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1 Introduction

2.3 Solution procedures

O novo regime. Instaurado em

1937,

procura se apresentar na pena dc seus Intelectur.ls como marcado por duas caracu�risttCal: : "novl" e é "nacional",

e "O"

enquanto prcura modenizar o pais.

e

"novo· porque. pela primeIra vz, se volta oflctalmente pam as verdadeiras rab.es da nneionnlldade.

o

se voltar para as verdadeiras tradições. entra em contato com o que temos de nmls nacional: ao se Implantar uni novo regIme poliUco. autorltforlo. recum-se os modelos liberais Importa­

dos. Pela primclra vez. deixamos de "macaquen'·' O moderno e o tr.ldlclonal estAo. assim. Imbricados no prIncipio doutrinário que ar' gani. o regime.

Emboa sa vts40 do regime apareça em inumeros txtos,"

vas lançar mão de apenas duas fontes: s artigos denominads

Llferatura de d!!, de autoria de Pedro Dantas. pseudónlmo de I'o,dente de MoraIs Neto. na seção Evolução Intelectual da revista

Cultura olitica (finanCiada pelo 01' e dirigIda por Nmir de Andmdc): e o lIvm

olita c lets.

de Rosario Fusco. editado pela José 01ympio. em

1940.

1o Fuco Integrou o movimento modcnlista de Catagunscs (MG) e editou a revista Vede em

1928.

tendo sido. durante o Estado Novo. o braço direito de AlmIr de Andrade na direção da revtsta Cu/fura

>ll"n.

Nesse sentido. tais fontes podem ser consideradas como vei­ culando 'ersOes ·onclals" do projeto cultural do Estado.

Pora esses autores, o ano de

1922

t a dnta Simbólica da revolução cstttlco-IIterãrin ontcdpadora da Revolução de

1 930.

O

intelectual. o literato. por ler capacidade de senllr antes dos outros .

.. o. or rno. m Almtr

e

.

.

Cl � _ o o de

Jaio, JK Omo. 19: c o "J. so � � o de Jo. JK Omo, 18.

91 AS INrÇ-S M :A AOS

captou a necessIdade inconsclcnte de renovação da sociedade bra­ sileira. Os modernistas. ao lutarem pela mudança de valores e dos padrões esteticos. estavam IUlando pela alteração dos padrOes po­ liUcos. Assim. "as forças coletivas do movimento revolucionário mo­ denista s\o as mesmas do movImento revolucionário de 1930-.

A Integraçlo entre o modernismo e o Estado Novo estaria fundada no fato de os modernistas se oporem ao "ufanlsmo-. A grandcza tcrrHorial como garantidora da grandeza nacional. e de aprofundarem uma tradição: a denuncia do Brasil arcaico. atrasado.

Pedro Dantas nos diz que. antes de 1930. dominava uma Ing:nua e<presslo de orgulho. na qual eslava Impliclto um senti­ mento de InferIOridade sob a fOrmula "a Europa curvou-se ante o Brasil". Sofriamos uma crise de pltriotismo por nos faltarem razões para amar o Brasil. e a grande contribuiçlo do modenIsmo -fOi a conversa0 dc valores até enlâo havidos como negativos - porque eram diferentes dos valores cosmopolitas - em positivos. por uma aceitação que parcela impraticável-.

Para Pedro Dantas. apesar das dlfcn:nças entre os modernis­ tas - "harmonioso dcsentendlmento-_ todos se Inclucm Iluma mesma corrente ocupada em pensar e valorizar o que c nosso - e e ai que se pode Juntar figuras tlo dispares como Oswald de Andrade c Gilberto Freyre.

nosarlO Fusco Interpreta o modernismo de modo similar. Para ele. o primeiro modernismo e caracterizado por uma fase destrutiva. Tem-se ai o predominlo da poesia e do grupo paulista. No segundo modernismo. predomina o romance e o grupo nordes­ tino. Seu Inicio pode ser tomado com a publicação de A

gaela.

de Jose Amfrlco de Almeida. em 1928. Esse segundo modernismo pressupõe o redescobrimento de nossos antigos valores. a valia As fontes tradicionais de nossa formação. Tem-se então a revalorização do regional como ponto de partida para se alcançar o nacional.

"Nos�as letras progrediram. neste dectnlo. porque houve uma ·permlssão· do social para seu progresso. fcita em nome da política". Esta é 1 idela central de Hosário fusco. As letras se voltam

para o sentido objetivo. a valorl.açlo do documento em oposição á Imaginação; dai o crescimento das atividades literárias. das seções dedicadas a criticas Ilterârlas nos Jornal! e o crescimento do movi­ mento editorial. A política. assim como a literatura. Integra passado e presente. recupera a tradição. Nossas letras unlversallzam-sc. saem do Teglonal. ou seja. aspiram ao universal pelo regional. pen­ sam o universo atravês do Brasil.

