6.2 Nivå 1: Måling av metaspråklig bevissthet
6.2.3 Snakker du dialekt? I så fall hva slags dialekt snakker du?
É um modelo pensado para a não dispersão, o aumento de produtividade. Vivendo os jornalistas dentro do próprio estúdio (servindo eles próprios de elemento da cenografia), com o computador em frente de si, permitindo-lhe o acesso à informação necessária, trazendo-lhe as imagens que deve montar e as próprias ordens da hierarquia, as perdas de tempo são reduzidas ao mínimo.
Vimo-la chegar, a esta palavra de ordem, pela voz dos representantes das empresas de consultoria. Jovens, de fato e pasta, dirigiam-se aos gabinetes e perguntavam aos responsáveis da informação diária, não-diária, e até de Programas: “Quantas palavras escrevem os seus
jornalistas por dia? Quantas peças fazem? ”
Isenção? Rigor? Pluralismo? Contextualização?54 Ética? Qualidade? Tudo expressões da velha linguagem, a banir. O que interessa, mesmo, é a produtividade por caracteres.
Não se julgue que exagero nestas questões da linguagem: uma ação de formação chegou a indicar aos formandos os “Verbos de Ação adequados para a Definição de Objetivos” e os “Verbos não adequados para a Definição de Objetivos”, em que “aprender”, “compreender”, “perceber” e “refletir” estão entre os “não adequados” – mas “aderir”, “avaliar”, “cumprir” e “ganhar” estão entre os “adequados”. (Ver Anexo E)
Impossível explicar que a informação, que entendemos como um bem público, não se pode medir em caracteres, quando o nosso interlocutor a vê como simples mercadoria. Já não é a televisão de Serviço Público, mas a fábrica de Charlot em Tempos Modernos (1936). Olhando para a RTP como para uma fábrica de componentes, pouco lhes interessa que “a
velocidade a que os jornalistas são forçados a trabalhar”, a falta de tempo para refletir
(verbo inadequado!) seja responsável por “muito do que acontece e, mais importante ainda,
pelo que deixa de acontecer ” (Tunstall, 1971: 6).
E sendo a produtividade a medida do bom trabalho, na impossibilidade de exigir maior velocidade de produção passa-se a medi-la em termos de repetições da mesma peça (notícia, pequena reportagem).
É essa uma das tarefas do Gabinete de Qualidade, que contabiliza a produção e exibição de “conteúdos de informação” na RTP1, “2”, RTP-N, RTPi e RTP África. Dividem- se as “peças” efetuadas em “exibidas” e “não exibidas” e calcula-se a taxa média de “reexibições” e de “não aproveitamento” (ver Anexo F).
Em Dezembro de 2006, por exemplo, em 5123 peças gravadas, ficaram por exibir 85, num total de 162 minutos. Das restantes, a grande maioria – 2105 – foi exibida uma só vez. 842 peças foram exibidas duas vezes, 625 três vezes, 504 quatro vezes, 316 cinco vezes, 631 de seis a dez vezes e finalmente 105 peças mais de dez vezes, sendo a taxa média de reexibição de 3% e a de não aproveitamento de 1,6%. O recorde de reexibições coube a reportagens sobre a “Operação Natal” e “Protestos contra a TAP”, exibidas 26 vezes. Deduz- se, desses números, o grau de produtividade dos seus autores.
Aparentemente, o controlo tem conseguido os seus objetivos: de Junho a Dezembro de 2006 a taxa média de reexibições subiu de 2,7% para 3,0 %, enquanto a taxa de não aproveitamento baixou de 3,0% para 1,6%.
Podemos interrogar-nos sobre se a preocupação da produtividade, expressa nas diversas utilizações de uma mesma peça noticiosa, não afeta o pluralismo informativo – uma dúvida que pode, aliás, ser também colocada por a informação dos vários canais estar submetida a uma única Direção de Informação (cfr. Anexo D e F).
