QUATRO HORAS DA PRESSÃO ARTERIAL EM UMA SESSÃO AGUDA DE EXERCÍCIO COMBINADO EM ATLETAS DE JIU-JITSU.
6.1 MATERIAIS E MÉTODOS 6.1.1 Amostra
Após a aprovação pelo Comitê de Ética da Universidade Católica de Brasília (protocolo 126/10), nove indivíduos saudáveis do sexo masculino, classificados como fisicamente ativos (22,0±3,7 anos; 73,3±9,7kg, 176,0±5,0 cm, 6,8±2,1% gordura corporal) assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e voluntariaram-se a participar do estudo. Todos os indivíduos eram atletas de jiu-jitsu, treinavam com frequência de três a cinco vezes por semana, com os mesmos horários, dias e duração do treino, sendo todos atletas com resultados competitivos de nível Centro-Oeste do Brasil a Pan-Americano (Tabela 1).
6.1.2 Procedimentos Gerais
Os critérios de exclusão foram os seguintes: anormalidade no eletrocardiograma de repouso (avaliado no laboratório por um médico cardiologista); lesões osteo-mio- articular, doenças cardiometabólicas e/ou; PA sistólica de repouso superior a 140mmHg e/ou PA diastólica superior a 90mmHg). Cada voluntário realizou um total de sete visitas realizadas no laboratório de fisiologia e treinamento (LAFIT) e laboratório de estudos da força (LABEF) da Universidade Católica de Brasília. Estas visitas foram realizadas em dias distintos, separados por pelo menos 48 horas, conforme segue: 1ª Visita: avaliação antropométrica (peso, estatura, protocolo de 7 dobras) (JACKSON; POLLOCK, 1978) e familiarização nos equipamentos de força e nos testes de 12 repetições máximas (12RM’s); 2ª visita: avaliação da aptidão aeróbia; 3ª visita: teste de 12RM’s; 4ª, 5ª, 6ª e 7ª visitas: sessões experimentais com a realização do exercício combinado e controle pela manhã e pela tarde. Nas 24h previas às sessões experimentais os voluntários foram instruídos a não realizar EF, bem como, a manterem seus hábitos alimentares diários.
6.1.3 Avaliação da Aptidão Aeróbia
Teste máximo de desempenho na corrida de 1600 metros foi realizado numa pista de atletismo de 400 metros para determinação indireta do limiar anaeróbio (LA) e
pelo consumo máximo de oxigênio (VO2máx). Após cálculo da velocidade média (Vm) dos 400m, o VO2máx e o LA foi estimado segundo equações de Almeida et al., (2010) e Sotero et al., (2009) respectivamente. As equações de predição utilizadas foram:
• Equação de predição do VO2max (ALMEIDA et al., 2010) VO2max (mL.kg–1.min–1) = [0,177 * 1.600Vm (m.min–1)] + 8,101
• Equação de predição do lactado mínimo para determinação do LA (SOTERO et al, 2009)
LMind (m/min) = (0,7507 * 1600Vm) + 21,575 6.1.4 Avaliação da Força (12 RM)
Previamente ao teste de força (12 RM), os voluntários realizaram uma familiarização em todos os equipamentos utilizados no estudo. Após um intervalo de no mínimo 48h, o teste de 12 RM foi realizado nos seguintes equipamentos e sequência: Leg press, Supino sentado, Cadeira extensora, Puxador pela frente, Cadeira flexora e Remada na máquina. Cada voluntário teve até quatro tentativas, com intervalo entre 3-5 minutos, para atingir a carga máxima nas 12 RM em cada aparelho.
6.1.5 Exercício aeróbio (EA)
Durante a realização das sessões experimentais o EA foi executado em esteira ergométrica (Movement®, São Paulo, Brasil), com intensidade constante correspondente a 90% do LA e duração de 15 minutos.
