4. ETABLERINGEN AV EN ENERGIØKONOMISK DISKURS
4.4 I PÅVENTE AV LØNNSOMHET : MÅLINGER , DEMO OG PROTOTYPER
4.4.2 Skiftende skala - skrale scripts
Após as análises do autorreconhecimento e da identificação institucional, passaremos à discussão dos aspectos relacionados ao reconhecimento social propriamente dito. Inicialmente, salientamos que o reconhecimento social diz respeito à referenciação das capacidades e propriedades do sujeito pela alteridade, contribuindo com a sua autopercepção positiva, grosso modo, com sua identidade (HONNETH, 2009). Nesse sentido, os resultados encontrados indicam que os noviços reduziram suas expectativas em relação ao reconhecimento social depois da socialização na polícia militar, haja vista que todas as assertivas analisadas apresentaram avaliações negativas. Com isso, conclui-se que os noviços se percebem menos valorizados do que esperavam ser antes do ingresso, num movimento que demonstra frustração e desrespeito no
processo de identificação positiva. Os dados são apresentados no Anexo I e estão resumidos na Tabela 32 a seguir.
Tabela 29 – Resumo da opinião dos noviços da PMDF quanto ao reconhecimento social
Sinto-me subestimado no meu trabalho 0,92 0,057 17,4% -4,0% -13,4%
Sinto-me discriminado devido ao meu trabalho -0,13 0,656 8,9% -8,6% 0,3% No meu trabalho sinto ser tratado como pessoa
respeitada -0,33 0,390 -2,0% -8,0% 10,0%
Meu trabalho favorece a elevação da autoestima 0,13 0,664 -3,1% -3,2% 6,3% As pessoas sabem quanto é importante o meu
trabalho -0,97 0,041 -3,2% -4,0% 7,2%
Com o meu trabalho sinto que sou reconhecido
pelas pessoas -0,20 0,497 -8,9% -1,7% 10,6%
N=350 1
Os percentuais apresentados representam a diferença entre os percentuais apresentados no trabalho esperado e no trabalho real. 2
A escala utilizada contava com 7 itens, a saber discordo totalmente (1), discordo muito (2), discordo levemente (3), não concordo, nem discordo (4), concordo levemente (5), concordo muito (6) e concordo totalmente (7). Nesta tabela, contudo, os dados foram agregados em três categorias.
Fonte: Reconhecimento, identidade e trabalho sujo na PMDF. MATTOS, 2012.
Concordo2 Não concordo,
nem discordo Discordo Qui-
Quadrado (p valor )
Diferenças entre os percentuais1 Média
Tabela 32 - Resumo da opinião dos noviços da PMDF quanto ao reconhecimento social
Em detalhe, destacamos os resultados referentes aos itens que avaliaram a estima social dos noviços. Em primeiro lugar, a análise da opinião dos noviços sobre a assertiva meu trabalho favorece a elevação da autoestima indica redução da concordância após o ingresso na polícia militar. Nesse sentido, observou-se uma redução da expectativa de 72% para 68,9%, ou seja, uma variação negativa de 3,1%. Ainda mais, a discordância atingiu 19,7% dos noviços, num acréscimo de 6,3% no trabalho real. Infere-se, assim, que o percentual dos entrevistados que julgam o trabalho policial favorecendo a elevação da autoestima diminuiu, apesar da elevada adesão positiva que ainda existe.
Em segundo lugar, os resultados do item sinto-me subestimado no meu trabalho são mais incisivos quanto à estima social dentre os policiais: a percepção de subestimação representava 30,3% dos noviços antes do ingresso, passando para 47,7% no trabalho real, ou seja, um aumento de 17,4%. Em contrapartida, o percentual daqueles que discordavam da assertiva passou de 45,1% para 31,7%, uma variação negativa de 13,4%. Percebe-se que a opinião dos noviços acerca da estima social no contexto do trabalho policial deteriorou-se com a socialização na polícia, e isso de forma mais acentuada do que o sentimento de autoestima. Equivale a dizer que ser policial militar é considerado pelos noviços como fator de sofrimento na medida em que se
sentem fortemente subestimados no dia-a-dia, dedicados a atividades que não exploram suas características e propriedades. Nesse sentido, a análise dos resultados do item no meu trabalho sinto ser tratado como pessoa respeitada parece reiterar a suposição anterior. Em detalhe, houve uma pequena redução da concordância no trabalho real, passando de 58,6% para 56,6%; ao passo que o percentual daqueles que não se sentem respeitados no trabalho policial aumentou em 10%, passando de 18% para 28%.
