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Interesse geral. em transportes e comunlcaçOes. energta. serviços públicos urbanos. saúde. edueaçAo. etc.: de outro. do eapital privado. que Investlrla nas empresas que produziam l>ens para o mercado e o comêrclo. Acentuava que o desenvolvimento se rcall7arla com capital de "fonte naelonal e estrangeira. sem prejuízo dos nivels de vida imediatos da população. ou de nosSa soberania política" (Vargas.1 952:250). E acrescentava ainda que "a car;ncla de capltals nacionais. hnpossivel de suprir-se sem sacrlficlo dos nivels de vida. reclama um crescente Influxo adicional de capitais estrangeiros. s con· dlções polltlcas e Insutuclonals do <\is o favonve\s i atração de capitals esrangeiros" (Vargas. 1952:2521.

Em sua mensagem ao Congresso. Vargas procurou mostrar que o seu Intento. para facllUar a entrada de capltals privados estrangeiros. era de promover sua sociação 'Om os nacionais. E que tambêm

esperava contar com a cooperação técnlea e finaneelra de organismos estrangeiros públicos. como o Export-Import Bank. e dos organismos Intenacionais erlados em erelton Woods. o Banco Internacional de ReeonSlrução e Desenvolvimento c o Fundo Monetàrlo Intenacional {Vargas. 1952). Esse discurso 10 inicio do goveno Indica uma posição mais próima dos desenvolvlmcnUslas do que dos grupos nacionalistas que defendiam a exclusão da participação de capitais estrangeiros. quer na exploração de reeursos nalurals. quer na Inversão em In­ dústrias conSideradas estratêgleas para o desenvolvimento. A poli­ Uca de associação entre eapltals nacionais c estrangeiros. preconi­ zada por vargas. teria no goveno de Juscelino Kubitsehek {I956-

19601 sua plena expansão.

O cquadonamento de todas essas questôcs foi tcntado no penodo constitucional de Vargas mediante a elaboração de planos setoriais e a organização de comissões de estudo. o que detellnou a Introdução de U:cnlcos de planejamento no goveno. Mas divergên­ is de posições quanto ao encamlnhamcnto da solução a ser dada a

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problemas se manifestavam dentro da própria equipe de Vargas.

De um lado. encontramos os Integrantes da Cssola Econó­ miea da Presidência da Rcpubllca. órgão que inaugurava o planeja­ mento econOmlco no àmhlto govenamental.' Esse grupo era favorãvel a uma politlca de desenvolvimento industrial com forte participação do Estado e do capilal privado naelonal. tcndo elaborado projetos para a

'a chefiada por ómu\> de A1n�lda � Inlrada. �nr�

ou&. por

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r�. C\camo de Paiva tte. João Ndva de Flgudr:do. tnAclo Rangel. Tomás Pompeu Attloly g ... thohny Slrauch e Saldanha da Cama.

área cncrgêtlca com ênfase no petróleo. no carvão mineral e nos recursos hidráulicos.

De outro lado. vemos o grupo representado pelo ministro da Fazenda. Horácio Láfcr. c pclo ministro das Relaç6:s Exteriores. João Neves da Fontoura. buscando Influcnciar as dcclsócs de goveno na direção de uma maior participação do capital estrangeiro como forma de o BrasJl ultrapassar o seu estágio de subdesenvolvimento.

É

impor­ tante lembrar quc. durante a IV R"'mião de Consulta dos Chanc"kres. na qual os Estados Unidos tentaram coordenar

o

apoio latino-ameri­ cano i Guell da Coréia. Joâo Neves propõs que o Brasil estabdecesse com os Estados Unidos uma política econõmlca caracterizada peJa -cooperação". para resolver Inclusive o problema do petróleo. Vargas. na verdade. tinha nesse grupo um oulro núcleo de planejamento que era ligado i Comissão Mista BrasH-Estados Unidos. instalada m junho de 1951. e que se concentrava "11 projetos cspeciflcos de fClTovlas. ias. pos. energia. os quais devmam contar com O financiamento de institulç6es de crédito inteionais e ofiCiaiS nortc-americanas.