6.1.6 Exercício Resistido (ER)
Durante a realização das sessões experimentais o ER foi executado na forma de circuito, alternando-se os segmentos musculares e na intensidade de 90% de 12 RM. Os participantes realizaram 3 voltas no circuito com 6 exercícios na seguinte ordem Leg
press, Supino sentado, Cadeira extensora, Puxador pela frente, Cadeira flexora e
Remada na máquina (Righetto, Powertec, São Paulo, Brasil). Cada série de ER foi realizada com 12 repetições. Cada repetição teve um ciclo de movimento de aproximadamente 2 segundos (fase excêntrica e concêntrica). A sessão de ER teve duração de 15 minutos.
6.1.7 Protocolos Experimentais
Todas as sessões experimentais foram realizadas em laboratório com temperatura ambiente (18 à 22°C) e umidade relativa do ar entre 50 e 70% (GUIMARÃES et al, 2003). Foram submetidos a quatro sessões experimentais, sendo duas sessões controle (CO) e duas de exercício combinado (EC): as sessões de EC e CO foram realizadas igualmente, sendo uma pela manhã, com inicio às 09:00h e término 10:45h e uma pelo período da tarde, tendo inicio e fim as 15:00h e 16:45h, respectivamente.
6.1.8 Sessão de Exercício Combinado (EC)
As sessões de EC foi composta por exercício resistido e aeróbio, e foram realizadas em uma mesma sequência de exercícios e duração, tendo sido o exercício resistido (ER) realizado primeiramente e em seguida o exercício aeróbio (EA). Essa sessão foi realizada em dois dias diferentes e com intervalo entre 48 e 72h, sendo o EC realizado em ordem randomizada em um dia pela manhã – exercício resistido e aeróbio pela manhã (RAM) e em outro dia à tarde (RAT).
6.1.9 Sessão Controle
Os mesmos procedimentos utilizados nas sessões de exercício foram empregados nas sessões controle (CO), porém os voluntários permaneceram sentados sem realização de exercício físico tanto na sessão da manhã (COM) quanto na sessão da tarde (COT) Somente a sessão CO realizada no período da tarde teve uma análise de 24 horas com o MAPA.
6.1.10 Mensuração da Pressão Arterial (PA)
A PA foi mensurada antes, durante e após as sessões de EC e CO. As medidas de repouso de PA foram realizadas com o voluntário na posição sentada, sendo avaliado aos 5, 10 e 15 minutos. A média das três medidas foi considerada como o valor de repouso. A PA durante as sessões de EC e CO foi mensurada ao final de cada tipo de exercício (EA e ER). Após o término de cada sessão de EC e CO, foram obtidos os valores de PA laboratorial a cada 15 minutos, na posição sentada, durante um período de 60 minutos de recuperação pós-sessão. Para as medidas laboratoriais de PA foi utilizado um equipamento digital da marca Microlife® mod. BP3A1C.
Após os 60 minutos de medidas laboratoriais da PA nas diferentes sessões experimentais, os voluntários foram orientados a realizar higiene pessoal, com banho, durante 20 minutos. Posteriormente procedeu-se a colocação do monitor para MAPA (Dyna-MAPA®), seguindo recomendações do fabricante. O equipamento foi programado para realizar medidas de PA durante as 23h subsequentes, a fim de totalizar às 24h de medidas. A PA sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM) foram mensuradas a cada 15 minutos durante o dia (vigília = 15h) e a cada 30 minutos durante a noite (sono = 9h). O exame da MAPA foi considerado quando as medidas válidas durante as 23h fossem 90% do total de medidas realizadas.
6.1.11 Mensuração da frequência cardíaca e percepção de esforço
Durante o EA, a percepção subjetiva de esforço (PSE) foi avaliada através da escala de Borg de 15 pontos [6 a 20] (BORG, 2000). Para a mensuração da PSE durante o ER foi utilizada a escala de OMNI-RES [0 a 10] (RODRIGUES et al., 2010; DELPENHO, 2009). Além disso, durante as sessões, registros da frequência cardíaca (FC) também foram realizados (Polar, Rs800cx, Finlândia).
