7. International Governance of the Internet
7.2 The proposed models for Internet governance: self-regulation
7.2.2 Should the state remain the key international player?
No âmbito das práticas pedagógicas, a selecção cuidadosa e utilização adequada de materiais didácticos específicos jogam um papel estratégico fundamental. Nesse sentido, Nérici (s/db:401) explica-nos: “o material didáctico é, no ensino, ligação entre a palavra e a realidade. *…+ O material didáctico tem por fim substituir a realidade, representando-a de melhor forma possível, de maneira a facilitar a sua intuição por parte do aluno.”
Nérici refere que o material didáctico, para constituir material auxiliar eficiente do ensino, deve obedecer a três características essenciais: deve ser adequado ao assunto da aula; ser de fácil apreensão e manejo; e estar em perfeito estado de funcionamento se se tratar de um aparelho.
Na sequência deste estudo, parece-nos de grande relevância apresentarmos uma classificação de material didáctico. Deste modo, primeiro, faremos uma classificação mais geral e, só depois, especificaremos os materiais no âmbito da disciplina de Português. Nesse sentido, Nérici (s/db: 403), dependendo da disciplina curricular, classifica o material didáctico em: material permanente de trabalho; material
informativo; material ilustrativo visual ou audiovisual; e material experimental.
Já para o segundo caso relacionado com o ensino e aprendizagem do Português podemos encontrar a seguinte variedade de material didáctico impresso: prontuários ortográficos, dicionários de verbos conjugados, gramáticas, thesaurus, manuais escolares, cadernos de exercícios, antologia, dicionários de Língua Portuguesa, prontuários de Língua Portuguesa, textos integrais, excertos textuais, fichas de apoio, livros didácticos, audiovisuais, enciclopédias, glossários, artigos, ensaios, resenhas, roteiros, dicionários de sinónimos, dicionários de verbos conjugados, dicionários de regência, etc.
Dentre estes materiais, os manuais escolares, as gramáticas, os dicionários de Língua Portuguesa e excertos textuais são que têm sido mais utilizados nas escolas secundárias moçambicanas.
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Em termos de definição, Rangel (2005:25) afirma: “Qualquer instrumento que utilizamos para fins de ensino-aprendizagem é um material didáctico.” No entanto, dado o grau de especificação dos objectivos e conteúdo a ensinar e/ou aprender, torna-se importante que o professor de Português tenha em conta o grau de intencionalidade pedagógica dos materiais didácticos colocados a disposição para a sua prática pedagógica. Daí que um material didáctico, qualquer que seja, deve desempenhar, no exercício de suas funções, determinados papeis:
“- propiciar e orientar uma interação adequada entre o professor e o aluno, em torno do objeto a ser assimilado;
- promover uma aproximação adequada dos sujeitos, e em especial do aprendiz, em relação ao objeto;
- colaborar significativamente para que os sujeitos envolvidos atinjam os objetivos estabelecidos para a situação em questão” (Rangel, 2005: 26-27).
Em relação ao livro escolar é importante saber:
“Le Manuel est enfin un instrument pédagogique, inscrit dans une longue tradition, mais inséparable, dans son elaboration comme dans son employ, des conditions et des methods de lènseignement de son temps. Dans la mesure où les autorités éducatives n`imposente pas une doctrine officielle, le paysage editorial n`est pas uniforme: les manuels reflètent les traditions, les innovations, voire les utopies pédagogiques d`une époque” (Choppin, 1992:20).
Choppin (1992:14) apresenta uma tipologia de livros escolares segundo o destino ou uso:
- “Ceux que nous appellerons les livres scolaires stricto sensu, sont définis par l`intention explicite (titre, préface, niveau, public) ou manifeste (présentation, structure interne) de l`auteur ou de l`éditeur.
- La seconde catégorie regroupe tous les ouvrages qui, bien que n`ayant pás été conçus à l`origine pour dês élèves, on acquis par la suite une dimension scolaire. II peut s`agir de livres auxquels un usage permanent et généralisé dans le contexte de l`école a conféré cette qualité, soit parce que l`on ne pouvait, pour dês raisons diverses (financement, pénurie), se procurer d`ouvrages appropriés…”” (Choppin, 1992:14-15).
Choppin (1992:15), distingue os livros escolares de “stricto sensu” os seguintes:
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les ouvrages dits de reference; les livres parascolaires.”
Quanto às funções dos livros escolares no stricto sensu, Choppin (1992:15-17) faz a seguinte estratificação:
- Os manuais
“Les manuels sont, pour ainsi dire, les utilitaires de la classe: ils sont conçus dans l´intention, plus ou moins explicite ou manifeste suivant les époques, de servir de support écrit à l`enseignement dùne discipline au sein d`une institution scolaire” (Choppin, 1992: 16).
- As edições clássicas
”La seconde catégorie, três fèconde – c`est aussi la plus ancienne – regroupe, dans leur intégralité ou sous forms d`extraits, dês éditions d`oeuvres classiques (grecques, latines, françaises et étrangères) abondamment annotées ou à l`usage dês classes. Le niveau d`utilisation est rarement précisé car il dépend en definitive des choix qu`operant les enseignants en function des aptitudes de leurs élèves et de leurs propres gouts, mais l`importance de l´appareil pédagogique et l´appartenance systématique á dês collections étendues (Classiques Hatier, Larousse, Hachette, Nathan) ne laisse subsister aucun doute sur la destination scolaire de cês ouvrages” (Chppin, 1992:16).
- Os instrumentos de referência
“le troisième type est hybride: il comprend dês dictionnaires, dês atlas, dês précis, dês mementos, dês recueils de documents textuels ou iconographiques. La destination de cês publications n`est pás toujours exclusivement scolaire et elle n`est généralement pás explicitée” (Choppin, 1992:16).