Além d" t"nlar 5" "qulllbrar entre duas posições desenvolvl­

mentistas. Vargas tinha de enfrcntar a oposição cerrada dos ncolibcrals. qu" ainda ness. fase consideravam que o Brasil deveria aumentar sua produção agrícola para a exportação. bem como que o desenvolvimento industrial

ó

poderi. se real!7.ar com investlm"ntos diretos de capital estrangeko. Nesse ponto. eles aparentementc 5" confundiam com uma

das verlentes desenvolvimentlstas. embora. na realidade. as concep­ ções sobre o modelo de desenvolvim"nto fossem divergen'"s. Mais adlantc. já no govcrno Kubitschek os neollberals Iriam defender posiçõcs multo próximas dos "desenvolvlmentlstas" quanto . indus­ trialização.

Vargas. que atê 1945 se notabilizara como conciliador /media­ dor entn forças polillcas antagônicas. ao voltar ao poder não onse­ guiu repelir seu sucesso utili7.ando a mesma tática: ao contrério. sua habilidade em conciliar opostos era vista negativamente. A polarização política entre nacionalistas e "entr"guistas" (desinação dada pdos nacionaistas a todos aqueles que defendiam a participação esnngdra no dcsenvolvimento) talvez tenha sido um dos fatores que o conduzi­ ram ao Isolam"nto. Sua política extena de conciliação e mesmo de conccssão ás pressões norte·amerlcanas (vale lembrar a eOrtação de areias monazíllcas e outros materia,� estratégIcos para os Estados Unidos. sem as compensaç6cs exigidas pelos nacionaistas) despertava d"sconnança "ntre os nacionaistas c. em especia. entre os comunIs­ tas. que. devido ao aprofundamento da "guerra fria-o moviam intensa

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AS INSlIÇOES

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ERA VARAS

campanha contra a poliUca econômica do goveno. considerada como -entregulsta-,

Por outro lado. a politlca Interna de favorecimento do cmp1ado naciona. de dcfcsa de um maior Invesllmento estatal na economia e. sobretudo. as denuncias do goveno contra os abusos do capital eslrangelro provocavam a aglulinação. no campo oposto. de grupos com interesses heterogcneos. embora com um ponto cm co­

mum: postulavam um descnvolvlmcnto aciado o capital estrangeiro. Esses grupos iriam se organb.ar contra a pennan�ncla de Vargas no poder.

A Campanha do PClróleo descmpenhou um papel fundamental na polarização entre os grupos empenhados em definir e Influenciar as declsócs relativas ao desenvolvimento. Dela participm militares. Intelectuais. estudantes universitários. a Imprensa. o Congresso e os sindicatos. A exploração do pelróleo envolveu setores mais amplos da opinião publica no debate sobre os problemas da parUpação do capital estrangeiro na economia. a Intervenção do Estado. etc .. questões que ate então se restrtnglam a circulos restrttos. a grupos mais diretamente Ugados ou afetados pelas tomadas de decisão. como eonomistas. in· dustrlais e t�cnlcos. entre outros. Seus pontos de vista. na maioria das vezes. nio ultrapassavam o ãmblto de publlcaçõcs espcclallzadas. ou. se eram dlscuUdos na imprensa. ndo despertavam Interesse no publico em geral.

