5.4 En samfunnspolitisk tilnærming
5.4.2 Sosial utjevning
Paralelo ao processo de aprendizagem da palavra, e de igual importância, é necessário considerar como se dá o seu significado. Assim, na psicanálise, o que temos é que o significado de uma palavra está atrelado à apresentação do objeto. Isto significando que a criança inicia seu processo de comunicação a partir da imagem acústica dos objetos que vai fazendo no seu psiquismo. Ocorre também que a apresentação do objeto é um complexo de associações formado por uma grande variedade de apresentações visuais, acústicas, táteis, cinestésicas e outras. Uma criança que tenha um ambiente rico em variedade de objetos pode aprender a fazer maior número de associações de palavras, relacionadas com os objetos que a rodeiam.
Segundo dados da filosofia, temos que a apresentação do objeto consiste em que a aparência de haver uma coisa ou objeto de cujos vários atributos essas impressões dos sentidos dão testemunho, deve-se ao fato de que ao enumerarmos as impressões sensoriais que recebemos de um objeto, podemos presumir a
possibilidade de haver grande número de outras impressões na mesma cadeia de associações. O que podemos observar é que a apresentação do objeto é vista como uma apresentação que não é fechada e até mesmo que é uma apresentação que não pode ser fechada. No entanto, a apresentação da palavra é vista como algo fechado, ainda que com possibilidade de extensão. Isto indica que o significado em palavras dos objetos é sempre o mesmo, não muda. O que é flexível é o processo de associação da criança, que devido ao sentido inervatório tem um leque de possibilidades para dar significado às coisas ou aos objetos.
O diagrama abaixo nos mostra que a apresentação do objeto é aberta e oferece amplas possibilidades de nomeação, ou de articulação.
FIGURA 1 – Diagrama psicológico de uma apresentação da palavra
FONTE: FREUD, Sigmund. A História do Movimento Psicanalítico – Artigos sobre Metapsicologia e
Outros Trabalhos. Volume XIV (1914-1916), Rio de Janeiro: Imago, 1974: 244.
Para tentarmos entender melhor a abordagem de Freud sobre a aquisição da fala, vamos utilizar a releitura de Garcia-Rosa (1991). Segundo ele, a distinção que Freud faz entre Consciente, Pré-consciente e Inconsciente já estaria formulada na distinção que ele faz entre representação-palavra e representação-objeto. A representação-palavra é a que constitui o consciente - pré-consciente e a representação-objeto constitui e forma o inconsciente. Haveria então, dois complexos nesse aparelho de linguagem, ou aparelho psíquico: um formado pelo complexo de palavra e o outro que Freud chamou de associação de objeto. Cada complexo é um complexo imagético, constituído por imagens motoras, auditivas, táteis, cinestésicas, etc. Donde qualquer operação de linguagem implica na
intervenção simultânea de funções relativas a mais de um ponto do território da linguagem.
Foi então através do esquema representação-palavra e das associações de objeto que Freud aborda o problema da significação e aponta para uma possível concepção do signo como arbitrário. Se houver apenas a associação de objeto, vai ocorrer uma diversidade sensível sem unidade, sem identidade. Então, pergunta-se: De que forma o sensível pode ganhar unidade, uma identidade e uma qualidade? A representação-palavra ganha significação ao se articular com a associação de objeto. Sem a palavra não haveria possibilidade de contato com o sensível, o que não possibilitaria a representação. O que faz com que o aparelho de linguagem tenha por função a produção da significação é esse eixo que articula representação- palavra e representação-objeto. Isso se dá através da imagem acústica da palavra e da imagem visual do objeto. O objeto recebe sua identidade através da relação com a representação-palavra.
Freud não concebe um aparelho que o indivíduo já traga com ele ao nascer, pronto e acabado, analogamente aos aparelhos físicos que compõem o corpo biológico. O aparelho de linguagem (Sprachapparat) forma-se aos poucos, elemento por elemento, na relação com um outro aparelho de linguagem, e é apenas por referência a esse outro que ele funciona. (GARCIA-ROSA, 1991:30).
O que temos é que esse “outro” é um outro aparelho de linguagem, isto é, outro semelhante, pois que o mundo ou a cultura, por si só, não é capaz de produzir um aparelho de linguagem. Na verdade, não é apenas outro aparelho de linguagem, e sim uma pluralidade de aparelhos de linguagem, que podem construir um novo aparelho de linguagem, isto é, um sujeito falante. Naturalmente que essa possibilidade também está imbricada com o organismo biológico.
O aparelho de linguagem depois de construído é também capaz de superassociações, o que o transforma numa trama intrincada de caminhos associativos dando lugar também, à condensação e ao deslocamento, ou à metáfora e à metonímia.
