4. Empiri – dokumentanalyser og intervjuer
4.2 Byggeprosjektenes lokalisering
4.2.5 Neptunes Properties boligprosjekt i Geitmyrsveien 33 C
J Comblin ao descrever o caráter das dinâmicas de convivência e estrutura cívica nas cidades e relacionando-as com a vocação divina da igreja a ser comunidade com laços de amor diz:
263 SOUZA J C, 2009, p.163. 264 Ibid. p. 164, 167
265 Ibid. p.182
266 Minutes of the 1747 Conference In: SOUZA J C. 2009. p.174
Em segundo lugar, as pessoas da cidade formam associações voluntárias. São grupos limitados em que o contato pessoal é possível, em que todos se conhecem e os líderes são reconhecidos por todos os membros. As associações já existiam nas cidades da antiguidade. Nas cidades cristãs, elas cresceram e multiplicaram-se. No entanto, nas grandes cidades do século XX, o movimento associativo não acompanhou o crescimento da população, sobretudo entre as massas pobres. As Igrejas tradicionais não conseguiram formar um número suficiente de grupos e associações. Vencem as religiões que conseguem formar pequenos grupos com bastante intimidade, intercâmbio e vida comunitária268
Os grupos precisam ser, ao mesmo tempo, de vivência comunitária e vivência de fé, e grupos de presença cristã no mundo269. Assim, os talentos e dons que se manifestam no exercício de um ministério exercido por um individuo impelido pela consciência da vocação pessoal, terá o alicerce dos que o acolhem e retroalimentam (sendo ele mesmo retro- alimentador de outros) num processo que concretiza o confronto com o evangelho que impele a uma atitude concreta.
Ao considerar as implicações soteriológicas dos princípios das práticas conexionais270 do povo chamado metodista, H. Renders escreve:
As sociedades do povo chamado metodista fizeram, então, parte de um sistema maior de grupos distintos, que, com seus representantes, compreenderam-se como promotores de um avivamento evangélico (Evangelical Revival, Inglaterra) ou de um reavivamento (revival, colônias britânicas na America do Norte). Mesmo que o movimento nunca fosse organizacionalmente unido, mantinha-se uma rede de contatos nacionais e internacionais, mediante a correspondências contínuas e viagens ocasionais entre seus lideres. Na sua essência, os conceitos de avivamento e de reavivamento refletem a maior preocupação com uma teologia da vida, sua transformação e ênfase na práxis, no que na defesa doutrinaria ou organizacional da Igreja. Houve uma forte tentativa de criar uma identidade funcional e tão universal quanto possível, mesmo que problemas confessionais continuassem a provocar tensões271.
Pois, como dito anteriormente, não eram as corretas e uniformes elaborações doutrinais, e sim, o impacto da experiência das ‘santas afeições’, tanto nos princípios racionais como no coração para sustentar uma vida e coração santos.
268 COMBLIN, José. Os desafios da cidade no século XXI. São Paulo: Paulus, 2002. p. 21. 269 Ibid. p29
270
Conexão: Denomina-se assim a rede primitiva de grupos metodistas, que compreendiam sociedades locais, circuitos de pregadores, com elos que os ligavam entre si, em unidades cada vez maiores. Como derivado desta primeira realidade, utiliza-se hoje a expressão conexionalidade metodista. Outros defendem o uso do vocabulário conexidade.
Conferencia: A partir de 1744 veio a ser uma reunião anual para a qual Wesley chamava uma significativa parte de seus pregadores para, junto com ele considerar questões de doutrina, de estratégia, de disciplina. As decisões eram registradas como Atas Minutes (que passaram a ser compiladas como um libro normatizador). Uma das funções era a nomeação dos pregadores. Com o transcorrer dos anos as conferencias passaram a ser gerais, regionais ou nacionais. Para dar continuidade ao metodismo britânico, Wesley estruturou (1784) uma conferencia com Cem membros (os Cem Legais) que anualmente elege um presidente (na Inglaterra não há bispo metodista; mas ele existe no metodismo norteamericano). HEITZENRATER, Richard P.Wesley e o povo chamado metodista.Tradução de Cleide Zerlotti Wolf. 2. ed. São Bernardo do Campo: Editeo, 2006. p. 328, 329.
271RENDERS, Helmut. Andar como Cristo andou: a salvação social em John Wesley. São Bernardo do
A vida interior e o compromisso social santos (nos parâmetros wesleyanos santidade entendida como responsabilidade perante a fragilidade e mazelas pessoal e dos outros), conferia plausibilidade concreta e valor ao diferencial de uma religião experiencial, que consegue sustentar vidas santas de práxis reformadora nas condições socioeconômicas cotidianas de pressão limite do povo comum. “O ser de Deus se manifesta nas atividades práticas de resolver os problemas da vida em conjunto. O cristianismo é, assim, uma forma de viver”272.
H. Renders nos lembra de que certamente não existe para Wesley uma realidade autônoma sem Deus. Wesley usa a palavra “realidade” para descrever tanto a presença divina no mundo como as suas experiências do mundo especialmente na descrição de costumes e transformações (ou não) de pessoas273.
A realidade da miséria, tão devastadora na sua imensidão, esconde que ela não é fatum, mas factum, algo feito, um destino criado com participação do ser humano. Faz parte da sua superação ou transformação, um imaginário capaz de ver e projetar a existência de um mundo diferente de seu estado atual, numa visão que não ignore os problemas e desafios reais. Aqui, a soteriologia deve mostrar-se “pé no chão” e, ao mesmo tempo, orientada por um horizonte utópico que ensina a andar cada passo com cuidado, mas sem parar. A escatologia soteriológica contribui, nesta parte, para a soteriologia social274.
Assim, é o horizonte utópico que revela ‘outra realidade possível’, já na história cotidiana, na concretização do pleno amor de Deus no mundo, criando e movimentando a comunidade, subvertendo a ordem da suposta realidade factual (fatum) ao possibilitar a comunhão de todos: plebeus, nobres, doutos, igualados pela graça divina (para as convenções da época, algo promíscuo).
Nesse sentido, H. Renders ressalta que a soteriologia e escatologia estarão no cerne da eclesiologia e das dinâmicas pastorais, isto é, a salvação e a esperança de vidas valiosas aos olhos do Deus amoroso, que caracterizam a vitalidade da teologia prática (experimental and
pratical divinity) ou teologia experiencial e sua decorrente aplicação numa eclesiologia
experimental wesleyana que explicita “A visão graciosa, a noção de estrutura como graça”275.
Nas práticas e conceitos de Wesley, a comunhão cristã entre os “iguais” e que os torna iguais é o elemento dinâmico que explicita a plausibilidade da santidade social. A redenção dos indivíduos se concretiza num contexto de comunidade, a obra redentora e santificadora
272 RENDERS, 2010, p. 234. 273 Ibid. p. 259.
274 Ibid. p. 260. 275 Ibid. p. 268.
sempre terá a identidade cooperativa, nunca se dará no vácuo do extra mundano esotérico. Nas palavras deste autor:
[...] qualquer eclesiologia que se pretenda metodista deve ser soteriológica e procurar compreender, reinventar, contextualizar e enfatizar aspectos comunitários e solidários relacionando-os com a história da Igreja cristã e da presença de Deus na historia e na vida das pessoas. As sociedades religiosas podem ser compreendidas como forma social com efeito público do evangelho. Comunhão e responsabilidade mútua, conexão, sinais de presença diaconal na sociedade e utopias de transformações na sociedade e na igreja eram vistos como expressão do seu propósito276.
Se é certo que H. Render pode se referir desta forma às sociedades religiosas que estavam na cobertura legal da Igreja Anglicana, esta tipificação é própria para as sociedades metodistas em seu propósito de reformar a igreja e a nação.
Relacionalmente se juntar com os outros no encontro com realidade concreta, que será como e onde se determinam os acertos da rota que leva a enfrentar as mazelas humanas e a realidade concreta. Por isto, os elementos da fala livre e honesta caracterizavam a mediação dos encontros teológicos e administrativo-institucionais, como também o foi na dinâmica dos encontros dos metodistas, em seus pequenos grupos de comunhão, e nas sociedades. Foi esta prática de analisar os possíveis passos da caminhada, procurando a compreensão cristã das questões que deram forma às práticas e à teologia padrões do movimento do povo chamado metodista. A esta dinâmica chamou-se ‘estar em conferência’, ‘estar em ou na conexão’. Na conferência “criou-se um espaço de significativa possibilidade de abertura à vida cotidiana e real com seus desafios concretos”277.
Wesley reconhecia a conferência cristã como um meio através do qual a graça salvadora e santificadora de Deus se manifestaria em favor do crente. A dinâmica da ‘conexão’ e ‘conferência cristã’ foi o meio providencial quepossibilitou regras claras que o povo simples podia compreender e dessa forma, aderir a elas.
Assim, as classes metodistas fomentaram a liderança de pessoas simples, dinâmica esta que capacitava essas pessoas para enfrentarem a vida não só na séria e comprometida tentativa de ‘fugir da ira vindoura’, bem como para enfrentar as pressões oriundas das precariedades socioeconômicas, dando-lhe suporte comunitário e cooperativo.
A soteriologia social tinha aqui seu contínuo campo de treinamento. Não o credo nem a compreensão eram o ticket da entrada; era integrado e considerado metodista quem queria fugir da ira de Deus e quem aceitava viver e deixar-se ajudar a viver as Regras Gerais: ‘Deixar o mal, fazer o bem, observar as ordenanças de Deus’278.
276 RENDER, 2010, p. 264. 277 Ibid. p. 189.
Desse modo, o cuidado mútuo e a comunhão estão ligados não à mera formalidade piedosa institucional, mas sim, à consciência real do imperativo soteriológico com seus desdobramentos para as realidades concretas e históricas na esperança escatológica. Este imperativo de salvação é estabelecer uma comunidade alternativa, uma ‘outra realidade possível’, mostrar o caráter soteriológico do princípio da ‘conexão’ e da ‘conferência’(constituindo o suporte e os elementos catalisadores da comunhão em comunidade), isto é, estar em conferência e conexão (por via oral, por meio de cartas e publicações, por meio de eventos, alianças cooperativas ou profissionais) com outros cristãos (outros enquanto pares e colegas) despertados pela graça de Deus.
Estes princípios de livre associação para conformar comunidades de fraternal corresponsabilidade em solidariedade que suportam a vida e esperança de seus membros, estão em concordância com as dinâmicas (identificadas e descritas) das redes sociais nas periferias de nossas cidades bolivianas.
A vida dos migrantes camponeses nas periferias urbanas está apoiada em redes de vínculos primários e associativos. Aspecto este que patrocina a migração e particularmente possibilita a inclusão social através dos contatos, dos vínculos da rede familiar ou da rede da família estendida (que inclui amigos) e as redes de conterrâneos. Migrantes, em sua maioria conterrânea, vêm para as cidades e ficam na casa de parentes, amigos, conterrâneos, etc, que os antecederam na migração até terem seu próprio espaço de moradia e serviço. Entre estes se dá um sistema de reciprocidade cuja regra base principal é a relação de confiança.
As precariedades socioeconômicas do povo que enche as cidades disparam as expectativas ou desafios que criam um senso de obrigação entre as pessoas de uma vizinhança, estes desafios comuns serão encarados com base na confiança recíproca, que constitui um capital social, que flui por estas redes de reciprocidade. Assim a vizinhança cria um fluxo de ações de grupo, possibilitando mobilizações ou ações coletivas. O capital social refere-se a aquelas características de organização social tais como confiança, normas e redes sociais que podem melhorar a eficiência de uma sociedade ao facilitar ações coordenadas279.
279 PUTNAMA. citado por: Descentralización, construcción ciudadana y capital social en Bolivia: Un
Análisis Social, político y Económico con estudios de casos de la zona Andina y consideraciones sobre autonomía. MENDOZA Botelho, Martín. (Coordinador) Informe de investigación 2006 (PIEB) p.12. Este trabalho aponta diversos autores que trabalharam o conceito de capital social : Baker (1990), Schiff (1992), Burt (1992),Newton (1997), Fukuyama (1997), Baas (1997), Portes (1998), Joseph (1998), Uphoff (2000), Woolcock (2000), Kliksberg (2000), Ostrom (2000), Lin (2001), Bowles e Gintis (2002), Ramos- Pinto (2006)
Na sociedade contemporânea, pequenas identidades sociais e culturais emergentes são capazes de gerar mobilização social e que se mostram como: movimentos, como redes invisíveis de grupos autônomos e diversos, de circuitos de solidariedade, que não se caracterizam nos tradicionais movimentos sociais articulados nos parâmetros tradicionais da política e a institucionalidade do Estado280. Porém, sua mobilização e centro aglutinador estão na solidariedade, na reciprocidade e no dom.
Em sua dinâmica de inserção no mundo urbano, a igreja tem neste fenômeno um grande desafio e um potencial aprendizado. Enfatizando a graça benfeitora de Deus que por graça decide doar a salvação e promover a dignidade da vida da humanidade carente e desqualificada, logica esta que subverte o dogma do mercado que afirma que só é digno aquele que tem capital para consumir.
Esses movimentos, nas sociedades complexas, se observam como redes invisíveis de pequenos grupos dinâmicos, de pontos de encontro, de circuitos de solidariedade, em vínculos de doação com sentido moral-relacional é afetivo e alternativo a uma conceituação tecnicista e utilitarista com fins individualistas-egoístas, que diferem profundamente da imagem do ator coletivo politicamente organizado que funcionam como novos aparelhos reguladores dos conflitos, tensões e acordos entre indivíduos e grupos minoritários281.
