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Societal and organizational level: External forces for SP

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4. RESULTS

4.6 I DENTIFIED T HEMES

4.6.4 Societal and organizational level: External forces for SP

* Fonte: CEARÁ, Relatório do Prêmio Gestão Escolar (2007, 19).

Como podemos verificar, a gestão do Liceu, em suas diferentes dimensões e nos vários segmentos, está na escala de desempenho no maior nível – excelente. Apenas no segmento estudante, a escola não atingiu tal indicador. Na relação com as demais escolas do CREDE e do Estado, a escola também apresenta excelentes resultados.

Para o Diretor da escola, houve um tempo que equivale aos primeiros anos da reformulação do projeto pedagógico da escola que a gestão, e em particular, que ele teve de estar bastante presente no interior da escola e, cotidianamente, atualizando a fundamentação teórica da proposta em curso para enfrentar as resistências internas e externas, como veremos a seguir. Numa linguagem figurada, o Diretor reconhece

Você sabe como um jegue anda? Era mais ou menos como eu me considerava naquele período, era só o objetivo, mas não por questão pessoal, não precisava provar nada, porque a gente já vinha de duas experiências anteriores e bem sucedidas, era pra garantir o sucesso do próprio Liceu, o que a gente tomou como desafio e eu imaginava que se nada disso desse certo como vai ficar a escola?[...].

Algumas pessoas vão dizer que eu sou obstinado, frio, que quero aparecer, que tudo foi feito pra crescimento pessoal, muitas coisas são ditas, mas eu não ligo muito [...].

Eu acho que eu nunca desisto. Às vezes penso assim, “eu poderia estar cuidando mais de mim”, porque eu tinha planejado estudar e não estar com esse trabalho todo, mas isso eram pensamentos vazios. O pior é_que eu gosto do que eu faço. E, a gente está num momento bom no Liceu, o trabalho não está concluído, a gente sabe que precisa de mais algum tempo pra que esse ciclo termine e a gente partir para um outro trabalho, para então voltar para o projeto inicial de estudar um pouco mais.

Esta autoavaliação do diretor aponta para os conflitos vivenciados na função de coordenar o processo, nas opções (contraditórias, mas ao mesmo tempo conscientes) feitas e a finalidade da gestão escolar como meio para o sucesso da aprendizagem.

A coordenadora pedagógica sintetiza, dizendo que [...] nosso projeto está dando certo.

Porque nós, grupo gestor junto com os professores, estamos nos dedicando, dando tudo de si para melhorar. Porque a gente não fica só esperando as coisas melhorarem, a gente vai à luta, vai atrás de melhorar e juntos o projeto cresce.

Quanto ao papel da gestão escolar na consecução do projeto político-pedagógico, ela adota o modelo da gestão democrática-liberal. É participativa, inovadora e inclusiva e é responsável pela coordenação dos processos e das pessoas, buscando garantir as condições para o sucesso da aprendizagem. Como pudemos observar, todas as mudanças propostas foram discutidas com o corpo docente e registradas, embora nem sempre o coletivo se aproprie e implemente no cotidiano da escola as deliberações consensuadas (Ver capítulo 7.2). O Conselho Escolar não se encontrava, no período da coleta de dados, formalmente constituído, pois a representação dos estudantes não estava organizada. O Núcleo Gestor se reunia semanalmente para discutir, avaliar e planejar as atividades que concretizam o projeto da escola.

No corpo gestor da escola, o professor Plácido traz consigo o desafio da direção do Liceu, a Coordenação Pedagógica e alguns professores que já estavam adaptados e sensibilizados quanto à necessidade, o sucesso e as demandas emergentes da reorganização dos tempos e dos espaços do trabalho educativo.

Segundo os estudantes,

[...] a gente tem um diretor que ele tem uma criatividade e que vai atrás de fazer mesmo. Então a escola tem vários projetos, ganhou vários prêmios de gestão e também esse modo com que eles trabalham fazem com que os alunos trabalhem dentro daquilo que a escola propõe. Muitas escolas têm aquele diretor que está ali, seguindo aquela regra. (DAVID, 3º. Ano, 2007, 05).

