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2. Documentation

2.3 Rules and requirements

2.3.2 Ship Motion

Segundo Geraldi (2010), a mediação é um processo em que o professor auxilia o aluno em seu desenvolvimento, estabelecendo um diálogo com o futuro. Portanto, a mediação pedagógica no processo de produção de textos pelos alunos é necessária e fundamental para seu pleno desenvolvimento, visto que, aprender a escrever acarreta dificuldades bastante específicas.

O autor afirma que escrever não é apenas um processo de transcrição da fala para a escrita ou representar a palavra falada em signos escritos. Segundo o pesquisador, escrever é diferente do falar em muitos aspectos: os interlocutores não estão presentes face a face, a concretude da situação é inexistente, com todos seus aspectos de emoção e entonação. No processo da fala, o falante está concentrado somente naquilo que está falando, e não nos recursos linguísticos ou estruturas gramaticais agenciadas para falar. Já a escrita difere da fala, principalmente, no que se refere a esse pensar, escrever significa pensar, torna-se consciente de seus próprios atos, isto é, conscientizar-se da sua própria fala, é pensar nos recursos linguísticos mobilizados ou nos recursos que podem ser mobilizados segundo o projeto de dizer do locutor definido para o texto a ser escrito.

Desse modo, Geraldi (2010) explica que, em relação à produção de textos, o professor precisa considerar uma variedade de indícios que indicam quais os conhecimentos já aprendidos por seu aluno. No processo de mediação, segundo o autor, o ideal seria partir do já sabido “para chegar a outros aspectos do tema e a outras formas de tratá-lo e de apresentá-lo” (GERALDI, 2010, p. 170). Sair do senso comum, fazendo a ponte entre o sabido e o potencial é a melhor forma de mediação do professor. Esse autor nos ensina que considerar as condições discursivas de produção, é refletir que tudo que há para dizer, pode ser dito de múltiplas maneiras e nunca está terminado. Significa que trabalhar as diversas formas de dizer sobre um tema ou assunto é o caminho recomendado, para na sala de aula, promover a guinada do exercício de redação para a produção de texto. Dessa maneira, o professor torna-se o co-autor dos textos dos seus alunos, trabalhando juntos, refletindo juntos e ambos avançando, desenvolvendo suas capacidades na produção de novos textos.

O autor ressalta que a “constituição do sujeito autor de seus textos” (GERALDI, 2010, p. 170) começa muito antes das atividades de produção textual de sala de aula. Seu convívio no mundo da escrita, suas leituras e práticas de discussão são subsídios importantes nesse processo. Além disso, é preciso que haja um deslocamento de posição do professor: de leitor-

corretor para o mediador do processo de aprendizagem, no que diz respeito à produção de textos, o professor passa a assumir o papel de co-enunciador dos textos de seus alunos.

Para o pesquisador, na escola, muitas vezes, as atividades de leitura são feitas não para compreender algo sobre o vivido, mas para responder questões de interpretação textual ou aspectos gramaticais. O que significa um desligamento entre o texto lido, do mundo vivido pelo aprendiz. Muitos textos postos a sua disposição, seja no livro didático, sejam outros textos disponibilizados pelo professor, se tornam inúteis, pois não proporcionam ao aluno a oportunidade de discussão, reflexão, relação do texto lido com seu mundo vivido. Diante disso, tomamos como nosso os questionamentos de Geraldi (2010): “O que fazer então? Como expandir o sistema de referências de um estudante para que, ao escrever um texto, ultrapasse a retomada das informações disponíveis e conhecidas por todos?” (GERALDI, 2010, p. 172).

O autor afirma que, tradicionalmente, a sequência metodológica na produção de textos consiste em: leitura de um texto – interpretação ou discussão sobre o tema – produção textual sobre o mesmo assunto. O aluno produzirá, então, seu texto a partir de dois grandes eixos: aquele do texto lido e, no geral, mais valorizado pela escola e o seu próprio texto que nem sempre a escola valoriza.

A melhor mediação que o docente deveria pensar, para tentar minimizar o problema que nos é colocado por essa sequência canônica e partir do próprio texto do aluno. Isto é, o professor oferece textos para leitura, depois de o aluno ter escrito um texto com base na sua experiência vivida. Sendo assim, segundo o autor, teríamos a exploração conjunta do texto de leitura e o texto escrito, o que possibilitaria o avanço para além do que o aluno já traz de sua vivência, proporcionando uma maior reflexão, discussão sobre os textos.

O autor defende a ideia de que o docente, por meio da mediação pedagógica, torna-se co- autor dos textos dos seus alunos. Considerando que a escrita não é bênção divina, é processo, portanto, “escrever não é uma tarefa fácil” (GERALDI, 2010, p. 182). Por isso, fazer juntos, professor e aluno, é o melhor caminho na construção da autonomia de ambos, pois o professor também é convidado a escrever seus próprios textos, “deixando de ser somente um agente de conservação da herança cultural disponível para se fazer também ele produtor de nova herança cultural, deixando nesta as marcas de seu tempo e de sua história” (GERALDI, 2010, p. 182). Nessa perspectiva, a sala de aula deixa de ser um lugar de repetições, para se tornar um espaço onde o acontecimento é considerado.

No processo de ensino da escrita, o professor só possibilita ao aluno o desenvolvimento de sua proficiência, quando estabelece uma relação de parceria, o que significa escrever junto com o aprendiz. Encorajando, elaborando estratégias, analisando, colaborando.

Em suma: ensinar, então, não é transmissão de conhecimentos e informações, ensinar é, a partir de perguntas, construir juntamente com o aprendiz, e se necessário buscando auxílio em diversas fontes e diferentes profissionais, as respostas. Para o autor, se o objetivo é que os aprendentes compreendam e interpretem o que leem, e demonstrem a capacidade de escrever textos que se adequem as diversas situações em que possam estar participando, as unidades básicas do ensino serão sempre a prática da leitura, prática da escrita e a prática de reflexão linguística.