Diversos trabalhos de campo com confirmações etnográficas mostram que participar em associações favorece notoriamente a inserção socioeconômica dos indivíduos moradores das periferias urbanas.
Entre a diversificada presença de mecanismos informais e societários de solidariedade (família extensa, redes de conterrâneos, vizinhança) como suporte às estratégias familiares e individuais de sobrevivência, e mobilidade social, se destacam as igrejas e cultos (além das razões da fé e à trama simbólica)282. Estes grupos religiosos constituem-se num canal eficaz que permite atenuar os riscos da exclusão social gerada pela falta de presença (ou a inoperância) do Estado e as condições econômico-estruturais.
280 MARTINS, Paulo Henrique. Redes Sociais como novo marco interpretativo das mobilizações coletivas
contemporâneas. CADERNO CRH, Salvador, v. 23, n. 59, Maio/Ago. 2010. p. 2. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ccrh/v23n59/13.pdf >
281 Ibid. p.1, 2.
282 A este respeito consultar os trabalhos de: QUEZADA, Valda, Virginia. Comunidad de vecinos y vecinas:
Pautas para una eclesiología andina desde una experiencia urbano-popular. In: Teología Andina: El tegido diverso de La fé indígena. ESTERMANN, Josef. (org.) Tomo II. La Paz: ISEAT, Plural Editores, 2006. p. 434; GURZA Lavalle, Adrián; CASTELLO, Graziela. As benesses desse mundo: Associativismo religioso e inclusão socioeconômica. Disponivel em: <http://www.fflch.usp.br/dcp/assets/docs/Adrian/ 2004NovosEstudosBenesses DesseMundo.pdf>
Os grupos religiosos, em especial os evangélicos, têm demonstrado ter uma grande capacidade de gerar comportamentos associativistas com fortes padrões de reciprocidade e interações baseadas em confiança, acomodando um leque de estruturas de oportunidades disponíveis em uma comunidade de baixa renda284.
As dinâmicas eclesiais implementadas pelo metodismo em suas sociedades e classes empoderava a seus membros com capacidades que o exercício da corresponsabilidade em ambientes de fraternal comunhão que outorgam vez e voz ao povo simples é capaz de transferir vitalidades para suportar e superar as condições de fragilidade e precariedade socioeconômicas que pressionam a vida nas cidades.
A dimensão em que se contextualiza o capital humano estaria nas redes fechadas (como no caso das sociedades e classes Metodistas), nas quais os laços estreitos entre os membros possibilitariam a criação, cumprimento e preservação de normas que garantiriam a reputação e a confiança de seus membros das quais decorrem sua credibilidade e seu futuro.
Assim, a confiança e a reciprocidade serão importantes na preservação e acúmulo ou perda deste capital social, por isso se conseguirá acumular mais desse capital com o uso e desenvolvimento de atitudes solidárias e recíprocas; pois se ajuda a alguma pessoa, espera- se dessa pessoa lealdade. Por isso, na acumulação ou destruição desse capital, os processos históricos serão determinantes, como também o custo ou a facilidade do fluxo de informações que perpassem a rede social, beneficiando-a.
A quantidade ou qualidade do capital social estará em relação a valores e ao respeito às normas na qualidade das relações humanas. Por isso, a confiança será um aspecto que determinará às pessoas que se envolvam em ações coletivas que gerem cooperação e militância sem interesse mesquinho.
A identidade social e o fato de que os indivíduos que compõem a rede social implica em que os mesmos têm que se identificar uns com os outros, fortalecendo assim o capital
