conseguimos que cooperassem com nossa pesquisa, disponibilizando os LDP que reservavam para uso pessoal. Como não mantemos vínculo direto com escolas, não conseguimos livros com as editoras.

Posteriormente, foi preciso separar por décadas e séries os LDP que havíamos recebido, para enfim, elegermos alguns LDP destinados à seleção das propostas de escrita para análise. A representatividade de cada LDP, sua época de publicação, é demonstrada em termos percentuais pelo gráfico seguinte.

Gráfico 1: Total do percentual da distribuição, por década, dos LDP

Fonte: Dados da pesquisa coletados pela autora.

Como todo o ano as editoras disponibilizam para os professores novos exemplares de LDP, são poucos os docentes que arquivam livros de décadas anteriores. Por isso, foi mais difícil encontrarmos Livros Didáticos referentes à década de 1970, por exemplo. Conseguimos apenas três exemplares, doação realizada por professores aposentados que residem numa cidade próxima a Natal e que mantinham essas obras raras em seus acervos. Os LDP da década de 1980, também foram conseguidos através de doação de professores aposentados. Trata-se de 12 LDP, obras tão raras devido à época da publicação e dificilmente encontradas em bibliotecas escolares, representando no gráfico 19%. Em relação às obras da década de 1990, recebemos 16 LDP, representando o percentual de 25% e por fim, nos anos

de 2000 a 2009, totalizamos 32 exemplares, que correspondem a 51% do corpus inicialmente coletado, sendo este, um número mais significativo devido à época atual. Como já havíamos adquirido um número significativo para a continuidade da pesquisa, finalizamos a coleta com 63 LDP do EF para análise.

Tomando com referência o gráfico 1, elaboramos o quadro a seguir, que mostra a quantidade de propostas de produção textual escrita nos 63 LDP que compuseram o corpus da pesquisa. O quadro foi organizado seguindo a cada década e série de cada publicação.

É preciso enfatizar que décadas se passaram, mas no geral, os LDP seguem a mesma estrutura, mostrando, portanto, que há uma padronização desde a sua origem. Os Livros Didáticos analisados apresentam doze capítulos ou unidades e, ao final de cada um, há uma proposta de produção escrita. Notamos que o LDP segue uma homogeneização gráfica. Encontramos também, LDP contendo duas ou três sugestões de escrita. Portanto, nosso critério foi contabilizar o total de propostas de produção textual escrita apresentadas em cada LDP.

A nomenclatura utilizada no quadro ilustrativo será referente à Lei 9. 394, de 20 de Dezembro de 1996, que considerava a duração do Ensino Fundamental de oito anos. Sequencialmente, as séries eram designadas por: 5ª, 6ª, 7ª e 8ª. Somente em 16 de maio de 2005, o governo brasileiro modificou a legislação referente à duração do Ensino Fundamental, que passou de oito para nove anos. O congresso nacional alterou a Lei 9.394 com o objetivo de tornar obrigatório o início do EF aos seis anos de idade. A mudança que sanciona a Lei no 11.11419 refere-se apenas à alteração de nomenclatura nas séries atuais: a 5ª série passa a ser denominada 6° ano, a 6ª série passa a ser denominada 7° ano, e assim por diante. Na prática, acrescenta-se um ano no começo do ensino obrigatório, de modo que os alunos passam a ingressar no EF aos seis anos de idade, e não aos sete.

Portanto, a maioria dos LDP que analisamos apresenta a nomenclatura séries, assim, nossa descrição seguirá essa denominação, e não ano, como hoje, atualmente é denominado. Em seguida, apresentaremos a ocorrência das propostas de produção textual escrita dos LDP que constituem o corpus de nossa pesquisa.

19

―Alter os rts. 6o

, 30, 32 e 87 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com o objetivo de tornar obrigatório o início do Ensino Fundamental aos seis anos de idade".