6.1.12 Tratamento Estatístico
Estatística descritiva com valores de média e desvio padrão foi realizada. A normalidade dos dados foi testada por meio do Shapiro-Wilk test. Além disso, a esfericidade dos dados foi verificada por meio do teste de Mauchly ou épsilon de Greenhouse-Geisser quando necessário para analisar a estatística F. Para comparação da percepção subjetiva de esforço (PSE), número de repetições, velocidade de corrida e frequência cardíaca (FC) no EA entre os diferentes protocolos experimentais (RAM e RAT) foi utilizado o teste t de student pareado. A área abaixo da curva foi adotada para cálculos matemáticos das variáveis pressóricas. ANOVA para medidas repetidas (comparação intra e entre sessões), com o Post-hoc de Bonferroni foi realizada para as medidas de pressão arterial. O nível de significância do estudo foi P 0,05 e o software utilizado foi o SPSS versão 20.
6.2 RESULTADOS
As características físicas dos sujeitos estão apresentadas na tabela 1.
Tabela 1. Caracterização da amostra.
Idade (anos) 22 ± 3,7 Massa corporal (kg) 73,4 ± 9,7 Estatura (cm) 178 ± 0,1 IMC (kg.m²(-1)) 23 ± 1,5 Percentual de gordura (%) 6,8 ± 2,1 VO2máx (mL.kg-1.min-1) 50,4 ± 4 Limiar Anaeróbio (km.h-1) 12,4 ± 1,3 Velocidade média 14,9 ± 1,99
IMC - Índice de massa corporal; VO2max – Consumo máximo oxigênio indireto.
Fonte: Mazzoccante, 2014.
Os resultados de variáveis associadas à intensidade das sessões experimentais (FC, PSE, velocidade de corrida no EA e número de repetições no ER) e os valores de PA imediatamente após o ER e EA estão apresentados na tabela 2. Não foram evidenciadas diferenças significativas (p>0,05) entre os protocolos experimentais (RAM e RAT) para nenhuma das variáveis investigadas (PAS, PAD e PAM), por outro lado, quando comparado às sessões controle (COM e COT), os valores de PAS e pressão arterial média (PAM) das sessões experimentais se mostraram estatisticamente distintos (p<0,05) no momento (Pós ER) em relação às sessões controle. A pressão arterial diastólica (PAD) somente apresentou uma diferença significativa entre a sessão RAT no momento Pós ER e ambas as sessões controle (p>0,05) (Tabela 2).
Tabela 2. Percepção subjetiva de esforço (PSE), frequência cardíaca (FC), velocidade em km.h-1, número de repetições, pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM) durante os diferentes exercícios (EA e ER) e ordens de aplicação das sessões experimentais (n=9).
Protocolos/variáveis RAM RAT COM COT
EA PSE (Borg) 12,9 ± 2,8 14 ± 2,5 --- --- FC (bpm) 180,1 ± 16,4 179,3 ±9,1 --- --- Velocidade (km.h-1) 11 ± 1,3 11,1 ± 1,6 --- --- ER PSE (Omni) 5,5 ± 2 6.4 ± 1,5 --- --- Repetição 12 ±0 11,9 ± 0,3 --- --- PAS Pós ER 142,9 ± 12,4** 153 ± 12** 115 ± 3 119 ± 8 Pós EA 142,1 ± 17,5¥ 149 ± 23 118 ± 5 116 ± 9 PAD Pós ER 80,9 ± 9,3¥ 80,9 ± 7,9* 68,8 ± 5,7 67,9 ± 6,2 Pós EA 77,4 ± 6,8 76,2 ± 19,6 72,2 ± 8,2 68,9 ± 7,5 PAM Pós ER 100,6 ± 9,8* 104,8 ± 8,6** 84,3 ± 4,4 87,3 ± 9,6 Pós EA 96,9 ± 5,9* 100,5 ± 18,9¥ 87,6 ± 6,6 84,5 ± 7,2
PAS- pressão arterial sistólica; PAD- pressão arterial diastólica; PAM- pressão arterial média; Pós ER: imediatamente após o exercício resistido; Pós EA: imediatamente após o exercício aeróbio; RAM: sessão de exercício resistido e aeróbio realizados pela manhã; RAT: sessão de exercício resistido e aeróbio realizados à tarde; COM: sessão controle realizada pela manhã; COT: sessão controle realizada pela tarde; PSE – percepção subjetiva de esforço; FC- frequência cardíaca; *p<0,05 em relação aos mesmos
momentos das sessões COM e COT; ** p<0,001 em relação às sessões COM e COT; ¥ p<0,05 em relação à sessão COT.
