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5. Analyse

5.3 Prioritering og tilpasning

5.3.3 Stor avstand mellom prekvalifisering og samtykke

Convém assinalar que em termos ontológicos e epistemológicos, nos consideramos mais próximos(as) de um paradigma interpretativista do que uma postura positivista. Tal não nos inibe de procurar melhorar, através de uma triangulação de técnicas/métodos de recolha de dados, a reflexão que iniciámos sobre a regeneração pela cultura na Mouraria (PrM).

Assim sendo, convém começar por analisar até onde é que os dados recolhidos por inquérito por questionário nos permitem o recurso a técnicas estatísticas multivariadas, como é exemplo a análise fatorial, para aprofundamento da temática em investigação.

Mas para se compreender convenientemente os passos que demos até chegar à técnica estatística multivariada designada por análise fatorial torna-se necessário explicar as opções feitas e as consequências das mesmas:

1º começamos por analisar a consistência interna das 10 dimensões que serviram de suporte teórico-conceptual para refletir sobre o uso da cultura na regeneração urbana.

A consequência desta análise é selecionar apenas as dimensões que, sob o ponto de vista estatístico, cumpram os requisitos mínimos (Alpha de Cronbach > 0.60). As dimensões assim selecionadas, à luz deste critério estatístico, conferem uma validade interpretativa que não é certa nas restantes. Dada essa sua validade interpretativa, é possível fazer uma análise individualizada de cada uma das dimensões, o que não vai acontecer quando as mesmas forem introduzidas na análise fatorial, uma vez que esta organiza os dados segundo uma lógica estatística diferente, a partir de uma matriz de correlações entre as variáveis que compõem os fatores;

2º selecionamos para análise individualizada apenas as dimensões que tinham uma consistência interna estatisticamente robusta (Alpha de Cronbach > 0.60).

As dimensões que não cumpram o critério estatístico (Alpha de Cronbach > 0.60) não podem ser interpretadas individualmente, uma vez que não se consideram, sob o ponto de vista estatístico, suficientemente robustas para garantirem a estabilidade dessa mesma dimensão. Dito de outra forma, as variáveis que constituem a dimensão não estão suficientemente correlacionadas entre si para garantir que não “migram” para outras dimensões/fatores, quando sujeitas a técnicas estatísticas multivariadas mais sofisticadas, como é o caso da análise fatorial.

A consequência desta limitação é a de que o interesse interpretativo das dimensões não selecionadas e das variáveis que delas fazem parte, relativamente ao uso da cultura na regeneração urbana, só pode ser feita de uma forma agregada e nunca individualizada, através das variáveis que forem incluídas nos fatores, necessariamente diferentes das dimensões inicialmente consideradas, dadas as “migrações” que a análise fatorial promove para explicar a “variância” existente nos dados.

3º determinamos a média das dimensões, por forma a analisar o grau de concordância dos inquiridos com as afirmações constantes em cada uma das dimensões.

4º construímos gráficos de perfil, tendo como objetivo desagregar essa informação por freguesia de residência e género, tentando verificar se existiam diferenças assinaláveis entre moradores.

5º por último, desenvolvemos uma análise fatorial de componentes principais por forma a avaliar o nível de variância explicado pelos fatores dela resultantes e tentámos interpretar os mesmos.

O recurso a esta técnica estatística justificava-se, como mais à frente será aprofundado quando se abordar a “Análise Fatorial de Componentes Principais”, porque se tornava necessário entender até que ponto as 10 dimensões teóricas resultantes da “Revisão da Literatura” e as 46 variáveis que as constituíam poderiam ser simplificadas e organizadas em “Componentes Principais”, que, por sua vez, nos ajudassem a perceber que variáveis contribuíam mais para explicar a variância encontrada nas respostas.

De acordo com o que atrás foi dito, decidimos começar por avaliar a consistência interna das 10 dimensões resultantes do trabalho de investigação já desenvolvido neste estudo (revisão da literatura e entrevistas semi-estruturadas), recorrendo ao teste Alfa de Cronbach (Tabela 4).

Tabela 4. Dimensões e Consistência Interna

Dimensões Alfa Cronbach

Coesão social, sense of community 0.741

Desenvolvimento pessoal 0.683

Segurança 0.641

Lazer e tempos livres 0.639

Mobilidade e acessibilidade 0.530

Turismo e nobilitação 0.481

Valorização do patrimônio e tradiç=es 465

Oferta cultural 0.313

Imagem do bairro e sense of place 0.236

Sendo geralmente usado neste tipo de contexto, o teste α-Cronbach fornece uma medida da consistência interna das respostas ao questionário em análise. No caso em estudo, iremos medir a consistência das respostas obtidas inseridas no âmbito das dez dimensões identificadas (ver Tabela 4). Diversos autores (e.g. Kline, P., 2000; George, D. e Mallery, P., 2003) consideram aceitável um valor de α igual ou superior a 0,6 (0 < α < 1) e neste estudo iremos seguir o mesmo critério. Obviamente, quanto mais próximo de 1 for o valor de α melhor. No nosso caso, é admissível considerar internamente consistentes as quatro primeiras dimensões, apesar de apenas a primeira poder ser considerada “boa”. As restantes três são apenas “aceitáveis”. São elas: a) coesão social,

sense of community e expetativas pessoais, b) desenvolvimento pessoal, c) segurança e d) lazer e

tempos livres. As restantes seis dimensões não passam no teste de consistência interna (assinaladas a amarelo na Tabela 5).

Na Tabela 5, reproduzida abaixo, estão listadas as questões do questionário que integram cada uma das quatro dimensões com consistência interna. Ao todo são 16 questões, ou seja 36% do número total de questões apresentadas. Sendo um estudo de natureza preliminar esta taxa de consistência é aceitável, não sendo porém a ideal no âmbito de um trabalho que pretendesse ser mais abrangente.

Tabela 5. Composição das dimensões com consistência interna Dimensões

I. Coesão social, sense of community a Tem mais vontade de continuar a morar na Mouraria do que tinha antes d Sente-se melhor agora ao dizer a outras pessoas que mora na Mouraria e Tem mais vontade de participar em projetos do bairro

f Sente que pode influenciar mais as decis=es sobre o bairro

q O bairro ficou com mais oferta de comércio e serviços que facilitam a vida das pessoas no seu dia-a- dia

r As relaç=es pessoais e de vizinhança ou amizade entre as pessoas do bairro estão agora melhores II. Desenvolvimento pessoal

n Utilizou, ou pensa vir a utilizar, os novos equipamentos culturais para aprender a tocar música, fazer teatro, pintura, ou outra atividade

o Utilizou, ou pensa vir a utilizar, algum dos novos equipamento/instalaç=es para melhorar o seu futuro profissional ou pessoal

p A nova oferta de cursos de formação profissional é muito útil para os moradores ou comerciantes do bairro

b As suas expectativas e aspiraç=es pessoais e profissionais melhoraram c Há mais oportunidades no bairro

III. Segurança hh Sente-se mais seguro(a) quando sai à rua

ii Diminuram os comportamentos de risco (droga; assaltos, etc.)

jj As pessoas de fora do bairro sentem-se agora mais seguras ao visitar a Mouraria IV. Lazer e tempos livres

g Há mais espaços de lazer e desporto para todas as idades

h Há mais ou melhores opç=es de espaços públicos para conviver com os seus amigos ou vizinhos

3.4.1. Análise das médias das dimensões selecionadas

Com base no que atrás foi referido, consideramos importante determinar as médias de cada dimensão selecionada e, a partir destas, achámos que fazia todo o sentido fazer uma desagregação por sub-grupos para detectar desvios ou diferenças nas respostas. Assim, produzimos gráficos de perfil para os seguintes sub-grupos: freguesia de residência, género, idade, tempo de residência na Mouraria, como se apresenta no Anexo 5.

A Tabela 6 apresenta as médias de cada dimensão em termos globais e desagregadas por freguesia de residência e por género. Tendo em conta que a escala de Likert utilizada varia entre 1 (concordo plenamente) e 7 (discordo totalmente), sendo 4 o valor neutro (não concordo nem discordo), observa-se que os inquiridos tenderam, em média, a concordar (ainda que ligeiramente na maioria dos casos) com as afirmações inseridas no questionário.

Nas quatro dimensões com consistência interna, 21 dos 24 valores médios apurados em termos globais e desagregados por freguesia de residência e género estão situados no intervalo 3-4. Apenas 3 apresentam valores no intervalo 2-3 (ver Tabela 6).

Nalguns casos o valor médio aproxima-se do ponto neutro 4.

