4. Kildesortering som praksis
4.5 Samfunnets materiell-struktur og kildesorteringsteknologiene
Como mencionado na justificativa deste trabalho, a agência humana é tema controverso na perspectiva da complexidade. Larsen-Freeman & Cameron (2008, p. 75) argumentam a favor de uma visão complexa da intencionalidade humana e da agência. Dentre as questões levantadas pelas autoras, destacamos duas que são mais relavantes aos objetivos deste estudo: o determinismo e a tomada de decisão intencional.
Quanto ao determinismo, as autoras explicam que em sistemas dinâmicos os estados futuros dependem, de certa forma, dos estados presentes do sistema. Neste sentido, sistemas dinâmicos podem ser considerados deterministas. No entanto, isso não
quer dizer que esses sistemas são completamente previsíveis, como sistemas simples45, por exemplo. Ao contrário, sistemas complexos são abertos e conectados ao ambiente. Assim, influências externas podem afetar o sistema. Qualquer mudança introduzida, ainda que pequena, pode trazer efeitos que se espalham por todo sistema, diluindo o determinismo e fazendo com que os resultados sejam imprevisíveis.
Retomando o exemplo da sala de aula, as autoras lembram que professores podem planejar suas aulas cuidadosamente, mas jamais saberão com exatidão o que os aprendizes irão trazer para a aula planejada. Dessa forma, não há como prever resultados. O comportamento de um sistema complexo não é completamente casual, sem rumo, mas também não é inteiramente previsível. Esse ponto é importante, de acordo com Larsen-Freeman e Cameron (2008, p. 75), porque “pode parecer que ao se considerar a agência humana em termos de sistemas, adota-se uma perspectiva mecanicista e determinista, no sentido negativo de se negar a possibilidade de livre arbítrio”.46
No entanto, as autoras defendem que, na verdade, a teoria da complexidade recupera a possibilidade de mudança radical, através do pressuposto de que tudo não pode ser conhecido e de que sistemas abertos estão conectados ao seu ambiente, adaptando-se a ele. Dessa forma, um certo grau de determinismo é compensado pela abertura e imprevisibilidade dos sistemas complexos.
Em relação à tomada de decisão intencional, um dos ângulos sugeridos pelas autoras para se abordar a questão é considerar que nossa agência pode ser mais limitada do que acreditamos. Em suas palavras, “como agentes em sistemas complexos múltiplos e aninhados, as decisões que tomamos como indivíduos não podem deixar de serem influenciadas por nossas conexões em todos os tipos de agrupamentos sociais” (LARSEN-FREEMAN e CAMERON, 2008, p. 76).47 Como exemplo, citam que até mesmo a simples decisão de colocar o lixo para fora de casa para que seja recolhido revela uma interconectividade: lixo reflete hábitos de alimentação e de compra; o dia da semana para que o lixo seja recolhido é uma decisão da prefeitura ou órgão equivalente, o qual, por sua vez, é afetado por seu planejamento financeiro e pela política nacional; o
45 Um exemplo de sistema simples é o sinal de trânsito, cujo pequeno número de elementos do mesmo tipo opera de forma relativamente previsível e estável.
46 Tradução livre de: (...) it may sometimes feel that, in seeing human activity in terms of systems, we are adopting a mechanistic and deterministic perspective, in the negative sense of denying the possibility of free will (LARSEN-FREEMAN E CAMERON, 2008, p. 75).
47 Tradução livre de: “As agents in multiple, nested, complex systems, the decisions that we make as indiviuduals cannot help but be influenced by our connections into all kinds of social groupings” (LARSEN-FREEMAN e CAMERON, 2008, p. 76).
tipo de recipiente utilizado para armazenar o lixo é influenciado, por exemplo, pela vida selvagem local, assim como a decisão de colocá-lo, ou não, para fora durante a noite. Dessa forma, se a simples decisão de colocar o lixo para fora independe exclusivamente de nós, é difícil imaginar como decisões mais abstratas poderiam ser desconectadas das influências sociais, políticas, históricas, morais e culturais. O mesmo argumento se aplica para decisões coletivas.