Fonte: Mazzoccante, 2014.
Ao se analisar a área abaixo da curva (AAC) observou-se que os valores de PA observados nas sessões controle realizadas no período da manhã e da tarde (COM e COT) não diferiram significativamente no repouso e nem durante o período de recuperação (R15 – R60) (tabela 3).
Tabela 3. Valores médios (±) desvio padrão da pressão arterial e da área total abaixo da curva durante o repouso e durante os períodos de recuperação das sessões controle realizadas pela manhã e pela tarde (n=9).
Protocolos
PAS PAD PAM
COM COT COM COT COM COT
REP 117.4 ± 3.1 115.4 ± 8.8 69.5 ± 4.4 68.9 ± 7.9 85.4 ± 3.4 84.5 ± 8.1 R15 116.3 ± 8.0 113.6 ± 8.4 69.4 ± 6.7 71.1 ± 11.1 85,0 ± 5.6 85.3 ± 9.2 R30 117.0 ± 5.5 111.9 ± 7.7 71,0 ± 6.2 68.8 ± 8.1 86.3 ± 4.7 83.1 ± 7.4 R45 118.9 ± 3.8 114.7 ± 9.7 68.9 ± 5.8 66,2 ± 6.8 85.6 ± 3.8 82.4 ± 7.6 R60 117.4 ± 5.2 113.2 ± 5.4 71.9 ± 5.4 70.7 ± 8.7 87,0 ± 5,0 84.9 ± 6.8 ATAC 7184.9 ± 204.9 6962.5 ± 443.6 4329.4 ± 334.8 4325.7 ± 472.2 5247.9 ± 264.9 5161.5 ± 407.5 PAS- pressão arterial sistólica; PAD- pressão arterial diastólica; PAM- pressão arterial média; COM -
sessão controle realizada pela manhã; COT - sessão controle realizada à tarde; ATAC - Área total abaixo da curva.
Fonte: Mazzoccante, 2014
Ao observamos os valores de PAS, PAD e PAM no período de 24h (Sono, Vigília e total de 24h), os resultados demonstraram diferença apenas na sessão RAM em relação ao CO no período de vigília (p<0.05), as demais análises não apresentaram diferença significativa (tabela 4).
Tabela 4. Valores médios (±) desvio padrão da pressão arterial pré exercício durante as 24 horas e durante a vigília e o sono (n=9).
PA Momentos RAM RAT CO
PAS Pré-exercício 117.2 ± 7.6 118.2 ± 6.9 116.9 ± 6.3 24 horas 108.6 ± 5.1# 109.1 ± 3.5# 112.0 ± 5.6 Vigília 110.4 ± 5.3*† 111.1 ± 4.7# 115.0 ± 6.7 Sono 105.1 ± 6.4 107.1 ± 2.6 106.1 ± 4.4 PAD Pré-exercício 69.4 ± 6.6 67.7 ± 5 70.6 ± 3.7
24 horas 62.3 ± 4.4 60.9 ± 4.3# 64.4 ± 6.1 Vigília 64.7 ± 4.9 62.8 ± 5.1# 66.3 ± 6.8 Sono 57.7 ± 4# 57.1 ± 4.0† 60.5 ± 5.3 PAM Pré-exercício 83.8 ± 6.8 82.1 ± 5.5 84,4 ± 10.5 24 horas 81.2 ± 4.8# 81.5 ± 4.1 83.6 ± 6.0 Vigília 83.1 ± 4.9 82.8 ± 5.2 86.2 ± 7.6 Sono 77.2 ± 5.3 79.1 ± 2.3 78.3 ± 4.8
PAS- pressão arterial sistólica; PAD- pressão arterial diastólica; PAM- pressão arterial média; RAM - sessão de exercício resistido e aeróbio realizada pela manhã; RAT – sessão de exercício resistido e aeróbio realizada pela tarde; CO -: sessão controle; * p<0,05 em relação à sessão CO no mesmo momento. Diferença na magnitude do tamanho do efeito em relação a sessão CO (#: Cohen’s d = -0.49 to 0.66 and †: -0.82 to 0.88).
Fonte: Mazzoccante, 2014.
Ao analisar os valores da AAC da PAS, verificou-se reduções significativas no período de vigília e total de 24h após sessão RAM (p<0,05) em relação à sessão CO. Já na sessão RAT a redução significativa da AAC da PAS em relação ao CO (p<0,047) ocorreu no período do sono (tabela 5).
Com relação à PAD, a sessão de exercício resistido e aeróbio realizada à tarde (RAT) induziu menor AAC (p<0,001) durante o sono quando comparado tanto à sessão
CO quanto RAM.
Já a sessão RAM resultou em significativa redução da AAC (p<0,05) da PAM durante as 24h de mensuração quando comparada à sessão CO.
Enquanto que a sessão realizada à tarde (RAT) resultou em redução significativa da AAC (p<0,001) da PAM durante o período do sono quando comparado tanto à sessão CO quanto à sessão RAM (tabela 5).
Tabela 5. Área abaixo da curva da monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) no total das 24h, durante a vigília e durante o sono após a realização do exercício combinado pela manhã e pela tarde (n=9).
PA / Sessões Total de 24 horas Total vigília Total sono
PAS RAM 2695,8 ± 143,3* 1756,2 ± 100,8* 939,6 ± 60,7 RAT 2723,7 ± 99 1840,1 ± 81,7 883,6 ± 27* CO 2784,1 ± 143,2 1818,2 ± 84,35 965,2 ± 67,9 PAD RAM 1565,0 ± 107,7 1012,2 ± 77,4 552,9 ± 34,2 RAT 1529,7 ± 96,8 1048,3 ± 72,6 481,4 ± 30,9# CO 1617,5 ± 146,7 1055,4 ± 103,8 562,1 ± 52,3
PAM
RAM 2015,7 ± 121,2* 1307,0 ± 86,3 708,7 ± 43,1
RAT 2022,7 ± 98,1 1370,8 ± 79,6 651,9 ± 22,4**#
CO 2087,3 ± 153,8 1360,3 ± 94,9 726,9 ± 64,7
PAS - pressão arterial sistólica; PAD - pressão arterial diastólica; PAM - pressão arterial média; RAM - sessão resistido e aeróbio realizada pela manhã; RAT - sessão resistido e aeróbio realizada pela tarde; CO - sessão controle. * p<0,05 em relação à sessão CO; ** p<0,01 em relação à sessão CO; # p<0,001 RAT vs CO e RAM. Fonte: Mazzoccante, 2014. 95 100 105 110 115 120 08-09 10-11 12-13 14-15 16-17 18-19 20-21 22-23 00-01 02-03 04-05 06-07 P A S ( m m H g ) † ¥ * # ** ¥ ¥ 50 54 58 62 66 70 08-09 10-11 12-13 14-15 16-17 18-19 20-21 22-23 00-01 02-03 04-05 06-07 P A D ( m m H g ) † ** * ¥ ¥ 70 73 76 79 82 85 88 08-09 10-11 12-13 14-15 16-17 18-19 20-21 22-23 00-01 02-03 04-05 06-07 P A M ( m m H g ) RA tarde RA manha CO † ¥
Figura 1. Valores da monitorização ambulatorial de 24 horas da pressão arterial sistólica (PAS), pressão arterial diastólica (PAD) e pressão arterial média (PAM) durante as 24h após a sessão RAM - sessão de exercício resistido e aeróbio realizada pela manhã; RAT - sessão de exercício resistido e aeróbio realizado pela tarde; CO - sessão controle. RAM vs CO (); * p<0.043em relação ao repouso da mesma sessão RAT; ** p<0.006 em relação ao repouso da mesma sessão RAT; ¥ p< 0.045 em relação ao repouso da mesma sessão RAM.
Fonte: Mazzoccante, 2014.