Quadro 1: Total de propostas de produção textual escrita dos LDP S É R I E S QUANTIDADE DE PROPOSTAS DE ESCRITA NOS LDP DÉCADAS TOTAL DE PROPOSTAS ESCRITA NOS LDP 1970 1980 1990 2000 5ª 6ª 7ª 8ª 52 52 5ª 6ª 7ª 8ª 35 76 17 110 238 5ª 6ª 7ª 8ª 75 80 35 23 213 5ª 6ª 7ª 8ª 66 163 34 116 379 Total 882

Fonte: Dados da pesquisa coletados pela autora.

Tendo em vista a extensão desse corpus inicial (882 exercícios de escrita), nos 63 (LDP), foi preciso selecionar entre o total de LDP adquiridos, edições dessas obras para análise. Para tanto, optamos por analisar apenas as propostas de escrita de textos narrativos.

Para a pesquisa, portanto, iremos analisar 12 propostas de produção escrit ―sendo c d um de um livro diferente‖. Assim, apresentaremos o recorte realizado na seleção para análise representativa do total de LDP selecionados. Com o objetivo de facilitar a leitura deste trabalho, os livros selecionados foram nomeados da seguinte forma: A, B, C, D, E, F, G, H e I, J, K, e L. Na década de 1970, selecionamos dois LDP, sendo um de 1974 e outro de 1976; na década de 1980 selecionamos um de 1981 e outro de 1984; na década de 1990 selecionamos 2 obras, sendo um LDP de 1993 e outro de 1999; e, por fim, selecionamos no ano de 2000, um LDP de 2002, dois LDP de 2006 e três de 2009, totalizando 12 obras

publicadas nas respectivas épocas. Os LDP foram separados por décadas e apresentados em ordem crescente, conforme pode ser observado no gráfico a seguir.

Gráfico 2: Representação dos 12 LDP do EF selecionados na pesquisa para análise

LDP selecionados Década Série (s)

1) LDP A Comunicação e Expressão em Língua Portuguesa, de FILHO, L. A .A; THOMAZ, L. S. & BOUÇAS, M. A. C., Editora Gernasa. Rio de Janeiro-GB. (237 páginas)

1974 5ª (EF)

2) LDP B Caderno de Comunicação e Expressão em Língua Portuguesa, de SILVA, I. B., da Editora IBEP, São Paulo- SP. Livro do Mestre.(192 páginas)

1976 5ª (EF)

3) LDP C Português Prático e Teórico, Comunicação e Expressão. ANDRADE, J. R. & MARTINS, J. F., Ed. Brasil S/A, São Paulo. (141 páginas)

1981 6ª (EF)

4) LDP D Reflexão & Ação: Língua Portuguesa, de PRATES, M., Ed do Brasil S/A, São Paulo. (203 páginas)

1984 5ª (EF)

5) LDP E Linguagem e Vida, GOLDSTEIN, N. & DIAS, M., Editora Ática. São Paulo-SP. (160 páginas)

1993 6ª (EF)

6) LDP F Língua Portuguesa: Leitura do Mundo DISCINI, N. & TEIXEIRA, L. Editora do Brasil, São Paulo-SP. (190 páginas)

1999 7ª (EF)

7) LDP G Português para Todos TERRA, E. & CAVALLETE, F. Editora Scipione 2002. (223 páginas)

2002 8ª (EF)

8) LDP H Português: Linguagem, de CEREJA, W. & MAGALHÃES, T, C. 4ª ed. São Paulo: Atual. Manual do Professor. (104 páginas)

2006 5ª (EF)

9) LDP I Projeto Araribá: Português. Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna. 1ª edição, São Paulo. Manual do Professor. (327 páginas)

2006 6ª (EF)20

10) LDP J Tudo é Linguagem: Língua Portuguesa, e BORGATTO, A. M. T.; BERTIN, T. C. H. & MARCHEZI, V. L. C., 2ª ed. São Paulo: Ática. (304 páginas)

2009 6° (EF)

11) LDP K A Aventura da Linguagem: Língua Portuguesa. TRAVAGLIA, L. C.; ROCHA, M. A. F. & ARRUDA- FERNANDES, V. M. B. 1ª edição. Editora Dimensão. Belo Horizonte. (277 páginas)

2009 6° (EF)

12) LDP L Ponto de encontro: Língua Portuguesa, de HAILER, M. A.; MASSONI, M. I. & ARANHA, S. São Paulo: FTD. Manual do Professor. (304 páginas)

2009 6° (EF)

Fonte: Dados da pesquisa coletados pela autora.

