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Slutten på Den kalde krigen: En ny verdensorden

Não se pode conceber a ação do Orientador Educacional ou de qualquer outro educador, sem planejamento.

Heloisa Lück

Lück (2002, p. 15) salienta que “planejar é vislumbrar uma situação futura melhor e propor-se a construir essa realidade. É materializar uma vontade de transformação da realidade dando objetividade e direcionamento claro às ações”.

Neste contexto, acredita-se ser necessário que as atribuições dos especialistas – orientadores, gestores, administradores e outros – formados no curso de Pedagogia sejam delineadas, a fim de otimizar a atuação de cada um, pois ao cursarem a graduação em

Pedagogia adquirem conhecimentos semelhantes e por assim ser, atuam nos mesmos ambientes de trabalho, neste caso, a escola.

A formação teórico-política do orientador educacional e certamente de todos ou outros profissionais da educação, deve estar diretamente articulada às funções que eles desempenharão, evitando-se desse modo planejamentos vazios, de pouca abrangência e significação.

A rede particular de ensino tem autonomia para incluir em seus regimentos internos, conforme seu desejo e necessidades, as atribuições de cada um dos especialistas em educação (GIACAGLIA; PENTEADO, 2002). No entanto, os referidos autores esclarecem que também as escolas particulares devem observar o decreto que regulamenta a profissão do orientador educacional.

A Lei 5564, de 21.12.1968, regulamentada pelo Decreto nº 72846, de 26.09.1973, nos artigos 8º e 9º do decreto em questão, especificam em âmbito nacional, as atribuições do orientador educacional conforme a seguir:

Artigo 8º - São atribuições privativas do Orientador Educacional:

a) Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação Educacional – SOE, em nível de:

1 – Escola 2 – Comunidade

b) Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do SOE dos órgãos do Serviço Público Federal, Estadual, Municipal e Autárquico; das Sociedades de Economia Mista, Empresas Estatais, Paraestatais e Privadas.

c) Coordenar a orientação vocacional do educando, incorporando-a no processo educativo global.

d) Coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do educando. e) Coordenar o processo de informação educacional e profissional com vistas à

orientação vocacional.

f) Sistematizar o processo e intercâmbio das informações necessárias ao conhecimento global do educando.

g) Sistematizar o processo de acompanhamento dos alunos, encaminhando a outros especialistas aqueles que exigirem assistência especial.

h) Coordenar o acompanhamento pós-escolar.

i) Ministrar disciplinas de Teoria e Prática da Orientação Educacional, satisfeitas as exigências da legislação específica do ensino.

j) Supervisionar estágios na área da Orientação Educacional.

k) Emitir pareceres sobre matéria concernente à Orientação Educacional.

Artigo 9º - Compete, ainda, ao orientador educacional as seguintes atribuições:

a) Participar no processo de identificação das características básicas da comunidade. b) Participar no processo de caracterização da clientela escolar.

c) Participar no processo de elaboração do currículo pleno da escola.

d) Participar na composição, caracterização e acompanhamento de turmas e grupos. e) Participar no processo de encaminhamento dos alunos estagiários.

f) Participar no processo de integração escola-família-comunidade. g) Realizar estudos e pesquisas na área da Orientação Educacional.

Percebe-se que o orientador educacional tem atribuições privativas, as quais cabe a ele próprio coordenar e outras de caráter participativo junto aos demais membros da equipe escolar, família e comunidade. Fato é que ele representa no exercício de sua função uma peça muito importante, pois suas atribuições estão diretamente ligadas e articuladas ao bem-estar e ao desenvolvimento do contexto escolar e de todos que dele fazem parte. Os atores escolares são, cada um no exercício de sua função, individual e coletivamente responsáveis pela produtividade e eficácia das ações propostas no Plano Escolar.

As atribuições do orientador educacional extrapolam os muros da escola e refletem diretamente nas questões sociais, especialmente, as que dizem respeito à profissionalização dos educandos e seu ingresso ao mercado de trabalho que, nas sociedades atuais, como já referido anteriormente, demandam cada vez mais pessoas potencialmente criativas. Se o orientador educacional puder contar com um ambiente escolar que privilegie a gestão democrática, ou seja, o envolvimento, a participação e colaboração de todos os membros da escola nas decisões de cunho administrativo/pedagógico, bem como na construção do Plano Escolar, ele terá grandes oportunidades para desenvolver trabalhos de alta qualidade.