A figura 1 apresenta os valores de PA durante todo o período de 24h em todas as sessões experimentais e controle. Os valores da PAS após o exercício apresentaram- se significativamente inferiores ao repouso as 10 e 11h (p<0.01) e às 16h e 17h (p<0,001) nas sessões RAT e RAM respectivamente.
A sessão RAT resultou em valor de PAS significativamente inferior à sessão CO no período entre 10 e 11h (p<0,01).
Já a sessão RAM resultou em valores de PAS, PAD e PAM significativamente inferiores à sessão CO no período entre 16 e 17h (p<0,05).
A HPE de PAS foi observada ocorrer entre 10 e 11h (p <0,03) e entre 6 e 7h (p <0,06) na sessão RAT.
Já na sessão RAM a HPE de PAS foi observada ocorrer em mais momentos durante o período de 24h tais como: entre 16 e 17h (p<0,045); 2 e 3h (p<0,028); 6 e 7h (p<0,041).
HPE de PAD na sessão RAM foi observada no período de sono entre 2 e 3h (p <0,001) e 6 e 7h (p <0,043). Já na sessão RAT, a HPE de PAD foi observada ocorrer entre 4 e 5h (p <0,001) e 6 e 7h (p <0,043).
HPE de PAM somente foi observada após sessão RAM entre 2 e 3h (p <0,019) (Figura 1).
6.3 DISCUSSÃO
Os principais achados do estudo 2 revelam que o período do dia (manhã ou tarde) de realização de exercício combinado resultou em diferentes respostas da PA durante 24h em jovens adultos lutadores de Jiu-Jitsu. A sessão de exercício resistido e aeróbio realizada pela manhã (RAM) promoveu maior efeito redutor da PA nos momentos de vigília e total de 24h, enquanto que a sessão realizada no período da tarde (RAT) promoveu maior efeito redutor da PA durante o período do sono. Esses resultados revelam importante aplicação prática para os profissionais da área de prescrição de exercício físico, em função das necessidades de controle da PA de jovens adultos com o perfil da amostra do estudo. Porém, este assunto necessita ser melhor investigado em outras populações.
A sessão RAT contribuiu para uma menor sobrecarga pressórica (PAS, PAD e PAM) durante o período do sono quando comparada à sessão CO, e menor PAD e PAM quando comparada à sessão RAM, indicando um maior descenso noturno de PA promovido pela sessão de exercício combinado realizado à tarde. Esse fato possui uma importante aplicação clínica na sobrevida cardiovascular de um indivíduo por resultar em uma menor reatividade da PA ao despertar e, consequentemente, uma maior proteção contra lesões de órgãos alvo. Esse quadro pode contribuir com um menor risco de acidente vascular cerebral, isquemia, infarto do miocárdio e taquicardia ventricular
no período da manhã (GARDNER; SCHENEIDER, 2001), uma vez que esses fatores de risco apresentam maior propensão de ocorrência (12,7%) neste período do dia (JONES et al., 2008; STERGIOU et al., 2002; PASCHOS; FITZGERALD, 2010). Porém isso precisa ser melhor investigado em populações de risco.
Já a sessão realizada pela manhã (RAM) resultou em reduções significativas da PAS no período de vigília e total de 24h, bem como na PAM no período de 15h de vigília. Esses resultados também possuem relevância clínica demonstrando que a realização do exercício combinado pela manhã contribuiu para uma maior proteção cardiovascular do indivíduo durante sua rotina diária com suas inerentes demandas relacionadas ao estresse (REILLY et al., 2007), porém estes resultados precisam ser melhor investigados em avaliação clínica.
O Jiu-Jitsu caracteriza-se como um esporte de intenso contato, tendo como o principal objetivo o domínio do oponente por meio de técnicas de projeções, imobilizações, chaves, torções e estrangulamentos. As aplicações destas técnicas podem gerar um aumento abrupto da PA, como o que ocorre nos estrangulamentos citado por Scarpi et al., (2009). Estes autores observaram um aumento médio de 10 mmHg na pressão intra ocular em jovens atletas de jiu-jitsu devido a constrição do pescoço por uma asfixia mecânica durante a aplicação da técnica de estrangulamento.
