4. Kildesortering som praksis
4.3 Regler og kunnskap
Bandura (2006, 2008) explica que, na Teoria Cognitiva Social, “ser um agente é influenciar intencionalmente o funcionamento e as circunstâncias da vida” (BANDURA, 2006, p. 164). 29 Bandura (2006) identifica quatro propriedades fundamentais da agência humana. A primeira é a ‘intencionalidade’. A seu ver, pessoas formulam intenções que incluem planos de ação e estratégias para realizá-las. No entanto, a maioria das buscas humanas envolve a participação de outros agentes, de forma que agência absoluta inexiste. Dessa forma, empreendimentos coletivos, como uma família, sistemas educacionais, orquestras sinfônicas, times esportivos, ou qualquer relação diádica rotineira, demandam comprometimento com intenções compartilhadas e coordenação de planos interdependentes de ação para realizá-los, ou seja, indivíduos precisam negociar e adaptar seus interesses particulares para alcançar unidade de esforços em meio à diversidade. Assim, a efetividade do desempenho grupal é guiada por uma intencionalidade coletiva.
A segunda propriedade tem a ver com a extensão temporal de agência através da ‘premeditação’ ou ‘antecipação’. De acordo com Bandura (2006), para guiar e motivar seus esforços, indivíduos precisam estabelecer objetivos e antecipar os resultados prováveis de suas ações. Segundo ele, futuros visualizados, por meio da representação cognitiva, são trazidos para o presente, funcionando como guias e motivadores de comportamento. Assim, uma perspectiva antecipativa, quando projetada ao longo de um
28 Tradução livre: “Agency can also involve complicity with the status quo, ambivalence towards it, or complete indifference to existing social and political inequalities” (AHEARN, 2013, p. 241).
29 Tradução livre de: “To be an agent is to influence intentionally one's functioning and life circumstances” (BANDURA, 2006, p. 164).
curso de tempo, provê direção, coerência e significado para a vida de uma pessoa (BANDURA, 2006, p. 165).
A terceira propriedade é a autorreatividade (self-reactiveness). Para Bandura (2006), agentes não são apenas planejadores ou premeditadores, mas também autorreguladores. O sucesso exige muito esforço autorregulativo para transformar vislumbre em realidade, ou seja, uma vez formulado um plano de ação ou uma intenção, não se pode sentar e esperar até que as condições apropriadas (ou ideais) surjam. Nas palavras de Bandura (2006, p. 165), “agência, assim, envolve não só a capacidade deliberativa para fazer escolhas e planos de ação, mas também a capacidade de construir cursos apropriados de ação e de motivar e regular sua execução”.30
A quarta e última propriedade da agência humana é a autorreflexividade. As pessoas, de acordo com Bandura, não são apenas agentes de ação, mas são, também, autoexaminadores de seu próprio funcionamento. “Através da autoconsciência funcional, elas refletem sobre sua eficácia pessoal, a solidez de seus pensamentos e ações e o significado de suas atividades, e fazem ajustes corretivos, se necessário” (BANDURA, 2006, p. 165).31
Bandura (2006) distingue, ainda, entre três modos de agência, quais sejam: individual, fiducial (proxy) e coletiva. A agência individual se manifesta quando a pessoa exerce influência sobre sua própria vida e sobre eventos de seu contexto. No entanto, em diferentes esferas do cotidiano, as pessoas não têm controle direto sobre as condições que afetam suas vidas. E, assim, precisam exercer agência socialmente mediada, ou agência fiducial. Segundo Bandura, isso ocorre quando influenciamos outras pessoas que disponham dos recursos, conhecimento e meios a agir em nosso benefício de modo a garantir os resultados que desejamos. Desse modo, Bandura (2006, p. 165) afirma que “as pessoas não vivem suas vidas em autonomia individual”. 32 Muitas das coisas que buscamos são alcançáveis apenas através de trabalho coletivo, que envolve esforço interdependente. Isso seria o exercício de agência coletiva, através da qual as pessoas compartilham seus conhecimentos, habilidades e recursos e agem em concerto para moldar seus futuros (BANDURA, 2006, p. 165). De acordo com o
30Tradução livre de: “Agency thus involve not only the deliberative ability to make choices and action plans, but also the ability to construct appropriate courses of action and to motivate and regulate their execution (BANDURA, 2006, p. 165).