- Obras paraescolares
“La dernière catégorie rassemble dês ouvrages assez divers qui ont pour fonction commune de résumer, de redoubler ou d`approfondir le contenu éducatif dispense par l`institution scolaire.” (Ibidem).
Desta forma, durante a planificação e execução da sua prática pedagógica, o professor de Língua Portuguesa precisa considerar a qualidade, o enfoque, a adequação e a especificidade dos materiais didácticos a usar como instrumento de apoio para o ensino e a aprendizagem, por exemplo, da variação linguística. No entanto, no caso de Moçambique, onde a produção e vulgarização de materiais didácticos tem sido um factor constrangedor, o professor de Português vê a sua acção pedagógica reduzida pela carência de referências bibliográficas para o estudo da
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variação linguística nas escolas moçambicanas. E, muitas vezes, o professor ao pensar sobre a sua prática de ensino tem como únicas referências alguns tipos impressos (dicionários, gramáticas, manuais escolares e raros estudos especializados); entretanto, na maior parte das vezes, estes materiais tornam-se bastante redutores e limitantes para a exploração e estudo da variação linguística apesar de servirem de apoio aos aprendizes ao longo da escolarização. Daí que se colocam alguns desafios:
(i) Ao professor de Português cabe contextualizar o estudo sobre aspectos referentes à variação linguística, na sala de aula, através de textos que focalizem o seu objecto na realidade linguística moçambicana;
(ii) Os materiais didácticos a serem seleccionados e/ou produzidos pelos professores de Português devem respeitar os saberes reais, focalizar as necessidades de aprendizagem e as potencialidades cognitivas dos alunos para que a variação linguística não seja um conteúdo esvaziado de significado como tem surgido nos programas e nas aulas de Português do secundário; e
(iii) Ao professor é colocado uma exigência criativa e reflexiva para a constituição de práticas envolventes para que o aluno pesquise e produza seus próprios materiais para servirem de ferramentas ajustadas a situação de aprendizagem e, desta feita, procurar fechar os espaços vazios dos programas de ensino.
No contexto de ensino do Português são vários os tipos de materiais didácticos que se cruzam para o ensino desta língua.
Entretanto, dentre as várias funções do manual escolar, Gérald e Roegiers (1998:15) destacam que o professor usa o manual escolar no sentido de transmitir conhecimentos, exercitar o aprendente, desenvolver alguns hábitos de trabalho, sugerir métodos e estratégias de aprendizagem e possibilitar a integração de saberes relacionados com os valores sociais e culturais próprias da comunidade dos aprendentes e a partilha de conhecimentos.
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Se um professor usar um manual de Português, espera encontrar alguns procedimentos didáctico-metodológicos padronizados que o ajudarão a transmitir conhecimentos, a evoluir na prática pedagógica, a melhorar a gestão da aula, facilitando a actividade de docência na integração dos saberes da disciplina. O professor precisa ter consciência suficiente de que os manuais funcionam como auxiliares e não como instrumentos incontornáveis. Nesse sentido, Castro (1995a:63) chama-nos a atenção para a relevância efectiva dada aos manuais escolares: “O manual é visto como garantia de aquisição estruturada de conhecimentos e práticas.”
Ainda em relação à importância dos manuais escolares, Castro (1995a: 64) frisa: “A valorização do manual escolar passa ainda pelo reconhecimento de que ele deixa o professor disponível para outras tarefas, sistematiza experiências, assegura a ligação entre a escola e a família.” No entanto, Carvalho (1999:111) destaca “ *…+ os manuais escolares são acima de tudo, textos reguladores das práticas de ensino- aprendizagem”.
Em relação às gramaticais escolares, podemos colocar a seguinte questão: que gramática se ensina na escola? Na tentativa de apresentar respostas relacionadas com esta questão, Vilela (1995:266) distingue alguns tipos de gramática didáctica: Deste modo, aponta uma gramática do professor (não orientada para o ensino) que fornece saberes gramaticais e orientações didácticas; uma outra gramática do professor (orientada para o ensino), que contempla informações sobre “estruturas gramaticais seleccionadas. O autor expõe a «sua» didáctica não só na selecção das estruturas como ainda nas informações auxiliares de planificação e metodologia da aula de língua” (Vilela, 1995:267).
Entretanto, as gramáticas do aprendente22, estas “são já os tipos normais de gramática didáctica: contém descrições parciais da gramática de uma língua para determinado tipo de alunos, visando determinados objectivos e fases de aprendizagem, incluindo mesmo exercícios” (Vilela, 1995:267).
Tendo em conta esta última caracterização de gramáticas, Vilela refere ser possível distinguir vários tipos de gramática conforme alguns critérios: “ *…+ tendo em
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Vilela (1995:266) aponta a gramática de consulta do aprendente como sendo a que não tem também qualquer referência ao ensino; e gramática do aprendente para o ensino.
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atenção as características dos destinatários e os objectivos, distinguimos, de acordo com o nível de conhecimento, as gramáticas elementar, básica ou mínima e a avançada” (ibidem).
A propósito das gramáticas escolares, é relevante trazer para este estudo Castro (1995b: 23-24) que considera o seguinte:
“As gramáticas escolares serão prioritariamente consideradas como textos que resultam de uma confluência de discursos em que avultam:
Um discurso especificamente linguístico (instrucional) integrando factos da língua e princípios e conceitos que possibilitam o seu estabelecimento;
Um discurso didáctico (regulador), realizado sob a forma de usos especializados da linguagem que enformam a transmissão/ aquisição pedagógica.”
Chegados a este ponto, seguir-se-á a apresentação geral dos programas do ESG para a verificação de conteúdos sobre o funcionamento da língua se incluem a variação linguística.