• No results found

Otium boligprosjekt «Ilahagane Kingos gate 22»

4. Empiri – dokumentanalyser og intervjuer

4.2 Byggeprosjektenes lokalisering

4.2.2 Otium boligprosjekt «Ilahagane Kingos gate 22»

Até a revolução nacionalista de 1952, as “cidades senhoriais coloniais” com maior importância econômica e política, por isso com maior população – La paz, cidade capital, Oruro e Potosi, centros mineiros, Chuquisaca, a atual Sucre, antiga cidade primada por ser a sede da administração colonial e atual sede do poder legislativo –, mantiveram-se nos padrões coloniais de fragmentação de seus espaços urbanos, inicialmente com as “paróquias de índios” e as “paróquias de espanhóis”, que posteriormente evoluíram nos bairros populares e nos bairros nobres segundo as características anteriormente descritas.

Porém, nos casos das cidades menos desenvolvidas, como Cochabamba e Santa Cruz, influenciadas pela incipiente democratização iniciada com a revolução de 1952, esse processo permitiu que tivessem um crescimento com uma dinâmica um tanto diferenciada, permitindo o desenvolvimento urbano de forma não homogênea, porém sem segregações espaciais por questões econômicas (locais específicos para pobres e locais explicitamente assinados para os ricos), entretanto, em uma certa heterogeneidade que permitia ver as residências abastadas em vizinhança com casas mais modestas e simples. Isto como fruto da dinâmica econômica onde subsistiam formas pré-capitalistas de exploração da terra (a posse de terras e, por consequência, dos indígenas outorgava o símbolo de nobreza).

No entanto, em ambos os casos, o espaço urbano do qual emanava todas as formas de poder sempre foi a ‘Plaza de Armas’, isto é, a praça principal, ao redor da qual, concordando com a simetria do desenho urbanístico colonial espanhol, colocam-se o banco, as casas importadoras e os notáveis doutores, todos respeitáveis estandartes da civilização e que materializam a verdadeira civilização reafirmando a persistência dos preconceitos e hierarquias coloniais.

Todavia, após 1952, a multicultural e variada sociedade plebeia, fruto da migração camponesa, e a ascensão de uma nova categoria-classe social média mestiça com capacidade econômica encontram-se disseminadas com manchas de residências ricas.

No caso da conurbação das cidades de La Paz e El Ato198, poderia enquadrar-se no processo contínuo de crescimento da cidade de La Paz e suas áreas nobres do centro e do sul

198 La Paz está assentada num vale profundo (estreito e irregular) resultado da erosão causada pelo rio

Choqueyapu,a uma altitude de 3.649 m, ao leste, rodeada por montes e montanhas de grande altitude pertencentes àCordilheira dos Andes; e a oeste, pela abrupta elevação da meseta andina. O altiplano e os

e as áreas periféricas, antigas repúblicas de índios que tomaram grandes proporções nas íngremes encostas da periferia (que delimitam o vale do rio Choqueyapu, agora invisível no Centro da cidade).

É dessas periferias da cidade de La Paz de onde emerge a nova categoria-classe social média mestiça, com capacidade econômica que toma os tradicionais centros da classe pudente e letrada, estes antigos centro que antes lhes eram restritos, mas agora são o palanque de suas aspirações e a passarela de sua particular estética199.

Assim, poderia resumir-se que é esta (nova ou não tão nova) estrutura que vai configurando os novos atores (os indivíduos urbanos) do eixo central urbano (La Paz - El Alto, Cochabamba - Santa Cruz) que caracteriza a maior concentração demográfica boliviana, e a área de maior gravitação econômica e política. Porém, estes são também os locais onde os contrastes sociais são proporcionais às dinâmicas do crescimento e à concentração demográfica e, por consequência, atingem a mais pessoas, o que é facilmente constatável ao observar os indicadores socioeconômicos (mesmo os oficiais).

Após um prolongado letargo (desde a colonização até a metade do século passado), Santa Cruz convertia-se no principal polo de atração dos fluxos migratórios internos e internacionais no país: sua demografia aumentará de 9,1%, em 1950, para 24,5%, em 2001, do total da população boliviana, com uma taxa de crescimento entre os censos (1992-2001) de 4,29, maior que a taxa de crescimento nacional de 2,74%, com tendência a manter-se nos posteriores períodos entre os censos. O aporte ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional incrementou-se dos 5%, em 1950, para 30,6% em 2001. A dinâmica econômico- demográfica, inicialmente, permitiu a melhora dos indicadores sociais básicos, porém, tem-

vales mais baixos da parte sul (Zona Sur) têm uma geografia similar, com montes menos elevados e encontram-se a menor altitude que o resto da área urbana, por isso com clima notavelmente mais ameno. No altiplano, imediatamente contíguo, está a cidade de El Alto a uma altitude de 4.077 m. que foi

reconhecida legalmente como um município em 1986.

199Na cidade de La Paz, no bairro popular de Ch’ijini, celebra-se a festa ‘del Gran Poder’, em devoção ao

“Señor Jesus Del Gran poder”, originalmente uma atividade de uma paróquia ou bairro popular em honra a seu santo padroeiro, agora, com o status da maior manifestação do folclore da cidade de La Paz. Num país em que há uma movimentação para estabelecer um paradigma de identidade étnico e cultural como base das aspirações cidadãs das classes-categorias sociais historicamente marginalizadas pela herança colonial. A “entrada folclórica” e sua ostentação estético-simbólica explicita as aspirações sociais dos membros de uma classe-categoria social que por sua capacidade de acumular capital econômico está em ascensão (a burguesia mestiça aymara), toma espaços urbanos que o status colonial lhes restringia. Esta dinâmica reafirma as redes sociais de prestígio, gerando identidade ao redor das fraternidades. A ascensão econômica das mulheres mestiças afirma a estética própria da “chola” (vestes, sapatos, chapéus e joias) numa sociedade marcada pela discriminação social embasada no valor da etnicidade. A marcante presença destas mulheres evidencia seu papel protagonista nas redes sociais e econômicas.

se gerado crescentes desigualdades sociais, uma alta concentração espacial com altos custos ambientais200.

Ainda que os indicadores sociodemográficos de Santa Cruz sejam melhores que a média para a Bolívia, os dados do censo mostram um aumento da população pobre no departamento201, fenômeno que evidencia a tendência a se agravar pela desaceleração do crescimento econômico industrial que a região experimenta. Identifica-se, assim, que o maior problema social do departamento de Santa Cruz é a iniquidade, manifesta em maior grau na área rural e periurbana.

Santa Cruz é uma sociedade dual, com forte discriminação em estruturas sociais e econômicas que estão entrelaçadas numa engrenagem muito complexa. A cidade moderna vai-se transformando em um espaço de violência privada e pública, fruto da discriminação e das tensões que cotidianamente se vivem em seu interior, como a opulência e ostentação do luxo frente à pobreza de muitos setores que se sentem discriminados por uma sociedade que não se manifesta (pronuncia) para superar o nível desta brecha interna e de segregação social e geográfica.

200 PEÑA Hasbun, Paula; PRADO Robles, Gustavo A.; SALDÍAS L. Elisa; MOREIRA A., Miriam; PINTO

Mosqueira, Gustavo. Estado de la Investigación Santa Cruz Vol. I : historia y culturas. Economía y población. La Paz: UAGRM, PIEB.2009. p .90.

CAPÍTULO III

UMA REALIDADE, UMA QUESTÃO: