O ferro de engomar roupa é um electrodoméstico criado para tirar rugas e criar dobras de uma forma expedita, nas roupas e nos tecidos. Quando o ferro está quente, o utilizador move este objecto que consegue, através da combinação de calor, da pressão nele exercida e da sua base plana, engomar, retirar vincos e rugas de um item de vestuário. Servem também para limpar e desinfectar tecidos, matando parasitas e bactérias. Também conhecido por ferro de passar a roupa, é um utensílio muito usado pelas pessoas para alisar, suavizar e passar vestuários e tecidos, graças ao seu princípio de aquecimento, contacto e pressão [28].
Certamente que a necessidade de tornar as roupas mais lisas e confortáveis surgiu assim que os primeiros humanos cobriram a sua própria pele com outro tipo de pele. Nessa altura, um osso aquecido, uma pedra esférica ou uma madeira cilíndrica, terão servido para o alisamento do tecido. Esta actividade foi desde sempre um anseio do homem, desde que este se começou a vestir (Lemos, 2003).
Os ferros de engomar têm vindo a evoluir ao longo de centenas de anos, e começaram por ser objectos rústicos e arcaicos. Uma das formas mais elementares de passar a roupa era composta por tábuas lisas ou curvas e rolos de madeira, que eram pressionados contra a roupa para tentar alisar a mesma. Antes eram usadas prensas de pequenas dimensões, à medida da mão, feitas de vidro e de madeira dura; o objectivo era o mesmo da prensa mas em menor escala e de mais demoroso trabalho [30]. As prensas, volumosas e pesadas, feitas essencialmente de madeira, tentavam fazer o trabalho de engomar roupa, de uma maneira mais rápida e segura. No início do século XIX, uma grande variedade destes apetrechos foi criada com o intuito de aliviar o esforço e o trabalho humano envolvido em passar a ferro. Criaram-se tanto, sistemas complexos como mais simples, com rodas e engrenagens destinados a tornar o trabalho menos cansativo e entediante [30].
Nem todas as pessoas tinham roupas tratadas com ferro de engomar, só as pessoas abastadas é que se davam a esse luxo; não só ao luxo de ter o objecto de engomar, mas também ao luxo de ter criados/empregados para efectuar o serviço. Relatos dos primeiros ferros de engomar remontam ao ano 400 a.C., contando que os gregos usavam um rolo para passar a roupa. Também os romanos criaram um número de mecanismos para o mesmo efeito, desde prensas a ferros aquecidos ao lume. Contudo, foram os chineses a criar o conceito de ferro de engomar, através de uma panela de ferro, que tinha um compartimento aberto com um fundo plano e uma alça. No compartimento era metida areia no fundo e brasas por cima para aquecer o fundo da panela e de seguida se passar a roupa [29].
A maioria das inovações nos ferros de engomar chegou no século XIX, logo após o aparecimento do ferro fundido, que consequentemente proporcionou o aparecimento dos fogões com bicos em ferro fundido. Com eles era mais fácil o aquecimento dos ferros de engomar e de maneira mais higiénica do que o método tradicionalmente usado (ao lume ou recorrendo a brasas). Os ferros passaram também a ser produzidos em ferro fundido; todavia não deixaram de ser objectos pesados (cerca de 5,6 kg) e difíceis de mover, que eram tudo menos apetecíveis de utilizar.
Para além da dificuldade de utilização, a segurança era reduzida ou mesmo nula, nestes produtos. Como os ferros planos eram aquecidos muitas vezes, estes aqueciam de forma desigual aquecendo todo o objecto e também a pega, dificultando ainda mais a tarefa para quem os utilizava. Assim foi, até que em 1870, Mary Potts cria uma pega feita com papelão e gesso, que permitia assim pegar no ferro de engomar sem o risco de queimaduras. Surgem de seguida as pegas de madeira e os chamados ferros “tristes”, aquecidos artificialmente, são rapidamente implementados de uma forma global no mercado. Mais tarde outra patente é atribuída a Potts, ao criar a pega descartável que permitia o aquecimento do ferro sem aquecer a pega (Wray, 1997).
A evolução seguinte consistiu na aplicação de outra forma para aquecimento dos ferros, utilizando gás e álcool que se queimavam para fazer aquecer a base do ferro. Contudo, o perigo de fugas era muito grande, e não compensava o ganho em leveza que esta forma de funcionamento proporcionava relativamente aos ferros de engomar tradicionalmente utilizados. Surgem então outras formas para alimentar o queimador, responsável por aquecer a base do ferro, como o óleo, a gasolina, a parafina, entre outros combustíveis, isto sensivelmente à data de 1874.
Em 1880 surge o ferro eléctrico, aquando da implementação a grande escala da electricidade nos lares. O primeiro ferro eléctrico foi patenteado por Henry W. Seeley em 1882; é também nesta data que se dá o ponto de viragem destes utensílios [28]. Viviam-se os primórdios do ferro de engomar eléctrico, como tal inúmeros problemas ainda existiam, sendo o principal o demorado tempo que levava a que a passagem da corrente eléctrica aquecesse a base do ferro, e ainda o limitado tempo que este se mantinha quente quando em utilização. Em 1903, Earl Richardson inventa uma placa única (a base do ferro de engomar) tornando mais fácil o seu aquecimento, e dando um impulso ao ferro de engomar com cabos eléctricos directamente ligados ao ferro. Na década de 1920, Joseph Myers melhorou o ferro e o cabo eléctrico, e adicionou um controlador de temperatura (termóstato) feito de prata pura. Em 1922 surgem os primeiros exemplares de ferros de engomar eléctricos sem fios, mas só em 1984 é que são aceites pelo mercado. Entretanto, aparecem os ferros a vapor, em 1926, introduzidos pela Companhia Eldec, que veio facilitar em muito o processo de passar a roupa a ferro, estabelecendo um novo ponto de viragem nos ferros de engomar. Anteriormente, a roupa era borrifada com água e passada a ferro enquanto estava húmida. Os ferros a vapor utilizavam um tanque de água que ao aquecer possibilita a evaporação da água, que saía através de pequenos orifícios na chapa única que compunha a base do objecto. Estes ferros de engomar, a vapor, popularizaram-se na década de 1940.
O problema subjacente aos então modernos ferros de engomar a vapor era o consequente enferrujamento da base metálica, até que no ano de 1938, Edward Schreyer, desenvolve uma liga de alumínio que não enferruja. Surgem mais inovações, como o aparecimento do primeiro ferro de engomar que poderia variar entre funcionar a quente ou a vapor, o primeiro ferro com desligamento automático, aparece o revestimento antiaderente na chapa da base dos ferros, surge a implementação em larga escala do plástico para revestimento da carcaça do ferro, entre outras inovações [29]. A partir da década de 1950, os fabricantes começaram a abastecer o mercado com uma grande variedade de formas e feitios dos ferros de engomar, disponibilizando modelos capazes de atender ao gosto e à preferência dos consumidores [28]. Os ferros de engomar caminhavam para a forma que têm hoje, aparecendo há pouco tempo o ferro de engomar com caldeira, com grandes vantagens de eficiência e desempenho da função de passar a ferro, relativamente aos seus antepassados.
Antigamente considerados objectos pesados e difíceis de usar, muito devido ao facto de serem feitos à base de ferro, são agora na sua maioria, produtos modernos que são feitos de metal e plástico com mais ergonomia e sofisticação, tornando este um objecto mais útil, eficiente, prático e leve.