De um modo geral, os residentes na freguesia dos Anjos tendem, em média, a concordar de forma mais intensa com as afirmações produzidas no questionário do que os residentes nas outras freguesias (exceto no que respeita à dimensão “desenvolvimento pessoal”). O mesmo se passa com os inquiridos do sexo feminino (exceto no que respeita à dimensão “coesão social, sense of

community e expetativas pessoais”), embora neste caso as diferenças não sejam tão nítidas. De

qualquer modo, as diferenças das médias obtidas para o respetivo ponto neutro (4) não são muito acentuadas, o que leva a concluir que os respondentes, apesar de evidenciarem alguma satisfação

com o PrM não estão excessivamente entusiasmados com o impacto desse programa no seu cotidiano no bairro.

Tabela 6. Médias das dimensões

GLOBAL FREGUESIAS SEXO

Anjos SC/SL Socorro F M Coesão social, sense of community 3.23 2.87 3.15 3.35 3.45 3.06

Desenvolvimento pessoal 3.49 3.49 3.67 3.42 3.34 3.60

Segurança 3.49 2.62 3.07 3.86 3.41 3.56

Lazer e tempos livres 3.30 2.88 3.10 3.48 3.12 3.46

Mobilidade e acessibilidade 3.52 3.19 3.40 3.65 3.50 3.54

Turismo e sustentabilidade social 3.28 3.74 3.09 3.24 3.25 3.30 Interpretação do património e tradiç=es 2.60 2.81 2.58 2.56 2.49 2.68

Oferta cultural 2.88 2.91 2.76 2.91 2.75 2.98

Imagem do bairro e sense of place 2.50 2.31 1.90 2.77 2.47 2.52

Espaço público e liveability 3.72 3.47 3.58 3.84 3.68 3.76

Uma vez analisadas as medias gerais das dez dimensoes do questionário, importa agora analisar o perfil das questoes inseridas em cada dimensão, desagregado por freguesia de

residência, genero, idade, tempo de residência. Em todos os gráficos nota-se uma coerência

adequada nas médias das questões respondidas nos diferentes subgrupos. Ou seja, os perfis têm um comportamento de certo modo semelhante por freguesia, por género, por grupo etário e por tempo de residência, salvo raras exceções. Assim, a análise não é muito diferente da análise anteriormente feita para as médias das dimensões apresentada no gráfico de radar (Fig. 11), por isso, não nos vamos demorar. Estes gráficos são apresentados nas Figuras A5.1-A5.5 do Anexo 5.

Infelizmente, os resultados obtidos não permitem construir gráficos de perfil desagregados para todas as dimensões em estudo com a clareza que seria desejável. Por este motivo, optámos por apresentar apenas os gráficos de perfil com sentido no âmbito do presente estudo. Estes gráficos referem-se às dimensões: I – Coesão Social, Sense of Community; VI - Turismo e Nobilitação; VII – Valorização do Patrimônio e Tradições; VIII - Oferta Cultural e X – Espaço Público e Liveability.

Na dimensão I, as questões mais valorizadas referem-se à vontade acrescida de viver agora na Mouraria e à melhoria da oferta de comércio e serviços, sobretudo na freguesia dos Anjos. As questões menos valorizadas referem-se à melhoria das expectativas e oportunidades.

desde a habitação ao varejo. No entanto, os inquiridos continuam a identificar-se com o bairro e não acham de modo algum que o aumento do número de turistas no bairro seja exagerado (para já, como vimos). As diferenças nas respostas notam alguma diferença entre as freguesias, uma vez que, na nossa interpretação, o impacto do turismo é espacialmente diferenciado no bairro.

Na dimensão VII a questão de longe mais valorizada refere-se à multiculturalidade do bairro, tanto entre as diferentes freguesias como por género, questão que mereceria discussão, uma vez que as entrevistas nos dão outras pistas. Ou seja, embora valorizado teoricamente, registamos na informação recolhida pelas entrevistas questões de disputas e dinâmicas menos positivas com o “outro” imigrante.

Já na dimensão VIII os inquiridos valorizaram o aumento de eventos culturais mas entendem que este aumento se destina fundamentalmente a trazer mais visitantes de fora ao bairro. Consistentemente, os inquiridos respondem que faltam equipamentos culturais ao bairro mas que não costumam utilizar os novos espaços de lazer e cultura. Há algumas diferenças entre as freguesias.

Finalmente, na dimensão X os inquiridos valorizam muito o aumento significativo de pessoas a circular quer de dia quer de noite e de mobiliário urbano mas entendem que ficaram obras importantes por fazer. Por outro lado, não concordam que haja mais espaços verdes (difícil numa zona de densa urbanização) nem que as obras realizadas eram desnecessárias. Há algumas diferenças entre as freguesias.

