5. LOCAL LIVELIHOODS
5.1. Assets and capitals
5.1.4. Social Capital
O Atendimento Clínico Ambulatorial com Acupuntura acontecia uma vez por semana, sendo que, de setembro a dezembro de 2008 às sextas-feiras pela manhã, e de janeiro a abril de 2009, às quartas-feiras, no período da tarde. Eram atendidos em média quinze pacientes por período, entre casos agudos encaminhados por outros profissionais de saúde, casos crônicos que aguardavam na fila de espera e retornos de pacientes que já estavam fazendo tratamento.
O procedimento na maioria dos casos era o seguinte: o paciente chegava ao Centro de Saúde e era encaminhado para a sala de espera do ambulatório de adultos e depositava seu cartão do SUS numa caixinha que fica do lado de fora das divisórias que separam a sala de espera das salas de atendimento da enfermagem.
Nesse cartão estava anotada a data da consulta que foi pré-agendada para aquele dia, indicando o nome do médico ou a especialidade. Em seguida o cartão era analisado por uma das auxiliares de enfermagem, a fim de se verificar os dados da consulta e organizar os prontuários por ordem de chegada sobre o balcão central que fica do lado interno do ambulatório.
Quando o acupunturista chegava ao ambulatório, os prontuários já estavam sobre o balcão com os respectivos cartões. Ele mesmo chamava o paciente para um dos
consultórios, um de cada vez e por ordem de chegada, salvo casos de dores mais agudas, que eram atendidos prioritariamente.
Já no consultório, quando da primeira consulta, inicialmente fazia-se uma minuciosa anamnese e a investigação do histórico da queixa do paciente. Neste momento perguntava-se qual é a queixa principal, a alimentação do paciente, os hábitos de postura corporal e exercícios diários; também o histórico de doenças pessoais e familiares, os horários de maior incidência da dor ou incômodo, a influência do clima sobre o incômodo e o estado mental e emocional atual.
O acupunturista passava para o exame clínico propriamente dito, solicitando para que o paciente sentasse na maca com o tronco ereto fazendo um ângulo de 90º com as pernas e a canelas e os pés soltos apontando para baixo. Neste momento pedia para que o mesmo mostrasse sua língua e abria um pouco a porta que dá para o corredor externo e para as janelas, procurando utilizar a luz natural para verificar o estado da língua do paciente.
Figuras 12 e 13: Consultório no Ambulatório de Adultos
Muitas pessoas estranhavam o pedido e ficavam curiosas para saber por que deviam mostrar a língua, ficavam encabuladas e até riam da situação, mas logo era dada a explicação pelo acupunturista: analisar a língua é um procedimento diagnóstico da MTC, isto é, faz parte de um contexto terapêutico diferenciado que prima pela intervenção no campo energético do organismo, e que pela língua é possível diagnosticar o estado
energético dos nossos órgãos internos. Também era feita a inspeção das unhas, da coloração da face, dos cabelos e o diagnóstico pela pulsologia41.
A etapa seguinte era a identificação de pontos dolorosos pela superfície do corpo através da palpação dos locais que o paciente reclama de dor ou pelos chamados Pontos Mu ou Pontos de Alarme42. Se um ponto de alarme doer ao ser pressionado, isso indica desequilíbrio energético no sistema ou órgão correspondente. Desta forma era elaborado um diagnóstico e os pontos de tratamento eram escolhidos, ou outras técnicas terapêuticas eram preferidas ao invés da acupuntura, como a moxabustão e a ventosatarapia43.
No caso da aplicação da Acupuntura, na maior parte das vezes o paciente deitava- se na maca na posição de decúbito frontal ou decúbito dorsal dependendo dos pontos que seriam utilizados.
Da esquerda para direita e de cima para baixo:
Figura 14: Posição de Decúbito lateral; Figura 15: Posição de Supinação; Figura 16: Posição de Pronação; Figura 17:
Sentado levemente inclinado e Figura 18: Sentado ereto com os cotovelos flexionados sobre a mesa.
