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DEL III: MERKOSTNADER VED PENDLING

11.2 Skattemessig behandling

Ao pensarmos em considerações utópicas inerentes a arquitetura no período ao qual tratamos nesse capítulo, somos automaticamente remetidos a filosofia do movimento Futurista, que apesar de sua passagem extremamente representativa, expressou sinteticamente essa vontade de (re) criar o futuro, imprimindo desse modo sua mensagem na sociedade onde o dinamismo era uma das palavras de ordem.

Foi através de manifestos que expressavam a sua visão futurista de acordo com o que acontecia na era da industrialização, e em 1910 através do artista Umberto Boccione que “o futurismo começou a estender sua polêmica anti-cultural ao setor das artes plásticas, onde seu manifesto sobre a escultura em 1912 e La Splendeur Géométrique et Mécanique de Tommaso Marinetti em 1914, proporcionaram, em conjunto, o marco de referência intelectual e estética dentro da qual pode ser postulada uma arquitetura futurista69.”

Como observa Leonardo Benevolo, “o futurismo é, a princípio, um programa literário, onde; os pintores, escultores, músicos que se vinculam a ele, propõem-se a traduzi-lo cada um a sua maneira e no seu próprio campo de atividade70”, mas “onde a unidade é desejada mais que alcançada, entretanto, os futuristas se dão conta que a cultura de vanguarda europeia contém a possibilidade

68 Tecnofilia é o comportamento de adesão, geralmente acrítica, às inovações tecnológicas.

69 Kennetth Frampton, Kenneth Frampton, 1996. História Crítica de la Arquitectura Moderna. Barcelona: Gráficas 92, S.A. - San Adrián

del Besós, p. 88.

de uma nova síntese das artes, preparando assim um novo cenário integrado para a sociedade contemporânea71”.

É explícito o apreço relacionado com as descobertas que surgiram a partir da Revolução Industrial, alargando-se ao longo dos anos. Nesse período de transição através do olhar futurista, os manifestos, tendo como pioneiro Tommaso Marinetti, contextualizavam o “esplendor” de uma nova era beneficiada por tecnologias que não paravam de evoluir em muitos âmbitos, provocando em seus adeptos um olhar provido de exaltação ao futuro que estaria por chegar.

O movimento futurista surgiu através de um manifesto intitulado Le Futurisme escrito por Marinetti em 1909, que de acordo com Curtis “tratava-se de uma ataque ao tradicionalismo na cultura, defendendo uma expressão nutrida por forças contemporâneas e sensações poéticas lançadas por um ambiente industrial72”, em outras palavras, rompia com o passado de acordo com seus ideais, e adotava como principal referência em suas obras a velocidade com que os desenvolvimentos tecnológicos evoluíam em finais do século XIX, e através de Antonio Sant’Elia essa visão genuína estabeleceu seus paralelismos.

Em 1914 Sant’Elia expõe seus primeiros desenhos para a futurista “Cittá Nuova” numa tentativa de “traduzir os ideais de uma nova imagem urbana73”, e através de um manifesto intitulado Messaggio explica a forma rigorosa que a arquitetura deveria adotar no futuro;

“O problema da arquitetura moderna não é um problema que consiste em redistribuir suas linhas; não é uma questão de encontrar novas molduras, novas arquitraves para portas e janelas, nem de substituir colunas por cariátides etc… senão em alçar uma nova estrutura de edificação sobre um plano correto, onde resplandeça todo benefício da ciência e da tecnologia. Estabelecer novas formas, novas linhas novas razões para a existência, exclusivamente a partir das condições especiais da vida moderna e de sua projeção como valor estético em nossas sensibilidades74.”

Embora uma retórica demolidora que defendia a ideologia estivesse presente em seus manifestos, (onde fazer tabula rasa do passado e de cada forma de expressão tradicional torna-se condição

71 Leonarod Benevolo, 1999. Historia de la Arquitectura Moderna. 8º ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, p. 418.

72 William Curtis, 1996. Modern Architecture Since 1900. 3º ed. London: Phaidon Press Limited, p. 107.

73 Idem.

74 Messaggio, Antonio Sant’Elia, 1914. Em, Kenneth Frampton, 1996. História Crítica de la Arquitectura Moderna. Barcelona: Gráficas

essencial em qualquer tipo de manifestação artística futurista), as obras de Sant’Elia foram retratadas somente através de alguns desenhos. Ainda assim, não se pode descartar o valor “intuitivo que darão respostas as primeiras atitudes Futuristas75”, bem como a conotação ideológica e sobretudo o carater utópico intrínseco a suas propostas.

