Segundo Bateson (1998, apud KOFMAN, 2002), os indivíduos precisam expandir as competências para se conquistar uma mudança nos modelos mentais. Kofman apresenta o conjunto de distinções sobre o aprendizado e as mudanças nos modelos mentais elaborado por Gregory Bateson. O autor, utilizando-se das leis físicas do movimento, elaborou os vários tipos de aprendizado:
Aprendizado 0 (corpo em repouso)
Aprendizado 1 (velocidade) – Essa teoria corresponde, em linhas gerais, ao single
loop learning.
Aprendizado 2 (aceleração) – Essa teoria corresponde em linhas gerais ao Double
Aprendizado 3 (taxa de mudança na aceleração) – Corresponde às próprias maneiras de escolha e de aprendizagem do sistema interno denominado como Deutero (Deutero Learnig)
A Figura 11 descreve o caminho percorrido, as possíveis ações com os seus objetivos e os resultados. O autor ensina que o aprendizado representa o estado estático da pessoa que não muda, apesar de fracassar várias vezes.
O aprendizado 1 é um processo simples de feedback, onde as pessoas identificam e corrigem o erros mantendo dentro do mesmo conjunto de opções.
O aprendizado 2 corresponde ao laço duplo, empreende a mudança na definição do problema e a modificação no conjunto de ações, nos objetivos e na maneira de interpretar a situação. Essa mudança, além da gama do aprendizado 1, possibilita novas ações.
O aprendizado 3 refere-se à mudança de gerar interpretações por meio da aceitação de outros modelos mentais. Esse processo de aprendizagem significa que a organização aprende a aprender, ou seja, já institucionalizou as aprendizagens de ciclo simples e duplo e este ciclo de aprendizagem é denominado como aprendizagem Deutero (Deutero learning).
Figura 11 – Aprendizado 1, 2 e 3 Fonte: Kofman (2002) Biologia Cultura Linguagem Historia Pessoal
Ambiente Modelos mentais (filtros e estruturas Interpretativas) Interpretações ( o que está a contecendo?) O que quero O que posso fazer? Objetivos Ações Resultados Concordam Não concordam
Aprendizado 3 – Laço triplo
Aprendizado 2 – Laço duplo
Aprendizado 1 Laço simples
A expansão das competências proposta por Kofman motivou a investigação do processo de aprendizagem de Circuito Duplo e a De Circuito Simples, defendida por Aryris e Schön (1978). O aprendizado 1 e 2, acima mencionados, remete a „Circuito Simples‟, que percebe o erro para melhoria das atividades cotidianas e o „Circuito Duplo‟ que além dos componentes do „Circuito Simples‟, possibilita a criação de novos conhecimentos. Entende-se que a aprendizagem de „Circuito Duplo‟, também denominada de double loop learning está em um nível superior por meio da retroação dupla que permite a percepção, correção dos erros e uma intervenção sobre as causas originárias dos erros, e conseqüente alteração de valores e diretrizes da organização.
Souza (2007) elaborou uma análise representada no Quadro 16, com a menção aos autores dos ciclos simples, ciclo duplo e Deutero. Ele representa, ainda, uma visão gráfica dos aprendizados de primeira e segunda ordens (ciclo simples e ciclo duplo) .
Autores Aprendizagem de
Ciclo Simples Aprendizagem de Ciclo Duplo Aprendizagem Deutero
Argyris and Schõn (1978)
Single-loop learning Double-loop learning Deutero-learning
Bateson (1981) Type I learning Type II learning Deutero-learning
Hedberg(1981) Adjustment learning Turnover learning Turnaround learning
Shrivastava (1983) Adaptation Assumption sharing Development of knowledge base
Fiol and Lyles (1985) Lower-level learning Higher-level learning ---
Pautzke(1989) Raising efficiency Learning from experience Change in knowledge structures
Senge (1990) Adaptative learning Generative learning ---
Garratt (1990) Operational learning circle
Policy learning circle Integrated learning circle
Klixnecki et al.
(1991) Improvement learning
Change learning Learning to learn
Sattelberger (1991) Organizational change
Organizational development Organizational transformation
Staehle (1991) Assimilation Accommodation Equilibration
Pawlowsky (1992) Ldiosyncratic adaptation
Adaptation to environment Learning to solve problems
Autores Aprendizagem de
Ciclo Simples Aprendizagem de Ciclo Duplo Aprendizagem Deutero
Morgan (1996) Single-loop Double-loop Holographic learning
Probst e Buchel (1997)
Adaptative Reconstrutive Process
Quadro 16 – Referências aos Tipos de Aprendizagem Organizacional Fonte: Souza (2007)
Figura 12 – Aprendizagem de Ciclos Simples e Duplo - Argyris & Schön (1978) Fonte: Souza (2007)
Os modelos de aprendizagem apresentados por Souza (2007) descrevem, na Figura 12, a resolução de problemas organizacionais, devendo ser governada pela teoria da ação motivada pelos modelos mentais que guiam o comportamento dos indivíduos. Entende-se que no ciclo simples ou aprendizado I as pessoas buscam a simples solução de problemas, ocultam suas verdadeiras crenças e opiniões, restringindo o aprendizado e as mudanças. Neste ciclo, as pessoas utilizam uma teoria de uso comum para solução dos problemas com uso das opiniões e da racionalidade, focando os resultados positivos e evitando os bloqueios mentais.
O modelo de aprendizado II, defendido pelos autores, ocorre em geral quando surge um problema de difícil resolução, provocado por eventos internos e externos. Esse modelo permite a aprendizagem sobre as experiências e visões exploradas minimizando as defensivas. Nessa lógica, os autores ensinam que a mudança de modelo de aprendizado I para modelo de aprendizado II deve partir da alta administração para transformar os comportamentos esperados. Percebeu-se que, atualmente, os indivíduos são predispostos a aprendizagem de ciclo simples (single loop learning) do que para a de ciclo duplo (double-loop learning).
SISTEMA
OBSERVADOR AÇÃO RESULTADO
Aprendizado de Segunda Ordem
Segundo Souza (2007), os modos de aprendizagem organizacional são possíveis por meio do ciclo simples, que possibilita a correção dos erros sem mudar as normas existentes na organização. Percebe-se que a detecção e correção de erros, mantendo-se o desempenho das normas existentes na organização.
O autor apresenta ainda que Aprendizagem de ciclo duplo defendida no estudo de Choo (1998) ocorre quando a correção de erros exige a modificação das normas organizacionais existentes e reestruturação dos objetivos e metodologias associadas com essas normas. Entende-se, segundo a representação da Figura 13, que a aprendizagem de ciclo duplo busca garantir o desenvolvimento da organização por meio da resolução dos antagonismos existentes nas instruções, atualizando as prioridades, as normas, os focos e diretrizes. Conclui-se que o ciclo simples é adaptativo e o ciclo duplo ocorre através de mudanças estruturais.
Figura 13 – Aprendizagem de Ciclo Simples e Duplo nas Organizações Fonte: Choo 1998 (apud SOUZA, 2007)
Neste capítulo, foram apresentadas as principais características da geração do conhecimento na dimensão ontológica e da aprendizagem na extensão da aprendizagem individual e organizacional por meio das distinções dos modelos de aprendizagens de ciclos simples e duplo nos ensinamentos de Kofman (2002) e Choo (1998), tendo como base o modelo proposto por Argyris (1991, apud SOUZA, 2007).