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Strategi eller nødvendighet

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4. Empiri – dokumentanalyser og intervjuer

4.3 Oppsummering av resultater

4.3.8 Strategi eller nødvendighet

Ao ser oriundo e elementarmente familiarizado com o assunto da pesquisa muitas vezes me senti com a tentação de absolutizar alguns aspectos de meu transfundo ou meus preconceitos (às vezes idealizando a herança wesleyana, outras a herança ancestral, e noutras a força das comunidades locais).

Como é muito comum ao encarar um trabalho de pesquisa, muitas janelas se abrem ao longo desta, umas mostrando novas perspectivas que enriquecem a percepção da questão, outras mostrando lacunas que evidenciam erros de percurso que, quando percebidos, também se mostram pedagógicos.

Seria uma tarefa não muito produtiva tentar apresentar um resumo do até aqui tratado, porém se tentará apresentar os aspectos que se consideram que a pesquisa apontou como pistas para uma resposta eclesial à contemporânea urbanidade boliviana.

A edificação de cidades é um antigo logro cultural da humanidade, porém, desde a revolução industrial, a proliferação de grandes cidades foi um processo exponencialmente acelerado, a ponto de poder-se afirmar que, no ano 2000, 80% da humanidade se concentrou em 7% da superfície terrestre.

Na realidade boliviana, a urbanização também é um fato irreversível. Essa realidade foi viabilizada, entre outros fatores, pela possibilidade dos camponeses (como já referido, indígenas) ganharem o status de “cidadãos da república da Bolívia” após a revolução de

1952, podendo exercer seu direito à liberdade de ir e vir no território boliviano e migrar para os centros urbanos, onde tiveram que readequar toda a sua ancestral cultura agrária aos padrões da lógica da cidade.

Estes camponeses, já fragilizados pela persistência da ordem sociocultural e político- econômica colonial, ao estabelecerem-se nas cidades, encontram-se em condições precárias na hora de aceder às benesses da cidade, sendo pressionados para as periferias urbanas, onde não recebem a atenção das autoridades e do Estado para auxiliá-los a se conformar às novas estruturas.

Assim, os camponeses que se estabelecem nas cidades procuram, entre os parentes e conterrâneos, redes de apoio. No entanto, a nova geração, que não tem contato com a família estendida nem com conterrâneos de seus pais, se converte em números perdidos na massa.

Entretanto, a cidade não suprime as relações pessoais; a cidade tem a peculiaridade de fornecer as condições para imprimir a caraterística de personalização das relações sociais (não mais o clã ou a família estendida), pois a cidade com seu anonimato e pluralidade é onde o indivíduo acha o ambiente propício, onde as particularidades de sua individualidade podem ser expressas e desenvolvidas.

Como decorrência das dinâmicas históricas no cenário sociocultural boliviano, emerge uma categoria social (classe) chola burguesa (antes desqualificada na ordem colonial por seu cárater mestiço), que, pela sua capacidade de acumular capital, assume protagonismo econômico e político, substituindo a tradicional classe média branca criolla nas esferas burocráticas administrativas e, paulatinamente, na tecnocracia.

Esta realidade já foi vivida com dez anos de antecedência na IEMB, com as mudanças implantadas pelo movimento aymara. Esse movimento, ao tomar o controle da IEMB e implantar mudanças em sua estrutura, não conseguiu mudar a lógica do poder na cultura administrativa da IEMB; antes, vem afirmar a manutenção institucional como hegemonia de uma parcialidade sem imprimir o caráter cultural andino na idiossincrasia institucional. Decorrente dessa dinâmica, o ministério pastoral teologicamente treinado foi fragilizado, aprofundando-se o desequilíbrio, já existente desde o período da implantação da IEMB, entre o tamanho da gestão das obras de serviço (educativo) e da labor pastoral.

Sendo que a IEMB é uma igreja, lhe é tarefa seminal a reflexão teológica a fim de estabelecer sua natureza de igreja Cristã e sua decorrente razão de ser ao cumprir a tarefa que lhe é encomendada e demandada. Dessa forma, está obrigada a alcançar, com sua missão, os homens e mulheres que habitam a Bolívia, sendo que 70% encontram-se nas

cidades, constituindo-se o lócus onde esta deve gestar sua missão, parâmetro para sua institucionalidade.

Num rápido olhar para a cultura institucional da IEMB, pode-se perceber que a instituição precisa explicitar sua autocompreensão eclesial, ou seja, deixar claro para si mesma como ela se compreende e como compreende o local de sua missão. Precisa, também, formular as implicações do novo contexto e das novas demandas a fim de responder-lhes efetivamente, assumindo uma gestão político-administrativa que não seja apostasia à missão a que Deus lhe convoca. Assim, é imperativo para a IEMB responder ao desafio que a urbanidade apresenta; para conseguir fazê-lo, precisa desenvolver uma clara compreensão da urbanidade no contexto boliviano.

Para a tarefa de teologicamente refletir sua identidade e missão, a IEMB tem os subsídios da tradição wesleyana e a reflexão teológica contemporânea.

