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As pesquisas qualitativas relacionando o idoso, o jovem e a educação são praticamente inexistentes, conforme constatou as autoras Souza (1999), Andrade (2002) e Novaes (2005), por meio de seus estudos. Elas pesquisaram a relação intergeracional em diferentes contextos e abordagens, demonstrando terem tido impressões aprofundadas para oferecer resultados significativos à sociedade.

Souza (1999, p. 17) iniciou seu projeto Reminiscências: Integrando Gerações em 1994. Segundo a autora, reminiscências “são memórias, lembranças. É o ato de relembrar o passado”, uma ocorrência natural da vida que se torna mais freqüente à medida que as pessoas envelhecem. Ela realizou sua pesquisa em duas escolas do Ensino Fundamental de Taguatinga e com os idosos que freqüentavam o Centro de Saúde nº 1 da mesma cidade.

Atividades tais como contar história, brincadeira e jogos, oficinas de brinquedos, entrevistas com os idosos, são exemplos de alguns recursos utilizados pela pesquisadora com

vista à integração de crianças, jovens e idosos. O projeto foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como modelo de promoção da saúde.

Cabe ainda destacar a pesquisa em andamento Escola, imaginário e velhice:

entrecruzando olhares, desfazendo possíveis preconceitos, coordenada por Loureiro (2006).

A pesquisadora considera o imaginário dos idosos, e de alunos e professores de escolas do Ensino Fundamental, “entrecruzando estes olhares simbólicos, vetorizando para a mudança de mentalidade, com relação à velhice e aos velhos, com a inclusão temática no currículo escolar... prestigiando assim a intergeracionalidade” (LOUREIRO e FALEIROS, 2006, p. 11). Trata-se de uma pesquisa com alunos de 4ª e 5ª série do Ensino Fundamental do DF, de idosos de uma universidade aberta à terceira idade e de um asilo.

Andrade (2002) realizou sua pesquisa em uma escola de Ensino Secundário e em duas instituições de longa permanência de Portugal. A partir da pergunta de qual seria o papel dos idosos na formação dos jovens e da preparação destes para as exigências sociais atuais, nasceu a idéia do projeto. Seu interesse foi aproximar jovens que estavam precisando aprender com os mais velhos, de idosos carentes de carinho e atenção.

Para a realização de seu trabalho a autora fez uma revisão da literatura e, encontrou dezoito estudos, sendo quatorze com alunos do Ensino Médio e quatro com alunos universitários. Na língua portuguesa ela destacou o artigo de Neri (1986), o Inventário

Sheppard, para medir atitudes em relação à velhice, que será também instrumento usado nesta

pesquisa.

A autora verificou em todos os estudos, inclusive no seu, o impacto positivo de um programa intergeracional, tanto para os jovens como para os idosos. Os estudos mostravam que os grupos conseguiram mudanças positivas em relação à velhice nas situações em que as diferentes gerações trocaram experiências e conviveram. Esta aproximação colaborou para atenuar preconceitos, para o desenvolvimento de amizades, bem como um maior conhecimento sobre o envelhecimento.

O “Clube dos Avós” nasceu em decorrência da pesquisa de Andrade (2002), chamada de “Projeto: Uma experiência de solidariedade entre gerações”. Após o término formal do trabalho, os alunos ficaram tão sensibilizados com o projeto que deram continuidade à visita

aos idosos. Outros jovens que não fizeram parte da pesquisa se agregaram ao grupo, criando assim o “Clube dos Avós”. O objetivo do clube era o de interagir com os idosos das instituições de longa permanência de Portugal. Os jovens realizaram atividades artísticas e culturais, denunciaram abusos e maus tratos, mobilizaram-se para conseguir melhoras no espaço físico, saúde e alimentação. Enfim, desenvolveram laços de amizade e solidariedade, o que contribuiu para o desenvolvimento pessoal e social dos jovens.

Novaes (2005) em dois anos de pesquisa, desenvolvida no Rio de Janeiro, entrevistou 452 pessoas de 17 até 101 anos, divididas em faixas etárias – 17 a 25, 26 a 40, 41 a 60, e 61 em diante. Essa ótica intergeracional permitiu comparar as várias gerações. O objetivo foi fazer com que houvesse uma reflexão sobre os elementos presentes nas trajetórias de vida das pessoas, como felicidade, perda, relacionamento, etc., partindo desse roteiro de tópicos para organizar os depoimentos. Novaes considera importante falar de intergeracionalidade, dada a sua inovação em termos de pesquisa. Ela percebeu também o interesse das pessoas pelo assunto.

Para Novaes (2005), as trocas geracionais neutralizam no idoso a tendência de afastamento dos contextos sociais e familiares, por medo de enfrentar novos relacionamentos, prejudicando a socialização e o estabelecimento de vínculo afetivo. A intergeracionalidade pode ser interpretada como um veículo cultural de reinserção do idoso, identificando novos recursos, criando projetos e validando estratégias utilizadas na comunidade social, enfim (re) significando sua vida.

A partir da realização de sua pesquisa, Novaes constatou que o desejo do velho é de uma nova forma de viver, um lugar onde ele possa ser respeitado e assistido, além de ser inserido em uma comunidade que possibilite uma nova construção da realidade e um novo significado para a vida, minimizando os sentimentos de solidão e insegurança, para assumir outros papéis sociais.

Nesse sentido, Erikson (1998) na sua obraO ciclo de vida completo diz que a velhice

precisa encontrar um lugar significativo na ordem social e econômica, significativo para os velhos e para os que fazem parte de todos os grupos de idade, começando pela infância.

Assim, entendemos que o envolvimento de diferentes gerações em programas de apoio e de suporte social, parece ser um dos caminhos para minimizar preconceitos relacionados à idade (ágeis) e preparar as pessoas de todas as gerações para conviverem juntas numa sociedade solidária e não excludente.

A pesquisa realizada em Portugal por Andrade (2002) foi um trabalho de investigação sobre a relação dos idosos e adolescentes, onde constatou que pouco se tem feito nas escolas e no serviço social em prol da intergeracionalidade. Sommerhalder e Nogueira (2003) e Novaes (2005) também afirmaram a necessidade de mais estudos sobre os relacionamentos intergeracionais, reconhecendo também o impacto positivo nos estudos nacionais e internacionais existentes.

Depreendemos da leitura desses estudos, que o convívio entre as gerações possibilita um maior conhecimento de todos os sujeitos envolvidos no processo intergeracional, possibilitando a minimização dos preconceitos relacionados aos idosos. Preconceitos evidenciados em toda parte, desde as relações familiares, até as formas de tratamento dispensadas a eles em filas de banco, lojas, repartições públicas e passando por propagandas “inocentes” da mídia.

Nessa direção, Neri (2007) apresenta algumas sugestões para minimizar atitudes negativas relacionadas à velhice: conhecimento, interação entre as gerações, empatia, acesso às informações que contrariam os estereótipos, reconhecendo a heterogeneidade da velhice, focar mais a competência do que a idade, e por último, a autora sugere um trabalho educacional com a população idosa e a não idosa.