Historisk oversikt
4.1.4 Statsledernes betydning:
Aproveitando a oportunidade da pesquisa foi oferecido tratamento odontológico, que consistiu em terapêutica periodontal, dentística restauradora, exodontias necessárias, instrução de higiene e fisioterapia oral, com ênfase na escovação lingual, com o objetivo de debelar a halitose.
Durante as avaliações foram respeitadas a privacidade e a confidencialidade dos idosos, resguardados o direito de limitar a exposição de seu corpo, sua imagem e suas opiniões sobre os temas. A confidencialidade se refere à responsabilidade sobre as informações recebidas em exames e observações pelo pesquisador em relação a dados pessoais do sujeito.
Para a realização da pesquisa foi confeccionado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (que podem ser visualizados nos anexos A e B) em pesquisas realizadas através de roteiro de entrevistas, o qual assegura ao indivíduo o direito de recusar-se a responder às perguntas que ocasionem constrangimentos de alguma natureza.
8. Procedimento de análise e interpretação de dados
Para a análise e interpretação dos dados, foi utilizada a categorização utilizando a análise de conteúdo proposta por Bardin (1977). É uma técnica de pesquisa para descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação. O material bruto pode ser trabalhado, codificando-o, ou seja, identificando elementos que possuem homogeneidade entre si e que se repetem com freqüência
De acordo com Ferreira (2000) a análise de conteúdo permite ao pesquisador ir além dos significados. Neste estudo, a análise de conteúdo aplicou-se a tudo que foi dito nas entrevistas, incluindo toda comunicação não verbal: gestos, posturas, comportamentos e outras expressões culturais. O primeiro momento, a pré-análise foi o momento de organizar o material, de escolher os documentos a serem analisados, formular hipóteses ou questões norteadoras, elaborar indicadores que fundamentem a interpretação final. Este primeiro contato com o material recolhido é denominado de “leitura flutuante” por Bardin (2004). É a leitura em que surgem hipóteses ou questões norteadoras, com base em teorias conhecidas.
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O segundo momento foi a exploração do material, etapa mais longa e cansativa. Foi a realização das decisões tomadas na pré-análise. Foi o momento da codificação, em que os dados brutos foram modificados de forma organizada e agregados em unidades, as quais possibilitaram uma descrição das características pertinentes do conteúdo (BARDIN, 2004). Para finalizar procedeu-se ao tratamento dos resultados, incluindo a inferência e a interpretação.
A relação entre os dados obtidos, a inferência e a fundamentação teórica é que deu sentido à interpretação (Ferreira, 2000).
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PARTE III
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Passaremos a apresentar a análise do conteúdo das entrevistas com os idosos e familiares, ou das pessoas do seu convívio. Na exploração dos dados obtidos foi realizada uma categorização que deu origem a cinco eixos temáticos: percepção do idoso em relação ao outro com halitose, percepção do idoso sobre si e sobre sua halitose, percepção que o idoso tem do outro sobre sua halitose, percepção do idoso pelos amigos e familiares, e como a família acha que o idoso com halitose se percebe. Estes eixos são compostos por categorias.
Com o objetivo de subsidiar nossas considerações, foram citados trechos de falas dos entrevistados que foram selecionados de acordo com as subcategorias de cada eixo temático.
Cabe esclarecer que alguns idosos se mostraram surpresos com a possibilidade de serem portadores de halitose, quando foram comunicados antes sobre o problema por profissional da saúde. Outros argumentaram que foram algumas vezes alertados por familiares, mas não se sentiram convencidos, uma vez que não percebiam o mau odor bucal neles. Talvez, por isso, notou-se constrangimento entre os idosos entrevistados, quando o tema era sexualidade e as interferências da halitose nesta área.
Já os familiares dos idosos se mostraram muito interessados em participar da entrevista, uma vez que a halitose perdurava no ambiente familiar, sem haver discussão do problema, ou qualquer tipo de conhecimento científico que pudesse auxiliá-los na resolução desse desconforto.
Eixo temático I Percepção do idoso em relação ao outro com halitose. Categoria 1 Etiologia da halitose na percepção do idoso
Por meio das falas dos idosos portadores de halitose foi verificado o conhecimento que os mesmos têm, a cerca da etiologia da halitose. Vejamos alguns exemplos:
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“Mal dos dentes, não escova os dentes, dente estragado” (Sr. Mário, 80 anos).