No que respeita ao mobiliário urbano, embora entendam que ficaram obras importantes por fazer, é consensual que a melhoria do mesmo concorreu para aumentar a qualidade do lugar, uma vez que permite aos moradores usufruir de mais zonas de repouso, sejam estas bancos públicos ou outros (embora sempre refiram que está agora melhor porque antes era muito mau). No entanto, o mesmo já não sucede com as zonas verdes do bairro, pois não reconhecem qualquer evolução neste domínio, o que é um claro indicador da reduzida qualidade do lugar.

Esta não concordância com a existência de mais espaços verdes, torna-se compreensível se tivermos em consideração que o bairro da Mouraria é uma zona de densa urbanização, o que dificulta, mas não anula, a possibilidade de melhorias neste domínio. Mesmo assim, a questão de espaços verdes e espaços de convívio mais recatados da malha urbana não foi uma preocupação do Plano e, por isso, de fato não lhe é reconhecida, muito pelo contrário. Os moradores criticam

bastante esta ausência.

Para os inquiridos, nenhuma das obras realizadas no âmbito do PrM foi considerada, de alguma forma, desnecessária, o que indicia um sentimento “estado de grande necessidade” de intervenção no bairro. Bem pelo contrário, os moradores classificam de forma alta a necessidade de mais obras.

3.4.2. Análise fatorial explorat)ria de componentes principais

Os “Resultados” anteriormente apresentados (3.3.2. Outputs: Percepções e sua Interpretação) constituem a substância interpretativa da problemática gerada pelo Projeto de Renovação da Mouraria (PrM), que procurámos entender à luz da interpretação que é feita pelos seus moradores. Para o efeito, usámos toda a informação resultante das entrevistas semi-estruturadas, bem como o aprofundamento descritivo dos dados recolhidos através do inquérito por questionário. Constitui, por isso, a “matéria prima” que nos permitiu responder aos objetivos a que esta Dissertação se propôs.

Assim sendo, torna-se necessário explicar porque decidimos avançar para a “Análise de Componentes Principais”, sob pena de não ficar claro o que se pretende com a mesma.

Animou-nos a intenção de iniciar a reflexão sobre um instrumento de abordagem quantitativa que permitisse aprofundar a recolha de informação sobre a renovação urbana com base na cultura, por forma a ser possível “replicar” este tipo de estudos em diferentes realidades sócio-culturais, como por exemplo Lisboa e Rio de Janeiro, ou S. Paulo.

Para o efeito, é mandatório recolher na bibliografia diversos indicadores relacionados com a regeneração urbana pela cultura que possam ser usados na construção de escalas de medida, as quais tenham potencial de gerar constructos robustos que permitam desenvolver e aprofundar toda a moldura teórica já existente, de preferência a partir de um modelo que lhe serve de suporte.

Tendo disponível nesta Dissertação os diversos indicadores relacionados com a regeneração urbana pela cultura, organizados em 10 dimensões, tornava-se necessário saber se as mesmas se mantinham relativamente estáveis quando sujeitas a uma técnica estatística multivariada de redução e simplificação da informação, mantendo a qualidade da mesma. Ou seja, se os dados recolhidos no inquérito por questionário fossem sujeitos a uma Análise Fatorial Exploratória, até que ponto é que os fatores resultantes permitiam uma interpretação simplificada, mas coerente, com o postulado

teórico defendido pela Culture Led Urban Regeneration. Se isso se verificasse, estaríamos no bom caminho para apresentar uma primeira proposta de instrumento de abordagem quantitativo da regeneração urbana pela cultura.

Embora saibamos que esta tarefa é bastante ambiciosa, não quisémos perder a oportunidade que a recolha de dados por inquérito por questionário nos disponibilizava, mesmo tendo consciência que são várias as etapas estatísticas para lá chegar, como de seguida se descreve.

Tendo presente os comentários feitos sobre as médias gerais das dez dimensões do questionário e o perfil das questões inseridas em cada uma dessas dimensões, desagregados por freguesia de residência e por género, convém agora recorrer, com os devidos cuidados, a uma técnica estatística mais sofisticada para análise dos dados.

Deve, no entanto, ser recordado novamente, que embora se tenha decidido desenvolver uma Análise das Componentes Principais (ACP), estamos conscientes dos cuidados a ter com o recurso a esta técnica estatística multivariada, uma vez que algumas das dimensões que vão ser utilizadas não apresentam a consistência interna que se desejaria.