283 GURZA e CASTELLO, 2004, p. 10.
284 A este respeito considerar os trabalhos de: MARTINS, Paulo Henrique. As Redes Sociais, o sistema da
dádiva e o paradoxo sociológico. 2008. Disponível em: <http://www.nucleodecidadania.org/nucleo/extra/ 2009_09_04_11_14_09_as_redes_sociais_martins1. pdf>; MARTINS, Paulo Henrique. Redes Sociais como novo marco interpretativo das mobilizações coletivas contemporâneas. CADERNO CRH, Salvador, v. 23, n. 59, Maio/Ago. 2010. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ccrh/v23n59/13.pdf >; LAVALLEN, Adrián Gurza; CASTELLO, Graziela. As benesses desse mundo: associativismo Religiosos e inclusão socioeconômica. Disponível em: http://www.fflch.usp.br/dcp/assets/docs/Adrian/2004Novos EstudosBenessesDesse Mundo.pdf>; TOMÀS, Isabel. Religião Um Espaço de Integração e Participação Pública. VI Congresso Português de Sociologia. 2008. Disponível em: < http://www.aps.pt/vicongresso /pdfs/205.pdf>; ---Descentralización, construcción ciudadana y capital social en Bolivia: Un Análisis Social, político y Económico con estudios de casos de la zona Andina y consideraciones sobre autonomía. MENDOZA Botelho, Martín. (Coordinador) Informe de investigación 2006 (PIEB) Disponible en: <http://www.pieb.org/participacion/ archivos/Informe_fina l_PIEB_V4.pdf>
social. De forma que a ausência ou abundância de capital social em uma família ou coletividade será paralelo a noção de capital humano. Os benefícios materiais derivados do exercício de práticas associativas religiosas encontram correlato empírico nos efeitos de inclusão socioeconômica como a inserção no mercado de trabalho, como melhores condições de reação ante a eventualidade da desocupação.
Assim, considerando o anteriormente dito podemos inferir que: a disciplina para aplicar-se a um estilo de vida com motivações santas fundadas na escatologia e soteriologia wesleyana aporta também capacidades e habilidades sociais que acrescentam o capital humano entre os membros de uma igreja dessa forma estruturada.
Considerando o que foi até aqui descrito, inferimos que as declarações formais do Estatuto Geral da IEMB não estão em concordância com dois aspectos de sua cultura institucional.
O primeiro:
Que a IEMB persiste como a maioria de suas congregações na área rural, não correspondendo à demografia nacional que é 70% urbana e por esta razão está desfasada em relação à realidade nacional (um implícito descompasso e desafio com sua razão de ser, a missão gerada por Deus e incumbida à igreja de Cristo, e à sua herança wesleyana).
Que levando em conta tudo o que foi dito, pode-se entender que a IEMB não atenta para os desafios da cidade ao fortalecer e diversificar a presença de comunidades locais nas áreas urbanas susceptíveis à pluralidade e heterogeneidade características dos centros urbanos e persiste em uma dinâmica que só dá conta da manutenção das bases de poder dos grupos que articulam a gestão do poder.
O segundo:
Que, como resultado das dinâmicas de sua implantação, as instituições educativas que gerenciam a IEMB ganharam um grande porte patrimonial, consequentemente econômico, que consegue fazer gravitar a seu redor a vida institucional da IEMB, em detrimento do fazer eclesiológico pastoral e a inerente sustentação teológica destas três áreas.
Que, para a estrutura das instituições de serviço, constitui-se um desafio imperioso que sejam gerenciadas, desde uma clara e específica formulação teológica do que é a missão da IEMB, enquanto Igreja Cristã ao serviço dos mais fragilizados, e naquilo que formalmente reconhece como sua particular herança espiritual na tradição wesleyana, expressa ‘nos Artigos de Religião do metodismo histórico’, os sermões de John Wesley e suas notas explicativas do Novo Testamento.
A IEMB, como igreja, e por suas anteriores contribuições à sociedade boliviana, claramente se configura como uma instituição com legitimidade na sociedade boliviana.
Inferimos assim possíveis pistas para uma ação eclesiológica pastoral nas cidades bolivianas:
• Em todas as instâncias (administrativo - burocráticas e pastoral - eclesiais) deverá ser ostensivamente explícito que a IEMB é uma Igreja Cristã incumbida por Deus de profeticamente pregar denunciando as mazelas humanas e anunciar a amorosa graça restauradora de Deus. Não uma ONG de promoção social.
• A IEMB precisa de uma clara e ostensiva compreensão dos princípios da teologia wesleyana. É imperativo que toda pessoa, incumbida em qualquer instância da gestão institucional da IEMB, deva ser formada na tradição teológica wesleyana para assim pautar e sujeitar a gestão institucional, administrativa e de serviços, critério igualmente imperioso para o corpo ministerial encarregado da obra eclesial e pastoral. Assim preparada, é nas cidades onde mais de 70% da população está que a IEMB tem que investir seus esforços institucionais e humanos se quer estar onde o povo está, assumindo que é na cidade onde a pedagogia de Deus pode gerar através da igreja a plena realidade da comunidade na lógica da graça e amor de Deus, contraponto a hegemônica lógica do capitalismo selvagem globalizado.
• Por existir uma clara interface entre:
1) As dinâmicas eclesiais wesleyanas de grupos onde a disciplina e a corresponsabilidade para aplicar-se num estilo de vida de fé com motivações santas fundadas na soteriologia e