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5. DATA FINDINGS AND ANALYSIS

5.5. Digital Transformation and Service Orientation

5.5.3. Servitization

Foram indicadas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura de café no Estado de São Paulo os cultivares de café, registradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atendidas as indicações das regiões de adaptação em conformidade com as recomendações dos respectivos obtentores/detentores (mantenedores). Devem ser utilizadas no plantio mudas produzidas em conformidade com a legislação brasileira sobre sementes e mudas (Lei nº. 10.711, de 5 de agosto de 2003, e Decreto nº. 5.153, de 23 de agosto de 2004) (BRASIL, 2007).

Período de plantio: 1º de outubro a 31 de janeiro, nos solos tipos 2 e 3. A relação de municípios do Estado de São Paulo aptos ao cultivo de café arábica, suprimidos todos os outros onde a cultura não é indicada, foi calcada em dados disponíveis por ocasião da sua elaboração. Se algum município mudou de nome ou foi criado um novo, em razão de emancipação de um daqueles da listagem abaixo, todas as indicações são idênticas às do município de origem, até que nova relação o inclua formalmente.

O cultivar deve ser escolhido em função de diversos aspectos, destacando-se: produtividade, qualidade de bebida, época de maturação, espaçamento, microclima, ocorrência de pragas e doenças, dentre outras. Em regiões com alta incidência do fungo causador da ferrugem (Hemileia

vastratrix), a escolha deve favorecer o plantio de espécies ou cultivares

resistentes (MATIELLO, 1991).

O cafeeiro é pertencente à família das Rubiáceas, do gênero

Coffea e dentre as espécies mais cultivadas destacam-se o Coffea arabica,

conhecida como café arábica, e Coffea canephora, conhecida como café Conilon ou robusta. O café da espécie arábica normalmente apresenta uma melhor qualidade de bebida e é responsável por 70% da produção mundial ( RICCI; FERNANDES; CASTRO, 2002).

A seguir serão listados alguns cultivares de café da espécie arábica, que foram desenvolvidos ou melhorados pelo Instituto Agronômico de Campinas:

- Coffea arabica L. v. ‘Bourbon’ – considerada como uma das

variedades desbravadora, com internódios mais curtos que outras variedades tradicionais, deu origem a alguns cultivares;

- Coffea arabica L. cv. Bourbon Amarelo – selecionado na região

de Jaú, provavelmente derivado de híbridos naturais entre o Bourbon Vermelho e o Amarelo de Botucatu, com maturação precoce, sendo portanto mais recomendado para regiões mais altas e é mais suscetível à ferrugem que o Mundo Novo e Catuai.

- Coffea arabica L. cv. Mundo Novo – provavelmente originado do

melhorado pelo Instituto Agronômico de Campinas. Desenvolve bom sistema radicular, de porte alto, com alta produção, bom vigor vegetativo e boa precocidade e uniformidade de maturação.

- Coffea arabica L. cv. Acaiá. – obtido a partir da cultivar Mundo

Novo, que tinham como características boa produtividade e sementes grandes.

- Coffea arabica L. cv. Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo – obtido

pelo Instituto Agronômico, através de hibridação entre cafeeiros da variedade Caturra Amarelo, selecionados pelo vigor e produtividade. Apresenta um sistema radicular bem desenvolvido, internódios mais curtos, caracterizando porte baixo das plantas e ramificações secundárias mais abundantes. Possui a mesma capacidade produtiva do Mundo Novo e, em regiões de altitudes e clima ameno sua maturação é mais tardia e desuniforme.

- Coffea arabica L. cv. Rubi – foi obtida através do retro cruzamento de Catuai Vermelho e Catuai Amarelo para o Mundo Novo. De porte baixo, frutos vermelhos, alta produtividade e vigor vegetativo, com maior precocidade e uniformidade de maturação do que o Catuai.

- Coffea arabica L. cv. Topázio – foi obtida através do

retrocruzamento do Catuaí Amarelo para o Mundo Novo, com frutos de cor amarela, ramificações secundarias abundantes, alta produtividade e vigor vegetativo e grande uniformidade de maturação dos grãos.

- Coffea arabica L. cv. Catimor - originou-se do cruzamento entre plantas da variedade Caturra e do Híbrido de Timor (provável cruzamento entre as espécies Coffea arábica e Coffea canephora). Possui características de resistência à ferrugem, precocidade na produção e maturação dos grãos, porém apresenta baixo vigor vegetativo e pequena longevidade.

No caso do café da espécie arábica, as cultivares tradicionais, tais como Mundo Novo, Catuaí, e Bourbon, susceptíveis à ferrugem, só podem ser utilizadas em áreas de menor ocorrência da doença, bem como quando o produtor dispõe de métodos alternativos e técnicas orgânicas eficientes para o seu controle. De outro modo, a escolha deve recair sobre cultivares de café da espécie arábica, geralmente híbridas mais resistentes e já disponíveis (RICCI; FERNANDES; CASTRO, 2002), tais como:

- Icatu amarelo - obtida do cruzamento do café da espécie robusta com o café da espécie arábica, cultivar Bourbon, seguida do cruzamento com a cultivar Mundo Novo. Apresenta porte alto e frutos de cor amarela, maturação precoce a tardia, moderada resistência à ferrugem; alta produtividade e qualidade de bebida de boa a excelente;

- Icatu vermelho - obtida do cruzamento do café da espécie robusta com o café da espécie arábica, cultivar Bourbon. Apresenta porte alto e frutos de cor vermelha, maturação precoce a tardia, moderada resistência à ferrugem; alta produtividade e qualidade de bebida de boa a excelente;

- Catucaí - resultante de cruzamento entre as cultivares Icatu e Catuaí Vermelho ou Amarelo. Apresenta porte que variam de baixo a alto, frutos vermelhos ou amarelos, maturação variável, moderada a alta resistência à ferrugem, produtividade alta e boa qualidade de bebida. É indicada para plantios adensados;

- Oeiras - derivada do cruzamento da cultivar Caturra Vermelho com o Híbrido de Timor. Apresenta porte baixo, frutos vermelhos, maturação variável, moderada a alta resistência à ferrugem, produtividade média e boa qualidade de bebida. É indicada para plantios adensados;

- Obatã (IAC 1669-20) - derivada do cruzamento da cultivar Vila Sarchi com o Híbrido de Timor (CIFC 832/2), com posterior cruzamento natural com cultivar Catuaí Vermelho. Apresenta porte baixo, fruto vermelho, maturação tardia, alta resistência à ferrugem, alta produtividade e boa qualidade de bebida. É indicada para plantios adensados ou em renques;

- Tupi (IAC 1669-33) - originada do cruzamento entre cultivar Vila Sarchi e o Híbrido de Timor (CIFC 832/2). Apresenta porte baixo, fruto vermelho, maturação precoce, alta resistência à ferrugem, boa produtividade e boa qualidade de bebida. É indicada para plantios adensados, super- adensados ou em renques;

- Paraíso MG H 419-1 - originada do cruzamento entre o Catuaí Amarelo (IAC 30) e o Híbrido de Timor. Apresenta porte baixo, fruto amarelo, maturação média, alta resistência à ferrugem, alta produtividade e boa qualidade de bebida. É indicada para plantios normais e adensada;

- Catiguá MG1 e MG2 - originada do cruzamento entre a cultivar Catuaí Amarelo (IAC 86/UFV 2154-344 EL 7) e o Híbrido de Timor (UFV 440- 10). Apresenta porte baixo, fruto vermelho, maturação média, alta resistência à ferrugem, alta produtividade e boa qualidade de bebida. É indicada para plantios normais e adensada;

- Sacramento MG1 - originada do cruzamento entre a cultivar Catuaí Vermelho (IAC 81/UFV 2154-79 EL 7) e o Híbrido de Timor (UFV 438- 52). Apresenta porte baixo, fruto vermelho, maturação média, alta resistência à ferrugem, alta produtividade e boa qualidade de bebida, indicada para plantios normais e adensada;

- Araponga MG1 - originada do cruzamento entre o Catuaí Vermelho (IAC 86/UFV 2154-345 EL 7) e o Híbrido de Timor (UFV 446-08). Apresenta porte baixo, fruto vermelho, maturação média, alta resistência à ferrugem, alta produtividade e boa qualidade de bebida, indicada para plantios normais e adensados;

- Pau-Brasil MG2- originada do cruzamento entre o Catuaí Vermelho (IAC 141/UFV 2194-141 EL 7) e o Híbrido de Timor (UFV 442-34). Apresenta porte baixo, fruto vermelho, maturação média, alta resistência à ferrugem, alta produtividade e boa qualidade de bebida, indicada para plantios normais e adensados. Todas estas variedades são descritas por Ricci e Neves (2006).

A espécie Coffea canephora, originou as cultivares robusta e conilon, vinda do Congo apresenta plantas de grande porte, atingindo até 4 a 5 metros de altura, com elevado número de hastes por plantas (multicaule), com folhas de coloração mais clara do que a espécie C. arabica , sendo o conilon apresenta as folhas e os internódios menores do que no robusta (MATIELLO, 1991).

O café da espécie robusta hoje é mundialmente conhecido devido à sua ampla distribuição nos continentes africano e asiático, pois é capaz de se adaptar às mais variadas condições climáticas. Apresenta desenvolvimento inicial mais lento que o café da espécie arábica, porém pode atingir até 10 metros de altura nas regiões quentes e úmidas. É uma planta oriunda de

regiões equatoriais baixas, quentes e úmidas, estando adaptado a condições de temperatura bem mais elevadas, com médias anuais entre 22°C e 26°C. Praticamente não sofre problemas de frutificação em função de temperaturas mais altas. As lavouras são bastante produtivas, apresentando grande variedade quanto ao tamanho, formato e maturação dos frutos (GOUVEIA, 2007).

O café da espécie robusta (Coffea canephora, Pierre) apresenta tolerância aos nematóides, à ferrugem, ao bicho-mineiro e possui linhagens de alta produtividade, o que, associado à sua adaptação a baixas altitudes e temperaturas elevadas, leva a considerar sua recomendação a regiões julgadas marginais para o café da espécie arábica. No Oeste paulista, essas condições são normalmente encontradas em solos empobrecidos pela conseqüência da falta de aplicação de práticas adequadas de conservação do solo (PAULO, 2001).

A enxertia de cultivares comercial de C. arabica sobre C.

canephora tem apresentado resultados promissores, oferecendo aos

cafeicultores uma alternativa para o cultivo do café em áreas infestadas por nematóides. De modo geral, a enxertia de cultivares de Coffea arabica sobre C.

canephora e C. congensis ocasiona maior crescimento das plantas. O sistema

radicular, além de explorar maior volume de solo, parece alterar quantitativamente a absorção de alguns nutrientes extremamente importantes para o cafeeiro (FAHL et al, 1998).

Experimentos têm sido conduzidos em campo, pelo IAC, para avaliar o comportamento agronômico de cultivares de cafeeiro da espécie arábica em sistema orgânico de produção, a fim de identificar cultivares promissoras para esse tipo de cultivo. Também são contemplados aspectos relacionados ao uso racional dos recursos naturais, viabilidade técnica- econômica e qualidade do café (GIOMO; PEREIRA; BLISKA, 2007).