3. THEORETICAL BACKGROUND
3.1. SILICATE SYSTEMS
Há um claro contraste entre a disponibilidade de tecnologia utilizada atualmente e o que se usava no passado para a realização de transações comerciais. Máquinas de escrever, fichários em papel e calculadoras manuais figuravam entre os principais recursos disponíveis para a operacionalização de negócios em meados do século passado. Existiam computadores e telefones, mas sua disponibilidade era muito inferior à dos dias atuais. Especialmente no caso de computadores, que eram utilizados exclusivamente para tarefas que envolviam grandes cálculos, ou armazenamento de massas de dados que consumiam longos períodos de processamento.
O aparecimento dos microcomputadores (ou PCs) ao final dos anos 70 foi um marco para a expansão do uso da informática. Os computadores PCs passaram a ser vistos como poderosas ferramentas para as organizações que os disseminaram e contribuíram posteriormente para o surgimento de redes locais (LANs).
As redes locais (DINIZ, 2000) se tornaram rapidamente um novo paradigma da computação corporativa, conectando departamentos diversos e computadores de todos os portes. Ao mesmo tempo que essas redes locais se consolidavam como alternativa para conectar organizações internamente, as conexões entre as organizações também estavam evoluindo. Surgiam os primeiros sistemas de EDI (Electronic Data Interchange), para a troca de informações eletrônica entre empresas, e a evolução de novos sistemas não parou por aí.
A última década do século passado foi palco da convergência entre tecnologia de computação e comunicações. Esses dois campos tecnológicos (computação e comunicação/telecomunicações) já modificaram tanto um ao outro, que há cada vez
69 menos sentido em considerá-los separadamente. A referência à tecnologia da informação (TI) “está cada vez mais atrelada ao resultado destra convergência
tecnológica”.(DINIZ, 2000, p.7).
Meirelles (2005) em sua pesquisa aponta que um setor que está sendo radicalmente transformado pela introdução em larga escala de soluções de TI é o setor bancário.
Gráfico 3: Gastos e Investimentos em Informárica: Empresas de Serviços e Bancos. Fonte: Meirelles, 2005, p.41/62.
Os bancos têm investido continuamente em TI, através da alteração dos sistemas existentes ou da implementação de novos sistemas que viabilizem as estratégias de negócio. O setor de serviços é o que mais investe em TI, e dentro deste setor os bancos são as empresas que apresentam o índice de investimento mais elevado, pois os produtos existentes são diretamente dependentes do uso dos sistemas, conforme ilustra o gráfico 3.
70 Por sua vez, o gráfico 4 mostra informações relativas aos investimentos em TI feitos pelos bancos segundo dados da Febraban (2005).
0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 2000 2001 2002 2003 2004 Investimentos em TI em Bancos (Milhões R$)
Gráfico 4: Investimento em TI em Bancos nos Últimos 5 anos Fonte: Adaptado de Febraban, 2005.
Observa-se uma diferença dos montantes gastos e investidos, nos estudos apresentados nos gráficos 3 e 4, particularmente nos últimos anos. Esta diferença pode ter sido originada por métodos de coleta de dados distintos. Entretanto não se entrará em maiores detalhes acerca desta diferença, uma vez que não influi nas conclusões a que esta dissertação se pretende.
Albertin (1997) tempos antes, já observava que as maiores instituições bancárias do país têm utilizado largamente a TI para interligar todas as suas agências em nível nacional, processar um número muito grande de transações e atender, em quantidade, clientes dentro e fora das agências, de forma rápida segura e, muitas vezes, personalizada.
Ainda segundo o mesmo autor, as mudanças tecnológicas nas indústrias de computadores e de telecomunicações têm aumentado as economias de escala e de escopo, e têm tido um profundo impacto no funcionamento dos bancos. A tecnologia tem dado aos bancos, a habilidade de manipularem um grande número de transações (que podem ser vistas como informações) com um custo unitário médio decrescente, de apoiarem operações geograficamente dispersas por meio do processamento distribuído, de oferecerem novos produtos e canais de distribuição,
71 bancos por telefone, compensação automática, etc..