31 Tradução livre de: “Through functional self-awareness, they reflect on their personal efficacy, the soundness of their thoughts and actions, and the meaning of their pursuits, and they make corrective adjustments if necessary” (BANDURA, 2006, p. 165).
pesquisador, um ingrediente essencial da agência coletiva é “a crença conjunta das pessoas na capacidade coletiva para alcançar determinadas realizações” 33 (BANDURA, 2006, p. 165).
Bandura (2008) propõe ainda um modelo triádico de comportamento humano no qual (1) fatores intrapessoais (biológicos, cognitivos, afetivos e motivacionais), (2) comportamentais e (3) ambientais interagem dentro de um sistema em uma relação triádica recíproca. A figura abaixo ilustra esse processo, onde I representa os fatores intrapessoais, C os comportamentais e A os ambientais:
FIGURA 2: Modelo Triádico de Comportamento Humano (BANDURA, 2008)
Na relação recíproca entre os fatores intrapessoais e comportamentais, a dotação biológica das pessoas, suas concepções, valores, metas e estados afetivos influenciam como eles se comportam. Os efeitos naturais e extrínsecos de suas ações, por sua vez, afetam seus processos de pensamento e estados afetivos. Já na relação recíproca entre os fatores comportamentais e ambientais, o comportamento modifica as condições ambientais e é, por sua vez, alterado pelas próprias condições que cria. E na relação recíproca entre fatores ambientais e intrapessoais, influências sociais - modelação social, práticas institucionais e diferentes modos de persuasão social - alteram os atributos pessoais (BANDURA, 2008, p. 34). Nessa relação Bandura explica que as pessoas podem influenciar seu ambiente sem dizer ou fazer nada: a reação do ambiente acontece simplesmente em função das características físicas, como etnia, gênero, raça idade, atratividade física e papeis e status sociais. Essas reações sociais, por sua vez, afetam as concepções das pessoas sobre si mesmas e sobre os outros, fortalecendo ou reduzindo a influência ambiental.
33Tradução livre de: “People’s conjoint belief in their collective capability to achieve given attainments
A Teoria Cognitiva Social, de acordo com Bandura (2008, p. 35), não toma os contextos como entidades fixas e estáticas e distingue entre três tipos de contextos: aqueles que são ‘impostos’, os que são ‘selecionados’ e os que são ‘criados’. O ambiente físico e sociocultural imposto incide sobre nós, independentemente de nossas vontades. Temos pouco controle sobre ele, mas, ainda assim, temos alguma liberdade para interpretá-lo e reagir a ele. No entanto, Bandura (2008, p. 35) adverte que, em sua maioria, o ambiente é apenas uma potencialidade que vem à tona quando selecionado e ativado por ações adequadas, ou seja, de modo geral, o ambiente é ‘selecionado’. Esse tipo de ambiente depende do modo como as pessoas o interpretam e agem sobre ele. Nas palavras de Bandura (2008, p. 35), “sob o mesmo ambiente potencial algumas pessoas tiram vantagem das oportunidades que ele oferece e de seus aspectos compensadores. Outros se enredam principalmente em seus aspectos punitivos e debilitantes”. 34 Neste curso, no ambiente ‘criado’ as pessoas constroem ambientes físicos e sociais que os possibilitam exercer maior controle sobre suas vidas, assim como efetivar futuros planejados ou desejados. Desse modo, “gradações de controlabilidade ambiental exigem níveis crescentes de agência pessoal” 35 (BANDURA, 2008, p. 35).
Bandura (2008) ressalta, ainda, que o exercício da agência humana levanta a questão da liberdade e do determinismo. No modelo triádico do comportamento humano, influências intrapessoais contribuem significativamente para o curso dos acontecimentos. A liberdade, nessa perspectiva, não é concebida passivamente como a ausência de empecilhos e coerção, mas proativamente como o exercício de autoinfluência na obtenção de resultados desejados. Dessa forma, pessoas capazes de desenvolver suas competências, suas habilidades autorreguladoras e suas convicções em suas potencialidades podem gerar uma gama de opções mais ampla, expandindo sua liberdade de ação. Em outras palavras, o desenvolvimento de recursos agentivos auxilia na concretização de objetivos e na efetivação de futuros almejados.
34 Tradução livre de: “Under the same potential environment some people take advantage of the opportunities it provides and its rewarding aspects. Others get themselves enmeshed mainly in its punishing and debilitating aspects” (BANDURA, 2008, p. 35).
35
Tradução livre de: “Gradations of environmental controllability require increasing levels of personal