Quanto à memória, que consideramos importante para o nosso trabalho, está constituída pelas diferenças nas facilitações entre os neurônios. A memória não pode ser entendida como a repetição sempre igual de um traço imutável, não é um
processo mecânico pontual, e sim um processo que implica um diferencial de valor entre caminhos possíveis. A memória não é uma propriedade que se acrescenta ao aparelho psíquico, mas é sim fundadora desse aparato. Se a memória é a primeira, e se memória é repetição, o que é que ela repete? No texto do Projeto para uma
psicologia científica (1895), a memória é concebida como uma vivência que tem de
continuar produzindo efeitos, sendo que esse poder está imbricado com a magnitude
da impressão e da repetição. Por “magnitude da impressão”, entende-se em
psicanálise, a quantidade de excitação que percorre o neurônio e a “repetição” é explicada como sendo o caminho facilitado quando dois neurônios próximos são investidos simultaneamente.
Para Freud o aparelho psíquico é o mesmo que o aparelho de linguagem e isso ele já dizia em 1891, melhor dizendo, foi a partir de sua primeira concepção de aparelho de linguagem que ele elabora seu modelo de aparelho psíquico. O essencial a ser pontuado é essa determinação pela linguagem.
Para podermos compreender melhor como se adquire a fala, vamos nos referir novamente à questão do outro: é na relação com o outro enquanto falante que o aparelho de linguagem se forma, e não na relação com o outro enquanto objeto do mundo. Mesmo o outro, enquanto objeto do mundo, só se constitui como objeto a partir da linguagem. Isso significando, que a coisa (objeto), ou melhor, o organismo biológico, fornece elementos sensíveis, impressões, que somente vão adquirir unidade de objeto a partir da linguagem. Ou ainda, da relação que esses elementos mantêm com a representação-palavra. Sem essa articulação, isto é, da representação-coisa e representação-palavra não haverá aparelho de linguagem, ou aparelho psíquico.
Vale dizer que a representação-objeto não é uma representação icônica da coisa, não é semelhante à coisa, mas apenas índice dela. Seu significado é dado pela representação-palavra e não pela coisa. Aqui, podemos pensar que as representações (Vorstellungen), sejam elas representação-palavra ou representação-objeto, remetem umas às outras de tal maneira que formam entre si uma trama ou uma rede de articulações, de signos – que na sua função significante remetem a signos e não a coisas.
A leitura freudiana sobre o desenvolvimento ou a aquisição da fala nos remete a supor que uma das dificuldades que estaria relacionada à aquisição de uma
segunda língua pode estar vinculada com a questão mesma das associações entre a representação-objeto com a representação-palavra.
Vejamos: a representação-objeto, não sendo uma representação de um objeto externo existente no mundo e não sendo a coisa do mundo que fornece à representação-objeto sua unidade, seu conceito, como por exemplo: cadeira, mesa,
cavalo, mãe, etc., o que a coisa fornece são “associações de objeto”, conforme
vimos acima. Essas “associações de objeto” são as imagens elementares visuais,
acústicas, táteis, cinestésicas. O que propomos pensar é que essas imagens
elementares são as que vão constituir a memória, pelos processos de facilitação da excitação neuronal. Se as impressões de memória são as primeiras a se formar no aparelho psíquico (aparelho de linguagem), adquirir uma segunda língua pode ser mesmo bastante difícil para algumas pessoas, sobretudo as pessoas adultas, pois que nelas, a “facilitação” neuronal, isto é, as excitações produzidas nos neurônios pelo vaivém da catexia excitatória, funda-se com as impressões das imagens elementares, adquiridas no processo da aquisição da fala, antes mesmo que o sujeito se constitua como falante, isto é, como aparelho de linguagem.
Se a palavra é uma representação complexa que inclui elementos acústicos, visuais e cinestésicos, a mais elementar operação da linguagem somente é possível através de um processo de associação implicando funções relativas a pontos distintos do território da linguagem. É em termos de vias de associação (as Bahnungen, do projeto de 1985) que a ordem do aparelho de linguagem vai se constituir. (FREUD, 1985 in GARCIA-ROSA, 1991:32).
A idéia de uma relação necessária entre a imagem acústica (significante) e o significado (conceito), já estava presente em Freud, quando iniciou a escrever sua obra do aparelho psíquico (aparelho de linguagem), não tendo sido originalmente citado por Ferdinand de Saussure. Note-se que para Freud, o aparelho psíquico nada mais é que o aparelho de linguagem, haja vista que a constituição do sujeito e sua expressão se dão pelo aparelho de linguagem. Sem a aquisição da linguagem o que teríamos seria apenas um organismo biológico, o que não constituiria um sujeito humano. É sobre um organismo biológico que o sujeito advirá, através da linguagem pela e para sua inserção na cultura, onde tomará um posicionamento.
Vale acrescentar, para maior elucidação, que não é da “coisa” que a palavra retira seu significado, assim como não é da “coisa” que o objeto retira sua unidade.
Tudo na fala se passa numa relação entre significante e significado, que veremos mais adiante.
Para Freud, a fala é uma aquisição realizada pelo infans, após o seu nascimento. É através de sua relação com o outro, outro aparelho de linguagem, aliás, por um pluralismo de aparelhos de linguagem que o ser humano se constitui enquanto falante. Inicialmente ele vai formando o sistema de representação-objeto e depois da representação-palavra que são a matriz de sua fala posterior.