O registo feito pelo Gabinete de Qualidade de quais as peças feitas por cada jornalista – identificado por três iniciais – e, dessas, quantas foram emitidas, quantas não, funciona como uma forma de controlo editorial, já que os jornalistas, perante o risco de serem acusados de baixa produtividade, tenderão a adaptar o seu trabalho às orientações e aos gostos dos responsáveis máximos pelo alinhamento.
Em conversa informal, alguns jornalistas explicam-me que um importante critério é o tamanho das peças. As que ultrapassam 1’40” têm maior probabilidade de cair nos “azuis” (ou “congelados”), aqueles trabalhos que ficam por emitir até que um dia haja uma emergência e absoluta falta de notícias para “encher” o tempo do noticiário que, tendo habitualmente uma boa audiência, é utilizado como âncora da programação do “horário nobre” da RTP, o que o leva a ser mais extenso do que o habitual nas televisões de outros países e, também, nas décadas de 70 e 80.
Mas qual será o efeito do modelo organizativo no trabalho jornalístico?
Em 1978, quando comecei a trabalhar na RTP, usava-se ainda o filme nas reportagens para o Telejornal. Ao chegar de uma reportagem, o jornalista tinha de esperar pela revelação do filme, o que lhe dava tempo para preparar o guião de montagem e o respetivo texto. A mudança para o vídeo pôs fim a esse constrangimento técnico, mas o facto de as ilhas de montagem serem em número muito inferior ao de jornalistas mantinha o tempo de espera – então por um equipamento livre. Por outro lado, quer no filme quer no vídeo, o jornalista não montava diretamente e, embora lhe coubesse decidir a construção da peça noticiosa, havia normalmente um diálogo com quem fazia a montagem – muitas vezes a primeira pessoa em quem era possível testar a inteligibilidade da notícia, a facilidade de compreensão do texto, a fluidez da narrativa.
Hoje, o próprio jornalista pode montar a sua peça – nem que seja cortando apenas uma sequência de imagens da gravação feita – o que elimina esperas desnecessárias e aumenta a rapidez e a eficiência. O risco a ponderar é se essa capacidade de aliar a competência técnica à competência interpretativa – que é a base do jornalismo – pode levar à subalternização desta, criando um conflito entre a urgência da emissão e o tempo necessário à compreensão, interpretação e contextualização de uma notícia.
A possibilidade de aceder, no computador individual, às imagens das notícias internacionais é outra diferença no método de organização em relação ao tempo em que trabalhei na secção internacional do Telejornal. Nessa altura, as notícias chegavam pela EVN (Eurovision News Exchanges), duas vezes ao dia, de manhã e à tarde, havendo envios adicionais quando a atualidade internacional o justificava. Recebidas na Central Técnica, eram enviadas para uma pequena sala onde os jornalistas de ambos os canais acompanhavam a sua receção55. A chegada das imagens era precedida pela das “dope sheets”, as folhas de alinhamento da emissão, que permitia uma escolha prévia, pelo responsável da secção, dos temas mais importantes para esse dia e a sua distribuição pelos jornalistas.
Hoje o jornalista pode ver as imagens quando e quantas vezes lhe convier, e a possibilidade de consultar, no mesmo equipamento, muitas outras fontes sobre a mesma
55 Os dois serviços noticiosos – Telejornal e Jornal 2 – tinham então redações totalmente separadas, bem como uma muito maior independência na utilização de meios técnicos, sendo a divisão de equipas de reportagem decididas na véspera e os equipamentos de montagem partilhados, mas tendo em conta o horário de emissão de cada um dos jornais.
notícia substitui as conversas que, na “sala da EVN”, permitiam por vezes a contextualização e o desenvolvimento da notícia por um dos jornalistas mais velhos ou mais conhecedor da zona do globo em causa.
O Gabinete de Qualidade estuda também a divisão das peças por temas: sem surpresas, em Dezembro de 2006 fora o desporto a dominar, com 23,8%, enquanto a política nacional se ficara pelos 6,9%. Audiência obriga, e audiência é outra das palavras de ordem.