As tecnologias de ecrã plano (LCD e PDP) equivalem-se em alguns aspectos e em outros são superiores às características e ao desempenho da imagem dos televisores CRT. Em 1970 o primeiro ecrã de cristal líquido LCD foi comercializado num tamanho reduzido, e exibia características para aplicações como relógios digitais e calculadoras de bolso. Mas o como o seu preço era muito alto, tornava-se pouco acessível à grande maioria, só ficando disponível para pessoas com algum poder económico (Vaan, 2007). Actualmente os LCD são os televisores mais vendidos do mercado.
Os televisores são produtos que têm vindo a evoluir ao longo do tempo, com algumas alterações notoriamente a surgir da influência do aparecimento de outras tecnologias, ou mesmos de inovações nos processos de fabricação. Por exemplo, pode-se dizer que o televisor devido ao aparecimento de diversas tecnologias, passou de um objecto com três salientes e visíveis dimensões que projectava na sua tela ou ecrã (e ainda projecta) imagens a duas dimensões, para actualmente serem objectos com uma volumetria semelhante a duas dimensões (ecrãs extremamente finos) e com capacidade para produzir imagens que aparentam ter três dimensões (tecnologia de 3D para os televisores). Nota-se essencialmente um emagrecimento da terceira dimensão do produto televisor, na caminhada desde os ecrãs
CRT até aos actuais ecrãs OLED, praticamente sem espessura. As sucessivas tecnologias implementadas têm permitido gradualmente eliminar a terceira dimensão do produto televisor, o que mostra claramente um caminho de desmaterialização do objecto e uma clara substituição do arquétipo inicial de forma (paralelepípedo) por um arquétipo de película fina, prestes a ser desmaterializado e incorporado no ambiente e no espaço construído.
A tecnologia influência claramente os televisores na sua forma exterior. Por exemplo, o televisor com a tecnologia CRT até bem perto da década de 90 do século XX recorreu sempre a ecrãs curvos. Esta curvatura resultava directamente de condicionantes tecnológicas do funcionamento do tubo de raios catódicos. Com o aparecimento das tecnologias LCD e PDP passou a ser possível aos ecrãs serem planos (FDP) e possuírem melhores ângulos de visão. Numa tentativa de manter competitividade, na sua recta final de domínio do mercado de vendas de televisores, os CRT passam também eles a possuir ecrãs planos, apesar de se assistir ao aumento do seu tamanho (especialmente em profundidade).
Outro aspecto notório é ainda o facto de podermos dividir a evolução histórica da forma dos televisores em três grandes tipos, referidos de seguida. Num primeiro período, o televisor mistura-se e dissolve-se com o mobiliário; nesta fase, o televisor enquanto objecto pode-se considerar inexistente. Com o domínio da tecnologia CRT, e as melhorias na resolução e qualidade de imagem, o televisor ganha tamanho de ecrã e diminui de volume, tornando-se finalmente independente do mobiliário e assumindo uma forma exterior autónoma (passa a existir o televisor enquanto objecto). Por fim, actualmente surge uma forma, caracterizada por uma película fina, que poderá vir a desconstruir os televisores enquanto objectos, fundindo estes na arquitectura ou no ambiente circundante. Todas estas alterações são consequentes da evolução da tecnologia no sector dos televisores, como a tecnologia LCD (liquid crystal display), a tecnologia PDP (plasma display panel) e mais recentemente a tecnologia OLED (organic light emission display), que permite a possibilidade de flexibilidade dos ecrãs e o aparecimento de formas curvas.
É inegável a influência do televisor na história do século XX e augura-se a sua continuidade no século XXI. Este é um pequeno aparelho que consegue ter um enorme papel no desenvolvimento da sociedade e na partilha de informações [43]. A caixa que mudou o mundo está prestes a deixar de ser o ser (caixa, entenda-se). Dado o crescente adelgaçamento da espessura dos televisores, estes passam a possuir uma espessura quase imperceptível, e tendem cada vez mais a desligarem-se do conceito de “caixa”.
A evolução dos televisores tem sido visível a olho nu, sendo possível identificar a tecnologia que compõe o televisor, na maioria dos casos, só com base na forma do televisor.
Relativamente à evolução da forma dos televisores em função da tecnologia, pode-se concluir que a tecnologia trouxe alterações radicais, que certamente vão levar à desconstrução do objecto. Este é um objecto que, embora tenha vivido um período de grande estabilidade de forma com a tecnologia CRT, desde os seus primórdios que tem estado em evolução/alteração de forma. A tecnologia tem claramente ajudado a determinar as sucessivas fases de forma dos televisores, que tendem agora a dissuadir-se na arquitectura, ou no espaço construído, tendo em conta a sua caminhada gradual para a perda de espessura. É de salientar que, e à imagem de todos os produtos, os televisores têm também sofrido alterações de forma que dizem respeito a modas, tendências e estética, numa tentativa de criar produtos que se consigam destacar no meio da concorrência, embora se conclua que essas alterações não sejam nada mais do que estratégias de marketing, e nada tenham de influência da tecnologia como determinante daquela forma.
O televisor é um objecto que se manteve e continua a manter livre e aberto a alterações de forma, não estando rigidamente preso a estereótipos nem arquétipos de forma (talvez com a excepção do período da típica “caixa” que eram os televisores CRT). Pode-se catalogar este produto como sendo um caso no qual a mudança gradual da tecnologia se tem revelado provocadora de alterações visíveis na forma do produto (primeira tipificação da categorização apresentada no quarto capítulo), e que no futuro poderá eventualmente levar a que exista uma desconstrução do objecto televisor (terceiro ramo da categorização explorada no quarto capítulo).