Tabela 7 – Consistência Interna das Dimensões (Alpha de Cronbach)

Alpha de Cronbach

COESÃO SOCIAL, SENSE OF COMMUNITY 0,741

LAZER E TEMPOS LIVRES 0,639

OFERTA CULTURAL 0,313

DESENVOLVIMENTO PESSOAL 0,683

ESPAÇO PÚBLICO E LIVEABILITY 0,156

INTERPRETAÇÃO DO PATRIMÔNIO E TRADIÇÕES 0,465

IMAGEM DO BAIRRO E SENSE OF PLACE 0,236

MOBILIDADE E ACESSIBILIDADE 0,530

SEGURANÇA 0,641

TURISMO E SUSTENTABILIDADE SOCIAL 0,481

Como se pode observar pela Tabela 7 acima referida, já anteriormente representada, embora com outra ordenação, nem todas as escalas utilizadas para avaliar a qualidade do conjunto de dados, organizados segundo as dimensões identificadas, apresentam uma consistência interna adequada, tendo em conta o teste do Alpha de Cronbach.

“What is “low” for alfa depends on the purpose of the research. For early stages of basic research, Nunnally (1967) suggests reliabilities of .50 to .60 suffice and that increasing reliabilities beyond .80 is probably wasteful” (Churchill, 1979, p.68/footnote 1).

Embora metade desses valores respeitem o postulado anterior, convém afirmar que não se pode considerar que haja uma grande qualidade no conjunto dos dados obtidos, através do nível de concordância com as afirmações medidas pelas escalas de Likert, o que, novamente, nos remete, eventualmente, para a dimensão da amostra. No entanto, como também aconteceu com a dimensão da amostra, os investigadores não são unânimes na definição do valor mínimo para o teste Alfa de Cronbach, pelo que, sendo uma análise fatorial exploratória, não nos parece totalmente descabido aceitar alguma flexibilidade nesta matéria.

Em termos de tratamento estatístico multivariado dos dados, seria fastidioso, demasiado demorado e repetitivo analisar individualmente as perceções dos inquiridos relativamente às inúmeras questões que lhes eram colocadas. Por isso mesmo se optou pela aplicação de um método de estatística multivariada que reduzisse a informação obtida, simplificasse a sua interpretação e nos elucidasse sobre a perceção dos moradores relativamente ao PrM.

Pelas razões enunciadas, as respostas dos inquiridos foram sujeitas a uma análise fatorial

exploratória, através de uma análise das componentes principais, que

“é um método estatístico multivariado que permite transformar um conjunto de variáveis iniciais correlacionadas entre si, num outro conjunto de variáveis não correlacionadas (ortogonais), as chamadas componentes principais, que resultam de combinações lineares do conjunto inicial. As componentes principais são calculadas por ordem decrescente de importancia, isto é, a primeira explica o máximo possível de variancia dos dados originais, a segunda o máximo possível da variancia não explicada, e assim por diante” (Reis e

Moreira, 1993, pag. 213/14).

A opção pela análise fatorial exploratória prende-se com o fato de se pretender entender a relação entre as variáveis sem determinar em que medida os resultados se ajustam a um modelo pré- concebido, razão pela qual a rigidez de alguns dos pressupostos da análise foi “aligeirada”.

Esta técnica estatística, na sua formulação das componentes principais,

“é um método estatístico multivariado que permite transformar um conjunto de variáveis quantitativas iniciais correlacionadas entre si (x1, x2, ..xp), noutro conjunto com um menor número de variáveis não correlacionadas (ortogonais) e designadas por componentes principais (y1, y2, …, yp), que resultam de combinações lineares das variáveis iniciais, reduzindo a complexidade de interpretação dos dados” (Pestana e Gageiro, 2000: pag.

389).

varimax, cujo objetivo é o de obter, para cada componente principal, apenas alguns pesos

(loadings) elevados, pretendendo-se que todos os restantes sejam próximos do zero. Ou seja, consegue-se maximizar a variação entre os pesos de cada componente principal, razão pela qual o método dá pelo nome de varimax, considerado o mais popular para este fim.

Assim sendo, poder-se-à dizer que a análise fatorial exploratória de componentes principais,

com rotação varimax, possibilita uma organização coerente de como os inquiridos interpretam as

realidades que interferem em seu quotidiano, tornando claro as que estão relacionadas entre si e as