Kapittel 5 Konkurranseutsetting 97
5.4 Private løsninger i tre kommuner
A resposta a essa questão demanda, necessariamente, o esclareci- mento prévio do conceito de natureza e, ainda, do conceito de cultura.
Marx ocupou-se da relação existente entre natureza e cultura na constituição do ser humano, argumentando, por exemplo, que os cin- co sentidos (audição, olfato, paladar, tato e visão) são naturais, bioló- gicos, mas são também culturais e sociais, em outras palavras, mesmo os sentidos ditos naturais são humanizados.
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• Conversem com aqueles que não quiseram participar procurando identificar o motivo.
• Identifiquem como se sentiram as equipes que não foram premiadas e de que forma gostariam que fosse a premiação.
• Verifiquem se as pessoas que não quiseram participar diretamente da competição, de alguma for- ma, divertiram-se torcendo pelas equipes inscritas.
• Após colherem estes dados, montem um painel com o retrato escrito da competição, descrevendo, em duas colunas distintas, quais foram os fatos positivos e negativos que ficaram evidentes para o grupo; se houve os componentes socializador, igualitário e justo no decorrer do evento e se a com- petição, em si, atendeu aos interesses da turma ou apenas de alguns. Exponham o painel num lo- cal onde todos possam ter acesso às informações.
• Por fim, discutam, com o grande grupo, outras situações de competição que ocorrem nas relações sociais, fazendo uma análise crítica sobre a necessidade de sua existência ou não, utilizem argu- mentos para justificar seus pontos de vista.
A formação dos cinco sentidos é um trabalho de toda a história do mundo até aqui. O sentido cons- trangido à carência prática rude também tem apenas um sentido tacanho. Para o homem faminto não existe a forma humana da comida, mas somente a sua existência abstrata como alimento; poderia ela justamente existir muito bem na forma mais rudimentar, e não há como dizer em que esta atividade de se alimentar se distingue da atividade animal de alimentar-se. O homem carente, cheio de preocupa- ções, não tem nenhum sentido para o mais belo espetáculo; o comerciante de minerais vê apenas o valor mercantil, mas não a beleza e a natureza peculiar do mineral; ele não tem sentido mineralógico al- gum; portanto, a objetivação da essência humana, tanto do ponto de vista teórico quanto prático, é ne- cessária tanto para fazer humanos os sentidos do homem quanto para criar sentido humano correspon- dente à riqueza inteira do ser humano e natural.
MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. Tradução (do alemão) Jesus Ranieri. São Paulo: Boitempo, 2004. p. 110-111.
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Marilena Chaui também problematiza as noções de natureza e cul- tura aceitas de forma irrefletida pelo senso comum, a partir do questio- namento da idéia de natureza humana. Existe uma natureza humana? A natureza humana é universal, é a mesma para todos nós? É possível
compreender nossos comportamentos e ações a partir de determina- ções de ordem natural? Se isso é possível, qual seria, então, o funda- mento da natureza humana?
Segundo Chaui, a natureza:
(...) é constituída por estruturas e processos necessários, que existem em si e por si mesmos, inde- pendentemente de nós: a chuva, por exemplo, é um fenômeno meteorológico, cujas causas e cujos efeitos necessários não dependem de nós e que apenas podemos explicar.
Por sua vez, a cultura nasce da maneira como os seres humanos interpretam a si mesmos e as suas relações com a natureza, acrescentado-lhe sentidos novos, intervindo nela, alterando-a por meio do trabalho e da técnica, dando-lhe significados simbólicos e valores. Dizer que a chuva é boa para as plantas pressupõe a relação cultural dos humanos com a natureza, por intermédio da agricul- tura. Considerar a chuva bela pressupõe uma relação valorativa dos humanos com a natureza, per- cebida como objeto de contemplação, encanto e deleite. A chuva é natural; que seja boa ou bela, é uma avaliação ou interpretação cultural.
CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2003. p.307.