Após a coleta dos dados e a construção do corpus, passamos à segunda etapa da pesquisa, que se configura como análise dos dados. Desse modo, apresentaremos as propostas

de escrita dos LDP selecionados, em dois blocos. No primeiro, selecionamos 6 LDP, (Manual do Professor e do aluno), com o intuito de investigar, primeiramente, o discurso da carta de apresentação para detectar a concepção de língua e linguagem adotada na obra e os principais objetivos do ensino de Língua Portuguesa, especificamente, no que se refere ao trabalho de escrita. Portanto, após uma breve explanação da carta de apresentação do livro, selecionamos uma proposta de produção textual escrita (de cada livro selecionado) para verificar como o exercício de escrita é proposto para ensinar o aluno a escrever de modo proficiente e como os comentários e as orientações constantes no manual do professor direcionam a prática docente no ambiente escolar, mediados pela linguagem.

No segundo bloco de análise, selecionamos 6 LDP (Manual do professor e do aluno), a partir da data de publicação de 2002 em diante, salientando ainda, que a maioria desses livros foi avaliada pelo PNLD. Desse modo, pretendemos verificar, também, a carta de apresentação e as respectivas propostas de escrita de cada obra selecionada. Tendo em vista que a concepção de linguagem que vigora no contexto histórico atual se refere à concepção interacionista da linguagem, imaginamos que os livros, para serem aceitos no Guia, passaram pelo crivo da avaliação do PNLD. Nesse sentido, os escritores das obras buscam atender às perspectivas teóricas da época, ou seja, acreditamos que os livros foram editados e publicados de acordo com as diretrizes dos documentos oficiais (PCN) elaborados pelo MEC, que propõe estabelecimentos de parâmetro para o ensino nacional.

Pretendemos, nessa parte da pesquisa, comparar as propostas de escrita com as décadas anteriores para verificar as possíveis mudanças ou não, no modo de levar o aluno a produzir textos por meio de propostas de escrita contempladas nos referidos LDP selecionados para análise.

Nosso olhar volta-se para tais livros devido à autoridade que assumem no contexto escolar, como norteadores do trabalho do professor e do aluno, especificamente, sobre o discurso do ―outro‖ utor do LD . Port nto temos o intuito de detect r na materialidade da linguística discursiva (do texto), as vozes norteadoras das orientações didático-pedagógicas do LD, no contexto escolar, que guiam a ação do professor (manual do professor) e o controle direcionado à escrita do aluno, por meio dos exercícios de escrit que sugerem ―roteiros de instrução‖.

Nesse sentido, o nosso corpus parte das análises de propostas de escrita dos LDP do EF do (6 ao 9 ano) para o processo de ensino e aprendizagem na Escola Básica. As análises seguirão os seguintes procedimentos: 1) apresentamos a ideologia do contexto histórico do livro, por meio da carta de apresentação direcionada ao aluno e/ou professor, no livro do

professor; 2) tecemos comentários referentes ao manual destinado ao professor; 3) fizemos uma contextualização da concepção de língua e linguagem que vigora na época; 4) apresentaremos e analisaremos a proposta de escrita selecionada por meio de interpretação e descrição dos mecanismos de controle norteadores do trabalho do professor e aluno; e 5) realizaremos um levantamento geral, de como as propostas de escrita vêm sendo abordadas entre o período de 1974 a 2009 e sua abordagem para atender as concepções de língua e linguagem que vigoravam em cada momento histórico.

Essas etapas se justificam, uma vez que, somente uma análise detalhada dos dados poderão nos permitir inventariar se, de fato, as mudanças históricas e de concepção de língua, linguagem e ensino refletiram nas propostas de ensino de escrita dos LDP. Levaremos, ainda, em consideração as exigências dos documentos oficiais, requisitos para o LD ser aceito pelo PNLD e ser indicado no Guia, para escolha do professor.

CAPÍTULO 5 – ATIVIDADES DE ESCRITA NO LDP: MECANISMOS