Quando se fala em escola, deve-se reconhecer que ela é uma instituição desenvolvida a partir das sociedades em meio às suas complexidades, iniqüidades, ambigüidades e peculiaridades. Assim, a escola representa um espaço específico e privilegiado de formação,

transmissão de conhecimento, divulgação de valores e constituição da consciência social. Ao refletir sobre o contexto escolar, reconhece-se que ele é um espaço formal de sistematização do conhecimento e do aprendizado funcional-instrumental que irá atender as demandas de uma sociedade complexa, divergente e plural. A escola é um espaço privilegiado de produção, transmissão, e divulgação de uma cultura. Nas palavras de Schein, (citado por Thurler,1998):

A cultura do estabelecimento é ativamente construída pelos atores, mesmo que inconscientemente. Trata-se, enfim, de um processo dinâmico, evolutivo, de um processo de aprendizado que se desenvolve através das soluções que um grupo encontrou para problemas surgidos. O conteúdo de uma cultura pode ser definido […] como soma das soluções que funcionaram suficientemente bem para que se tornem evidentes e sejam transmitidas aos recém-chegados como formas corretas de captar, de pensar, de sentir e de agir (p. 181).

A esse respeito, Freire (1978) lembra que devemos pensar o sujeito vinculado a sua realidade de vida, ao seu contexto sócio-econômico e histórico-cultural, pois cada indivíduo é ator e construtor da cultura dos vários segmentos sociais aos quais pertence.

No contexto da criatividade, é importante valorizar as peculiaridades de cada aprendiz, sua bagagem de conhecimento anterior e a apreendida na escola. Vale ressaltar também, que um dos aspectos psicológicos mais importantes e de significativa influência sobre o indivíduo, quando se pretende trabalhar, estimular e desenvolver o seu potencial criador, é a auto-estima. Conforme Branden (1997) ressalta, a auto-estima é uma poderosa necessidade humana e na ausência de uma auto-estima positiva, nosso crescimento psicológico fica interditado, nossas resistências diante da vida e suas adversidades diminuem.

A autora supracitada define auto-estima como sendo “a confiança em nossa capacidade para pensar e enfrentar os desafios da vida. A confiança em nosso direito de ser feliz, a sensação de sermos merecedores, dignos, qualificados para expressar nossas necessidades e desejos e desfrutar os resultados de nossos esforços” (p. 28).

Ainda, no tocante à importância da auto-estima positiva e sua influência no potencial criador humano, trazemos a análise feita por Corkille (citado por MITJÁNS MARTÍNEZ 2003), onde o autor afirma que:

A relação entre auto-estima e criatividade sem bloqueios é extremamente poderosa. A criação é um ato de digressão por natureza. Sua mensagem diz: “Vejo as coisas do meu modo e estou disposto a deixar que penetres em meu mundo perceptivo privado.” Para tornar pública a sua reação pessoal, é necessário dispor de confiança em si mesmo. Os estudos pertinentes a essa área demonstram que o jovenzinho livremente criativo possui altos níveis de autoconfiança, maturidade emocional, serenidade e independência ... (p. 67).

Assim, é imprescindível que os educadores, pais ou responsáveis por crianças, adolescentes ou mesmo por outros adultos, cientes de sua responsabilidade, confiem e acreditem na capacidade deles, uma vez que a postura que assumimos diante daqueles pelos quais somos responsáveis transmite a eles nosso pensamento a seu respeito, podendo contribuir de forma positiva ou negativa na construção da sua auto-estima. É imprescindível respeitar valores, ritmos e preferências individuais como condição necessária à construção de uma auto-estima positiva, uma vez que este sentimento nos envolve de forma marcante e reflete significativamente no nosso julgamento sobre nós mesmos, sobre as nossas ações e reações aos acontecimentos.

Também, a despeito da importância do comportamento do outro na construção de uma auto-estima elevada, Alencar (1990) pontua que o modo como o indivíduo se percebe, suas crenças e sentimentos a respeito de si mesmo e de suas capacidades, são formados ao longo dos primeiros anos de vida, sofrendo uma profunda influência de seus primeiros agentes socializadores – pais e professores.

Esse sentimento depende em alto grau de como o indivíduo se sente em relação à percepção e aceitação das pessoas importantes em sua vida. Nesse sentido, a interação do indivíduo consigo mesmo depende, em geral, de sua situação e aceitação social, que por sua vez reflete, influi e reforça seu estado interior. Fideli (1997) lembra que a imagem que reflete da nossa consciência deve conferir-nos um sentimento de satisfação, de confiança e segurança. Este autor ressalta, ainda, que a auto-estima além de ser fator condicionante na formação do caráter do homem, constitui-se como fator essencial, relevante e significativo na sua vida, pois pode levá-lo ao sucesso ou ao fracasso, como pessoa e como ser participante e pertencente a uma sociedade.