A responsabilidade pelo sucesso dos indicadores da escola é atribuída à figura do Diretor, reafirmando a diretriz política “planetarizada” da centralidade do gestor nos resultados da Instituição.

O foco nos resultados, conforme pressupõe a gestão para o sucesso escolar ou de resultados, é sintetizado pela estudante Luiza, ao reconhecer que [...] o ponto forte na escola

no vestibular, quando os alunos levam projeto para fora do país. Então, a gente vê os resultados todos os dias.

Além de criativo e sistemático, o Diretor também apoia iniciativas dos professores e, consequentemente, ampara os estudantes que desenvolvem estes projetos e eventos dentro da escola. Segundo Danielle,

[...] todos os professores participaram junto com a gente, todos eles não deixam faltar nada, se nós precisamos de alguma coisa, eles ajudam, não deixam de nos incentivar, principalmente os professores organizadores [...]. Sempre, quando tem esse tipo de trabalho, esse tipo de evento dentro da escola, geralmente o diretor apóia e com isso acaba nos apoiando, porque todos os professores interagem. (DANIELLE, 3º. Ano, 2007, 08).

Para a professora Flávia, o diretor da escola, é aparentemente calado, mas ele é muito

atuante e exige muito do professor, para que o professor seja o melhor, procure ser melhor. Ele não só anima você como professora, professor, ele também lhe dá chance de outros horizontes, fora sala de aula.

Esta unidade presente na escola está explicita no relatório do Prêmio Gestão Escolar (2007, 11), quando a escola cita que o grande desafio desta gestão na atual conjuntura é [...]

sair da mesmice que envolve todo o processo educacional, que não se desenvolve por vários fatores seculares: práticas pedagógicas, salários do professor, falta de recursos e formação do professor. Isto porque a educação é compreendida como [...] instrumento facilitador do desenvolvimento humano e propiciador da construção de competências e habilidades em prol da dignidade do homem, ao mesmo tempo em que o conhecimento é havido como capital

humano, justificando a desigualdade social.

A gestão da escola enfrenta movimentos contraditórios no seu cotidiano. Há desafios de ordem política, ao estar inserida em um sistema regulado por normas, diretrizes políticas e orientações “planetarizadas”. Há dilemas inerentes à atual conjuntura, em decorrência do modo de produção que impõe à educação um tipo de formação e organização do trabalho. Há na contracorrente, um movimento interno entre as pessoas que dão vida ao projeto da escola, a organização política e pedagógica, a estrutura física e material e a tradição do projeto educativo histórico.

Em meio a este duelo, são gestados os projetos das escolas. Algumas ousam inovar, outras não conseguem refletir sobre si mesmas diante das inúmeras demandas dos sistemas que intermitentemente tentam controlar externamente os processos e resultados da escola. Para o Liceu [...], na maioria das escolas o que se verifica é que, tantas vezes, há medos

alunos aborrecidos, insatisfeitos, inseguros, desmobilizados e comportamento fora dos padrões éticos. (CEARÁ, RELATÓRIO DO PRÊMIO GESTÃO ESCOLAR, 2007, 8-9).

Consideramos, no entanto, que não é apenas o medo entre discentes, docentes e gestores que inviabiliza a elaboração de projetos alternativos de escola. O caminho histórico do projeto educativo nacional evidencia o desvirtuamento do foco do problema, a promoção de uma educação cujo objetivo é limitar a ação e a criatividade, a padronização e uniformização das escolas, transformando-as em “minerais”, entre outros movimentos que coíbem a ruptura e ressignificam as tentativas em curso.

O Liceu do Maracanaú destaca-se como um movimento autônomo, que nasce dentro da escola. Deste modo, ele se confronta com a ordem vigente, ao pensar, conceber e avaliar o projeto da escola. O êxito advém, entre outros fatores, de unidade, clareza e objetividade, como veremos na a seguir na identidade da escola.

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