Dessa forma, se por um lado a maioria dos noviços considera que a polícia militar contribuiu com sua estima social e pessoal, por outro lado, evidenciou-se um movimento de frustração das expectativas positivas que os noviços construíram antes do ingresso na polícia militar. Em grande medida, as relações internas contribuíram mais fortemente para o sentimento de desrespeito quanto à estima pessoal. Ressalta-se ainda que tal relação deve levar em consideração o contexto do período de formação, ou seja, a insatisfação dos noviços estaria dirigida às relações que caracterizam o curso de formação, cuja socialização tende a promover o rito de passagem para a vida militar por meio de severas exigências disciplinares, físicas e psicológicas.
Com relação à percepção de serem discriminados em virtude do trabalho policial, os resultados demonstram que noviços se consideram mais discriminados do que esperavam antes do ingresso. Em específico, o percentual dos noviços que concordam com a assertiva sinto-me discriminado devido ao meu trabalho passou de 34,5%, no trabalho esperado, para 43,4%, no trabalho real, ou seja, uma variação positiva de 8,9%, a qual foi acompanhada por uma sutil redução da discordância que passou de 44,9% para 44,6%. Equivale a dizer que metade dos noviços experimentam o sentimento de serem discriminados em virtude do seu trabalho, e isso num movimento de crescimento.
Nesse sentido, avaliamos a importância social que os noviços percebem acerca do trabalho policial. Os resultados encontrados também demonstram um movimento contrário ao reconhecimento social: crescimento de 7,2% daqueles que discordam da assertiva as pessoas sabem quanto é importante o meu trabalho, passando de 33,4% para 40,6%. Concomitante a isso, o percentual de concordância foi reduzido em 3,2%, passando para 43,1%. Com efeito, este item foi o único a apresentar uma diferença estatisticamente significante (p<0,05) na comparação que teve o ingresso na PMDF como referencial. Percebe-se, assim, que os noviços reiteram o movimento segundo o qual suas expectativas de reconhecimento social foram atingidas depois de vivenciarem a carreira policial militar, e, ainda mais, com uma variação negativa observada quanto à discriminação e à importância do trabalho que representou praticamente metade dos entrevistados.
Por fim, analisamos a opinião dos noviços quanto à assertiva com o meu trabalho sinto que sou reconhecido pelas pessoas. Os resultados demonstram que houve uma redução da adesão positiva ao reconhecimento social, passando de 56,3% para 47,4%, ou seja, uma variação negativa de 8,9%. Concomitantemente, o percentual de discordância no trabalho real para 38,9%, num crescimento de 10,6%. Por um lado, os dados demonstram que os noviços esperavam ser reconhecidos socialmente por serem policiais militares, tendência que diminuiu depois da socialização na instituição. Por outro lado, a trajetória de crescimento da percepção de negação do reconhecimento contrasta com a opinião dos noviços acerca dos demais policiais militares. Em detalhe, anteriormente neste capítulo102, perguntamos aos noviços se consideravam o policial militar do DF reconhecido socialmente. Os resultados demonstraram que 34,2% concordam, 55,2% discordam e 10,6% são indiferentes. Tal divergência, segundo a qual os noviços se consideram reconhecidos, com 47,4% dos entrevistados, parece reiterar a cisão simbolicamente construída pelos noviços, segundo a qual eles se percebem de alguma forma diferentes dos outros policiais militares, e isso se expressa na sensação de serem reconhecidos socialmente, mas de acreditarem que os outros não o são. Talvez, a identificação com a escolarização ajude a informar o percurso desta diferenciação, que não nos cabe avançar em virtude da indisponibilidade de dados nesta pesquisa.
Dessa forma, salienta-se a relevância dos dados apresentados no processo de construção identitária dos noviços. Ora, a estigmatização da atividade policial repercute nesse processo, que conforme demonstramos indicam que os noviços se perceberam frustrados em todas as assertivas que avaliaram o reconhecimento social. Marcadamente, evidenciou-se um movimento de crescente negação do reconhecimento social, em que a frustração das expectativas criadas antes do ingresso tomou lugar durante o período de formação. Nesse sentido, a socialização na polícia militar representou um duplo vetor de conscientização e naturalização do que representa ser policial militar internamente, na vivência diária com os demais, e externamente, nas relações com o público em geral. Conforme discutimos, as relações internas apresentaram dados mais relevantes quanto ao sentimento de frustração, sobretudo quanto à subestimação e ao tratamento respeitoso. Em relação ao reconhecimento social, especialmente a importância atribuída socialmente ao trabalho policial apresentou as variações negativas mais acentuadas em relação às expectativas.