As lógicas e dinâmicas da cidade, desde a experiência metodista do século 18 até a reflexão de José Comblin, evidenciam que a existência de pequenos grupos de comunhão podem ser adequadas ao se pensar e gestar uma eclesiologia pastoral e missão para a realidade da cidade.

Na cidade, as relações do indivíduo e seus vizinhos são regidas pela discrição e reserva que tentam garantir a liberdade e autonomia individuais, cujas relações de trabalho, lazer, política, camaradagem e família serão multifocalmente disseminadas na rede da cidade onde, voluntariamente, locam-se seus interesses particulares e aspirações; será mediante esses tipos de associações que o indivíduo entra na vida da cidade, tornando-se cidadão, gerando e usufruindo sua cidadania. Só a participação ativa nas associações faz do indivíduo um membro da cidade.

Nessa orientação e na tradição Wesleyana, a igreja na cidade é constituída por aqueles que, despertados pela proclamação da salvação decorrente da graça divina, reúnem-se em comunidades restritas pela intimidade e corresponsabilidade para a edificação mútua, encorajamento, para responder com um estilo de coração e vida santos, de acordo com a natureza da mensagem da graça de Deus na cidade. Não se trata, contudo, de um efeito natural da estrutura da cidade, porém, como propósito deliberado de conversão, não só procurando a salvação de suas ‘almas’ na esperança escatológica, mas com esperança em seu momento presente.

A articulação de amor, a graça benfeitora que dignifica aqueles que não podem usufruir do sistema por serem descartados por este, é sinérgica com o propósito de atingir a cidade com a pedagogia divina, gestora de uma comunidade plena; assim, a eclesiologia não

se esgota na manutenção institucional, sendo ampla sua abrangência, evitando-se a ênfase na vivência subjetiva da experiência de fé que se fecha em grupos sectários, furtando-se de atuar na cidade.

A corresponsabilidade outorga pertinência aos leigos, não só ao implementar a tarefa evangelizadora (desenhadas pelo corpo clerical) mas também compartilham a palavra ao pensar e organizar juntos as respostas ao desafio decorrente das dificuldades externas e da procura de vidas com santidade de coração e vida; outorgando aos leigos a dignidade de povo de Deus, afirmando-se, assim, o critério do sacerdócio universal de todos os crentes.

Essas dinâmicas eclesiais podem ser adequadas às redes de apoio como estratégia de transferência e aquisição de habilidades e capacidades que transferem capital humano aos mais fragilizados, capacitando-os para aceder, usufruir e gestar a cidadania.

As redes corresponsáveis de comunhão e edificação encarnam o caráter profético ao vivenciar uma mais plena comunidade, revelando outra realidade possível, que se constitui em denúncia das mazelas da cidade concreta; também é profética, ao despertar os espíritos e entusiasmá-los à execução de ações necessárias. Servir a cidade não é realizar as tarefas para as quais está mais preparada para fazer; a igreja não é o alvo (nem sua missão) e sim a humanidade plenamente realizada, pois o sentido da igreja é sempre provisório, na medida em que a salvação da humanidade e toda a criação é o alvo do agir de Deus. A igreja, neste sentido, será o instrumento pedagógico para ensinar e encorajar a comunidade a instituir sinais de uma outra realidade possível.

A razão de ser da igreja é ser o instrumento de Deus para a salvação da humanidade. Este conceito deveria enfatizar seu caráter provisório. Decorrente desta certeza a relevância da igreja radica em que esta seja capaz de cumprir com sua missão, isto é, a igreja só tem o direito de existir como instrumento de salvação para a humanidade. Os meios providenciais com que a graça de Deus assiste aos homens não estão nas particularidades de uma certa estética litúrgica, nem nas relações político-sociais, nem em sua capacidade burocrática institucional, ainda menos no poder econômico, porém todos tem o caráter provisório de serem ferramentas para o cumprimento da missão. A igreja cristã é meio de graça e só tem sentido enquanto, à semelhança de Cristo, é expressão do amor de Deus à humanidade.

A realidade sociocultural boliviana que se tentou descrever neste trabalho mostra dois fenômenos: migrantes camponeses que enchem as periferias das cidades bolivianas e, paralelamente, uma emergente burguesia chola que em virtude de sua capacidade de acumular capital – consequentemente acumular capital social e força política – coopta o protagonismo social, econômico, politico e paulatinamente tecnocrático-cultura da antiga

classe média criolla branca, herdeira das convenções da antiga ordem colonial (dinâmica também percebida dentro das IEMB). Ambos os fenômenos formatam os indivíduos conforme as lógicas competitivas do mercado que padroniza a cultura e as instituições na cidade, determinando suas possibilidades de sucesso e ainda as probabilidades de satisfazer suas necessidades elementares.

Esta realidade representa o desafio (como elemento a superar-se ou realidade fatual que inviabiliza qualquer alternativa) para a IEMB e sua missão de constituir comunidades de fé, como evidência pedagógica de que, sim, é possível uma nova realidade comunitária mutual que permite humanizar as relações da vida na cidade e promover a possibilidade do povo mais fragilizado vencer suas carências, desta forma (ainda que provisória e precariamente) assinalando o reino de Deus entre nós.

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