Essa pesquisa foi de natureza quantitativa e qualitativa, abrangendo 112 sujeitos, sendo cinquenta e quatro (54) maiores de sessenta anos e cinquenta e oito (58) jovens entre treze e vinte e quatro anos, todos residentes nas áreas mencionadas do Distrito Federal (DF). Comparamos os dois grupos: Grupo 1, idosos da comunidade e Grupo 2, alunos das escolas públicas de Ensino Fundamental e Médio do DF. Para assegurar a clareza e o entendimento dos instrumentos a serem aplicados, foi realizado um pré-teste com dez sujeitos, cinco idosos e cinco jovens. Não houve maiores dificuldades de compreensão por parte dos respondentes e o termo de consentimento livre e esclarecido foi preenchido por todos os participantes.
Promovemos dois encontros, sendo um deles com o grupo de idosos que frequentam a automassagem do Centro de Saúde Número 13, e o outro com um grupo de alunos da escola classe 113 Norte. O objetivo desses encontros foi colocá-los a par da nossa pesquisa e convidar os idosos e os jovens para participarem de um passeio ao Parque Nacional de Brasília, conhecido também como Água Mineral. Na ocasião as pessoas responderam aos questionários da pesquisa, em seguida foi realizada uma atividade de automassagem, caminhadas e um lanche coletivo. A finalidade do passeio, além dos participantes responderam aos questionários, foi promover uma atividade interacional e perceber como os integrantes de ambos os grupos se sentiam. As pessoas demonstraram satisfação na realização das atividades propostas. Foi um encontro breve, porém significativo, pois possibilitou a aproximação entre diferentes gerações, favorecendo a troca de afetos e experiências de solidariedade.
De acordo com Lüdke e André (1986), para se realizar uma pesquisa é preciso promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Os dados desta pesquisa foram coletados em três momentos distintos, a saber: 1) Análise documental; 2) Aplicação do Questionário sócio-demográfico; da Escala Diferencial Semântica de Atitudes (Escala Neri) e do Inventário Sheppard para Avaliação de Atitudes em Relação à Velhice (Anexo C) e, 3) Entrevistas semi-estruturadas (Anexo D).
Para escolha da utilização destes modelos de inquérito baseamo-nos no fato de que suas características atendem às exigências para o desenvolvimento de um estudo descritivo, segundo Pereira (2001) e na sua validação e utilização em pesquisas similares (Neri, 1991; Resende, 2001 e Cachioni, 2002). Segundo Neri, esta escala semântica foi o instrumento mais adequado encontrado por ela para refletir, da melhor forma possível, o discurso cotidiano e científico para designar os idosos.
Além dos instrumentos de pesquisa realizamos dez entrevistas semi-estruturadas, sendo cinco com idosos e cinco com jovens. Os sujeitos que participaram das entrevistas foram escolhidos por conveniência, sendo que a nossa preocupação resumiu-se em dividir a amostra em 50% de idosos e 50% de jovens.
3.1 Análise documental
Primeiramente, fizemos a análise de oito Propostas Pedagógicas (PP) de escolas públicas do Distrito Federal, selecionadas por conveniência. Foi escolhido este método, pois segundo Lüdke e André (1986), a análise documental é uma técnica valiosa de coleta de dados qualitativos, uma vez que complementa outras técnicas e ainda desvela aspectos novos do problema. Nesta primeira etapa, procuramos por projetos alusivos a educação para valores, respeito aos idosos, inclusão, solidariedade entre gerações e outras idéias que pudessem ser identificadas como tentativas de educação gerontológica e de intergeracionalidade.
3.2 Entrevistas
De acordo com Lüdke e André (1986), a entrevista representa um dos intrumentos básicos da coleta de dados, sendo uma das principais técnicas de trabalho utilizada em pesquisas sociais. A entrevista permite a correção, esclarecimentos e adaptações que a tornam sobremaneira eficaz na obtenção das informações desejadas. Neste sentido é importante ressaltar que as entrevistas foram relevantes para o aprofundamento de diversas questões abordadas na pesquisa e que os entrevistados foram escolhidos de acordo com a conveniência, a partir de diálogo entre nós pesquisadores, levando em conta que deveria ser números iguais para jovens e idosos a serem entrevistados, ou seja, cinco jovens e cinco idosos. Entre as duas formas de registro da entrevista, a gravação direta e a anotação, optamos pela gravação, que
tem a vantagem de registrar todas as expressões orais, deixando o entrevistador livre para dar atenção ao entrevistado.
Realizamos dez entrevistas semi-estruturadas, sendo cinco com idosos e cinco com jovens. O objetivo das entrevistas foi o de aprofundar determinadas questões, sobretudo aquelas que dizem respeito ao preconceito e às barreiras para a intergeracionalidade, a linguagem pejorativa ou depreciativa utilizada pela sociedade a respeito dos idosos.