41
Quando tomamos o pulso de um paciente, percebemos a pulsação do Qi indiretamente pela pulsação do sangue. O Qi é uma energia sutil que não pode ser medida, assim usamos a artéria radial para sentir a pulsação do sangue para termos uma idéia do estado do Qi. Isso é possível pela forte ligação entre Qi e Sangue, pois o Qi comanda o Sangue. Além disso, como o pulso é sentido pela artéria radial, onde flui o canal do Pulmão, que governa o Qi, essa artéria, em particular, nos conta o estado do Qi. (Maciocia, 2006).
42 Os Pontos de Alarme (Ponto Mu) são os pontos onde o Qi de um sistema Zang-Fu se reúne e se concentra sobre a
superfície anterior do corpo. Quando apresentam energia em excesso doem ao serem pressionados (Maciocia, 2006).
43
Técnica da medicina tradicional chinesa que consiste na colocação de copos de ventosa (vidro) no corpo sobre a pele para gerar sucção no local, provocando alivio da dor (Cunha, 1996).
O acupunturista retirava da embalagem uma agulha de cada vez e a inseria no mandril44 segurando-a com a ponta para cima e em seguida virava o conjunto de modo a deixar a ponta da agulha já na direção do ponto onde será aplicada. É com a ajuda da outra mão que o local exato é decidido, apalpando-se a região para encontrá-lo por meio da sensibilidade do tato. Colocado o conjunto mandril/agulha no local, um leve toque insere a agulha e, depois de retirado o mandril, o terapeuta continua segurando-a com a mão direita até sentir o ―Te-Chi‖45. O mesmo procedimento era repetido em cada um dos pontos escolhidos.
Com a moxabustão, o procedimento diagnóstico era o mesmo. Para o tratamento, o acupunturista acendia o bastão de moxa com um fósforo e o apontava na direção do ponto de acupuntura ou região escolhida, segurando-o à distância de cinco centímetros da pele até que o paciente indicasse que a temperatura do local atingiu calor suficiente. O mesmo procedimento era repetido de três a cinco vezes no mesmo ponto.
A ventosaterapia já é um pouco diferente, não trabalha necessariamente com os pontos de acupuntura, mas com uma região do corpo, maior ou menor, dependendo do tamanho do copo utilizado. O fundo do copo é molhado com alguns jatos de álcool e com a ajuda de um fósforo é feita a combustão. Rapidamente o copo é virado, encostando-se a boca no local da superfície do corpo selecionada, causando um efeito de sucção da pele naquela região.
Quanto ao procedimento da acupuntura, ao término da aplicação das agulhas o paciente era deixado em repouso pelo período de vinte minutos em média, até que o acupunturista voltasse para retirar as agulhas e avaliar o tratamento realizado. Geralmente eram utilizados três consultórios simultaneamente, pois enquanto um paciente ficava em repouso outro era atendido e assim por diante.
44 Canaleta de plástico de comprimento alguns milímetros menor que o da agulha, serve para direcionar a aplicação da
agulha.
45
Te-Chi é a sensação que é experimentada após a inserção da agulha pelo paciente e também pelo acupunturista. Existem quatro tipos de sensação que podem ser sentidas pelo paciente: 1)Suan - sente-se como se a agulha tivesse atingido um nervo, como no caso do nervo de um dente exposto. 2)Tsan - sensação de plenitude. 3)Tsun - sensação de peso. 4) Má - sensação é de um formigamento ou choque. O acupunturista sente como se a agulha, ao aprofundar-se no ponto, ficasse presa, numa ―sensação do peixe que mordeu a isca‖, isto é o Te-Chi. (Ming, 1996).
Da esquerda para direita:
Figura 19: Aplicação de agulhas de Acupuntura; Figura 20: Aplicação de Moxabustão, Figura 21: Aplicação de Ventosas.