V� 05 N::A5 "

E conclui seu pensamento com una nova versâo ufanistl. Já que. diantc da Europa dilacerada. dividida entre homens e principias. "o futuro da Cultura nos pertence. como pertence ao homem ame­ ricano a guarda da paz. da ordem e a manutenção do Esplrlto. no mundo·.

Para 08 Ideólogos do Estado Novo. a arte e 1 eultura. como as demais atlvldadcs. devem estar a serviço da nação. Os Intelectuais são os que captam. são I Intérpretes dos anseios da OCiedade. e. ao colaborarem com o Estado. tonam·no capaz de disciplinr. de one­ nar. pennlUndo o funcionamento de um todo orgânico. O papel do Estado t sempre visto como o de t.utor. de pai. diante de uma socie­ dade Imatura. Indecisa. carente de gula.

Dal a Importância dos Instrumentos de ição educativa - o r\dlo. o cinema. os esportes -. garantindo a omunicação direta entre o goveno e i OCledade. e permitindo ao goveno o exerciclo do seu papel: educar o povo. Como a SOCiedade

t

representada como Imatura. Infantil. hã neeusldade de Interfer!nCla do Estado para o processo de homogenelzaçào cultural. O Estado Novo pretendeu educar dou· trlnando. prlnclpalmenle por mclo da atuação de suas agtnclas cul­ turais e Iniciativas ligadas ao Dl? tais como os Jornais

A

Ma.

A

Noite. a crlaçdo do programa A Hora do Bsl e a Rádio NaCional.

O Estado Novo trota com especial carinho o rádio. fazendo distlnçâo entre o "mau rádio". O rádio dlv:rsão. e o "bom rádio·. aquele que ê veiculo da cultura como um Instrumento pedagógico. Com esse mesmo obJetivo. observa·se a ação do DI? na muslca popular. elll seu esforço para acabar com a malandragem no samba. nas musicas de naval.

O Estado quer .er do rádio. do cinema. da músIca instrumen·

t!!

de formação de bons h\bilos. de "civilização". de fortalecimento do sentimento de unidade nacional. Nesse sentido. ) aspecto de dout!o naç\o acaba por prevalecer na relação entre os produtores e 08 eon· sumldores dos bens CUlturais.

A "cultura polltl,," [a visão poliUea que procura na cultura o cene da nacionalidade. que z da reaização e do Incentivo a bens culturais umn atlv!dade precipua do Estado) produzida pelo Estado Novo foi o modelo mais bem estutUrAdo de relaçdcs entre n cultura e a politlea na história do Brasil. Este modela dennlu um campo CUltural ao demarcar as questOes que mereciam a atençâo dos pensa.· dores: trouxe os autores para o mesmo debate. ainda que eles mano tivessem posiçóes distintos: e. Importo dcslacar. operou ao nivcl da Ideologia. explicou o passado e o presente. deu orientação aos eida-

i! AS NSlÇCS .. eA VAAS

dãos e eunferiu legitimidade ao sistema político. Sua compleidade e abrangtnela deixaram marcas na cultura brasileira. no pesso de soclali.ação das novas geraç:I. levando a que sobrevivesse. em Illulto.

ao regime politico que abriu espaço para a sua formulação.

Não quero dizer que. de 1945 aos nossos dias. não se tenham produldo novas propostas. novas pesquisas. novo modo de pensar. mas creio que o mkleo dessa relação entre a politlca e a cultura fOI forte o bastante para resIstir aos impactos da redemoelltlzação e da eomplcxitleação na esfera cultural da sociedade. Esse padrão de lntegraçâo entre cultura e política do Estado foi sendo altelldo. apenas.

pelo desenvolimento da ind.stria cultural nos anos 0 e

70.

Dos anos 20 ao Estado Novo. tivemos um prso de aproxi­

mações succsslvas, congregando diferentes correntes e autores no ideal comum de modenizar. mant.endo os vineulos com a tlldlção. No Estado Novo. encontramos Inúmeros Intelectuais Integrados ao prosso de produção doutrinária c/ou à sua estrutura organl�,acional. Dentre eles

estavam pensadores pertencentes ã vertente conservadora rcfomllsta do Rio de Janeiro. autores ligados ao movimento católico. bem como in· telectuals que pas.aram pelo movimento de renovação literária Iniciado m São Paulo. Isso não significa. entretanto. que o pensamento brasl· leiro estivesse .odo contido na proposta ollelal do regime. Entre os "integrados" e os "desterrados" estâo Inúmeros outros pensadores mais ou menos distantes da ideologia olleial. O 1m da guerra. o retomo das elclOes. a aiança com a Unlâo Sovh:tiea contra o n7jsmo. a anisUa aos preOs poliUeos o eventos que criam novo espaço. fora da esfera govenamental. para a atuação dos intelectuais. Essas mudanças poli· Ueas permItem. Inclusive. i do J Congresso Brasileiro de Escritores. em Janeiro de

1945.

com o objetivo de lutar contra a censura

NOS BRAÇOS DO POVO: