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DEL III: MERKOSTNADER VED PENDLING

11.1 Beskrivelse av reglene

58 Leonardo Benevolo, 1999. Historia de la Arquitectura Moderna. 8º ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, p. 135.

59 Os produtos pré-fabricados dependiam de um grande empenho do vidraceiro na construção de 900.000 pés quadrados de vidro,

do ferreiro com 3.300 colunas de ferro, e do carpinteiro responsável por entregar uma enorme jaula de 33.000.000 pés cúbicos entre outras obras de carpintaria.

60 Leonardo Benevolo, 1999. Historia de la Arquitectura Moderna. 8º ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, p. 131.

“Com o ferro, apareceu pela primeira vez, na história da arquitetura, um material artificial de construção. (…) Simultaneamente, se ampliaram as zonas arquitetónicas as que se empregava o vidro, mas as condições sociais para sua crescente utilização como material de construção só surgiram centenas de anos após a sua descoberta, e de todos os modos apareceu dentro de um contexto utópico62.”

Foi na penúltima exposição do século, Exposição Internacional de 1889, que foram construídas duas das mais notáveis estruturas da engenharia francesa, onde uma delas está representada pela Galerie des Machines, desenhada pelo arquiteto Duterte a outra pela monumental Torre Eiffel, desenvolvida por Gustave Eiffel em parceria com dois engenheiros e um arquiteto. Ambas imprimiram seu valor revolucionário no mercado construtivo e inovador, surpreendendo os expectadores da época. A Torre Eiffel, hoje ícone da cidade parisiense, foi contruída com base em um estudo minucioso relacionado a sua estrutura, onde previa inclusive sua resistência ao vento. Entretanto, todos os argumentos utilizados para defender a grande estrutura metálica não eram válidos para todos, e através de um protesto público, um grupo de artistas e escritores afirmaram que a torre arruinava a cidade de Paris, fazendo comparações a uma gigantesca e escura chaminé de fábrica cravada no centro da cidade.

A Torre retrata a “primeira estrutura monumental contruída em aço forjado, onde Eiffel teve muitos problemas para explicar porque confiava tanto nesse material. Desde já, nada pode justificar mais claramente, a tardia data em que o novo material entrou nos domínios arquitetónicos63”, e como aconteceu no Palácio de Cristal, mas em um ritmo mais lento, foi construída sobre uma pressão considerável, dado que teria que existir um sistema que suportasse o grande fluxo de visitantes diários. “A velocidade era essencial, posto que não havia meios para conseguir acesso a torre senão através de elevadores que se elevariam desde a primeira plataforma até a última64.”

Alguns técnicos da época descredibilizavam a estrutura e afirmavam que “estaria condenada a cair, fazendo com que os proprietários das residências próximas ao grande monumento abrissem um processo contra a construção, alegando prejuízo por dificuldades de alugar seus imóveis65”, entretanto não eram todos que compartiam da mesma ideia sobre a grande estrutura metálica, pois

62 Walter Benjamin, 1930. Paris: Capital of 19th Century. In Kenneth Frampton, 1996. História Crítica de la Arquitectura Moderna.

Barcelona: Gráficas 92, S.A. - San Adrián del Besós, p. 29.

63 Peter Collins, 1998. Los Ideales de la Arquitectura Moderna: Su Evolución. Barcelona: Gustavo Gili, S. A, p. 201.

64 Kenneth Frampton, 1996. História Crítica de la Arquitectura Moderna. Barcelona: Gráficas 92, S.A. - San Adrián del Besós, p. 36.

quando o monumento foi finalizado completamente, muitas reações contrárias tornam-se favoráveis, e diante de alguns juízos a torre perpetua no centro da capital francesa.

Figura 8 Torre Eiffel no panorama da cidade, Paris (1889). Fonte: www.franca-turismo.com

Dentre alguns raciocínios favoráveis inspirados na Torre Eiffel, um expressa essencialmente o caráter utópico inerente a mesma:

“Bem plantada sobre suas pernas arqueadas, sólida, enorme, monstruosa, brutal, se diria que desprezando assobios e aplausos, trata de buscar e desafiar o céu, sem importar o que se mova aos seus pés66”.

Segundo Kenneth Frampton, tratava-se de uma “estrutura inimaginável, que não poderia ser experimentada senão atravessando a matriz aérea do próprio espaço67.”

Nesse panorama, é possível afirmar que a Torre Eiffel tratou-se de uma utopia realizada permitida pelas novas descobertas tecnológicas em que o período se encontrava, e por mais que se tratasse de uma obra duvidosa para muitos, seu papel torna-se extremamente importante na cidade parisiense, pois dada a sua visibilidade através de quase todos os bairros da cidade, tornou-se parte essencialmente integrante e integradora da cidade, assim como através da materialidade utilizada para a construção de uma “escala monumental”, podemos também agregar valores que se

66 L’Esposizione de Parigi del 1889 illustrata, cit., p.18. Em Leonardo Benevolo, 1999. Historia de la Arquitectura Moderna. 8º ed.

Barcelona: Editorial Gustavo Gili, p. 150.

enquadram numa tentativa que não se limita em quebrar barreiras relacionadas ao poder estrutural que está incutido na obra, mas a rutura de barreiras associadas ao imaginário humano.

De acordo com a análise realizada através da monumentalidade a qual a torre era portadora, é possível afirmar que a tecnologia provou ser mais do que uma ferramenta para imaginar o futuro, provou ser também uma espécie de catalisador que incutia na sociedade o desejo de saber mais do porvir, provocando desse modo diferentes tipos de opiniões e, consequentemente, do imaginário sobre o que se esperar do futuro, onde associando as possibilidades negativas e incluindo o fator de superação humano inerente a sua capacidade imaginária, pode apresentar-se em diversas formas que são construídas dentro de utopias e distopias, nascendo assim através de representações tecnófilas68 de possíveis sociedades e cidades, localizadas em um tempo além de nós.