• No results found

2. LITERATURE REVIEW

2.1. Business Model Redesign

2.4.1 O manejo da cultura

No início da cafeicultura, muitas vezes as praticas utilizadas não eram as mais adequadas do ponto de vista agronômico, no sentido da preservação do solo e água, porém, não se utilizavam ainda os fertilizantes químicos e agrotóxicos para adubação e o controle de pragas e doenças. Utilizava-se mais a cobertura do solo para a reposição de nutrientes de forma mais natural, com esterco, casca do café e com restos de culturas intercalares e, as pragas e doenças não eram tão evidentes devido ao maior equilíbrio ambiental, a não ser o ataque de cigarras e da broca do café que provocam problemas há mais tempo (NEVES, 1974).

O bicho mineiro (Perileucoptera coffeella) é uma praga exótica, tendo como região de origem o continente africano, e a sua presença foi constatada no Brasil a partir de 1951, quando aqui entrou, provavelmente através de mudas de café provenientes das Antilhas e da Ilha de Bourbon. É uma praga monófaga, atacando somente o cafeeiro e se manifestava em surtos esporádicos, sendo explicado por alguns autores como um desequilíbrio entre os parasitos do inseto (RENA et al, 1986).

Os cafezais do Brasil sempre foram atacados pelas cigarras (Quesada gigas; Fidicina spp e Carineta spp), sendo os primeiros ataques observados no Município de Caconde/SP, causando grandes danos entre mil e novecentos e mil e novecentos e quatro e nos anos seguintes foi constatado em outras regiões, sendo que no controle eram utilizadas medidas culturais como a erradicação dos cafezais nos locais infestados e pousio do solo por dois ou três anos. A broca (Hypothenemus hampei) estabeleceu-se no Estado de São Paulo, provavelmente antes de mil e novecentos e vinte e dois, pois já nesse ano verificaram-se intensos ataques desse inseto em todas as regiões, e para o seu controle exigia-se uma colheita sem deixar grãos perdidos e a erradicação de cafezais abandonados para eliminar os abrigos e alimentos das pragas durante o ciclo da cultura (REIS; SOUZA, 1986).

No início do Século XX começou a aparecer os primeiros insumos agrícolas como os fertilizantes que iriam substituir a adubação mais natural e surgiram também os agrotóxicos, os motores de combustão interna com utilização de combustível não renovável e o melhoramento genético das variedades existentes (SANTANA, 2005).

Essa substituição dos sistemas de produção de maior diversidade cultural por sistemas mais simplificados, baseados no uso de insumos industriais químicos, máquinas e variedades vegetais melhoradas e padronizadas promoveu um aumento da produtividade, porém, por outro lado, afetou drasticamente a estabilidade ecológica e social da produção agrícola (SANTANA, 2005).

A intensificação da utilização dessa prática aumentou ainda mais, após a segunda Guerra Mundial, caracterizando a chamada Revolução Verde

que se espalhou pelos paises subdesenvolvidos, baseado no sucesso do padrão de desenvolvimento de paises do primeiro mundo, levando a expectativa de um “pacote tecnológico” que acabaria com a fome no planeta. De fato, a produção total da agricultura cresceu vertiginosamente, mas nos anos de mil e novecentos e oitenta, a euforia das grandes safras cederia lugar a uma série de preocupações relacionadas aos problemas socioeconômicos e ambientais provocados por esse padrão produtivo (SANTANA, 2005).

2.4.2 Variedades pioneiras

Os primeiros cafezais brasileiros surgiram com uma pequena variabilidade genética, devido à constituição da planta mãe que forneceu uma enorme progênie de um só cafeeiro, conhecido como Nacional ou Crioulo ou Típica, da espécie Coffea arábica cv. Arábica. Porém, aos poucos os cafezais foram se diversificando devido a raras mutações ocorridas e a chegada de outras variedades, como o Bourbon Vermelho que foi trazido da ilha de Reunião, em mil e oitocentos e cinqüenta e dois, por haver informações de que era mais produtivo e de boa qualidade (ROCHA; CARVALHO; FAZUOLI, 1980).

Em mil e oitocentos e setenta e cinco, quando do desbravamento da região de Ribeirão Preto, foi introduzido a variedade Bourbon Vermelho, que pela boa produtividade contribuiu para o enriquecimento do local. Em 1896, chegou ao Brasil a variedade denominada Sumatrão, oriunda da Ilha de Sumatra e, algumas mutações ocorreram nos cafeeiros da variedade arábica, como o Amarelo de Botucatu e o Maragogipe vermelho (CARVALHO, 2007).

Mais tarde, em 1935, encontrou-se um café no município de Américo de Campos (SP), morfologicamente semelhante e de cor amarela em vez de verde, o que lhe rendeu o nome de Cera ou Gema. Embora não produtivo tornou-se útil para as pesquisas sobre determinação da taxa de cruzamentos naturais, sobre a natureza do tecido que forma o grão do café e sobre os componentes químicos que determinam a coloração das sementes (MAZZAFERA; GUERREIRO FILHO; CARVALHO,1988).

Em 1937 o Instituto Agronômico recebeu do Estado do Espírito Santo, amostras de sementes de duas variedades provavelmente aí surgidas: Caturra Vermelho e Caturra Amarelo. Tratava-se de cafeeiro de porte reduzido e as análises realizadas na Seção de Genética revelaram que o Caturra se derivou do Bourbon Vermelho. Mostrou-se, também, que um par de fatores genéticos controla a redução do comprimento dos internódios. Mais tarde, verificou-se que o Caturra era originário do Estado de Minas Gerais e que fora levado ao Espírito Santo, onde se iniciara a sua plantação (IAC, 2007).

A ocorrência de um cafeeiro de boa capacidade produtiva e de porte pequeno constitui, realmente, uma verdadeira revolução nos planos gerais de melhoramento, pois, daí por diante, todos os projetos de melhoramento passaram a considerar a menor altura das plantas como fator de grande interesse econômico, por facilitar a operação de colheita, uma das mais dispendiosas na produção de café, e por permitir plantio mais adensado (MATIELLO; ABREU; ANDRADE, 1979).

Duas variedades importantes foram encontradas, parcialmente elaboradas pela natureza, conhecidos como Bourbon Amarelo e Mundo Novo. O Bourbon Amarelo foi encontrado no ano de 1930, em Pederneiras (SP), e deve ter-se originado pela hibridação natural entre o Bourbon Vermelho e o Amarelo de Botucatu. O Mundo Novo surgiu no ano de 1943, em Urupês (SP), pela provável hibridação do Bourbon Vermelho com o Sumatra (ROCHA; CARVALHO; FAZUOLI, 1980)

A partir da década de mil e novecentos e vinte, no Instituto Agronômico, deu-se início a um plano bastante amplo de estudos biológicos e agronômicos do cafeeiro (Coffea arábica) e, particularmente, de seu melhoramento. Assim, foram programados os mais diversos estudos, de sistemática, de citologia, de biologia da reprodução, de genética e de técnicas agronômicas, tendo por objetivo reunir informações básicas para o plano de melhoramento e renovação cafeeira, que se prolonga até os dias atuais (IAC, 2007).