Resende (2009, p. 71) reforça esse argumento, ao discorrer acerca das proposições de Giddens sobre a agência humana. A autora defende que quando momentos de risco são procurados e desejados pelo próprio indivíduo, apesar dessa escolha ser individual, a tomada de decisão é feita mediante participação prévia em práticas sociais que contribuíram para a formação de seu pensamento. Tomando os termos do caos, Resende explica que “o sistema foi deslocado aos poucos de seu eixo central até chegar a um ponto onde houve ruptura” (p. 71).
Na mesma direção, Paiva (2013a) ressalta a interconexão entre sistemas e delineia evidências de agência na complexidade. Devido ao dinamismo inerente de sistemas complexos, agência é um conceito-chave quando se lida com esses sistemas. Ela explica que as ações de um indivíduo podem ser motivadas e restringidas por outros elementos no sistema, assim como por outros sistemas. A agência do aprendiz interage, o tempo todo, com o meio ambiente, sendo, nessas circunstâncias, influenciada pelas
affordances e restrições desse meio. Como exemplo, Paiva (ibid.) cita aprendizes que
vivem na floresta Amazônica, sem acesso a eletricidade: suas affordances serão muito diferentes daquelas das quais dispomos e não importa o quanto ajam sobre seus processos de aprendizagem, suas capacidades para agir serão restringidas pelo ambiente. Desta forma, ainda que um indivíduo seja autônomo, restrições contextuais, ou um determinado contexto, pode limitar suas ações ou agência. Ainda assim, reitera a pesquisadora, aprendizes autônomos, provavelmente, iriam procurar oportunidades de ler em língua inglesa ou se comunicar com visitantes estrangeiros.
Uma perspectiva complexa da ação humana ressalta a interconectividade entre sistemas e destaca o contexto como parte integrante desse todo. As decisões humanas não acontecem em um vácuo contextual e, ainda que individuais, possuem um caráter histórico, coletivo, social. Há que se ressaltar, no entanto, que o caráter coletivo ou social das decisões pessoais não exime o agente de sua responsabilidade ética e moral para com os sistemas que integra. Nossas decisões estão embebidas em nossa história,
em nossas relações e interações, mas ainda assim, são nossas. Resende (2009, p. 70) explica que em sistemas complexos e dinâmicos, o sistema tem a liberdade de se desenvolver ao longo de trajetórias alternativas. Assim, embora o sistema seja condicionado pela sua história, não é determinado por ela.
Trazendo a questão para a sala de aula, mais especificamente para o ensino/aprendizagem de línguas, Larsen-Freeman & Cameron (2008, p. 199) lembram que a coadaptação é inevitável na sala de aula, mas nem sempre esse movimento evolui em benefício da aprendizagem. Como a coadaptação é neutra ou não direcionada – pode ser em benefício ou prejuízo da aprendizagem – não há como ignorar a necessidade de agentes no sistema assumirem responsabilidade ética por sua dinâmica.
Larsen-Freeman e Cameron (ibid., p. 203) explicam que “o momento microgenético da ação está aninhado em múltiplos sistemas sócio-cognitivos”.48 Justamente devido a esse acoplamento, a ação ou decisão tem o poder de afetar tudo a que está conectada. Por isso, essas autoras, retomando Bakhtin (1993), defendem que a ética não opera no nível global do sistema, mas sim na especificidade da ação local. Dessa forma, são categóricas ao afirmar que nossa ética deve ser aplicada em nível local: a responsabilidade ética deve ser colocada sobre os agentes e atores nos sistemas complexos e ser aplicada a todas as ações e decisões, na sala de aula ou onde quer que seja (LARSEN-FREEMAN & CAMERON, 2008, p. 226).