“Às vezes vem do estômago, do intestino” (Sr. Jesus, 70 anos). “Se era por dentro, estômago, garganta” (Sr. João, 71 anos). “Não é bem de saúde, não é sadio” (Dona Maria, 75 anos).
Observa-se pelos relatos dos idosos, um conhecimento parcial a cerca dos processos desencadeantes da halitose. Alguns atribuem aos problemas dentários, estômago, garganta, falha na higienização bucal e alterações sistêmicas. Percebeu- se um consenso entre os idosos entrevistados de atribuir aos problemas gástricos, o desencadeamento da halitose, o que é discordante com a literatura científica (DELANGE et al.,1999).
Alguns autores como Epstein e Scully (1992) acreditam que a gastrite por helicobacter pylory, tenha sido precedida pela halitose com presença de saburra lingual, local onde o microorganismo se instalaria e proliferaria até atingir a concentração suficiente (carga viral ou dose infecciosa) para depois, se instalar no estômago provocando gastrite.
A halitose não é considerada uma doença, mas uma alteração do odor bucal, indicando um desequilíbrio local ou sistêmico, cuja etiologia precisa ser diagnosticada e tratada (ULIANA et al., 2002). Portanto, a halitose consiste apenas num sintoma, que pode ter origens diversas, que precisam ser investigadas por um profissional cirurgião-dentista devidamente capacitado, e por vezes solicitando auxílio de outras Clínicas como Otorrino, Gastroenterologia, Psicologia, entre outras.
No exame clínico realizado nos idosos portadores de halitose, através da oroscopia, foram encontrados: higienização oral precária, restos radiculares, abscesso periodontal e periapical, dentes cariados com cavitação, gengivites, periodontites, cálculo dentário e má escovação lingual, que corroboram a literatura científica, a qual aponta tais evidências na etiologia da halitose (CERRI; SILVA, 2002).
As causas de halitose podem ser divididas em locais (cavidade bucal) e causas de ordem geral (sistêmicas). As causas locais são responsáveis por 90% dos casos de halitose, tendo como exemplo os processos cariosos, a placa bacteriana,
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próteses mal adaptadas, gengivites, periodontopatias, língua saburrosa, língua fissurada, alteração na composição da saliva e as doenças próprias da boca (CERRI; MARTI, 2000).
Notoriamente, nenhum idoso entrevistado fez menção ao aspecto da má higienização lingual como fator desencadeante da halitose. Este resultado pode estar relacionado ao fato de não se constituir hábito corrente, entre os brasileiros, em especial, os idosos, a rotina de limpeza do dorso da língua, visto que, Cisternas e Bydloswsk (1998) relataram que a língua saburrosa constitui-se na maior causa bucal da halitose. Depreende-se, então, que embora seja comum a freqüência de idosos edêntulos no nosso país, a freqüência de halitose não é diminuída nessa faixa etária, em conseqüência da má higiene do órgão lingual, que pode ser o caso dos nossos idosos entrevistados.
Observa-se que o raspador lingual, artigo tão importante na limpeza do dorso lingual, não é encontrado em supermercados e dificilmente é ofertado pelas farmácias de periferias. Talvez a venda desse artigo de higiene seja pouco evidenciada pelo desconhecimento por parte da população, em especial, a de idosos, da sua importância como fator de prevenção para os maus odores bucais que culminam em halitose. Os limpadores bucais geralmente são vendidos em lojas especializadas em artigos odontológicos, que são freqüentadas mais corriqueiramente pelos dentistas, as quais na maioria das vezes, a população desconhece.
Categoria 2 Avisaria sobre a halitose do outro
As falas a seguir expressam se o idoso avisaria sobre a halitose de outra pessoa, pois este pode ser um indicativo sobre a disponibilidade dele para receber a mesma notícia.
“Depende do grau de intimidade”. (Sr.Jesus, 70 anos)
“A gente fica com vergonha né? Mas tem que dizer, avisaria sim”. (Sr. Mario, 80 anos)
“Avisaria assim: Fulano, você tem mau hálito na boca, caça um meio de um tratamento pra você ficar bom”. (Dona Maria, 75 anos)
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Avisar ao portador sobre sua halitose requer capacidade de convencimento e persuasão e certo grau de intimidade (GIDDENS, 1996). Por meio das falas dos entrevistados percebe-se que poucos se arriscam em informar ao portador sobre seu problema, conseqüentemente existe a dificuldade na resolução da halitose, pois o sujeito portador fica sem a informação necessária para procurar recursos que possam ajudá-lo. Por conta disso, muitos constrangimentos acontecem tanto para o portador, como para os que convivem com ele, situação que poderia ser evitada, caso houvesse uma iniciativa mais imediata por parte do familiar ou amigo em comunicar o desprazer do contato com a halitose.
