DEL III: MERKOSTNADER VED PENDLING
10.2 Skattemessig vurdering
O século XX foi um século de grandes descobertas e encarnou também uma grande mudança social. Nesse período, a ciência avançava a passos largos, e foi com a Revolução Industrial, nos finais do século XIX, que aconteceu o grande boom tecnológico, onde a produção em grande escala estava a alterar não só a maneira de se trabalhar (uma vez que as pessoas começavam a trabalhar em fábricas com configurações padronizadas), mas também a maneira de pensar.
Máquinas começaram a substituir muitas das funções que anteriormente exigiam o trabalho humano qualificado. Como as pessoas foram sendo substituídas de forma contínua devido ao processo de mecanização, a sociedade começou a expressar uma preocupação sobre seu lugar no “novo mundo”. Qual seria o papel da humanidade a partir de então? Sob que condições a sociedade iria viver? Alguns movimentos sociais nasceram destas questões, algumas com foco na preservação de referências socioculturais do passado, alguns focados em preservar os direitos humanos em face de tal mudança drástica, enquanto outros ainda tentaram acabar com a industrialização privatizada e substituí-la por uma nova ordem social. Tais transformações geraram incertezas e consequentemente surgiram novas utopias sociais, que foram propiciadas pelo ambiente que o período retratava. Segundo afirma Benevolo, “no campo das artes aplicadas o preconceito dos reformadores relacionados aos processos mecânicos foram superados somente na última década do século XIX, sendo substituído por uma valorização mítica dos valores industriais, que acaba por culminar em uma exaltação formal da atmosfera mecânica49”.
Todas essas situações refletiam-se no imaginário sobre o futuro, pois eram criadas várias utopias numa tentativa de decifrar o que estaria por vir. Teorias criadas com base em alguns dos acontecimentos que se deram no período de transição do século XIX para o século XX que, quando não foram postas em prática, houve pelo menos tentativas com argumentos bem fundamentados e convincentes que o futuro, tanto da sociedade como da cidade, era o que se proclamava.
Se articularmos a transição dos séculos a alguns temas de relevância, como o acelerado avanço tecnológico, associado a alguns nomes influentes do cenário arquitetónico do mesmo período,
poderemos desenvolver essa análise a partir de um outro ponto de vista, onde através das perspetivas futuras associadas as “ferramentas” oferecidas desde a Revolução Industrial, que transcenderam por diferentes períodos numa escala evolutiva, ao qual vamos abordar no trabalho, foram permitidas diversas teorias e imaginários sobre um futuro melhor da cidade e da sociedade, onde, por vezes, as próprias vontades poderiam romper os limites do que se considerava real.
De acordo com Denise Pessoa, “foi através da arquitetura que surgiram as ideias mais transformadoras, onde a sombra das incertezas do período pós-industrialização, impulsionou uma avalanche de utopias e projetos visionários como resposta para um melhor caminho da sociedade e consecutivamente das cidades50.”
É necessário que, ao estabelecer um limite entre séculos (sem anular a arbitrariedade presente na temporalidade a qual tratamos), assumir alguns critérios que possam validar a análise em questão, e para tal, foi determinado um início e um fim onde se estabelece uma “trincheira" com o objetivo de guiar o estudo. Tais limites serão representados pela segunda metade do século XIX a partir dos anos 50, até a segunda metade do século XX por volta dos anos 30, pois conseguem agrupar elementos necessários para o desenvolvimento da análise em questão (uma vez que incorporam um momento de mudanças em vários âmbitos), sem desvalorizar os debates que surgiram no período, considerando que as fronteiras cronológicas não se tratam de um limite rígido, pois muitas reflexões se desenvolveram transversalmente em muitas questões.
A pluralidade do tema que tratamos, pode ser considerada quase rizomática devido aos vários rumos que se pode tomar, a humildade com que se escolheu a direção tomada poderá não ser a mais assertiva, mas é através dela que tentaremos encontrar justificativas para uma conclusão onde as bases não se tratavam de elementos voláteis, e que através de uma intercessão de significados e simbologias, possivelmente nos permitirá deduzir algumas respostas.
Através do raciocínio de Bloch onde afirma que, o homem vive do futuro, ao passo que deseja um futuro promissor, e que as experiências do mundo concreto e imperfeito do “hoje” refletem um desejar que ainda não se revelou, consideramos que a utopia está conectada à um possível real, e partindo desse princípio a análise desenvolver-se-á no que respeita a utopia inerente a função e a “evolução” da cidade e de quem a habita.
Mas quais são as motivações que fazem brotar essa ideologia sobre a cidade e sociedade ideal? Até que ponto a perspicácia dos formadores de opinião, nomes influentes da arquitetura moderna, poderia chegar? Considerando esses questionamentos como ponto de partida vamos desenvolver uma análise onde, possivelmente, se possa justificar algumas das ideologias consideradas utópicas em diferentes vertentes, que nasceram no período transitório estabelecido para análise em questão. É necessário para uma melhor compreensão histórica da arquitetura atual, entender, ainda que de forma fragmentada, alguns pontos de influência na transição dos séculos, considerado como o período de mudanças decisivas que acabaram por culminar na base dos fundamentos arquitetónicos dos tempos de hoje. É de extrema importância citar a Revolução Industrial no início do século XIX, pois algumas das mudanças na transição dos séculos foram deliberadas pelos problemas que a industrialização trazia, provocando uma séries de alterações diretas e indiretas para cidade e sociedade. Desse modo, é possível legitimar através de factos, que o processo histórico no tempo que se determina converte-se em “objeto” de análise.
Para clarificar o objetivo principal desse capítulo, é importante afirmar que não se trata de relatar os diferentes impasses que surgiram com a ideia de arquitetura moderna, mas sim reconhecer nessa disputa artificial, tanto as intervenções verdadeiramente importantes e frutíferas a longo prazo, evidenciando o potencial teórico e crítico relacionado ao imaginário utópico, quanto os elementos representativos que acabaram por promover algumas ideologias sobre o futuro através de exemplos que poderiam ser definidos como “elementos motivadores”, elementos estes que poderemos considerar representativos deste período, denominado transitório.
Esses elementos que serão apresentados, alguns deles baseados em fatores utópicos de uma melhor maneira de se viver em sociedade, foram objeto de discussão e críticas que divergiam em variados graus. A tentativa é que, através desses exemplos, seja possível criar uma base explicativa para fundamentar as teorias utópicas relacionadas a arquitetura desse período de transição, que por estar inerente as necessidades e aos costumes da sociedade, foram criados novos critérios característicos da “produção” para um melhor estilo de vida ao longo do tempo, e o articular com a redescoberta de uma dimensão imaginária na arquitetura.
Para discutir os paradigmas pré-estabelecidos nesse estudo, optou-se por estruturar uma breve análise com base em três escalas diferentes, em cada escala serão selecionados elementos
caracterizados como “motivadores”, utilizando os exemplos que se fizerem necessários para uma melhor justificativa de cada uma delas.