5. Gjenbruk som praksis
5.1 Former for gjenbrukshandlinger
As concepções de agência discutidas até então corroboram sua natureza complexa. A acepção de Ahearn (2001), ao ter como cerne processos de mediação, destaca a intrínseca relação entre indivíduos e seus meios. Bandura, através de seu modelo triádico de comportamento humano, também não prioriza o contexto em detrimento do indivíduo ou vice-versa, mas propõe que a agência emerge da interação entre o indivíduo, enquanto um ser físico e psicológico, e múltiplos sistemas contextuais (MERCER, 2012, p. 43). Juarrero sustenta uma teoria dinâmica da ação, a partir da qual a consciência e a autoconsciência emergem da dinâmica local da mente humana no contexto. A consciência, portanto, trabalha de forma descendente (top down) em um processo de causalidade recíproca a fim de regular e controlar a ação humana. Lantolf &
48 Tradução livre de: “(…) the microgenetic moment of action is nested in multiple sociocognitive
Thorne (2006) reforçam os argumentos de Ahearn, enfatizando a dimensão sociocultural da agência, enquanto van Lier (2008) equaciona agência a outros construtos igualmente multifacetados (motivação, autonomia), elevando seu status a conceito guarda-chuva, capaz de abarcar todos esses fenômenos. Larsen-Freeman & Cameron (2008), apesar de não definirem, especificamente, agência, oferecem uma visão de como a agência opera em SACs, reforçada pelos argumentos de Resende (2009). Paiva (2013a), por sua vez, sugere o indivíduo como um sistema complexo cujas ações são influenciadas por múltiplos sistemas conectados.
Mercer (2011, 2012) propõe, claramente, que a agência humana pode ser concebida como um sistema dinâmico complexo composto por um número de componentes constituintes, cada um dos quais, por si só, um sistema complexo dinâmico. Na verdade, a seu ver, a dificuldade de definições conclusivas e amplamente aceitas sobre o termo é uma indicação de sua inerente complexidade (MERCER, 2012, p. 42).
Assim como van Lier (2008), Mercer (2012) também pondera a definição de Ahearn (2001), mais especificamente a simplicidade da expressão ‘capacidade para agir’. Em seu entendimento, é preciso que se entenda que essa capacidade é mediada por recursos socioculturais, contextuais e interpessoais, mas, também, envolve as capacidades físicas, cognitivas e afetivas de um indivíduo. Assim, as definições precisam “ressaltar a natureza multicomponencial, intrapessoal da agência, bem como o papel dos processos socioculturalmente mediados” 49
(MERCER, 2012, p. 42).
Mercer (2011) investiga a agência de uma aprendiz de línguas e sugere que a agência é composta por duas dimensões significativamente inseparáveis, mas cuja distinção é interessante para objetivos de análise e codificação. Primeiramente, há um ‘senso de agência’, que envolve o quão agentivo um indivíduo se sente, tanto em termos gerais, quanto em relação a contextos específicos, ou seja, a crença ou convicção de que seu comportamento pode fazer a diferença para sua aprendizagem em um determinado contexto. Depois, há o ‘comportamento agentivo’, no qual um indivíduo escolhe exercer sua agência através de participação e de ação, ou mesmo através de não participação ou não ação. Mercer (2011, p. 431) adverte que, apesar de estarem intimamente relacionados, simplesmente ter ou sentir um senso de agência não necessariamente
49 Tradução livre de: “[Definitions need to] highlight the multicomponential, intrapersonal nature of agency as well as the role of socioculturally-mediated processes (MERCER, 2012, p. 42).
implica exercer agência. Nesse sentido, agência engloba não apenas o que é observável, mas também comportamentos não visíveis, como crenças, pensamentos e sentimentos. Além disso, essa noção inclui a não ação - ou não participação - como parte do exercício da agência, ou seja, agência diz respeito ao fazer escolhas e ao modo como essas escolhas são feitas.
Ao analisar o sistema agentivo da aprendiz, Mercer (2011, 2012) tenta mostrar como seu senso de agência emerge da interação complexa e dinâmica de uma série de componentes em múltiplos níveis do contexto, cada um dos quais sistemas complexos por si só. Mercer (2012) descreve a natureza situada da agência da aprendiz através de quatro dimensões: contextual, interpessoal, temporal e intrapessoal, as quais são descritas a seguir.
A natureza contextualmente situada da agência, segundo Mercer (ibid.), se reflete no conceito de affordances. A percepção subjetiva do indivíduo em relação a fatores contextuais e affordances influencia diretamente sua agência. Conceber a agência como contextualmente situada implica aceitar que ela está inter-relacionada a múltiplas camadas de contextos, das quais não pode ser abstraída. Na análise do sistema agentivo da aprendiz, Mercer identificou várias camadas de contexto, desde os mais prováveis, como o educacional e o sociocultural, até dimensões contextuais menos típicas, como o clima ou determinada época do ano. A agência se estende ainda a contextos micro, como o interacional, e contextos além dos relativos à aprendizagem de línguas.
A agência interpessoalmente situada se manifesta na relação com outros significativos, ou seja, indivíduos que podem impactar o sistema agentivo, facilitando ou inibindo o exercício da agência. No caso da aprendiz do estudo de Mercer (ibid.), professores são apontados como capazes de facilitar ou inibir a agência relacionada à sua aprendizagem por meio de seus comportamentos e o clima afetivo que criam em suas salas de aula. Outro aspecto da natureza interpessoalmente situada diz respeito em como um indivíduo utiliza outros como referência, através de comparações sociais, para formar seu próprio senso de agência pessoal. A colaboração e o trabalho em pares também se ligam à dimensão interpessoal da agência, levantando questões sobre as relações entre agência individual e coletiva.
Compreender a agência como situada intrapessoalmente implica conceber o aprendiz como um ser holístico, considerando que a agência se interconecta à vida
inteira do indivíduo, sua psicologia e gama de ‘capacidades pessoais’ para agir, seja fisicamente, cognitivamente, afetivamente ou motivacionalmente. Um dos elementos mais impactantes no sistema agentivo da aprendiz do estudo de Mercer são suas crenças. Suas habilidades autorregulativas e competências também influenciam suas capacidades para agir. Outras dimensões intrapessoais intimamente ligadas à agência são sentimentos, emoções e motivações. Além disso, a agência também depende do quão fisicamente capaz um indivíduo se sente em determinado ponto no tempo, sendo considerada, neste sentido, um construto ‘corporificado’ (embodied) (MERCER, 2012, p. 52).
Na dimensão temporal, as experiências passadas desempenham papel fundamental na composição do sistema agentivo do indivíduo. Nas palavras de Mercer (2012, p. 49), “o senso de agência de um indivíduo e suas crenças sobre comportamento agentivo apropriado decorrem de como ele interpreta suas experiências passadas”.50 Mercer (ibid.) também defende que a agência pode ser compreendida como temporalmente situada em relação a objetivos e autoimagens futuras, assim como a expectativas sobre eventos. Em seu estudo, Mercer observou que a agência da aprendiz mudava ao longo do tempo de acordo com mudanças em outras partes do sistema, como alterações na motivação e nas crenças, por exemplo. Assim, a aprendiz não mantinha um grau de agência constante e estático; ao contrário, sua agência se mantinha constantemente flutuando, mudando e se adaptando às variações que aconteciam em outros elementos conectados. No entanto, embora sua agência fosse claramente dinâmica, parecia haver, simultaneamente, uma dimensão subjacente a seus sensos de agência que era mais estável e estabelecida ao longo do tempo. Assim, Mercer (2012, p. 50) conclui que um sistema agentivo pode apresentar dois níveis interconectados de dinamismo: um mais imediatamente maleável e sensível aos parâmetros contextuais e outro formado gradualmente ao longo do tempo e, portanto, mais estabelecido.
Conceber a agência como um SAC implica, portanto, tomar a pessoa como um todo, levando em conta suas dimensões psicológicas, suas cognições, crenças e múltiplas capacidades para agir, interligando a dinâmica de sua história de vida, suas experiências passadas e presentes, assim como seus objetivos futuros, expectativas e imaginações (MERCER, 2012, p. 57). Essa perspectiva parece ser particularmente
50 Tradução livre de: “[It is clear that] one's sense of agency and beliefs about appropriate agentic behavior stem from how one interprets past experiences” (MERCER, 2012, p. 49).
interessante à compreensão da agência de professores porque se evita juízo de valor. Busca-se compreender o que leva o professor a agir de determinada maneira, a fazer aquelas escolhas e não outras. Afinal, não é um componente isolado que faz com que um indivíduo exerça sua agência de uma determinada maneira; ao contrário, a agência emerge de uma série de elementos múltiplos e interconectados que podem interagir de maneiras imprevisíveis e variar em sua importância relativa (MERCER, 2012, p. 44).
A análise das experiências de professores permite que se tenha acesso a inúmeros elementos que compõem seu sistema agentivo, viabilizando uma compreensão contextualizada e holística de suas ações em sala de aula.
2.7. A experiência como meio de acesso à compreensão da complexidade da ação