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In document Overenskomster medfremmede stater (sider 77-81)

Inicio essa seção descrevendo uma situação do cotidiano de um dos coletivos antirracistas que eu acompanhei. Esse exemplo simples, das percepções coletivas sobre o tema, traz diversos elementos para dialogar sobre as tramas sociais que envolvem o discurso e como elas são controladas, vigiadas e podem, por outra dimensão, promover alterações dos códigos e signos estabelecidos.

No primeiro encontro que tive com a

Red Barrial Afrodescendiente

, em abril de 2014, Maritza Lopez, Hildelisa Leal e Damayanti Matos distribuíram pequenas tiras de papel para os presentes. Algumas delas diziam: "

No hable de eso"; "Ese tema es candela"; "La Revolución acabó con

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eso", "¿Ay, quien te dijo que hay racismo en Cuba?", "No cojas lucha con eso"; "Ese tema nos

divide", "No hables de eso ahora", "por favor, que con todo el problema que hay, ¿a qué viene de

hablar de eso ahora?", "Eso no es prioridad en este minuto"

.

Todas essas frases são muito presentes no cotidiano, nas vivências, nos corpos e nos hábitos cubanos. Nas atividades nos bairros sobre a questão racial essas frases surgem com freqüência e indicam as interdições e os tabus presentes no cotidiano. Na avaliação de Maritza Lopez:

La mayor parte de nuestra población, incluso la que está cercana a la Red barrial, no tiene percepción de la magnitud del problema. Por eso es que en algunas de las presentaciones que nosotros llevamos, primero llevamos como unos cintillos de qué es lo que más dice la gente. Por ejemplo una de las cosas que mucha gente dice es: "La Revolución acabo con eso" o "¿Ay, quien te dijo que hay racismo en Cuba?". ¡Es que duele! Hay quien dice: "Ese tema es candela" y mira mis ojos. Porque hay quien habla más con gestos que con lo que expresa. Son aparentemente dicharachos, pero dicharachos que hacen pensar. Esas son las cosas que más la gente dice. (Maritza Lopez, entrevista realizada em 15/08/2015).

Os discursos que permeiam a construção das ideias sociais sobre a questão racial envolvem cuidado e controle. São temas que podem causar rusgas nas relações interpessoais, problemas políticos de ordem institucional, desprezo ou rechaço. As frases colhidas pela Rede exemplificam parte das barreiras que necessitam ser transpostas para se abordar o tema. Para além de explicitar posições localizadas e individualizadas, essas reações ao tema indicam elementos pactuados em um nível societário mais amplo. A dimensão do interdito permeia, inclusive, os valores vinculados à boa educação, e aos bons costumes. Não é uma ação bem vista tratar das relações raciais ou mesmo abordá-las numa perspectiva identitária:

Yo pienso que las relaciones interraciales en Cuba tienen como particularidad que ha habido toda una, toda una organización social, ha habido un discurso social, más que una organización un discurso social que ha tratado de convencer a la gente de que distinguirse racialmente es de mal gusto, eso viene desde la colonia. Se ha entendido que un gesto de buena educación es no eludir al color de las personas, eso es verdad relativamente porque el paternalismo también es muy ofensivo; y cómo es Irene96, Irene que ya es

una persona mayor, no una negrita ella clara, oye ella no tiene edad para que le digan negrita, ese diminutivo paternalista es como para no. Entonces en Cuba ese racismo de buenas maneras, ese racismo de buenas costumbres se legitimó durante mucho tiempo y contribuyo a que hubiera socialmente una especie de consenso para encubrir el problema racial. (Entrevista com Zuleica Romay, realizada em 01/08/2015).