A Campanha do Petróleo estimulou ) aparecimento de Jornais voltados .1ra a divulgação das posições nacionaistas. em parte devido o fato de que a Imprensa de maior prestigio e circulação defendia teses favoráveis à participação de capitais eslrangeiros no desenvolvi­ mento Industrial do pais e ndo abria espaço para a posição contrária. Visando romper o siltnclo. os nacionalistas criaram pequenos Jornais. em geral tablÓldes semanais. que davam ampla cobertura a todos os acontecimentos relacionados a esse dcbate. Nas redaçOes e nas dire­ ções. como responsâvels pela feitura das publicações. encontravam-se mais economistas. advogados. ttnlcos do serviço publico e politlcos. do que profissionais da imprensa (Ramos. 1996: 139),

o finaL a solução dada â exploração do petróleo. com a criação da Petrobrás. em outubro de 1953. contemplou as poslçóes dos desenvolvlmentlstas nacionalistas. A vitória transmitiu a esses grupos uma alsa Idéia de força politlca e de exlsténcia de condiçôes estnJ­ turals para levarem adiante o projeto de desenvolvimento industrial autónomo. ancorado no Estado e no capital privado naciona. A evo, lução e o UnO dado ao desenvolvimento no periado que se seguiu.

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com Juscelino Kubitschek, parece indicar que tal perspeciva perdeu a po3slblUdade de se tornar o projeto polittco dominante para a SOCiedade brasileira eCatamente a partir da crtação da Petrobrás, Isso porque as transformaçOts que tinham lugar na estrutura econO­ mica determinaram o deslocamcnto do pólo dinâmico da economia. que passou dos setores dedicados i produção de bens de consumo não·durávels pnra selores de bens de consumo duráveis, verincando­ se uma nova relaç40 de forças no interior do sistema de poder. Os ns grupos empresariais que se rom passariam a influenciar e

a oientar a politica de desenvolvimento no enlldo da assodação ao capital e á tecnologia estrangclros necessários para lançar ou expandtr suas empresu.

:mbora o monopólio estatal do petrOlco e a crlaçao da Pctrobrás tenham e tomado simbolos do nacionaismo econOmico e polillco do governo constitucional de vargas, outros projetos e planos foram Implementados nesse penodo visando dar continuidade à expans40 Industrial e ariola. Criaram-se também Inúmeras InsttuiÕts sta­ tais. 1 tCemplo da Supcrintendtncia do Plano de Valorização Econô­ mica da Amazónla (1953), do Banco do Nordeste do Brasil [19521. da Comlsslo Nacional de 'olitlco Agrária (1952), do Banco Nacional de Desenvolvimcnto &onOnlco [1952) e do Instttulo Brasileiro do Cafe 11952),

Mesmo onSidemndo-se toou as rea1i.aÇOtS admlnlstrallvu e medidas econOmlcas e sociais promovldas por seu goveno, Vargas teve que enfrentar uma Instabllld3de Institudonal quc viia a c.raClerb.ar todo o periodo de 1945 a

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deveu em parte. como mostra Maria Celina O·Araujo. às • dificuldades do noslO sistema politlco em

aUIOlVcr a parlJclpaçio d:1 massa c em aceltar o traualhador como pareelro poliUoo legltlmo' (Araújo, 1986:127). Vargas foi o politico que percebeu que era precilO alargar a participação pcliUca Im:]ulndo as mss. tm perder. no enlanlo. o controle do Jogo político. Por outro lodo. não conseguiu apre:ntar uma proposta politlca que levse . um revlgento das InsUtulções sobretudo partldMas, o retomar ao governo, em ]951. apresentou'se com uma postura aparUdâMa. ou mesmo antlparUdárla, estabelecendo relação e Ormando S:US compromissos dIretamente com o 'povo' e com a "nação' - ou seja, acentuando sua liderança popultsta IArauJo,19821. Seu retorno provOlu uma reação multo forte por parte dos oposltores. um Odlo eontra a volta do ditador que perseguira. prendera, abolira as liber­ dades democrâUcas, Impuscra a censura os meios de comunicação. etc, Mas l reaçao lambem deve K:r entendida dentro do próprio

p

so

que

C

inldara em 1930, quando Vargas rol tecendo uma

Imagem de Iider persona!!sta. carismátiCO. o que provocou. em

contraparida. um antagonismo Igualmente personalizado.

O

getullsmo

teve como reverso o anUgetullsmo,

Vargas. diante de uma oposlçdo coda vez mois bem organi7.ada