Constitui-se tarefa difícil, o fato da abordagem do outro, na medida em que é dada uma informação a cerca de um comprometimento pessoal de algo mal visto relacionado à má higiene, o que parece provocar um aborrecimento no sujeito (ALDWIN, 1994). A colocação das palavras adequadas de forma que o sujeito não fique constrangido, requer habilidade verbal e fino trato nas relações interpessoais. Necessário se faz, perceber a hora e o local adequados para tal abordagem, evitando-se ambientes coletivos, os quais poderão aumentar o constrangimento.
Embora seja uma situação de constrangimento, a maioria dos idosos entrevistados relata que avisaria ao outro sobre sua halitose. A grande preocupação desses idosos é a maneira pela qual deveriam abordar tal assunto, assim como, a forma pela qual, as pessoas reagiriam ao serem comunicadas a cerca de sua halitose.
Por meio da entrevista percebeu-se que os idosos e as pessoas com as quais eles se relacionam têm uma percepção negativa da halitose, e que talvez não gostariam de ser avisados de que são portadores de halitose.
A Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos odores da boca criou um site: <http://www.abpo.com.br>>>>. Nesse site encontram-se instruções a cerca, da maneira pela qual o indivíduo pode ser informado sobre sua halitose de forma anônima.
Categoria 3 Gostaria de ser avisado sobre sua halitose?
Os idosos entrevistados abaixo responderam se gostariam de ser avisados sobre sua halitose por outras pessoas:
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“Gostaria, ninguém nunca me avisou se tem mau hálito. Aceitaria numa boa, tranquilamente”.(Sr. Jesus, 70 anos)
“Gostaria, porque é bom a gente saber”. (Dona Maria, 75 anos)
“Me falando isso é melhor porque eu vou me cuidar”.(Sr. João, 71 anos)
“Eu tenho um problema, você chegar pra mim e me explicar, eu num vou ficar mal satisfeito com a pessoa, eu fico é agradecido”. (Sr.Mario, 80 anos)
Estes relatos parecem contraditórios em relação à categoria anterior, pois os idosos expressam o grau de dificuldade que há em informar ao outro a cerca de sua halitose. Relatam também, que é uma situação constrangedora, pois via de regra, causa embaraços nas relações e na comunicação Parece que as pessoas, em especial, os idosos sentem sua intimidade invadida e expostos a uma situação vexatória, quando abordados à cerca de sua halitose.
Embora, comumente observa-se a dificuldade que os indivíduos apresentam de informar o outro sobre sua halitose, nesta pesquisa constatou-se, através da fala dos idosos entrevistados, que os mesmos gostariam de ser avisados do seu mau odor bucal.
Por meio das falas dos entrevistados percebeu-se uma contradição, ou seja, se acham que o outro ficaria constrangido, provavelmente também ficariam e na verdade, não gostariam de ser avisados. Pareceu-nos que o discurso não está alinhado com a percepção constrangedora que o idoso tem de informar ao outro sobre sua halitose, ou seja, na verdade talvez, eles não gostariam de ter e saber sobre sua halitose, pois se trata de assunto de foro íntimo, isto porque a intimidade implica estar em contato direto com nossa realidade e com a do outro, sem julgamentos.
Ademais, a intimidade é a expressão de si mesmo e se dá, principalmente, pela manifestação da palavra, expressando sentimentos, anseios, sonhos, preocupações, e não só críticas e julgamentos que bloqueiam o contato humano (GIDDENS, 1996).
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Eixo temático II Percepção do idoso sobre si e sobre sua halitose. Categoria 1 Já foi avisado sobre sua halitose?
As falas a seguir expressam se o idoso já foi avisado sobre sua halitose:
“A esposa já disse, num foi só uma vez só não” (Sr.Mario, 80 anos).
“Não, ninguém nunca disse pra mim. Eu ia achar bom de saber (Dona Maria, 75 anos).
Pareceu-nos que as pessoas, em especial os idosos, sentem sua intimidade invadida e expostos a uma situação vexatória, quando abordados a cerca de sua halitose, isto porque, intimidade implica confiabilidade, isto é, poder acreditar, entregar-se ao outro, sentir que há uma base para ser e seguir sendo o que se é, e o que se vivencia (WINNICOTT,1996).