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O problema das tentativas de naturalização dos sentidos, dos va- lores, dos comportamentos e das ações humanas é que elas anulam a dimensão cultural e política da existência humana. Assim, na medida em que aceitamos essa ordem de determinações como sendo naturais e necessárias, portanto, independentes de nós, das nossas vontades e ações, geralmente nos submetemos a processos de dominação engen- drados pela própria sociedade. É preciso compreender que a humani- dade caracteriza-se pela natureza e pela humanização dessa natureza através da cultura e da história.
A partir dessa rápida análise dos conceitos de natureza e cultura, podemos retomar o nosso problema: o ser humano é naturalmente competitivo ou o meio o influencia para que se torne assim?
Segundo Huizinga (1996), espontaneamente as crianças re- alizam atividades lúdicas que, de caráter competitivo ou não, acontecem no ato de jogar. Sendo assim, parece natural o fato de que a competição, manifestada na ação do jogo, revele a ne- cessidade do homem perpetuar sua cultura.
Para esse autor, desde as mais remotas civilizações, o jogo era utilizado em celebrações com os mais diversos fins. A importância de vencer está intimamente relacionada à sensação de superiori- dade, resultante do esforço conquistado. “O homem compete, es- sencialmente, pelas honras posteriores que a conquista lhe con- cede.” “[Entre os homens] a competição não se estabelece apenas ‘por’ alguma coisa, mas também ‘em’ e ‘com’ alguma coisa. Os homens entram em competição para serem os primeiros em for- ça ou destreza, em conhecimentos ou riqueza, em esplendor, ge- nerosidade ou ascendência (...)” (HUIZINGA, 1996, p.59)
A influência cultural que se apresenta nas competi- ções tem suas raízes manifestadas em países como a Chi- na, onde “na fase mais primitiva os clãs rurais celebravam as festas das estações por meio de competições destinadas a favorecer a fertilidade e o amadurecimento das colheitas. Quase todas as atividades assumiam a forma de competição ritual: atravessar um rio, escalar uma montanha, cortar ár-
vores ou colher flores”. (ibidem, p. 62-63)
Por outro lado, a positividade da competição está em alguns motivos que movem os competidores, tais co- mo: a necessidade de reconhecimento, a demonstração de superioridade de uns diante de outros e a superação dos li- mites individuais.
Você já passou por algumas discussões sobre competição e deve tentar evitar que este seja o único objetivo nas aulas de Educação Física. O jogo é parte da cultura e a competição é um dos elementos que o constituem, das civilizações mais antigas às mais modernas.
• Você conseguiu perceber que as relações (conflito, consenso, imposição, sucesso, fracasso etc.) que se produzem numa atividade competitiva organizada são, de certo modo, reproduções da luta de classes e de lutas dentro de uma mesma classe?
• Quantas pessoas tinham o “controle” sobre o que acontecia durante o pequeno evento?
• Como você e seus colegas da organização se sentiram com o “poder” de controlar tudo?
• Analise os dois pontos de vista apresentados pelos autores (Huizinga e Chauí) e escreva o seu quanto à questão da competição.
ATIVIDADE
E em nossa escola, como se configuram estas questões relaciona- das à competitividade e natureza humana? Será que ela tornou-se um ambiente que também promove a competição sem limites? Vamos pes- quisar sobre essas questões, para que não se tenham dúvidas sobre o assunto?
Entreviste colegas de sua sala e de outras perguntando-lhes sobre as seguintes questões:
• Você percebe a existência da competitividade nas aulas de Educação Física?
• E nas demais disciplinas, a competição também ocorre?
• Em ambos os casos, se ocorrem a competição, ela é motivada por alunos ou por professores?
• O ambiente escolar é o local mais propício para que ocorra competição de qualquer natureza com o outro? Pode haver um tipo de competição onde o resultado não seja vencedor e derrotado?
• Reflita sobre os problemas levantados, tire suas conclusões e faça um relatório geral sobre o tema.