As linhas de suas imagens, onde era ostentada a simetria, não refletiam uma rutura total com os cânones da perspetiva tradicional. Seus desenhos não refletiam de maneira plena a ideologia futurista, e através dessa contradição não é possível falar de uma arquitetura genuinamente futurista, uma vez observado tal vínculo, levando o seu manifesto a cair na ambiguidade. “Entretanto houveram algumas diferentes interpretações, a exemplo da antecipação de Gropius e Le Corbusier76”, onde o último chega a considerar a casa como uma “máquina de habitar”.

Os princípios que eram proclamados para uma nova arquitetura através dos futuristas, onde a capacidade de integração deveria estar diretamente relacionada com as infraestruturas da cidade assim como as novas tipologias habitacionais, foram disseminados posteriormente pela Bauhaus, de Walter Gropius.

E através da observação de William Curtis podemos concluir a veracidade da afirmação acima citada, pois segundo ele “é somente analisando as teorias da Deutscher Werkbund na Alemanha, a do Futurismo na Itália, e paralelamente ideias arquitetónicas de homens como Peter Behrens, Walter Gropius e Antonio Sant’Elia, que se pode entender como a mecanização veio a ser considerada como motor essencial para a marcha da história, exigindo uma expressão apropriada em arquitetura e design77.”

75 William Curtis, 1996. Modern Architecture Since 1900. 3º ed. London: Phaidon Press Limited, p. 109.

76 Leonardo Benevolo, 1999. Historia de la Arquitectura Moderna. 8º ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, p. 418.

Figura 9 La Cittá Nuova, Casa a Gradinate, Antonio Sant’Elia (1914). Fonte: William Curtis, 1996. Modern Architecture Since 1900, p. 111

De acordo com Benevolo, “a audácia intencional dessas visões não conseguem romper ou debilitar os cânones da perspetiva tradicional, como se pode ver na ostentada simetria de quase todas as imagens78”, referindo-se a Sant’Elia. Mas por mais que sua obra “sugerisse uma purificação Art Noveau79”, fugindo ao ideal futurista proclamado na altura, não se pode anular a vontade consciente de rutura com o tradicionalismo.

Apesar do seu caminho ter sido interrompido pela grande guerra, o movimento futurista pode ter sido o grande elo de união entre a descoberta de uma nova materialidade gerada no seio da industrialização que aliada a evolução tecnológica, proclamava a rutura de uma arquitetura tradicionalista por uma arquitetura onde suas bases estariam inclinadas para os reais problemas que a sociedade enfrentava, o que pode explicar a força da vertente futurista na nova arquitetura, nomeadamente a Arquitetura Moderna.

78 Leonardo Benevolo, 1999. Historia de la Arquitectura Moderna. 8º ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, p. 418.

Curtis faz uma observação sobre o futurismo onde explica a sua importância no contexto da história da arquitetura moderna;

“O Futurismo reuniu uma coleção de atitudes progressistas, posições antitradicionalistas e tendências de formas abstratas com a celebração de novos materiais e uma indulgência em analogias mecânicas. O contraste entre a dinâmica e os valores anárquicos do Futurismo e o impassível pensamento organizado do Deutscher Werkbund é óbvio; mas os dois movimentos apoiam-se no pressuposto central que o espirito dos tempos foi inevitavelmente ligado a evolução da mecanização, e que uma arquitetura autêntica deveria considerar isso em suas funções, métodos construtivos, estética e em suas formas simbólicas80.”

É possível afirmar que os futuristas tiveram uma série de presságios representados através de desenhos considerados utópicos e de megaestruturas relacionados a uma “cidade do futuro”, que outrora iria reclamar o mundo através, do reconhecimento implacável de um novo meio cultural dedicado a uma sociedade em grande escala através de discursões onde o ponto principal era a metrópole contemporânea, sua dinâmica, e uma novidade programática arquitetónica.

Além de todas as considerações relacionadas ao movimento, não podemos descreditar a sua influência e os paralelismos encontrados no imaginário literário e principalmente no cinematográfico, ilustrado por filmes como Metropolis de Fritz Lang, o qual foi feita uma breve análise no capítulo anterior.