Em um ambiente escolar que prima pelo desenvolvimento da criatividade, os especialistas em educação, e nesse caso específico o orientador educacional, devem propor e elaborar projetos e estratégias pedagógicas que continuamente reforcem este sentimento, a fim de promover o bem-estar pessoal e coletivo dentro da escola e um ambiente adequado ao desenvolvimento do potencial criador.

Quando se tem a auto-estima elevada, o indivíduo se sente mais seguro, e o sentimento de segurança permite-lhe tomar iniciativas e decisões, agir ou reagir de maneira mais efetiva nos diversos contextos e segmentos nos quais se insere.

O conceito de perda de auto-estima está intimamente ligado ao sentimento de inferioridade, ou seja, desvalorização, por parte do próprio indivíduo, de suas próprias capacidades e possibilidades, podendo levá-lo a uma condição de insegurança e latência. Por

isso, é tão necessário, que em sua interação com os orientandos, o orientador educacional demonstre aceitação, confiança, credibilidade, atitude positiva, afetiva e motivadora, em relação às potencialidades e peculiaridades de cada um.

Assumpção (1981) enfatiza a necessidade de orientador e orientando vivenciarem um relacionamento eficaz, para crescerem e tornarem-se integrados no processo de orientação criativa. Sem aceitação, apoio e relações afetivas, o processo será falho e não atingirá os objetivos almejados. Assumpção (1981) ressalta, ainda que, se o orientador mantiver um bom clima de relacionamento com o orientando, lhe será proporcionada a oportunidade de vivenciar autoconfiança, auto-estima, liberdade, individualidade, iniciativa, originalidade, curiosidade, envolvimento e, conseqüentemente, criatividade.

A criatividade e a relação orientador-orientando visam, conforme Assumpção (1981) que a orientação seja facilitada:

• dando confiança ao orientando como uma pessoa responsável, com tendências para o crescimento, desenvolvimento e realização;

• possibilitando ao orientando usar seu raciocínio e imaginação ao bel-prazer;

• oportunizando ao orientando desenvolver sua capacidade criativa através de situações desencadeadoras;

• dando liberdade ao orientando de fazer os seus próprios julgamentos, escolhas e decisões;

• oportunizando ao orientando sua auto-avaliação;

• vendo o orientando mais no domínio afetivo que no cognitivo; • propiciando envolvimento de sentimentos e emoções;

• possibilitando ao orientando a expressão criativa individual;

• dando oportunidade para um relacionamento informal e pessoal com o orientador.

Contudo, vale lembrar que, se o orientador educacional deseja desenvolver um trabalho de qualidade que produza bons frutos e resultados satisfatórios, ele necessita estar capacitado para realizar suas atribuições. Assim, deve, continuamente, buscar essa capacitação, visto que o conhecimento vasto de temas que envolvem as atribuições de um profissional é condição imprescindível ao atendimento das exigências educacionais contemporâneas.

não deve açambarcar todas as tarefas a serem realizadas durante a execução dos projetos, deve sim, determinar que tarefa caberá a quem. Sozinho, ele não conseguirá por em prática suas propostas, além de correr o risco de não obter o apoio dos demais membros da escola. Quando há responsabilidade conjunta, há também o envolvimento conjunto, o que deverá levar a melhores resultados.

A situação descrita anteriormente nos remete à dimensão política de um planejamento, uma vez que, quando se propõem ações que afetarão pessoas dentro de uma comunidade, estabelece-se um sentido social. Assim, conforme Dallari (citado por LÜCK, 2002, p. 62) “quando são afetados os interesses fundamentais de um indivíduo ou de um grupo social, todo o conjunto da sociedade sofre conseqüências de alguma espécie”. Desse modo, os problemas que afetam a convivência e a organização social são problemas coletivos, e por assim se caracterizarem, soluções em conjunto devem ser buscadas em prol do interesse comum.

É possível também no SOE se obter o apoio dos demais membros da escola, contudo, deve-se envolvê-los de modo tal, que se sintam responsáveis e necessários à implementação e operacionalização dos projetos propostos por este setor. É a “gestão participativa” proposta pelo orientador educacional em prol do bom andamento das atividades do SOE.