Por meio das falas acima, percebeu-se, que a parcela de responsabilidade maior de comunicar ao idoso a respeito de sua halitose recai sobre aquele mais próximo, no caso o cônjuge, pelo fato do diálogo mais íntimo e da aproximação mais constante e diária. O profissional da saúde, médico ou dentista, através do exame clínico podem diagnosticar o problema, o que dependerá de uma consulta prévia, exames complementares e abordagem multidisciplinar. Através de propriedades organolépticas como a capacidade olfatória, um familiar mais próximo pode identificar o problema mais prontamente, por experimentar o infortúnio durante vários episódios da convivência. Faz parte da nossa cultura associar os maus odores aos estados de deterioração e putrefação, o que irá chamar à atenção do familiar,tal alteração nos odores bucais.
Percebe-se também, que apesar de todo incômodo que a halitose possa causar no ambiente familiar, alguns idosos não são avisados a cerca do problema, talvez com receio de que o idoso possa se sentir desvalorizado e perca o seu papel ou identidade dentro do contexto familiar. Perpetua-se então um incômodo dentro da família com atitudes de não intervenção, recrudescendo atitudes de rejeição e isolamento social, os quais comprometem de maneira importante a qualidade de vida do idoso (LAWTON, 1983).
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Parece que os próprios profissionais da odontologia sentem-se constrangidos em informar ao portador sobre sua halitose. Este assunto parece não ser muito discutido no meio acadêmico de graduação, então as Instituições de Ensino Superior de odontologia deveriam dar maior ênfase ao assunto e aos seus comprometimentos sociais e nos prejuízos à qualidade de vida dos idosos. Talvez, os odontólogos entendam ser temerário informar ao paciente sobre sua halitose, devido ao comprometimento sócio-afetivo, no entanto, a halitose é um diagnóstico, como outros tantos que precisam ser identificados e debelados.
Categoria 2 Sintomas da halitose percebidos pelo idoso
Na entrevista, os idosos comentaram a cerca dos sintomas da halitose que conhecem e percebem com as falas a seguir:
“Sinto gosto ruim na boca, boca amarga” (Dona Maria, 75 anos).
“É como se tivesse uma coisa podre dentro da boca. Uma fruta podre” (Sr. João, 71 anos).
“Eu mesmo já senti bafo na boca dos outros e não é bom, de jeito nenhum” (Sr. Mario, 80 anos).
“A pessoa tá dormindo uma noite toda com a boca suja, baba, acontece babar, tossir; aquilo ali quando é de manhã cedo, tá uma privada” (Sr. Mario, 80 anos).
“A pessoa que é são, de manhã tá aquele bafozinho” (Sr. Mario, 80 anos).
Por meio dos depoimentos supracitados, evidencia-se o desconforto desencadeado pela sintomatologia da halitose. O mau odor bucal é o sintoma mais evidente, por vezes insuportável para aqueles que experimentaram a convivência com um idoso portador de halitose.
Alguns idosos experimentam boca amarga que pode estar associada a distúrbios locais ou sistêmicos. A negligência com a higienização bucal poderá propiciar a putrefação de restos alimentares com formação de compostos orgânicos
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voláteis como indol, escatol, putrescina e cadaverina, que alterarão a qualidade do odor bucal, porém com menos intensidade que os compostos sulforados voláteis (Sulfidretos, dimetilssulfetos e metilmercaptanas).
Por meio das falas, os idosos entrevistados mostram que percebem sua halitose, o que contraria a literatura, onde segundo Tárzia (1996), o tempo mínimo de atuação para que uma substância seja percebida pelo ser humano é de aproximadamente 18 segundos. Relata ainda, que após cerca de 1 minuto em um ambiente com odor perceptível, o olfato adapta-se por tolerância, passando a não mais registrar a presença do odor predominante, não perdendo, porém, a capacidade de registrar a presença de novos odores que possam surgir nesse mesmo ambiente. É por essa capacidade adaptativa que o indivíduo portador de mau hálito passa a não percebê-lo com o passar do tempo. É freqüente o indivíduo não perceber seu próprio hálito, ou até mesmo seu cheiro corporal. Este fenômeno é denominado fadiga olfatória (TÁRZIA, 1996).
