Kapittel 5 Konkurranseutsetting 97
7.7 Skaff oss dem vi trenger
nos aspectos fisiológicos, biológicos e anatômicos,
também surgem produtos variados - desde alimentos
até as intervenções cirúrgicas - que visam a correção
de supostas imperfeições.
“Espelho, espelho meu... existe alguém mais
bela do que eu?...”
Vivemos numa sociedade em que tudo o que está ao nosso redor in- terfere, de certa forma, nossos pensamentos e nossas ações. O círculo de amigos, a religião, as relações sociais, as relações no trabalho, a influên- cia da mídia são alguns dos fatores que nos tornam o que somos.
Somos sobrecarregados de informações que nos influenciam, e isso se reflete no modo como nos relacionamos no mundo.
Neste sentido, as diferentes indústrias desenvolvem pesquisas e no- vas tecnologias tentando alcançar um número cada vez maior de con- sumidores.
z
“Engenharia genética, cirurgia a laser, transplantes, silicones, alimentos transgênicos esteróides anabolizantes compõem um instrumental contemporâneo diversificado, que vai redimensionando o corpo numa velocidade espantosa, ao mesmo tempo em que o torna radicalmente contingente”. (VIRI- LIO 1996, apud FRAGA in SOARES, 2004, p. 63)
Assim, pela padronização do consumo, que determina vontades e vaidades, nós acabamos perdendo uma das características funda- mentais do ser humano que é a singularidade.
As gordurinhas localizadas, as estrias, as celulites, as rugas com- põem o rol de aspectos indesejados que não são bem vistos ao nos referirmos à questão da aparência. O mercado de consumo, atento a esses aspectos, desenvolve mecanismos e produtos para satisfazerem as necessidades criadas por essa mesma lógica de consumo, princi- palmente para aquelas pessoas que nunca estão satisfeitas com a pró- pria aparência.
Todas essas supostas imperfeições são alvo de enormes investi- mentos da indústria de cosméticos e das academias, que criam varia- dos artefatos, cada vez mais sofisticados, com o objetivo de adaptar os corpos às exigências da sociedade.
Será que atingir este “ideal” de corpo ditado pela mídia é fácil? O caminho a ser percorrido por aqueles que almejam o modelo ideal de corpo não é simples. Ao contrário, exige muita vigilância e sa- crifícios numa “árdua rotina de exercícios” e outros meios artificiais de luta contra a balança e contra o espelho.
Que motivos nos levam a mudar a própria aparência? Até que pon- to essa vontade de mudar é movida por vaidade própria?
Provavelmente, as respostas a estas questões seriam diferentes pa- ra homens e mulheres. Segundo estudo realizado por Vaz (2004), em academias de ginástica em Florianópolis, as mulheres descrevem as
Frase muito conhecida, re- tirada dos contos infantis, fil- me “Branca de neve e os se- te anões”. Branca de neve e os sete anões. (1937, EUA, dire- ção. DAVID HAND)
formas corporais ideais da seguinte maneira: preocupam-se prin- cipalmente com o fortalecimento dos membros inferiores e com o abdome.
Já as respostas a estas questões por parte dos homens re- ferem-se à constituição (corporal) física bem delineada, ou seja, aqueles homens fortes, do tipo “saradão”, barriga “tan- quinho” ou, em outros termos, homens musculosos com um volume (tônus) muscular aumentado principalmente nos mem- bros superiores.
Esta imagem “ideal” de corpo, desejada por algumas pessoas, está baseada exclusivamente na aparência e, para reforçar essa idéia, há várias personalidades famosas na mídia que têm a sua imagem intensa e constantemente veiculada como modelo de “corpo perfeito”.
Ainda conforme o mesmo estudo de Vaz (2004), alcan- çar tais “contornos corporais ideais”, sem intervenções ar-
tificiais como bisturis, utilizando apenas a prática de atividade física, não é assim tão fácil. Isso significa que não é com a prática de uma ati- vidade física realizada uma vez ou outra que será possível chegarmos às formas corporais descritas anteriormente.
Pois bem, é preciso muita “malhação” e sacrifícios, o que faz com que algumas pessoas travem “batalhas” incessantes e incansáveis com a balança, com o espelho, com dietas e os exercícios físicos, sem con- tar as dolorosas incisões cirúrgicas, para aqueles com possibilidades fi- nanceiras que buscam resultados mais rápidos.
Os sacrifícios são considerados válidos para se obter um corpo “sa- rado” e estão associados a uma “malhação” bem sucedida. Tal malha- ção é, muitas vezes, confundida com a sensação de dor. Quantas ve- zes ouvimos as pessoas dizendo que fizeram ginástica e não sentiram “dor”, então a prática dessa atividade não deve ter tido efeito.
Estas são questões idealizadas pela grande maioria da população? Ou será que essas são apenas preocupações de uma parcela da população, que tem condições financeiras de pagar para ter acesso a tais práticas?
Quantas pessoas se submetem às dietas malucas, exercícios frené- ticos ou até a medicamentos proibidos ou duvidosos para perder al- guns “quilinhos”?
E você, já parou para pensar no que gostaria de “melhorar” nessa ou naquela parte do seu corpo? Até que ponto
tais preocupações não seriam fruto da influên- cia daqueles padrões divulgados pela mídia?
Afinal de contas, o que significa o termo mídia de massa? Giddens (2005, p.367) esclarece que o significado de mídia de massa é decor-
Figura 1
n
Figura 2
rente do fato desse tipo de mídia alcançar uma quantidade enorme de pessoas. Assim, jornais, TV, revistas, internet, rádio são alguns exem- plos de mídia de massa que influenciam a opi- nião, atitudes e comportamentos da maioria da população.
Tudo isto é criado por esse mesmo mer- cado com a intenção de vender mais, ou se- ja, criando falsas necessidades de consumo em uma parcela grande da população.
“Reinava absoluta nas terapêuticas destinadas a endireitar o que se con- siderava torto. Cruzes de ferro, tutores, alavancas para distensão corporal, espartilhos compunham o arsenal destinado a colocar a morfologia no mol- de. Corpos empertigados e eretos, que correspondiam ao ideal da nobreza, deveriam ser moldados tal como bonecos em argila: uma massa inerte à es- pera da pressão externa. Portanto, quanto menos movimento, mais eficien- te seria a correção das deformidades”. (SOARES, 2003, p. 82)
Fotos:
Icone
Audiovisual
n