É sintomático perceber como se reforçam, pelas estratégias discursivas, preceitos construídos socialmente, tais como os interditos vinculados à abordagem da dimensão racial. Os discursos, contudo, são práticas descontínuas, que se cruzam, se ignoram ou se excluem (FOUCAULT, 2006: 52-53). Nessa multiplicidade de abordagens sobre o tema racial, estão dispostas as diferenças entre uma possibilidade de verdade e aquela verdade construída e aceita por uma dada

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sociedade. Seria a verdade interessada a determinado grupo social, aquela que não contradiz o

status quo

, a verdade oficial (FOUCAULT, 2006: 35).

As tirinhas de papel, que reproduzem algumas das abordagens socialmente construídas sobre o tema, trazem diversos elementos que dialogam com as reflexões foucaultianas sobre o discurso. A "verdade" que interessa é aquela que silencia esse debate, que o invisibiliza, que o situa no

lócus

das coisas solucionadas, que não há por que tocar, abordar. Por isso, várias das tirinhas remetem ao interdito. Inclusive, nos contatos interpessoais, se busca dissimular essa dimensão, como sinaliza Zuleica ao falar sobre o inconveniente socialmente construído de se falar na cor das pessoas.

As dinâmicas sociais que contribuem para a manutenção dessas verdades, desses valores, se amparam em rituais específicos de propagação e validação dos discursos. São dinâmicas que também coagem os movimentos que desconstroem essa verdade. As formas de controle são múltiplas, e, novamente, as tirinhas trazem algumas delas. A seguir, a partir das reflexões de Foucault (2006), as classifico em três categorias de acordo com o tipo de controle e exclusão

- Contestação da veracidade do discurso:

"La Revolución acabó con eso", "¿Ay, quien te dijo que

hay racismo en Cuba?";

-

Sinalização de que discursos que possam, de alguma forma, corroer o

status quo

são perigosos: "

No hable de eso"; "Ese tema es candela"; "Ese tema nos divide", "No hables de eso ahora",

"por favor, que con todo el problema que hay, ¿a qué viene de hablar de eso ahora?";

- Indicação de desprezo e não importância ao discurso:

"Eso no es prioridad en este minuto"

,

"No cojas lucha con eso".

As categorias foucaltianas de controle e exclusão são: (i) a interdição, operacionalizada pelo tabu e pelo direito privilegiado; (ii) a rejeição, a invalidação do discurso, num dualismo entre a loucura e a razão; e (iii) a busca pela verdade, que confronta divergentes visões e valida a verdade oficial. O controle do discurso seria, então, uma parte inerente das sociedades:

Suponho que em toda a sociedade a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível maternidade (FOUCAULT, 2006: 8-9).

Esse processo fluido e aleatório permeia também as estratégias de inversão dos signos, de seus significantes e significados, como explicitado no exemplo abaixo:

120 Tengo una abuelita que tiene más de sesenta y tantos años que cuando empezó a venir a los primeros encuentros me decía: no pero yo no soy negra, eso que ustedes están hablando tiene que ver mucho con las personas negras, pero yo no, yo soy mestiza, y en la medida en que ha ido participando por ejemplo, ahora empieza reconocer, dentro de sus ancestros, la importancia que tuvo su abuelo chino, su abuela negra, su otra abuela blanca porque los matrimonios interraciales conforman su base ancestral pero ella fue educada para no reconocer ninguna de esas bases a no ser la clara, le dolía la parte negra y la parte china y ya ella hoy por ejemplo hasta cuenta cosas de sus abuelos que dice que en otro momento no se le hubiera ocurrido. (Maritza Lopez, entrevista realizada em 15/08/2015).

Nesse caso, há uma inversão de valores agregados aos significados de "negro" e "chinês", que passam a ser positivamente valorados e ocorre um deslocamento de sua posição de ocultamento inicial para a visibilidade, para compor o discurso público.

Esses discursos refletem as relações sociais e os valores que ratificam o

status quo,

ou as estratégias para questioná-lo. São permeados pelas relações de poder e dominação inerentes a esse meio social. Por outro lado, essas relações de poder e dominação não são uma reprodução social total, elas apresentam fissuras, ambigüidades e contradições inerentes a toda situação de poder desigual, que possibilitam questionamentos das relações de poder e dominação, a partir da agencialidade dos sujeitos (ORTNER, 1995).

Ortner (1995) reflete sobre a tradição binária presente em muitos estudos sobre resistência

versus

dominação, em que o aspecto ambíguo dessas construções não são questionados. A dominação se constitui como uma forma de poder fixa e institucionalizada e a resistência é a oposição organizada ao poder institucionalizado. O rebuscamento desses estudos, de acordo com Ortner, vem com Foucault (1999), em "A história da sexualidade", que chama atenção para as formas de poder menos institucionalizadas, e com Scott (2004), que destaca as formas de resistência menos organizadas.

Esse debate sobre resistência e dominação, a partir de uma visão que desconstrói a rigidez desses conceitos, é significativo para essa pesquisa. Os coletivos antirracistas em Cuba se posicionam em contraponto ao discurso público97 sobre a questão racial. A dinâmica de resistência é derivada de um processo de conscientização dos agentes sociais sobre as relações raciais vivenciadas, sobre a necessidade de se embaralhar essas disposições e fomentar redes de solidariedade entre os coletivos.

São mobilizações que se opõem ao racismo, que produz desigualdades palpáveis na relação com instituições públicas, como a polícia, nos setores da economia emergente, como os espaços turísticos que são bastante embranquecidos. Muitas vezes, essa relação de contraposição acaba se

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materializando no Estado, que seria o responsável por mediar ou executar a maioria das demandas dos coletivos antirracistas. Essas demandas permeiam, por exemplo, o estabelecimento de leis que regulamentem a criminalização de atos discriminatórios, a formação de professores sobre o tema, a incorporação de forma mais representativa dessa temática e de trabalhadores negros nos meios de comunicação. Zurbano faz uma análise sobre a política oficial relacionada ao racismo e às relações raciais em Cuba, nas décadas de regime socialista:

[...] el modo en que la política oficial del socialismo cubano se ha comportado frente al racismo insular, primero elaborando su propia ceguera ideológica ante la supervivencia y renovación del racismo, después provocando un largo silencio sobre el tema y, finalmente, no asumiendo, explícita o implícitamente, alguna política racial o estrategias, directas o indirectas, con qué enfrentar la presencia del racismo en la isla. (ZURBANO, 2015: 17)

Essa colocação toca em pontos que marcam o contraponto feito pelas organizações sociais frente ao Estado. Todavia, uma oposição direta e simplista entre subordinados e dominantes não pode ser feita nesse caso, pois há diversos fatores complexificam essa trama.

As pessoas que militam na pauta antirracista em Cuba têm vinculações de reciprocidade com a Revolução - um ente quase mitológico, tal como explicitado no depoimento abaixo:

Para mí la Revolución cubana cobro sentido el 22 de marzo de 1959 que fue la primera vez que Fidel Castro se refirió al tema de la discriminación racial y el racismo que lo hizo de una manera muy fuerte. Entonces fue que para mí la Revolución cubana cobra un sentido. [...]Ahí fue que yo tome conciencia de esto, de lo que significaría, lo que podía significar la Revolución para los de abajo en general y para los negros los descendientes de africanos como es mi caso, aunque también lo soy de español en particular. Y eso significó un compromiso que se tradujo después en una militancia. Yo no soy militante del Partido, nunca lo he sido, pero si tengo un compromiso militante con la Revolución cubana. (Entrevista com Tato Quiñones, realizada em 29/05/2014).

Por outro lado, há um forte processo de reconhecimento dos avanços proporcionados pela Revolução no que concerne às políticas sociais, educacionais, de saúde, dentre outros. Mas, há também a percepção de que esse vínculo de reciprocidade é falho em outros tantos pontos, sobretudo em relação às desigualdades raciais e ao racismo no caso das narrativas presentes nesse estudo. Parte dessas fissuras se reflete nos silêncios, ainda muito presentes sobre o assunto, cuja percepção vincula esses tabus existentes com as estratégias da própria Revolução, que não propiciaram essa abertura:

[...] Entonces lo que educa, lo que forja, lo que fragua la conciencia es eso que en Cuba nunca existió (el racismo). O sea, lo racial siempre fue parte de otra cosa. Ahora a veces nosotros nos preguntamos, ¿por que aquí en Cuba la gente no tiene conciencia racial? No, aquí la gente tiene conciencia del color, porque todos los días algo o alguien te recuerda cuál es tu color. Pero que hay mucha gente que no revierte esa experiencia en voluntad de enfrentarse. Bueno, ¿y cómo es posible, si la propia Revolución debió darle a la gente el empuje para eso? Es que la Revolución durante muchos años le dijo a la gente que eso no era importante, usted primero es cubano, entonces agarramos al pobre Martí, que siempre lo tenemos de como de un Hombre que es más que blanco, más que negro. Es muy difícil ahora tener una población con una conciencia racial fraguada, firme, con voluntad de lucha. Hoy el cambio de la situación requiere

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Zurbano também reforça esse aspecto do vínculo com a Revolução, mas com quebras em alguns aspectos, como esse relacionado à dimensão racial. Nesse caso, contudo, há uma percepção de relação estabelecida para essa troca entre Estado e Sociedade Civil, mesmo que adornada com certo pessimismo:

Hay organizaciones como la que yo milito por ejemplo que son parte de la sociedad civil afirmativa de la Revolución, pero critica de la Revolución con respecto al tema racial que pretendemos hacerles propuestas al Gobierno cubano para que se ocupe de este tema, para que resuelva algunos elementos que queremos hacerle propuestas de trabajo, de acciones de posibles leyes, acciones legales que debían enriquecerse. El Gobierno no está convencido de eso y tampoco, como no discute nada de eso, tiene expertos de esa historia que le digan esto se puede hacer de esta manera o de esta otra. (Entrevista com Roberto Zurbano, realizada em 15/10/2014).

Os vínculos de reciprocidade e de não reciprocidade com a Revolução são importantes para compreender as dinâmicas existentes. Mas, são também fundamentais os processos de reciprocidade intra e entre organizações:

En el camino de la Rede Barrial Afrodescendiente todavía quedan cosas por hacer en el año (2014), entre ellos un encuentro con Afrocubanas, que tenemos mucha cooperación, que queda pendiente. Nosotros siempre a final de año damos cuentas a ARAAC que hacia dónde vamos, que estamos haciendo, como nos movemos, escuchamos criterios de personas que como miembros de ARAAC tienen un compromiso muy fuerte con el tema, siempre escuchamos todo lo que nos dicen, tomamos nuestras propias decisiones, pero escuchamos con mucho respeto las experiencias que tienen. (Entrevista com Maritza Lopez, realizada em 15/08/2014)

Cabe destacar também os desencontros estabelecidos nas redes de solidariedade e de reciprocidade das organizações e agentes sociais, o que ressalta o dinamismo dessas relações:

Cuando se crea el grupo de ARAAC, que yo soy una de las personas que invitan a la fundación, a la creación de esta actividad el grupo de Afrocubanas se siente un poco que tributarias de este supuesto gran proyecto y pensando en que este era el proyecto mayor y que los proyectos pequeños debíamos que tributar a este gran proyecto, cada quien desde su lugar, desde su posición, desde lo que hacía y como lo hacía; nosotros hicimos un proyecto de trabajo y lo presentamos a ARAAC. Dio la coincidencia que cuando se crea ARAAC, a mí me nombran coordinadora del eje de género. Yo estaba presentando mi proyecto como coordinadora del grupo de Afrocubanas y que lógicamente se adecuo a las características de diferentes ejes de ARAAC, de todo el eje de género. Propusimos un proyecto de trabajo de diferentes seminarios durante seis meses. Lo cumplimos al máximo, con la calidad requerida, porque buscamos todos los expertos de los temas que habíamos propuesto para que se diera. pero en mi caso personal tuve una decepción muy grande, y es que se buscaban los expertos de los diferentes temas para que dieran los seminarios, los talleres, pedidos de favor, no tengo dinero para pagarte, no tengo transporte para moverte, no tengo nada que darte, pero si te pido por favor, que me ayudes. Fue muy triste que después que uno hacía todos esos esfuerzos y movía a todos sus contactos, entonces de ARAAC iban una o dos personas a los talleres y muchas de las otras personas que iban eran haladas por nosotras, entonces yo decidí cumplir con el plan que había propuesto y cuando termine el plan pedí que me sustituyeran en la coordinación de género. Entonces comenzamos a reactivar el grupo de Afrocubanas. (Entrevista com Daysi Rubiera, realizada em 01/08/2014).

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Portanto, os vínculos são estabelecidos e desconstruídos num processo dinâmico, não linear, característico das relações sociais. Apesar da convergência em vários momentos e em outros tantos da não convergência, esses coletivos e agentes sociais comungam de uma perspectiva ampla comum: há racismo em Cuba e é fundamental falar sobre esse assunto numa escala mais ampla e formular políticas públicas para responder a essas questões. A forma, o método, as estratégias são debatidas e propostas de diferentes maneiras. Não há uma unidade organizativa, há sim uma diversidade narrativa que conforma essa rede de mobilizações antirracistas no contexto cubano.

Cabe também destacar que os lugares ocupados por esses agentes sociais e coletivos não conformam os mesmos espaços na hierarquia socialmente construída entre eles. Há assimetrias de poder nessas relações internas nos coletivos e entre as organizações e atores sociais. São assimetrias geradas muitas vezes por fatores externos a esse universo, como agentes do Estado ou interlocutores internacionais.

É o que ocorre, por exemplo, com a Comissão Aponte, vista pelos demais coletivos como interlocutora privilegiada do Estado e da sociedade política, por ter atuado na construção de propostas de políticas públicas para a pauta racial encaminhadas ao vice-presidente do país, entre o segundo semestre de 2014 e primeiro de 2015.

Nosotros (Comisión Aponte), en aquella situación planteamos a Días Cannel, la falta de sistematicidad que hay en el tratamiento con relación a la discriminación racial en Cuba, la falta de coherencia que hay en el tratamiento a la discriminación racial en Cuba. La necesidad de establecer una estrategia para atender esa problemática, independiente de todo lo que ha hecho la Revolución. Que de modo sistemático no existe y que si, los enemigos están se preparando para eso. Que a veces se dan pasos adelante y cinco atrás. [...] Entonces él (Días Canel, vice presidente de Cuba) nos dijo: Preparen un plan. Hagan una propuesta. [...]Estuvimos cinco meses trabajando en esa propuesta y entregamos a Días Canel. Entre las cosas que se planteaba era criar una estructura o un observatorio que sirviera de vehículo y instrumento para dar segmento a la problemática en el país. Existía la discriminación de género y se crearan la Federación de Mujeres Cubanas. Existía la discriminación por asuntos religiosos y se creó una oficinal el Comité Central del Partido, para el tema de la discriminación homosexual también se creó un organismo. Y que pasaba con la discriminación por el color de la piel, que es el más antiguo y uno de los más injustos. [...] Para nuestra sorpresa, Días Canel dijo: No, por el momento no. Por el momento, yo personalmente voy a atender el problema. Vamos a reunirnos todos los meses, vamos a analizar todos los meses un tema de carácter económico, social, jurídico, científico e operativo. Y comezamos a reunirnos

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