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4. Kildesortering som praksis

4.2 Sosialisering av kildesorteringspraksisen

Um conceito diretamente ligado a questões contextuais e, portanto, de extrema importância para a compreensão da agência é o de affordances. Esse termo foi introduzido ao campo da ASL por van Lier (2000), o qual propõe uma abordagem ecológica para pesquisa, prática e conceitualização da aprendizagem de línguas. Na perspectiva ecológica, assim como na complexa, processos sensoriais, cognitivos e afetivos não são tomados em isolamento, mas considerados como fatores inter- relacionados que subjazem processos de aquisição de L2 (PAIVA, 2011b).

van Lier (2000, p. 252) explica que a palavra affordance foi cunhada pelo psicólogo James Gibson para se referir a uma relação recíproca entre um organismo e uma determinada característica de seu ambiente. Nas palavras de van Lier (ibid.), “uma

affordance é uma propriedade particular do ambiente que é relevante - para o bem ou

para o mal – para um organismo ativo e perceptivo naquele ambiente”20. Assim, “o que se torna uma affordance depende do que o organismo faz, o que ele quer, e o que é útil para ele” 21

(van Lier, 2000, p. 252). Como Paiva (2011b) destaca, percepção e ação são ideias diretamente ligadas à noção de affordance, sendo que percepção é um fenômeno ecológico, e não meramente capacidade mental, ou seja, é o resultado da interação do animal no ambiente. Nas palavras de Paiva (2011b, p. 2), “animais, incluindo humanos, percebem o que os nichos os oferecem (substâncias, meios, objetos, etc.), interpretam as

20Tradução livre de: “An affordance is a particular property of the environment that is relevant – for good or for ill – to an active, perceiving organism in that environment” (van LIER, 2000, p. 252).

21Tradução livre de: “What becomes an affordance depends on what the organism does, what it wants, and what is useful for it” (van LIER, 2000, p. 252).

affordances e agem sobre elas”. Affordances são, portanto, relações de possibilidade

entre os indivíduos e seus meios.

Paiva (ibid.) reitera que affordances emergem da interação entre ambiente e indivíduo, ou seja, não são propriedade nem de um, nem do outro. Diferentes indivíduos têm diferentes percepções do mundo e a complementaridade e interação entre indivíduos e o ambiente emerge de diferentes práticas sociais. Assim, para determinado indivíduo uma xícara é um utensílio para tomar chá, para outro pode ser um adorno e para outro, um porta objetos.

FIGURA 1: Exemplo de affordances

Na aprendizagem de línguas, a noção de affordances coloca o foco nos sujeitos, mais exatamente no aprendiz. De acordo com van Lier (2000, p. 246), “a partir de uma perspectiva ecológica, o aprendiz está imerso em um ambiente repleto de significados potenciais. Esses significados se tornam disponíveis gradualmente à medida que o aprendiz age e interage dentro do e com o ambiente” 22

. Neste sentido, a noção de

affordance pressupõe um indivíduo ativo, que percebe e interpreta seu ambiente de

acordo com seus interesses. Segundo van Lier (ibid., p. 246-247, grifo meu), “olhar para a aprendizagem é olhar para o aprendiz ativo em seu ambiente, e não para os conteúdos de seu cérebro”.23

Aprendizagem não é migração de significado para dentro da cabeça do aprendiz, mas o desenvolvimento de formas cada vez mais eficientes de lidar com o mundo e seus significados.

Mercer (2012) explica que affordances emergem da percepção dos aprendizes sobre fatores contextuais (estruturas em nível micro e macro, artefatos) interagentes, assim como o potencial para aprendizagem inerente nesse processo de interação. Ela

22Tradução livre de: “From an ecological perspective, the learner is immersed in an environment full of potential meanings. These meanings become available gradually as the learner acts and interacts within and with this environment (van LIER, 2000, p. 246).

23Tradução livre de: “(…) to look for learning is to look at the active learner in her environment, not at

explica que contextos representam ‘potencial latente’. Aprendizes atribuem sentidos pessoais ao que encontram, criando affordances a partir do que está disponível em seu ambiente, de maneiras pessoalmente significativas e relevantes. A seu ver, o conceito de agência está intimamente relacionado ao de affordance. Para ela, a agência “emerge da interação entre recursos e contextos e as percepções que os aprendizes têm dos mesmos, assim como os usos que fazem deles” 24 (MERCER, 2012, p. 43).

Para Mercer (2012) é importante ressaltar os processos de mediação inerentes a construtos como affordances. Ela pontua que aprendizes não apenas reagem a seus contextos, mas, como seres humanos complexos, fazem sentido de seus meios, se envolvem com os mesmos, e podem influenciá-los e até modificá-los. Desta forma, “a relação entre um indivíduo e seu entorno é de co-evolução, uma vez que ambos mediam, afetam e são afetados pela interação” (MERCER, 2012, p. 43).25

Para Mercer (2012, p. 43) a agência emerge da “interação entre o aprendiz como um ser físico, psicológico e múltiplos sistemas contextuais” 26

.

Apesar das descrições de affordances focalizarem o aprendiz, o construto também pode ser transposto a professores. Paiva (2011b) explica que, para obter sucesso, aprendizes precisam sobreviver em seus nichos, ou seja, o estudante precisa coexistir com outros alunos e, muitas vezes, competir por sua posição dentro do nicho, especialmente quando o nicho é uma sala de aula. Para isso, precisa ser capaz de perceber as affordances, ou tirar proveito daquelas oferecidas por seu ambiente, além de procurar por affordances fora da sala de aula. O mesmo se aplica ao professor, que, para vivenciar um ensino efetivo, também precisa perceber as affordances disponíveis e utilizá-las em benefício do ensino.

Paiva (2011b) também destaca que estudantes precisam ser incentivados a perceber as affordances. Em uma sala de aula, a expectativa é que esse estímulo parta do professor, que, antes do aluno, precisa estar consciente dessas possibilidades. Como auxiliar o aluno a perceber affordances se o próprio professor não é capaz de perceber, ou mesmo ignora, as affordances que, porventura, lhe são disponíveis? Como falar em ensino voltado para o desenvolvimento da autonomia do aluno se o professor não é

24Tradução livre de: “Agency thus emerges from the interaction between resources and contexts and the

learners’ perceptions of them” (MERCER, 2012, p. 43).

25 Tradução livre de: “The relationship between an individual and their surroundings is one of co- evolution as both mediate, affect and are affected by the interaction” (MERCER, 2012, p. 43).

26Tradução livre de: “[a person’s agency should be viewed as emerging from] the interaction between the

capaz de gerenciar sua própria autonomia? Por isso, o conceito de affordances é imprescindível a qualquer discussão acerca da agência de professores.