Deve-se verificar a qualidade nutricional da última refeição, pois alguns idosos que não têm orientação quanto à educação alimentar, têm hábito de fazer refeições noturnas bastante calóricas, o que pode aumentar a possibilidade de regurgitação noturna, dando o sintoma de gosto amargo devido ao refluxo alimentar. Os idosos precisam ser alertados quanto à necessidade de educação alimentar para melhora de sua qualidade de vida geral e prevenção da halitose, juntamente com o aumento da ingestão de líquidos e diminuição dos espaços de jejum.
Tárzia (2003) afirma que o hálito desagradável ao acordar se deve à hipoglicemia por causa do longo período sem alimentação. Portanto, a halitose matinal, em especial, entre os idosos é fisiológica e não requer tratamento, se após a higienização bucal, houver o seu desaparecimento. Na halitose fisiológica, o mau odor é causado pelos processos de putrefação da cavidade oral, não estando associado a nenhuma patologia.
Esta categoria também contradiz a anterior, pois mostra que os idosos percebem o mau cheiro em suas bocas. Então, por que não o assumem? Por que é difícil falar neste assunto? Ou só é possível admiti-lo se for considerado como um problema de saúde, e não relacionado à má higienização bucal? Ou seja, se meu corpo não está bem, está doente, e não é tanto responsabilidade minha. No entanto, não é bem assim, pois no nosso país temos todos os problemas de falta de recursos
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e educação, que levam a não conscientização para a higiene, em especial, a higiene oral dos idosos.
Por meio das falas, percebe-se que os idosos identificam os sintomas da halitose em si, pois segundo a literatura são inúmeros os compostos de baixo peso molecular lipossolúveis, que se dispersam no ar e têm a capacidade de sensibilizar o epitélio olfatório, por apresentarem odor ofensivo ao olfato humano (TÁRZIA, 2003). No entanto, a autopercepção da halitose referida por meio das falas, contradiz a literatura a qual aborda aspectos da fadiga olfatória, que consistem numa acomodação, em que o sistema olfatório adapta-se por tolerância, não reconhecendo mais o odor desagradável da halitose.
EIXO TEMÁTICO III Percepção que o idoso tem do outro sobre sua halitose.
Categoria1 Interferência da halitose na relação social
As falas abaixo referenciam a interferência da halitose percebida pelo idoso na qualidade da sua relação social:
“Eu tenho assim, um certo receio de falar diretamente, em cima das pessoas. Eu tenho esse trauma, eu tenho esse complexo comigo” (Sr.Jesus, 70 anos).
“Uma coisa que fica assim meio retraído né, quando se encontra com outra pessoa” (Sr. Jesus, 70 anos).
“Eu mesmo, por exemplo, eu mesmo, eu me acho acanhado de conversar muito em cima de uma pessoa, porque eu sei que vai pressentir né. Eu sei que tenho isso” (Sr. Mário, 80 anos).
“A pessoa que tem esse problema não pode nem abrir a boca pra conversar junto de uma pessoa” (Sr. Mário, 80 anos.)
“Às vezes nós tão conversando um assunto baixo né, noutro nível, aí ela pressente. A gente fica com vergonha né, morde os dentes pra não abrir a boca” (Sr.Mário, 80 anos).
“A gente fica mordendo a boca pra num saltar palavra alta” (Sr. Mario, 80 anos).
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“O sujeito num pode estar no meio da sociedade pra conversar com uma pessoa de alto gabarito, por exemplo, que nem um médico, que vai consultar a gente, nós tão de lá e ele tá de cá, a gente vai conversar, ele sente aquilo” (Sr. Mário, 80 anos).
As falas revelam que a halitose compromete as relações sociais de amizade, convívio com os colegas de trabalho, vivência familiar e conjugal dos idosos entrevistados. O comprometimento se dá pelas situações de constrangimento e desconforto no enfrentamento do problema.
O mau hálito se mostrou como um fator de restrição social, em especial, para o idoso, porque compromete suas relações sociais, que já são bastante restritas em função da própria fase da vida, comprometendo sua qualidade de vida.
No idoso, a dificuldade de criar novos vínculos é grande devido a preconceitos, censuras e diferenças sociais, o que compromete a teia relacional (HILLMAN, 2001).
Por se tratar de um assunto, que ainda é tabu na sociedade, indivíduos idosos perpetuam sua halitose pagando um preço inestimável nas suas relações, pelo excessivo cuidado por parte daqueles do seu convívio, de não submetê-los ao