A evolução da TI nos bancos abriu um amplo espaço para que produtos e aplicações baseados em TI tivessem lugar. Leite (1996) citava em sua pesquisa os seguintes exemplos de tecnologias disponibilizadas diretamente ao cliente: cartões magnéticos, rede de caixas eletrônicos, home banking, entre outros. Em seu estudo, Albertin (1997) também aponta algumas aplicações/produtos de TI especificamente dedicados ao Comércio eletrônico, como é o caso também do home banking e DOC eletrônico entre outros. Mais recentemente Diniz (2000) dedicou-se ao estudo em profundidade do uso da WEB (Internet) pelos bancos, que nada mais é do que mais uma aplicação/produto de TI.
Dados do Banco Central (2005), apontam para um número de bancos igual a 160 instituições no Brasil que, dadas as devidas proporções e especificidades, basicamente competem entre si. Particularmente no segmento de grandes bancos (com patrimônio de ativos superior a R$ 10,00 bilhões) a competitividade é mais acirrada uma vez que os volumes envolvidos tornam-se maiores.
Nesse cenário de competitividade, as inovações tecnológicas têm papel importante como agentes de diferenciação (FREEMAN, 1987).
Um dos aspectos mais importantes para se compreender o significado da inovação tecnológica nos negócios é o fato de que muitas empresas têm um planejamento formal de estratégia tecnológica. Algumas organizações não o fazem de forma sistematizada, mas mesmo assim, acabam por ter um planejamento informal que subsidia a decisão de investir ou não numa nova tecnologia, bem como o momento em que se fará tal investimento (LEITE e DI SERIO, 2002).
Vasconcellos24 (1990) In Leite e Di Serio (2002) afirma que o “planejamento
estratégico da tecnologia é um conjunto de atividades e procedimentos que tem por finalidade delinear o plano estratégico para a variável tecnológica”
Segundo o mesmo autor, tal plano deverá explicitar, entre outras coisas, definições
24
VASCONCELLOS, E. P. G. de. Gestão Tecnológica no Setor Produtivo. Seminário El Nuevo Contexto de las Políticas de Dessarrollo Cientifico y Tecnológico, Montevideo, Uruguai, 1990.
72 referentes aos seguintes aspectos:
1. Fontes de tecnologia: a inovação pode vir de diversas fontes, tais como clientes, concorrentes, fornecedores, institutos de pesquisa, universidades e pesquisa própria;
2. Mecanismo de aquisição de tecnologia: licenciamento, aquisição da empresa que detém a tecnologia, associação ou aliança tecnológica, contratação para o desenvolvimento da tecnologia, joint-ventures e equipe própria;
3. Alocação de esforço de P&D entre os tipos de atividade: pesquisa aplicada, desenvolvimento, engenharia, assistência técnica, análises e testes de rotina;
4. Alocação de recursos de P&D para aprimoramento: os quais devem distribuir-se entre aperfeiçoamento dos produtos atuais e desenvolvimento de novos produtos e processos;
5. Fontes de recurso para P&D (externas e internas): definindo-se a evolução do montante de recursos e a participação esperada dos recursos próprios, mapeando-se as oportunidades de incentivos, subsídios e programas de apoio em geral;
6. Nível de liderança tecnológica, tanto em termos geográficos (mundial, nacional e, acrescente-se, até mesmo em âmbito local) como no que se refere a posturas (isto é, políticas) quanto ao momento de adoção de novas tecnologias;
7. Tecnologias estratégicas, identificando-se aquilo cujo domínio é um pré-requisito para que se atinjam os objetivos da empresa em termos de competitividade.
Para se compreender melhor quais são os resultados da introdução de novas tecnologias em negócios, pode-se adotar o seguinte modelo (figura 11), adaptado a partir de Noble (1995), Bolwijn e Kumpe (1990) e Slack (1993) e também proposto por Leite e Di Serio (2002).
73 Flexibilidade Tempo Custo Qualidade Inovação
Figura 11: Os Cinco Degraus de Resultados Trazidos pela Inovação Tecnológica Fonte: Adaptado a partir de Noble, 1995; Bolwijn e Kumpe,1990 e Slack, 1993.
Os cinco degraus representam a forma segundo a qual normalmente se observa o grau de amadurecimento empresarial, possibilitado pelas inovações tecnológicas no negócio, conforme figura 11:
• Custos: na maioria das vezes, quando dão seus primeiros passos na introdução de novas tecnologias, as empresas têm como foco a redução de custos, que se dá tanto pela automação de processos (ou seja, eliminação de mão-de-obra) como pelo aumento da eficiência operacional (que se materializa na redução de desperdícios, no menor capital de giro etc);
• Qualidade: uma vez consolidados os ganhos obtidos via redução de custos, normalmente começa a haver crescente preocupação no sentido de que é possível, com o uso de novas tecnologias, melhorar a qualidade dos produtos e serviços oferecidos ao mercado;
• Tempo: a próxima etapa dos ganhos trazidos pela tecnologia refere-se ao tempo, tanto em termos de time-to-market (tempo necessário ao desenvolvimento de um produto/serviço), como nos ciclos de produção;
• Flexibilidade: a flexibilização do processo produtivo facilita o atendimento sintonizado às necessidades de mercado, através da maior agilidade no mix de produtos e serviços;
• Inovação em produtos e serviços: é nesta fase que se consolidam os ganhos de competitividade, conforme está sendo apresentado ao longo desta dissertação. Inovando em produtos e serviços, a empresa estabelece novos padrões em termos de expectativas dos clientes, obrigando a concorrência a acompanhá-la.
74 Conforme se verá na análise dos casos estudados, este trabalho buscou verificar esses aspectos, apenas quando estavam diretamente relacionados à ótica mais estreita da pesquisa de desenvolvimento de produtos e serviços.
Há que se observar ainda que existem muitas formas de segmentar os resultados da inovação tecnológica. Na verdade, este mesmo tema pode ser visto por diversos ângulos, que não são necessariamente excludentes: antes, representam visões distintas de um mesmo todo, como por exemplo o modelo de Venkatraman (1994), que identifica níveis evolucionários e revolucionários na inovação. Deve-se enfatizar que este modelo foi concebido especificamente para o caso da Tecnologia de Informação, mas sua aplicabilidade é mais ampla, prestando-se para explicar também outras inovações tecnológicas.
Venkatraman (1994) propõe duas dimensões que, combinadas, definem o impacto da tecnologia nos negócios: o grau de transformação e a amplitude dos benefícios potenciais. À medida que aumenta cada uma destas dimensões, amplia-se mais e mais o impacto. O autor destaca ainda que há uma linha divisória entre dois níveis: • Evolucionários: impactos mais limitados;
• Revolucionários: impactos mais significativos
Ao longo deste estudo, estes modelos relativos à inovação tecnológica somente serão evocados quando relacionarem-se diretamente com o tema do estudo de desenvolvimento de produtos. Contudo se fez necessário apresentar esses modelos, uma vez que a Inovação tecnológica e o papel da TI são fundamentais para o estudo e compreensão da realidade do setor bancário brasileiro, conforme já citado por Leite (1996) e Diniz (2000).
Não obstante a importância do papel da TI para os negócios como um todo – apresentado nos itens 3.5 e 3.5.1 - torna-se fundamental aliá-la mais uma vez ao propósito do trabalho que é o desenvolvimento de produtos. Laurindo e Carvalho (2005) propõem em seu estudo, que o impacto da TI, particularmente no processo de DNP, pode gerar mudanças no mesmo. Enquanto Cordenonsi (2001) alerta para
75 o fato do negócio dos bancos exigir a implementação quase que contínua de novos produtos, com isso a TI (e suas respectivas áreas nos Bancos) tem como atribuições disponibilizar novas tecnologias, aplicações e sistemas a fim de suportar esses requerimentos de negócios.