Durante a prática desse esporte de luta há uma grande exigência de força isométrica durante a execução de algumas técnicas. Segundo Teixeira et al, (2012) durante uma contração isométrica há uma elevação pressórica devido a oclusão vascular local.
A importância de se estudar as respostas da PA em resposta a diferentes treinamentos realizados em diferentes períodos do dia não só para atletas desta modalidade como para outros grupos populacionais, contribui para maiores esclarecimentos sobre o potencial protetor cardiovascular do exercício físico combinado de acordo com o período do dia de sua realização.
A redução da PAS e PAD durante o período de vigília e durante 24h na sessão controle foi de 1-5 mmHg, enquanto que após o exercício combinado realizado tanto pela manhã quanto pela tarde uma redução de 5-12 mmHg foi observada. Esse valor de redução da PA após exercício combinado, mesmo que pequeno, possui importante contribuição clinica na proteção cardiovascular do indivíduo uma vez que reduções maiores ou iguais a 2 mmHg, em médio e longo prazo, pode significar uma redução de
6% no risco de acidente vascular cerebral e 4% no risco de desenvolvimento de doença cardíaca crônica segundo Whelton et al., (2002).
Porém, o exercício combinado realizado pela manhã promoveu estas reduções mais durante a rotina diária dos voluntários, enquanto que o realizado a tarde as promoveu durante o sono, permitindo inferir que o fracionamento da realização do exercício combinado entre manhã e tarde podem trazer benefícios adicionais ao sistema cardiovascular do indivíduo, porém estes aspectos precisam ser melhor investigados em futuros estudos.
Alguns estudos reportaram maior HPE quando o exercício aeróbio foi realizado pela tarde, porem o registro da PA apos o exercicio ocorreu por pouco tempo. Jones et al., (2008), ao investigarem 12 adultos jovens ativos, observaram que uma sessão de exercício aeróbio em cicloergômetro durante 20 minutos (70% VO2pico) realizada no período da tarde (15 às 16h), promoveu reduções pressóricas significativas da PAS (-17 mmHg), PAD (-15 mmHg) e PAM (-12 mmHg), comparada à sessão realizada no período da manhã (8 as 9h) para PAS (-7 mmHg), PAD e PAM (+8 e +5 mmHg) respectivamente, valores observados somente aos 20 minutos após o exercício.
Jones et al., (2009), em outro estudo, avaliaram doze adultos fisicamente ativos submetidos a duas sessões de exercício em cicloergometro durante 30 minutos na posição semi supina (70% do VO2pico ) realizadas no periodo da manhã (8h) e da tarde (15h). Os autores observaram valores significativamente menores de PA aos 20 minutos de recuperação pós exercício, quando comparados aos valores de repouso no periodo da tarde, para PAS (-9 mmHg), PAD (-6 mmHg) e PAM (-7 mmHg) em relação ao periodo da manhã, que somente promoveu redução da PAD em 2 mmHg tambem aos 20 minutos após a realização do exercício.
Jones et al., (2010) verificaram o efeito do exercício aeróbio intervalado em cicloergometro (70% VO2pico) realizado com três series de 10 minutos de exercício e 10 minutos de descanso entre cada exercício, pela manhã (8h) e tarde (15h) em 10 adultos fisicamente ativos. O exercício realizado a tarde promoveu valores absolutos significativamente melhores de área abaixo da curva após o exercício (média de 20 minutos), quando comparado ao exercício realizado no período da manhã, apesar de ambos promoverem HPE na PAS. No presente estudo ambos os periodos de realização do EC resultaram em reduções da PA, contudo ocorrendo em momentos diferentes do dia.
Ao observarmos os estudos acima (Jones et al., 2008; Jones et al., 2009; Jones et al., 2010), melhor resposta de queda da PA ocorreu apos exercício realizado no periodo da tarde em relação a manha, porem o momento de mensuracao da PA ocorreu somente aos 20 minutos de recuperacao apos o exercicio, impossibilitanto assim comparacoes com os resultados do presente estudo.
Nessa mesma linha, Park, Jastremski e Wallace (2005), investigaram os efeitos de 3 séries de 10 minutos de caminhada em esteira ergométrica (50% do VO2max; P-3