3.3 Questionário sócio-demográfico
A partir do questionário sócio-demográfico levantamos dados de frequência para a totalidade dos sujeitos relativos a gênero; idade; escolaridade; renda familiar aproximada; “a partir de qual idade você considera uma pessoa velha? Ou independente da idade, a velhice é um estado de espírito?”; “alguma pessoa idosa mora com você?”, no caso de resposta afirmativa, assinale: avós, pais, irmãos, filhos, esposo (a); “você recebeu alguma educação formal relacionada ao envelhecimento?”. No caso de resposta afirmativa, assinale: aula, curso/palestra, seminário, outros (descrever).
3.4 A Escala Diferencial Semântica de Atitudes (Escala Neri)
A Escala para Avaliação de Atitudes em Relação ao Idoso (Escala Neri) é uma escala diferencial semântica cujos itens são representados por dois adjetivos em oposição. A intensidade das respostas é expressa numa variação de cinco pontos e sua direção pela posição relativa dos adjetivos positivos ou negativos em cada par. Esta ferramenta contém 30 pares de adjetivos relacionados a quatro domínios fatoriais. Esses domínios ou categorias são: 1) Cognitivo; 2) Agência; 3) Relacionamento Social; 4) Persona. A categoria “Cognitivo” é relativo à capacidade de processamento da informação e de solução de problemas, com reflexos sobre a adaptação social, ele é composto de dez itens; a categoria “Agência” reflete a autonomia e instrumentalidade para a realização de tarefas e é composto de cinco itens; a categoria “Relacionamento Social” cobre aspectos afetivo-motivacionais e sua influência na interação social dos pacientes idoso e é composto de sete itens; por fim, a categoria “Persona” alude à imagem social, refletindo os rótulos sociais comumente usados para designar e discriminar os idosos composto de sete itens. Segue abaixo o Quadro de Categorias Fatoriais
com os respectivos itens da Escala Neri, para avaliação de crenças e atitudes em relação ao idoso:
Quadro 1: Categorias Fatoriais
Cognição Agência Relacionamento Social Persona
01. Sábio-tolo 21. Claro-confuso* 23. Preciso - impreciso 25. Concentrado-distraído 26. Rápido-lento 27. Flexível-rígido 28. Crítico-convencional 29. Persistente-inconstante 30. Alerta-embotado 24. Seguro-rígido 06. Entusiasmado- deprimido 11. Saudável-doentio* 13. Ativo-passivo 16. Esperançoso- desesperado 18. Independente- dependente* 19. Produtivo- improdutivo 02. Construtivo-destrutivo* 03. Bem-mal-humorado 05. Confiante-desconfiado* 12. Cordial-hostil 15. Interessado- desinteressado* 17. Generoso-mesquinho* 22. Condescendente-crítico 04. Aceito-rejeitado* 07. Integrado-isolado* 08. Atualizado- ultrapassado* 09. Valorizado- desvalorizado 10. Agradável- desagradável 20. Progressista – retrógrado 14. Sociável- introvertido*
Quadro 1- Domínios fatoriais e itens da Escala Neri para avaliação de crenças em relação ao idoso.
Fonte: RESENDE (2001); CACHIONI (2002). Os numerais à esquerda dos itens indicam sua ordem de aparecimento no instrumento (Anexo C). Os asteriscos indicam que o item foi invertido para aplicação.
3.5 Inventário Sheppard
O Inventário Sheppard (1986) é uma escala composta por vinte itens, que cobrem três dimensões de velhice: física, psicológica e social. Seis deles abordam questões físicas (debilidade, inatividade e morte), sete refletem atributos psicológicos (satisfação e auto- estima) e sete representam aspectos sociais (lazer, produtividade e companheirismo). Nove itens são asserções positivas e onze negativas.
Os vinte itens estão divididos em quarto fatores: Fator 1 (dez itens)- “É possível ser feliz na velhice”; Fator 2 (cinco itens) – “A velhice prenuncia dependência, morte e solidão”; Fator 3 (dois itens) - “É melhor morrer cedo do que sentir a angústia e a solidão da velhice” e Fator 4 (dois itens) – “A velhice pode propiciar sentimentos de integridade”.
Os sujeitos da pesquisa respoderam aos trinta itens da Escala Neri e aos vinte itens do Inventário Sheppard apresentados no formato da escala Likert3
3 A adoção da escala Likert, se deve ao método de atitude proposto por Rensis LIKERT, por ser mais preciso,
onde o aluno, ao responder o questionário, tem a liberdade para posicionar-se em relação a cada item numa escala de cinco pontos. Segundo C. SELLTIZ et al (1965), a escala tipo LIKERT é a escala somatória mais freqüentemente utilizada no estudo de atitudes sociais. A Escala Likert é um tipo de escala de resposta psicométrica , representa um avanço em relação às dicotômicas, pois não forçam a resposta dos sujeitos para dois pontos exclusivos. Ao responderem a um questionário baseado nesta escala, os perguntados especificam seu nível de concordância com uma afirmação. Esta escala tem seu nome devido à publicação de um relatório explicando seu uso por
. Lançamos e tabulamos os
dados dos três questionários no programa estatístico SPSS (Statistical Package for Social