Validitet og reliabilitet
3.1.10 Hvordan jeg gikk frem
O ambiente esportivo desenvolve atividades físicas codificadas, sendo um produto cultural moldado por um amplo universo de atores sociais – atletas, dirigentes, patrocinadores, torcedores. A dor neste ambiente assumirá significados próprios e particulares.
Uma importante distinção da dor no esporte se dá entre a “dor jogável” e “dor não jogável”. Esta distinção não é óbvia e imediata, como pode parecer. Antes de qualquer ação ou comportamento do ator, há um estágio de exame e deliberação, que, na perspectiva interacionista, é conhecido como “definição de situação”.
Mais do que uma manifestação dos próprios sentimentos, é um modo de manifestá-los aos outros, pois assim é preciso fazer. Manifesta-se a si, exprimindo aos outros, por conta dos outros. É essencialmente uma ação simbólica. (MAUSS, 1973, p. 153).
No esporte, a compreensão do significado da dor está intimamente relacionada à visão de mundo que cada atleta traz consigo. Compreender este aspecto subjetivo não é um processo simples, pois cada experiência é singular e particularmente interpretada. Os atletas agem frente à dor fundamentados na interpretação que fazem do seu mundo particular no esporte.
Erving Goffman (2009) fundamenta a importância da observação da “definição de situação” para a manutenção da coerência durante a interação social. Nas interações, os atores normalmente atuam de forma que sobrepõem a si e encorajam os outros (público), por diversos meios a aceitar tal definição.
A gente espera isso de todo mundo. Espera de uma equipe que o seu jogador se proponha a fazer isso, superar. (ATLETA 2).
Quando a definição aceita da situação é desacreditada, os atores podem dissimular que nada aconteceu, caso acreditem que isso seja o mais interessante.
É compreensível que o atleta de alto rendimento conviverá com a dor em sua rotina de treinamentos e competições, procurando constantemente superá-la. Porém, o que o torna capaz de ir além deste desconforto e competir em prol do melhor resultado é a sua capacidade de discernir em qual situação isto será realmente importante para ele ou para a equipe.
Eu gritava de dor, mas eu queria estar lá na quadra. Eu estava sentido muita dor, mas eu queria ganhar, eu queria estar ali com o time e eu estava jogando bem. (ATLETA 1).
Suportamos isso para continuar trabalhando, ganhando dinheiro, porque você não sabe fazer outra coisa. (ATLETA 2).
Já joguei com dor e inchaço no tornozelo devido a uma entorse. Eu tinha condições psicológicas para jogar. (ATLETA 10).
Os atletas entrevistados definem “dor jogável” como aquela que não atrapalha e/ou impede a especificidade do movimento no esporte: arremesso, chute ou pedalada, por exemplo.
Dor jogável é aquela dor suportável, tem um joelho latejando, mas vai. Uma torção de tornozelo, você faz ali uma bota de esparadrapo e vai! Dores jogáveis são dores que te possibilitam um movimento. (ATLETA 1).
Se você está com uma dor e consegue fazer o negócio, está doendo mas consegue correr, dor no ombro, mas você consegue arremessar, dor no pulso, mas você consegue quebrar o pulso para bola girar, você vai jogar, não tem um atleta que não jogue. (ATLETA 1).
Sabemos também que, em muitas oportunidades, estas dores irão comprometer em menor ou maior proporção as performances nas partidas.
Primeira coisa é tentar deixar a lesão de lado e tentar de qualquer jeito. Não tenho a menor dúvida, vou competir, depois a gente vê isso. Você quer testar se você chegou lá, vou lutar sim depois eu vejo isso! (ATLETA 7). Muitas vezes, os atletas continuam atuando por serem considerados importantes para a equipe naquele momento, não terem substitutos à altura ou simplesmente por camuflarem o que estão sentindo para satisfazerem sua vontade ou ego de participar daquela conquista.
Já senti orgulho de superar a dor muitas vezes! Para satisfazer o meu ego. (ATLETA 4).
O que também faz o atleta competir mesmo estando com dor é o viés vaidoso, porque você é um atleta, você quer continuar sendo diferenciado, manter esse status de jogador de alto nível. (ATLETA 2).
Várias vezes eu já corri com dor no joelho. É o prazer do atleta, isso se torna um vício. Atleta veterano que falar que correu e chegou sem dor é mentira. (ATLETA 8).
Suporta-se a dor que em outra situação seria “não jogável”. Aqui, sempre exercerá papel relevante a situação vivenciada, a maneira como o atleta a interpreta.
Se a dor é jogável é o jogo que dá esse conceito. Se for uma final de campeonato que se perder vai cair fora, então você vai para o jogo. (ATLETA 9).
E também tem o lance do campeonato que está sendo disputado. Se for início de temporada... Essa dor é muito avaliada pelo próprio atleta. (ATLETA 1).
Quando um atleta de alto rendimento, pressionado pela importância de uma final de campeonato, decide entrar em campo mesmo estando lesionado, esta atitude é encarada como sendo correta ou, ainda, pode ser normalizada por ele e todos que o cercam por envolver um momento de significativa importância.
Quando a gente está treinando para uma competição, por exemplo, o campeonato mundial, que é a cada dois anos, a gente está treinando visando o campeonato, não é uma dor no joelho que iria me tirar da competição. (ATLETA 6).
O conceito de “dor não jogável” frequentemente torna-se óbvio devido à gravidade da lesão, ou seja, é aquela dor que, segundo os atletas, anula toda e qualquer expectativa de competir, devido à sua alta intensidade, geralmente proporcional a um alto grau de lesão. A “dor não jogável” frequentemente não deixa dúvidas e é um consenso junto à equipe técnica e médica.
Com dor na panturrilha, eu passei por isso, você vai subir uma escada dói, eu ia subir escada eu ia num pé só, aí pedi uma muleta, aí não tem como, este tipo é dor não jogável. (ATLETA 1).
Tem dor que você suporta e tem dor que não, tem contraturas que você não consegue, estiramentos que você não consegue, abala a respiração, abala o equilíbrio. (ATLETA 7).
Não apenas alguns atos específicos ou condutas isoladas são influenciados pela “definição de situação”, mas toda conduta humana e identidade do indivíduo são forjados progressivamente por muitas destas definições ao longo de sua
existência. Levar em consideração a maneira como o indivíduo interpreta uma determinada situação constitui um importante elemento de interação.
Tem várias dores, tem dor suportável, aquelas que vêm durante a prova, durante o treinamento. Você tem que saber suportar e lidar com a dor para ela não atrapalhar sua competição. A gente consegue fazer isso, mentalmente. A gente faz de tudo pra não acontecer, mas mesmo quando você está com dor você consegue correr, tem saber como conviver com ela e que hora ela pode te atrapalhar. (ATLETA 4).